31 outubro 2008

CRISE DE CONFIANÇA

E os novos indicadores sobre a confiança europeia não são nada famosos. Bem pelo contrário.

E, AGORA, A BIELORRÚSIA

A crise financeira também já chegou à Bielorrússia.

SINAIS DE RECESSÃO

Os primeiros sinais que a recessão na economia americana está à porta começaram a surgir. Ontem, foram publicadas as estatisticas do Departamento do Comércio, que revelaram que a economia americana se contraiu 0,3% no terceiro trimestre (taxa anual). O consumo baixou cerca de 3% e o investimento 1%. Para termos uma ideia melhor sobre a magnitude da recessão vamos ter que esperar pelos números do quarto trimestre. Veremos.

GM-CHRYSLER

Afinal, a GM já não deve ir à falência. Para que tal não aconteça a GM vai-se juntar à rival Chrysler. Já se prevê que a fusão das duas empresas dê azo a dezenas de milhares de desempregados em várias fábricas na América do Norte. Pelo menos, a GM não desaparece.

A NOVA GUERRA DO CONGO (3)

Já se fala de uma nova crise humanitária no Congo. Os riscos da situação ficar fora de controlo são muito reais e assustadores. Convém lembrar que na última guerra do Congo, 8 países da África subsaariana estiveram envolvidos e cerca de 5 milhões de pessoas perderam a vida directa ou indirectamente por causa da guerra. Na altura, pouca gente falou desse conflito ou se importou com o que estava a acontecer porque... era na África subsaariana. Contudo, é imperioso que não deixemos que a barbárie se instaure outra vez. A ONU, a UE, e outras organizações internacionais têm que fazer tudo ao seu alcance para tentar evitar uma nova catástrofe.

A CRISE NA RÚSSIA

A Rússia continua a sofrer os efeitos da crise financeira. O governo avança com um plano de resgate do sistema financeiro (mais um "bailout"), mas há quem diga que é só para salvar os oligarcas. Há já quem tema uma nova crise cambial e financeira como em 1998.

30 outubro 2008

JUROS MAIS BAIXOS

Como era esperado, a Fed baixou as taxas de juros em o,5 pontos percentuais. A taxa directora nos EUA é agora de 1%. A Fed continua a prosseguir uma política muito agressiva para tentar evitar uma recessão prolongada. OU seja, a Fed continua muito mais pro-activa do que outros bancos centrais como o Banco Central Europeu. A decisão da Fed acarreta boas e más notícias. A má notícia é que há cada vez menos margem de manobra na política monetária. Se as medidas dos últimos tempos não resultarem não há muito mais que a Fed possa fazer para estimular a economia. A boa notícia é que a decisão da Fed ajuda o mercado imobiliário americano (que esteve na origem da crise), bem como os investidores e consumidores. Apesar de haver muito pouca confiança na economia, taxas de juro tão baixas irão, mais cedo ou mais tarde, ajudar os investidores e os consumidores americanos e, assim, à própria retoma da economia. Esperemos que sim.

A CRISE CHEGA À UCRÂNIA

As repercussões da crise financeira chegaram à Ucrânia. O sistema financeiro ucraniano está em risco e, por isso, a Ucrânia pediu um empréstimo de 16,5 mil milhões de dólares ao FMI para tentar evitar um colapso financeiro.

A NOVA GUERRA DO CONGO (2)


Milhares de refugiados tentam escapar aos combates entre os rebeldes e as forças governamentais na República Democrático do Congo. A cidade de Goma está em estado de sítio ameaçada pelos rebeldes. A situação actual parece estar a degenerar dia após dia. Nos próximos dias saberemos se o Congo irá sucumbir a um ciclo de violência parecido ao que aconteceu durante a última guerra civil.

A QUEDA DE UMA POPULISTA

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ganhou uma enorme notoriedade no ano passado quando se apresentou como a candidata do povo e para o povo. Kirchner ganhou e os argentinos depositaram uma grande esperança no seu governo. Um ano mais tarde a popularidade da "rainha Kirchner" (como ficou conhecida) desceu para níveis pouco habituais para um presidente que acabou de ser eleito. A inflação reapareceu e a dívida pública cresceu exponencialmente. A situação não está tão má como em 2001, mas deteriora-se a cada dia que passa. Em suma, a Argentina continua (praticamente) na mesma.

29 outubro 2008

A CRISE CHEGA À HUNGRIA

Chegou a vez da Hungria ser afectada pela crise financeira internacional. A moeda húngara tem descido vertiginosamente nos últimos dias e a estabilidade do sistema financeiro húngaro está em risco. O Banco Mundial, o FMI e a União Europeia já ofereceram ajuda a este país do leste Europeu, disponibizando um empréstimo de 20 mil milhões de euros. Alguns húngaros até já atribuem a culpa da crise no seu país à União Europeia, principalmente à imposição dos novos Estados-membros terem que seguir os Critérios de Convergência (que todos os países no euro tiveram que seguir). Esta crise está a ficar cada vez mais interessante do ponto de vista político.

A CRISE ISLANDESA (4)

A crise na Islândia continua. Agora surgem notícias que o Banco Central islandês subiu as taxas de juros de referência para 18%. Porquê? Para tentar travar segurar a moeda nacional e para tentar dinamizar os mercados de crédito islandeses. Não é difícil antecipar as consequências de tal decisão. Imagine o que não será pagar a prestação de um empréstimo bancário para compra de habitação se a taxa de juro ronda os 20%. Ou pagar o seu cartão de crédito com taxas de juros perto de 25 ou 30%. Ou tentar investir num projecto qualquer quando os juros dos empréstimos bancários rondam os 20%.
Claro que já se estão a ver as consequências para a economia real. Serão terríveis. A Islândia permanecerá em crise durante bastante tempo. Quem disse que a crise financeira não tinha consequências reais?

OBAMA, O ANTICRISTO

Muitos evangelistas americanos continuam a retratar Barack Obama como ... o Anticristo. Existem toda a espécie de teorias de conspiração sobre Obama (que se associa com terroristas, que é muçulmano, que estudou em madrassas na Indonésia, que que que), as quais se têm intensificado nos últimos dias de campanha. De acordo com estes sectores mais radicais, a eleição de Obama para a presidência será o princípio do Apocalise.
Agora, chegou a hora de dizer que um voto para Obama dá direito a uma passagem para o Inferno. E quem votar Obama não é cristão. Segundo uma destas fundamentalistas:
"To all those who name the name of Christ who plan to willfully disobey Him by voting for Obama, take warning. Not only is our nation in grave danger, according to the Word of God, so are you ... [T]his election is not about race. It's not about the economy. It's about obeying God. ...
Be forewarned: If you willfully disobey God on life and marriage because of race or false hope for the economy, you will usher in the kind of change that brought the Soviet Union to collapse. But the warning goes far beyond that. To those who think that God's grace gives them license to willfully disobey Him without consequences – think again:
Not everyone who says to Me, "Lord, Lord," shall enter the kingdom of heaven, but he who does the will of My Father in heaven. Many will say to Me in that day, "Lord, Lord, have we not prophesied in Your name, cast out demons in Your name, and done many wonders in Your name?" And then I will declare to them, "I never knew you; depart from Me, you who practice lawlessness!" (Matthew 7:21-23). That deals with your eternity
...
To those who call themselves by the name of Christ who ignore what God says about life and marriage, who and are clinging to a fantasy of economic gain, think again ... Then obey Him in the voting booth and out of it. If not, do us all a favor and quit calling yourself a Christian. "
Hmm... Ah, como eu adoro as eleições americanas...

A NOVA GUERRA DO CONGO

www.bbcnews.com


As primeiras imagens do novo conflito na República Democrática do Congo.

28 outubro 2008

O PODER DA LIBERDADE

video

Até os cães fazem tudo para conseguir a liberdade. Um video extraordinário.

A GUERRA NOVAMENTE

Voltou a guerra civil na República Democrática do Congo (ex-Zaire). Na última década mais de 5 milhões de pessoas morreram directa ou indirectamente por causa da guerra civil congolesa. O recrudescimento da guerra não augura nada de bom para os próximos tempos.

UMA LOUCA EXAUSTÃO

O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, anda exausto. Pelo que parece, o pobre homem trabalha 20 horas por dia e anda esgotado. As más línguas dizem que o grande visionário iraniano padece de algum mal de saúde. Tais calúnias certamente têm origem no país do Grande Satã. Outras más línguas afirmam a pés juntos que o líder espiritual do Irão irá aproveitar a deixa para mandar o carismático (mas errático) líder às malvas por forma a substituí-lo por alguém mais competente. O mais certo é que o Grande Visionário saia deste mal-estar temporário mais retemperado e mais forte do que nunca para combater a inflação crescente e o desemprego que se acumula. E viva a Revolução Iraniana!

A DINAMARCA E O EURO

A pequena Dinamarca também foi afectada grandemente pela crise financeira, principalmente devido à grande desvalorização da coroa dinamarquesa. Há já quem defenda que só resta à Dinamarca entrar no euro para evitar episódios semelhantes no futuro. As sondagens já dizem que mais de 50% dos dinamarqueses apoiam a adesão ao euro. Resta saber se o mesmo se passará dentro de alguns meses ou num referendo sobre o euro... (o que, sinceramente, não acredito)

McCAIN CONTRA PALIN

Estamos a uma semana das eleições americanas, quando a grande maioria dos americanos irá às urnas para eleger o novo presidente. Muitos outros optaram por votar quer por correio, quer antecipadamente, pois nalguns estados é possível votar duas semanas antes das eleições.
As sondagens dão todas uma vantagem considerável para Obama, que se deve tornar no novo presidente americano, a não ser que haja uma enorme surpresa na última semana da campanha (Bin Laden a apoiar "Barack Hussein Obama"?).
Com efeito, a grande supresa do momento tem sido a enorme batalha que se tem passado entre... McCain e Palin. Como a campanha parece destinada ao fracasso, as recriminações entre os Republicanos sobem de tom. As coisas estão tão más que os próprios ajudantes de McCain e Palin têm trocado acusações sobre quem tem a culpa pela derrota (vindoura), sobre quem tem a culpa por comprar roupas no valor de 150 mil dólares para Palin, bem como quem é culpado pelo fracasso das entrevistas de Palin aos meios de comunicação social. As coisas estão tão interessantes que um dos ajudantes de McCain chamou Palin de "diva". Hmmm... Será que isto será um sintoma do que irá acontecer no dia 4 de Novembro?

27 outubro 2008

A CHINA E A CRISE

O influente analista britânico Will Hunt argumenta que a China não está em condições para resgatar o Ocidente da crise económico. Segundo ele, quando muito o oposto acontecerá. Outra das ideias interessantes do artigo é que o partido comunista chinês está a pensar levar a cabo a maior reforma agrária da história chinesa recente. Como? Colectivizando a terra? Não, pelo contrário. Concendendo contractos de arrendamento e de leasing aos camponeses (que ficariam praticamente donos das terras). Como o mundo mudou...

O FIM DOS OLIGARCAS?

O Guardian especula se a crise financeira não ditará o fim dos oligarcas russos. Nos últimos5 meses, os oligarcas já perderam 200 mil milhões de dólares. Só Roman Abramovich, dono do Chelsea, já perdeu 20 mil milhões de dólares. Será que o Chelsea se verá forçado a vender jogadores?

CRISE NA POLÓNIA E... NO BRASIL?

O New York Times tem hoje um artigo que fala sobre as ramificações da crise financeira na Polónia e, talvez, no Brasil. As moedas dos dois países caíram bruscamente nos últimos 10 dias e a instabilidade chegou aos mercados financeiros dos mesmos. Há quem diga que o milagre económico polaco vai estancar, pelo menos por algum tempo.

PORTUGAL, PAÍS MODELO (2)

O Jorge Oliveira tem este comentário ao artigo sobre as energias renováveis nacionais. Penso que levanta pontos muito pertinentes, principalmente no que diz respeito ao facto do financiamento das renovaveis estar a ser suportado por todos os portugueses. Não é por acaso que continuamos a ter uma electricidade demasiado cara. Resta especular o que é que aconteceria se abandonássemos os projectos das renováveis. Será que o preço da electricidade diminuiria? Provavelmente não. Afinal, durante vários anos não investimos nada no sector, mas, mesmo assim, a nossa factura da electricidade não era baixa. O que falta em Portugal neste sector é concorrência e transparência. Se o conseguirmos, certamente que começaremos a pagar menos.
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Vale a pena realçar outro aspecto. Como independente, o que me interessa é apontar aquilo que vai mal quando está mal, e enaltecer o que está bem quando está bem. O que é importante é tentar manter a isenção e a imparcialidade com sentido crítico.
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Já agora, o link do video da peça da CBC sobre as energias renováveis portuguesas está aqui:
http://www.cbc.ca/mrl3/8752/news/features/durham-portugal081020.wmv
ps. Obrigado ao Sócrates pelo link

ORÇAMENTO DE ESTADO (2)

A propósito do meu comentário sobre o orçamento de estado, o Fartinho da Silva tem a seguinte opinião...
"Repare bem nesta contradição:"Ou seja, estamos a aumentar (...) e os salários dos funcionários públicos" "em vez de (...) auxiliar as famílias portuguesas". Por acaso, considera que os funcionários públicos não têm família? Por acaso considera que os funcionários públicos não são feitos do mesmo osso e carne que a população restante? Por acaso, considera que apesar dos 8 anos consecutivos a perderem poder de compra (perdendo cerca de 10% desse mesmo valor) não chega para os funcionários públicos? Sinceramente, acho que o meu caro não percebe bem aquilo que é realmente a função pública portuguesa. Assim, vou tentar explicar de forma muito breve e resumida: o problema de não se conseguir reduzir a dimensão da função pública em Portugal deve-se ao facto de os dois maiores partidos portugueses terem "por lá" colocado dezenas de milhares de funcionários desses partidos e como tal como podem agora os representantes de PS e/ou PSD fazer as verdadeiras reformas? Eu, considero que com este sistema político esse problema não tem solução fácil. Por isso, peço, por favor, para não invocar os salários dos funcionários públicos porque, obviamente, eles não tem qualquer responsabilidade no facto dos dois grandes partidos portugueses terem inchado o Estado português com dezenas de milhares de funcionários desses partidos através de:- "empresas" públicas;- "empresas" semi-públicas;- golden shares;- "universidades";- "politécnicos" (aqui então...);- "hospitais" públicos;- etc. Claro que esta é apenas uma opinião de quem já esteve na função pública a receber fortunas (mil euros)... e agora está no sector privado a ganhar muito mais..."
Caro Fartinho da Silva,
Obrigado pelo comentário. Aqui vão as minhas respostas:
1) Em relação à questão das famílias, o que eu queria dizer era que neste momento de crise (que se prolonga há 7 anos) era importante que o Estado começasse a dar prioridade ao auxílio de todas as famílias (incluíndo, obviamente, os funcionários públicos) através, nomeadamente, de benesses fiscais e de baixas de impostos. Um dos problemas dos últimos anos (e décadas) tem sido exactamente a ideia que o Estado é a solução (e a fonte...) dos nossos problemas. Não é. Existe em Portugal um paternalismo excessivo do Estado que não ajuda nem as empresas nem os particulares. Como os últimos anos demonstraram, não é à custa do crescimento do Estado que vamos conseguir sair da crise. Já o tentámos e falhámos. Vezes sem conta. Eu por mim já estou fartinho da silva dessa solução. É preciso começar a procurar alternativas.
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2) Concordo inteiramente consigo quando afirma que o excesso de funcionários públicos se deve a motivos políticos. Todos os principais partidos têm responsabilidades nesta matéria. E é por isso que todos se deviam empenhar em fazer emagrecer o Estado e contribuir para aumentar a meritocracia na Função Pública. Aliás, só assim é que poderemos aumentar os salários dos funcionários públicos. Eu não sou contra o aumento dos salários dos funcionários públicos por princípio. Sou contra, porque não há grande margem de manobra (i.e. fundos) para o fazer. Porém, só há duas formas de acabar com os salários de 1000 euros: ou cortamos o número de funcionários ou cortamos noutras despesas públicas, tal como o TGV. É tudo uma questão de escolha. Pessoalmente, sou inteiramente a favor do aumento dos salários dos funcionários públicos. Até porque essa é a única maneira de conseguir reter funcionários competentes e não fazer com que eles se vejam forçados a sair para o sector privado por forma a alcançar um nível de vida melhor.
Cumprimentos,
Alvaro

24 outubro 2008

VIRAGEM À ESQUERDA

O meu artigo no PUBLICO de hoje:
Não é difícil antever que 2008 será um ano histórico, tanto económica como politicamente. Economicamente, 2008 foi o ano em que a economia mundial sofreu dois rudes golpes. Primeiro, tivemos um choque petrolífero que ameaçou arrastar-nos para uma recessão semelhante às ocorridas em 1973 e em 1980, quando a subida vertiginosa dos preços petrolíferos originou uma quebra de produção significativa (e um correspondente aumento do desemprego) e um aumento considerável da inflação. Logo em seguida, fomos atingidos pelos efeitos da grave crise financeira americana que se espalharam como um rastilho pela economia mundial e abalaram as estruturas do sistema financeiro internacional. Quando demos conta, vimos os mercados financeiros e bolsistas em pânico, os mercados de crédito a congelar e a confiança das agentes económicos a evaporar-se. Apesar da volatilidade ainda não ter acabado, os mercados parecem estar mais estabilizados. É chegada a hora de emendar o que está mal e começar a preparar o combate contra a recessão que aí vem, uma recessão que poderá ser a maior e a mais prolongada dos últimos anos.
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O dramatismo da crise financeira foi tal que muitos chegaram a proclamar o falhanço do modelo económico vigente. Porém, afirmar que a crise financeira é o prenúncio do fim das economias de mercado ou que a crise é a prova provada dos falhanços do capitalismo é, no mínimo, errado ou enganador. Apesar de não serem frequentes, as crises financeiras são um facto recorrente das economias de mercado (e não só). O que é importante é garantir que, quando as crises ocorrem, os governos estejam preparados para actuar convicta e decisivamente para não deixar que as coisas fiquem foram de controlo. E essa é uma das lições da Grande Depressão.
Ainda assim, restam poucas dúvidas que 2008 entrará na história como um ano de viragem no pêndulo ideológico dominante nas últimas décadas. A era Thatcher-Reagan chegou ao fim. Nos próximos tempos, os gritos de privatização, desregulamentação e liberalização serão cada vez menos audíveis. Nos próximos anos, o mundo virará à esquerda tanto económica como ideologicamente. Na próxima década, os governos serão bem mais intervencionistas do que nos últimos 30 anos, a regulação da actividade económica aumentará, o proteccionismo crescerá, o recurso aos défices orçamentais tornar-se-á mais frequente (mesmo na Eurolândia), as despesas públicas aumentarão, e, consequentemente, a carga fiscal crescerá.
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Quão pronunciada será esta viragem à esquerda irá depender principalmente de um factor: a gravidade da recessão que se aproxima. Quanto maior for a crise económica mundial, maior será a tentação de seguir receitas populistas e fórmulas milagrosas patrocinadas pelo Estado.
Neste contexto, outra lição a retirar da crise financeira associada à Grande Depressão é que é importante também não esquecer os erros de política económica desse período. A década de 1930 foi a época mais proteccionista dos últimos 150 anos e o resultado foi desastroso a nível económico. O mesmo poderá acontecer actualmente. Retroceder na globalização, aumentar desmesuradamente o nível de proteccionismo, e até mesmo ceder ao encantamento da regulamentação excessiva não beneficiará ninguém, a não ser determinados grupos de interesse. Independentemente do que venha a acontecer, é fundamental garantir que esta viragem ideológica seja regrada por forma a evitar que, sob um manto proteccionista e ideológico, se desbaratem os avanços económicos alcançados das últimas décadas.

23 outubro 2008

A CAIR NOVAMENTE

Os mercados retomaram a tendência de descida. Ontem o Dow Jones desceu quase 6% e hoje os mercados asiáticos têm estado a descer mais de 5%. Porquê? Porque o medo de uma recessão mundial continua a dominar o sentimento nos mercados.

OBAMA AO SEU MELHOR

No dia em que as sondagens mostraram que a escolha de Sarah Palin é apontada como o factor mais negativo atribuído à campanha de McCain (sim, é verdade, como as coisas mudaram nas últimas semanas) e no dia em que os Republicanos ficaram chocados ao saberem que a campanha gastou 150 mil dólares com roupa e maquiagem para Palin, Obama responde da melhor maneira. Ou seja, com aquilo que ele sabe fazer melhor: discursar. Um discurso de unidade que mostra bem os extraordinários dotes oratórios de Barack Obama. Um discurso que reintroduz o tema de esperança e de unidade que o trouxe à ribalta da política americana, quando, em 2004, se apresentou triunfantemente à nação com um discurso arrebatador. Obama ao seu melhor. Vale a pena ver.

22 outubro 2008

EURIBOR E ENDIVIDAMENTO

Os sinais e as consequências do sobreendividamento das famílias portuguesas começam a notar-se cada vez mais.
Segundo um esclarecedor artigo no DN da autoria de Rudolfo Rebêlo, "Há cada vez mais portugueses a entrar em litígio com a banca. O malparado no crédito à habitação e ao consumo subiu 26,5% entre Agosto do ano passado e o mesmo mês deste ano. Nas empresas, o incumprimento aumentou 36,8% e já representa 2,2% do total dos empréstimos concedidos. Construtores estão a falhar os pagamentos à banca."
Ora, como o sobreendividamento já atingiu 129% do PIB nacional, a crise económica não dá mostras de abrandar e, ainda por cima, a concessão de crédito irá ficar mais controlada por causa da crise financeira, a situação só tenderá a piorar.
A única boa notícia em todo este cenário é a recente descida da Euribor, que é um autêntico balão de oxigénio para milhares de famílias portuguesas. Como o Banco Central Europeu parece, por enquanto, ter esquecido a sua cruzada fundamentalista contra a inflação, é provável que as taxas de juros continuem a baixar nos próximos meses, o que irá ajudar os consumidores e as empresas endividadas.
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Porém, a situação é tão grave que vale a pena perguntar: não será chegada a hora do governo pensar em actuar? O crédito ao consumo em Portugal é caríssimo quando comparado a outros países, e as taxas de juros do crédito ao consumo são um verdadeiro insulto para os consumidores. Será que o governo não poderia fazer algo para diminuir o preço do crédito, ajudando assim as famílias portuguesas a manterem as suas casas e outros bens adquiridos em tempos mais risonhos? Porque é que só os bancos têm direito a ser ajudados?
Mais, porque é que o Estado insiste em gastar mais em obras públicas em vez de ajudar as famílias portuguesas? Porque é que preferimos despender centenas de milhões de euros em obras faraónicas como o TGV e não fazemos nada para aliviar a vida e os níveis de vida dos portugueses? Sinceramente, parece-me que alguém tem as prioridades erradas (incluindo muitos dos partidos da oposição)

SINAIS DE RECESSÃO

Se os mercados financeiros começam a estabilizar, surgem cada vez mais indícios que a economia americana está em recessão. Ontem foi publicado um novo inquérito ao emprego desolador. O desemprego aumentou em 41 dos 50 estados americanos.

O DEGELO DOS MERCADOS DE CRÉDITO

Nos Estados Unidos os mercados de crédito dão mostras de (finalmente) estarem a voltar ao normal. As intervenções governamentais estão finalmente a dar resultados.
Na Europa a Euribor continua a baixar, mais um sintoma que a intervenção está a dar frutos.
A recapitalização dos bancos (iniciada pelos britânicos e pelos restantes europeus, e em seguida pelos americanos) parece ter sido sido o factor que conseguiu estabilizar os mercados financeiros.

21 outubro 2008

PORTUGAL, PAÍS MODELO

Quem diria que Portugal se tornaria num modelo para um país como o Canadá? Não, não estou a ser irónico nem malicioso. A CBC, a televisão pública canadiana, apresentou Portugal como um modelo a seguir ao nível das energias alternativas. Sob o título "The little nation that could go green - and is" a reportagem da CBC rasga enormes elogios ao nosso país pelas inovações introduzidas na área das energias alternativas. Sinceremente, fiquei orgulhoso ao ver o artigo. Vou tentar arranjar o video no You Tube para o postar aqui no blogue.
Quem disse que de Portugal só vêm más notícias?

PRÉMIO MO IBRAHIM

O prémio Mo Ibrahim de boa governação no continente africano foi atribuído ao ex-presidente do Botswana Festus Gontebanye Mogae. Esta é a segunda vez que o prémio é atribuído. No ano passado o prémio foi ganho pelo ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano.
Se Chissano foi uma óptima escolha em 2007, Mogae é outra excelente escolha em 2008. O Botswana é uma das maiores histórias de sucesso económico nas últimas 3 décadas, quando o país passou de um dos mais pobres do mundo para um país de rendimentos médios. Fora da Ásia, o Botswana (e agora Moçambique) é o milagre económico mais impressionante dos últimos 30 anos. Uma das razões para tal ter acontecido foi exactamente a boa governação que este país africano tem tido. E só por isso, a atribuição do prémio Mo Ibrahim a Festus Gontebanye Mogae é inteiramente merecida.

18 outubro 2008

LEITURAS DE FIM-DE-SEMANA

Dois artigos interessantes para ler este fim-de-semana. Joseph Stiglitz (Prémio Nobel em 2001) fala com clareza sobre as origens da crise financeira neste artigo da revista Time.
A Economist debate o futuro das economias de mercado (e o capitalismo) depois da crise. Vale a pena ler.

17 outubro 2008

ORÇAMENTO DE ESTADO

As minhas respostas às seguintes perguntas do PUBLICO (de hoje) sobre o Orçamento de Estado:
"O défice é de 2,2 por cento, igual ao de 2008; a dívida sobe de 63,5 para 64 por cento; os funcionários públicos têm um aumento salarial de 2,9 por cento, o maior desde 2001; está prevista uma redução da taxa aplicada no IRC.
As perguntas são:
1) Este pode ser um bom orçamento para combater a crise?
2) Teme que o progresso feito na redução do défice durante os últimos anos se possa vir a perder?
3) As projecções para o cenário macro económico são realistas?"
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1) Este é o orçamento mais expansionário e despesista dos últimos anos e visa claramente os ciclos eleitorais que se aproximam. Por isso, este é mais um orçamento eleitoral do que um orçamento de combate à crise. Porquê? Porque se adiam mais uma vez o combate aos problemas estruturais da Administração Pública e se dá prioridade ao aumento dos salários dos funcionários públicos e ao crescimento das despesas públicas em áreas como a Justiça (onde já somos um dos países europeus que mais gasta por habitante) e com as obras públicas como o TGV. O aumento salarial dos funcionários públicos é particularmente preocupante, pois é sabido que o peso dos salários destes funcionários nas despesas do Estado é um dos mais elevados de toda a União Europeia. Neste sentido, não me parece que haja outro propósito com esta medida que não seja eleitoral.
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2) Sim, temo. O meu receio é que estejamos a desbaratar mais uma vez a oportunidade de combater a crise económica do país. E, ainda por cima, fazemo-lo da pior maneira. Ou seja, estamos a aumentar a despesa pública e os salários dos funcionários públicos em vez de tentar melhorar a competitividade das empresas nacionais (através de incentivos fiscais e do corte de impostos) e auxiliar as famílias portuguesas (sobreendividadas e com os seus rendimentos estagnados) em tempos de crise. Assim, damos mais uma vez prioridade ao crescimento do Estado em vez de ajudarmos quem realmente precisa de ajuda. Ora, o problema é que o crescimento do Estado (e das despesas públicas) não tem dado resultado no combate à crise. É por isso vital mudar de estratégia. É pena que o Governo assim não o entenda (ou não queira entender num intenso período eleitoral).
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3) As projecções do governo para o cenário macroeconómico da economia no próximo ano não me parecem nem realistas nem irrealistas. A verdade é que ainda é demasiado cedo para saber o que vai acontecer. No último ano vimos acontecer um choque petrolífero que foi seguido pela maior crise financeira desde a Grande Depressão. Como as coisas têm evoluído a um ritmo tão rápido, ainda não é possível saber quão grave será a recessão da economia mundial (e europeia). Neste sentido, a previsão do governo não é mais do que um vaticínio do que poderá acontecer. Certamente que as previsões serão revistas assim que tivermos mais dados sobre a situação económica actual.

A ESQUERDA E A DIREITA DA ECONOMIA

O Sócrates tem o seguinte comentário e pergunta:
"Poder-se-ia argumentar que a população no geral beneficia com os períodos de prosperidade do mercado liberal, não coloco isso em causa..., no entanto não será mais seguro um mercado fortemente regulado para que quando as coisas correm mal, a população no geral não seja a sacrificada de sempre, pagando a crise com a perda do seu poder de compra, desemprego e ainda pelos seus impostos que vão "salvar" as grandes empresas (que pelos vistos "ganham" sempre). Não será mais seguro e lógico um crescimento sustentado que evite grandes alterações sociais (tanto de "enriquecimento" rápido, como de "empobrecimento")?"
Caro Sócrates,
Obrigado pela pergunta.
A grande maioria dos economistas acredita que os mercados são a melhor forma que temos para assegurar o crescimento económico e, assim, o aumento dos rendimentos das populações. Não interessa ser de esquerda ou de direita, pois quase todos pensam assim (as únicas excepções a esta regra são as esquerdas e as direitas radicais). A grande diferença entre os economistas de direita e de esquerda é exactamente ao nível da regulação do mercado. Os de direita preferem desregulamentar, enquanto os de esquerda consideram que a regulamentação é necessária.
Nas últimas décadas, assistimos a uma desregulação generalizada dos mercados (financeiros, de capitais, etc). A crise financeira actual é em parte devida aos excessos cometidos pela ausência de regulações eficazes nos mercados imobiliários e financeiros dos Estados Unidos.
Por isso, certamente que nos próximos tempos veremos o retorno do Estado e da regulamentação da economia. Quase todos concordam com esta proposição. O problema é que certamente que muitos irão ver a crise actual como uma tendência natural para o capitalismo gerar crises graves, o que não é verdade. As crises acontecem, é verdade, mas não são a característica principal das economias de mercado. A principal vantagem das economias de mercado é a capacidade de gerar crescimento económico duradouro e sustentado.
Claro que as crises acontecem. Esporadicamente, mas acontecem. Porém, o importante é assegurar que o impacto da crise seja o menor possível. E é aqui que entra o papel do Estado.
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Voltando à sua questão, mais e melhor regulamentação é certamente necessária. Porém, mais do que regulamentação, o importante é que o Estado proteja e auxilie aqueles que são afectados negativamente por fenómenos como a globalização ou pela recessão de uma economia, quer através de programas sociais, quer através da introdução de programas de formação profissional. A economia de mercado não é incompatível com a protecção social, como certamente veremos nos próximos tempos (que se adivinham recessivos).

16 outubro 2008

ORÇAMENTO DE ESTADO

O Orçamento de Estado para o próximo ano acarreta um grande crescimento das despesas em vários ministérios. A Justiça, as Obras Públicas e até a Justiça são os grandes beneficiários. É tempo de eleições e a crise é a melhor desculpa para que o Estado prossiga uma politica expansionária. Acabou o discurso do défice, pelo menos por um ano. Resta saber se as prioridades apresentadas pelo governo são as mais adequadas para amenizar o impacto da recessão.

AÍ VEM O TGV

Segundo o Orçamento de Estado, as despesas das obras públicas vão aumentar quase 10 por cento no próximo ano. Em parte tal acontece por causa das (várias) eleições que se irão realizar em 2009. Porém, é mais do que isso. 2009 é o primeiro ano em que os gastos com a construção do TGV começam a ser mais significativos. Nos anos seguintes o peso das obras públicas vai ser ainda maior. Bem maior.

0,6 POR CENTO

A previsão do governo para o crescimento da economia no próximo ano não me parece nem realista nem irrealista. A verdade é que ainda é demasiado cedo para saber o que vai acontecer. Como as coisas têm evoluído a um ritmo tão rápido, ainda não é possível saber quão grave será a recessão da economia mundial e europeia. Neste sentido, a previsão do governo é principalmente uma estimativa do que poderá acontecer. Certamente que será revista quando tivermos mais dados sobre a situação económica actual.

NOVAMENTE PARA BAIXO

E os mercados bolsistas voltaram a cair fortemente após a publicação de alguns dados económicos que indiciam que a recessão está mesmo à porta. A grande questão não é se nem sequer quando é que a recessão acontecerá mas sim quão grande será. Tudo dependerá da acção dos governos, da evolução da confiança dos agentes económicos e do ajustamento das economias às novas realidades dos mercados financeiros.

15 outubro 2008

ORÇAMENTO DE ESTADO (nota)

Como o governo ainda não apresentou o Orçamento de Estado completo, prefiro esperar até mais tarde para o analisar.

ELEIÇÕES NO CANADÁ (2)

As eleições no Canadá correram exactamente como o previsto. Stephen Harper e os conservadores ganharam, mas não conseguiram a maioria. Os conservadores obtiveram 37, 7% dos votos, o que lhes deu direito a 142 deputados (8 a menos do que era necessário para alcançar a maioria). Os grandes derrotados foram os Liberais (cujo líder Stephane Dion foi um verdadeiro desastre), bem como a própria democracia (pois a abstenção foi a maior da história recente). Este é o terceiro governo minoritário seguido no Canadá. E certamente não ficaremos por aqui. Dentro de 2 ou 3 anos haverá eleições novamente. Esperemos que sejam mais animadas...

PRÉMIOS LITERÁRIOS

O primeiro Prémio Leya foi atribuído ao jornalista brasileiro Murillo António de Carvalho, autor do livro "O Rastro do Jaguar". Segundo o DN, "O seu romance, que venceu entre 448 originais, fala sobre a guerra do Paraguai no século XIX, cuja trama passa por Portugal, Brasil, Argentina e Uruguai. Um jornalista português e um índio que é levado para a Europa em criança e regressa aos 50 anos, vindo a tornar-se num líder guerreiro guarani, são alguns dos personagens. "O livro não fala só dessa guerra, fala também de como esses índios concebem o universo e como vêem a guerra contra brancos e gaúchos", conclui o autor."
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No Reino Unido, o Booker de 2008 foi ganho por Aravind Adiga, um indiano de 33 anos, autor do livro "White Tiger". O livro passa-se na Índia moderna e analisa alguns dos impactos sociais do milagre económico indiano.
Dois livros a ler.

AINDA A CRISE FINANCEIRA

Aqui está um artigo interessante no New York Times sobre as semelhanças entre a situação actual e outras crises financeiras que a precederam, principalmente no que diz respeito à intervenção estatal. Como pode ver, a intervenção do Estado neste tipo de crises não é, de modo algum, invulgar.
Este artigo debate se as origens da crise actual não se encontram na era Greenspan.

14 outubro 2008

ELEIÇÕES NO CANADÁ

Hoje há eleições no Canadá. As eleições no Canadá são muito diferentes das americanas. No Canadá as eleições são simplesmente uma chatice. Os debates não têm cor, a paixão não existe em quase nenhum partido e os líderes são tão entusiasmantes como Ferro Rodrigues ou Carlos Carvalhas. As eleições canadianas são tão aborrecidas que no dia 2 de Outubro milhões de canadianos preferiram ver o debate entre os candidatos à vice-presidência americana, entre Biden e Palin, do que ver o debate entre os líderes dos principais partidos canadianos.
Quem vai ganhar? Provavelmente o conservador Stephen Harper. No entanto, pela terceira vez seguida, não haverá maioria parlamentar. O que quer dizer que os canadianos voltarão às urnas dentro de um ou dois anos. Esperemos que então as coisas sejam mais animadas.

KRUGMAN (2)

A propósito desta pergunta do analisedasemana:
Os escritos de Paul Krugman (académicos ou jornalísticos) nunca são aborrecidos. Todos os livros mais populares são interessantes, apesar de que, nos últimos anos, Krugman tem jogado em demasia a carta ideológica e política.
O melhor para começar a ler Krugman é ir directamente ao blogue dele (recomendado aqui há alguns dias). Um óptimo lugar para perceber quão interessante são os seus escritos é um livrinho chamado "Geography and Trade", onde a teoria do comércio internacional entra em diálogo com a geografia. É muito interessante.
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Já agora, um esclarecimento. Alguns blogues, tal como o Ladrão de Bicicletas congratularam-se com a atribuição do Nobel a Krugman por ele ser de "esquerda". Porém, a esquerda de Krugman é muito diferente da nossa esquerda.
O Krugman (ou o Dani Rodrik ou até o Brad deLong) é menos de esquerda do que a grande maioria dos nossos politicos, incluindo Manuela Ferreira Leite ou Marcelo Rebello de Sousa. Todo o trabalho do Krugman tem apontado para a insuficiência e irrazoabilidade dos modelos neoclássicos mais simples. No entanto, isto não quer dizer que Krugman seja de "esquerda", pelo menos da mais tradicional. Um "Liberal" ou um Democrata nos Estados Unidos é muito mais de direita do que a maior parte dos políticos de direita europeus. Krugman não é uma excepção.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL? (3)

O António pergunta: "a curto prazo o problema parece ter ficado sob controlo.Mas será que a médio prazo a questão ficou resolvida? Algo me diz que não. Algo me diz que isto não foi mais que um balão de oxigénio porque de facto nada mudou. A economia ocidental continua deprimida e aceita-se que ainda fique mais deprimida."
Sem dúvida que as coisas ainda vão piorar antes de melhorar a nível económico. O que interessa agora é estabilizar os mercados para evitar um colapso financeiro. Quando este objectivo for alcançado, os governos têm que começar a dar prioridade ao combate à recessão que vem aí. As principais economias ocidentais dão sinais de estarem a entrar em recessão e, por isso, os governos têm que começar a actuar. O que fazer? Nos EUA a política monetária está muito limitada, pois os juros já estão muito baixos. Na Eurolândia e no Reino Unido ainda há bastante margem de manobra para baixar os juros. O que falta, por enquanto, é vontade dos bancos centrais. Veremos se as coisas mudarão nos próximos meses. Esperemos que sim.
Por isso, e porque esta é uma crise com contornos semelhantes ao que aconteceu na década de 1930 (com muitas diferenças também), os governos têm que começar a atacar a recessão com as suas políticas fiscais. Isto é, com baixas de impostos e aumentos das despesas públicas (para quem pode...). Na UE, esperemos que a crise acabe de uma vez com o fundamentalismo do défice. Veremos se a ideologia dogmática consegue resistir aos ventos recessivos.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL (2)

Os mercados continuam a reagir muitíssimo bem às notícias do fim-de-semana. Depois da Europa e dos Estados Unidos, os índices bolsistas continuam a subir mais de 10% na Ásia. Se não houver nenhuma surpresa, os mercados europeus devem continuar a recuperar.

13 outubro 2008

KRUGMAN, O NOBEL MERECIDO

Paul Krugman recebeu o Prémio Nobel de Economia. O prémio é justíssimo pelo seu trabalho na teoria do comércio internacional (intra-industrial), pela reabilitação da economia geográfica, bem como pela sua investigação sobre crises cambiais. Para além disso, Krugman é o melhor comunicador da sua geração de economistas, tanto na imprensa como através de livros em que o economês é decifrado para os não-economistas. Aliás, este era o principal motivo que poderia fazer Krugman não ganhar o Nobel. Quando começou a escrever para os jornais, Krugman foi extremamente criticado por ter cedido à tentação de explicar os conceitos económicos para os não-especialistas e não~economistas. Ainda por cima, Krugman escreve no New York Times e define-se claramente como um "liberal", ou seja Democrata.
Por isso, havia muita gente que Krugman nunca iria receber o Nobel, apesar de claramente merecer. Obviamente, estavam errados.
O Nobel fica em muito boas mãos.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL?

Ainda é cedo para retirar conclusões definitivas, mas parece que finalmente estamos a ver luz ao fundo do túnel na crise financeira. Após a reúnião dos ministros das Finanças do G7 neste fim-de-semana e após o acordo entre os líderes europeus sobre as medidas a tomar para estancar a crise, parece que os mercados começam a acreditar que a turbulência excessiva das últimas semanas possa estar a abrandar. Esperemos que sim. Para bem dos mercados e da estabilidade da economia mundial.
Nomeadamente, este fim-de-semana pode ter sido importante por dois motivos. Primeiro, pela primeira vez em várias semanas, não tivemos bancos ou seguradoras a falir num sábado ou num domingo. Só isso é assinalável, pois os últimos fim-de-semanas têm sido um verdadeiro desastre para a confiança dos mercados financeiros. Segundo, as reuniões deste fim-de-semana parecem indiciar que começa a emergir algum consenso sobre o que fazer para estabilizar os mercados. Mais concretamente, o caminho a seguir parece mesmo ser a recapitalização das instituições financeiras. A promessa de recapitalização dos bancos é uma espécie de nacionalização temporária dos bancos e das instituições financeiras europeias. As autoridades americanas também já sinalizaram que irão seguir o mesmo caminho. Esta é uma medida drástica (já seguida pelo Reino Unido e que irá ser adoptada pelos restantes países), mas fundamental para conseguir dar alguma confiança aos mercados.
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Note-se que esta medida não significa o fim das economias de mercado ou dos mercados financeiros. Mesmo defensores intransigentes da economia de mercado, como Milton Friedman, acreditavam que em momentos de crise dos sistemas financeiros é preciso actuar de uma forma muito agressiva. Ben Bernanke também partilha desta crença. Uma nacionalização temporária das instuições financeiras pode ser o mal menor perante as terríveis possibilidades de um possível colapso do sistema financeiro mundial, que teria enormes consequências para os restantes sectores da economia mundial. Quando a confiança retornar aos mercados, quando os sistemas financeiros tiverem recuperado, e quando a regulamentação dos mercados tiver sido feito, os vários Estados podem voltar a vender as participações públicas nas instituições financeiras agora semi-nacionalizadas.
Obviamente, este é o primeiro passo. O que interessa agora é estabilizar os mercados financeiros e evitar o colapso dos mesmos. Quando tal objectivo for alcançado, o passo seguinte é começar a atacar de forma decisiva a recessão económica que está à porta.

CRISE FINANCEIRA _ CARTOON (2)

CRISE FINANCEIRA _ CARTOON (1)

11 outubro 2008

A CRISE QUE NÃO ACABA (3)

Terceira parte do meu artigo da EXAME de Setembro: (escrito antes da crise financeira se ter alastrado)
As retomas económicas em Portugal são quase sempre motivadas pelo crescimento do investimento e/ou das exportações. Ora, de todas as variáveis macroeconómicas, o investimento tem sido a mais decepcionante nos últimos anos. Entre os finais de 2001 e o primeiro semestre de 2007, o comportamento do investimento foi quase sempre negativo e só mesmo no último ano é que se registou uma recuperação significativa desta variável, motivada pela maior confiança dos investidores (entretanto dissipada). Apesar da baixa das expectativas dos investidores associada à subida dos preços dos produtos petrolíferos, o comportamento do investimento nos trimestres mais recentes poderá finalmente vaticinar melhores dias para esta importante variável macroeconómica.
As exportações têm tido um desempenho bastante mais positivo, e até surpreendente, crescendo a taxas já não vistas há quase uma década. Recorde-se que esta subida das exportações nacionais é ainda mais notável quando tomamos em linha de conta a situação internacional extremamente adversa provocada tanto pela forte valorização do euro como pela subida dos preços petrolíferos. Ainda mais significativamente, o crescimento das exportações tem ocorrido não só devido ao maior dinamismo dos sectores mais tradicionais (como é o caso dos têxteis), mas principalmente graças à exportação de produtos de média e alta tecnologia. Na última década, a percentagem das exportações das tecnologias de ponta no total das exportações portuguesas quase duplicou, o que representa um dos melhores desempenhos de um país europeu. É verdade que as exportações de alta tecnologia ainda não são tão importantes para Portugal como são para países como a Irlanda, o Luxemburgo, o Reino Unido e mesmo a Hungria. Todavia, é inegável que as exportações portuguesas destes sectores têm exibido um dinamismo assinalável.
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Este dinamismo das exportações portuguesas de tecnologias de ponta é ainda mais visível quando observamos a evolução das exportações dos produtos industriais transformados. Num trabalho recente, Manuel Cabral, docente da Universidade do Minho, argumenta que nos últimos anos se registou não só uma diversificação dos nossos mercados externos e das nossas exportações, como também se deu uma melhoria significativa do conteúdo tecnológico das exportações nacionais. Como podemos observar no quadro 3, o peso dos produtos de alta e média tecnologia no total das exportações de produtos industriais transformados já atinge os 45 por cento, um valor que certamente irá crescer nos próximos tempos. Aliás, entre 2003 e 2006, as exportações de produtos de alta tecnologia contribuíram para 64 por cento do crescimento do volume das exportações nacionais.
Assim, vivemos actualmente uma situação complexa. Por um lado, regista-se um crescente dinamismo das exportações e o investimento tem dado mostras de poder recuperar. Por outro, o choque petrolífero ameaça pôr em causa a tímida recuperação da economia portuguesa. Perante o actual estado de coisas, o que é que pode ser feito para acelerar a retoma? Poderá o governo auxiliar a economia? Se sim, como?
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QUE FAZER?
A tarefa mais urgente da política económica é, sem dúvida alguma, parar de imediato com a absurda obsessão com o défice orçamental. Como vimos anteriormente, este é o abrandamento económico mais significativo dos últimos 80 anos. Não faz assim sentido permanecer de mãos atadas enquanto continuamos obstinados em agradar Bruxelas. É, assim, preciso ter coragem para enfrentarmos Bruxelas, esquecendo o défice durante 2 ou 3 anos. Em contrapartida, o governo devia comprometer-se com os restantes parceiros europeus em introduzir legislação que obrigue os governos nacionais a atingirem o equilíbrio orçamental ao longo do ciclo económico ou político.
Feito isto, temos duas possibilidades para reanimar a economia: fomentar o investimento público ou utilizar a política fiscal (i.e., gastar mais ou cobrar menos impostos). Ora, os rendimentos decrescentes associados à sempre-na-moda política do betão significam que o investimento público não deve ser suficiente para a retoma. Uma estrada hoje não tem o mesmo rendimento nem externalidades do que quando completámos a A1. Deste modo, apesar das dezenas de projectos de investimento públicos já anunciados, não é linear que estes venham a ter uma importância decisiva para a retoma da economia.
Ora, como aumentar as despesas do Estado está fora de questão (pois não surte grande efeito, como podemos ver pelos últimos anos) só nos resta cortar os impostos, principalmente o IRC e talvez o IRS, para podermos aumentar a competitividade das nossas empresas. Se o fizermos, as descidas terão que ser substanciais (mas faseadas) e talvez diferenciadas geograficamente, oferecendo fiscalidade bonificada às regiões deprimidas.
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Mas, como é possível baixar os impostos se não há margem de manobra orçamental? Continuando a reforma do Estado, racionalizando recursos, e adiando projectos megalómanos como o TGV, que ameaça ser o nosso maior erro financeiro desde a construção da barragem de Cahora Bassa. O TGV tem um enorme custo de oportunidade tanto nas escolas e nos hospitais não construídos, como a nível da fiscalidade mais baixa que poderia ser concedida aos particulares, às empresas e às regiões menos desenvolvidas.
Ora, se queremos ser sérios no combate à insustentável estagnação económica dos últimos anos, as prioridades da política económica têm de mudar. É perfeitamente desapropriado continuar a dar primazia ao défice orçamental. A prioridade tem de ser dada à competitividade. Uma forma de o fazermos é melhorar a competitividade das nossas empresas ao oferecer-lhes um alívio fiscal nestes tempos recessivos. De facto, esse será o estímulo mais adequado para fazer ressuscitar o investimento e para auxiliar os nossos exportadores a enfrentarem a crise internacional.

10 outubro 2008

FALÊNCIA DA GM?

As acções da General Motors perderam 30% do seu valor na sessão de ontem. Os rumores de uma hipotética falência desta (outrora) eminente empresa não param de aumentar. A GM é a quinta maior empresa do mundo e, por isso, se tal acontecer, certamente que irão haver bastantes repercussões para a economia americana e para a economia mundial. Nos próximos dias veremos se a GM consegue sobreviver.

A CRISE CONTINUA

Apesar das medidas sem precedentes levadas a cabo pelos bancos centrais, a crise financeira não dá mostras de abrandar. Ontem os mercados financeiros americanos baixaram cerca de 7 por cento, enquanto hoje os mercados asiáticos sofrem perdas entre 7 a 10 por cento. Os mercados estão em pânico e, por enquanto, nada parece estar a dar resultado. Nos EUA já se fala na nacionalização temporária dos principais bancos e instituições financeiras através da compra de acções por parte do Estado americano. O mais provável é que os mercados financeiros continuem a baixar nos próximos dias. A volatilidade está aqui para ficar, pelo menos nos próximos tempos.

CRISE NA ISLÂNDIA (3)

A crise na Islândia continua a dar que falar. O governo já nacionalizou a banca toda e já houve uma tentativa falhada de fixar o valor da taxa de câmbio. A Islândia continua a tentar salvar-se da bancarrota através de empréstimos contraídos junto da Rússia e do FMI. Independentemente do que se venha a passar, a crise financeira islandesa não tem precedentes na história recente dos países mais ricos.

CASAMENTO HOMOSSEXUAL

O PUBLICO de hoje pergunta a dezenas de portugueses: "Concorda ou não com o casamento homossexual? Com ou sem limitação do direito à adopção? E com ou sem limitação dos direitos patrimoniais? Prefere outra fórmula jurídica?"
Eis a minha resposta:
Não me parece que compete ao Estado decidir as preferências sexuais das pessoas. A orientação e a união sexual de cada um é uma escolha pessoal que não deve ser ditada pelo Estado nem sequer pelas preferências da sociedade. Por isso, sou a favor da aprovação de legislação que conceda os mesmos direitos às uniões homossexuais e heterossexuais, incluindo os mesmos limites em relação aos direitos patrimoniais.
O direito de adopção é diferente. A adopção envolve terceiros. Por isso, antes de decidirmos sobre o direito de adopção por casais homossexuais temos que realizar um debate abrangente e chegar uma conclusão sobre o assunto, quiçá através de referendo.

DIVÓRCIO JUSTO

Como os divórcios são processos muito alongados e burocráticos no Cambódia, um casal não teve meias medidas e dividiu a casa... a meio. Já viram se a moda pega?
PS. Segundo a BBC, o ex-marido levou a outra metade da casa para parte incerta

INFLAÇÃO MILIONÁRIA

Sabe qual é a inflação no Zimbabwe? No mínimo é 231,000,000%. Duzentos e trinta e um milhões de por cento. Ainda não é o recorde mundial (que pertence à Alemanha de 1923), mas começa a aproximar-se a passos largos. E claro, certamente que a inflação do Zimbabwe já aumentou desde que começou a ler este post.

09 outubro 2008

DESCIDA DO IRC

A descida do IRC anunciada ontem pelo governo é uma boa medida, mas que terá um impacto muito limitado. A medida releva que: "Os primeiros 12.500 euros de matéria colectável serão tributados a uma taxa de 12,5 por cento e o restante à taxa de 25 por cento."
Esta é uma boa notícia, pois a descida da carga fiscal irá beneficiar muitas das nossas pequenas empresas. Porém, o impacto será limitado, pois, segundo o que o PUBLICO conseguiu apurar, somente um terço das nossas empresas com rendimentos inferiores a 12500 euros paga IRC. As restantes não o fazem pois não apresentam resultados suficientes.
Porém, ironicamente, a descida do IRC até poderá beneficiar mais o Estado do que a economia nacional. Como todos sabemos, é graças aos marabilismos financeiros que muitas empresas não pagam impostos. A descida das taxas poderá formecer um incentivo necessário para que estas empresas passem a pagar os seus impostos, pois o risco das suas artimanhas financeiras poderão não compensar o não de pagamento de impostos. Assim, a descida das taxas do IRC para as empresas de menor dimensão poderá até beneficiar o saldo orçamental do Estado...
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Apesar disso, esta é uma medida que só peca por não ser extensível às restantes empresas. A descida do IRS seria uma medida bem-vinda numa altura em que a estagnação económica não dá mostras de abrandar (bem pelo contrário). Se a taxa de IRC mais elevada 25% descesse para 15 ou 20%, quem beneficiaria seria a competitividade das nossas empresas e, consequentemente, a competitividade da nossa economia.
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Uma última palavra: desconfio que este não seja o último corte de impostos antes das eleições. Desconfio que o IVA irá baixar mais um ponto percentual antes de irmos às urnas. Deste modo, o governo poderia argumentar que baixou a carga fiscal da economia. Veremos.

BLOGUE RECOMENDADO

Um blogue que vale a pena ler nesta altura de crise financeira é o de Paul Krugman, que reflecte sobre as causas e as possíveis soluções para o problema. O link para o blogue está aqui.

NOBEL DA LITERATURA

O vencedor do Nobel da Literatura deste ano foi o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, considerado pelo comité do Nobel como um "autor de novas partidas, aventuras poéticas e extase sensual". Confesso que nunca li os seus livros. Tenho agora mais uma boa razão para o fazer...

08 outubro 2008

JUROS MAIS BAIXOS

Quais são os melhores sintomas do quão séria é a crise financeira? As medidas dos bancos centrais. Nos últimos tempos tem havido uma concertação de posições dos principais bancos centrais mundiais, principalmente atavés da injecção de grandes quantidades de fundos para os mercados financeiros. Agora, chegou a vez da posição concertada no corte das taxas de juros.
Hoje de manhã, seis bancos centrais (o BCE, a Fed, o Banco de Inglaterra, o Banco do Canadá, o Banco da Suécia e o Banco da Suíça) actuaram em conjunto cortando as taxas de juros em 0,5 por cento. Objectivo? Tentar descongelar os mercados de crédito dos seus países (e regiões).
Veremos se tais medidas têm efeito. No entanto, é de salientar que estas são as acções mais agressivas por parte dos bancos centrais das últimas décadas. Só isso indicia o quão preocupados os bancos centrais estão com a crise actual.

LUCRAR COM O BAILOUT

Após o governo americano ter concedido um empréstimo de emergência no montante de 85 mil milhões de dólares à seguradora AIG, os quadros executivos da empresa decidiram ir até a um spa da Califórnia para esquecer as misérias dos mercados financeiros. Em menos de uma semana, esses quadros executivos gastaram mais de 400 mil dólares em massagens, em bebidas e em comida. 400 mil dólares que vieram, obviamente, do bolso dos contribuintes. Nada mau. Quem disse que a crise financeira afecta todos da mesma maneira?

CRISE NA ISLÂNDIA (2)

A crise financeira continua a dar que falar na Islândia. Já se debate a constituição de um governo de unidade nacional e a krona islandesa já se desvalorizou mais de 50%, o que levou o governo a decretar a adopção de taxas de câmbio fixas. A estabilização do sistema financeiro do país parece estar nas mãos do FMI e da Rússia, que irá emprestar vários milhares de milhões de dólares à Islândia para que esta consiga combater a crise. Ainda ninguém sabe se a Islândia irá conseguir evitar a bancarrota.

DEBATE MCCAIN-OBAMA

O segundo debate entre Obama e McCain realizou-se ontem no formato "townhall", onde o público faz perguntas aos candidatos. O debate não trouxe nada de novo. Mais uma vez, Obama ganhou e McCain perdeu mais uma oportunidade de alterar a tendência das últimas semanas (que claramente favorecem Obama). Praticamente todos os analistas de todos os campos, bem como as sondagens realizadas após o debate, concordam que Obama ganhou e convincentemente. Alguns conservadores da National Review já concedem as eleições. McCain precisa de fazer algo drástico para conseguir ter alguma possibilidade de ganhar as eleições de 4 de Novembro.

07 outubro 2008

A CRISE CHEGOU À EUROPA, PORTUGAL E A CGD

A queda brutal resgistada ontem nas bolsas europeias é só mais um sintoma que a crise do "subprime" é bem mais do que um problema americano. Neste momento, a Europa está em riscos de ficar tão ou mais afectada pela crise financeira que os Estados Unidos.
Para além da acentuada descida dos mercados bolsistas, o grande problema que seestá a registar na economia americana é o congelamento dos mercados de crédito. Neste momento, o mercado de crédito americano está simplesmente parado. Assumindo que o mesmo possa vir a acontecer à Europa, estas são péssimas notícias para um país sobre-endividado como Portugal, pois o crédito vai ficar mais escasso e mais caro. Muitas das famílias portugueses irão encontrar ainda mais dificuldades para pagarem as suas prestações e as suas dívidas.
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Mas a crise financeira demonstra outra coisa. Como já aqui falámos, nos próximos tempos veremos um novo ímpeto proteccionista e mais intervencionista. Em Portugal e na Europa, iremos certamente ver mais instituições financeiras a serem nacionalizadas temporariamente. Neste sentido, em Portugal, a privatização da Caixa Geral de Depósitos é um assunto morto e enterrado. É certo que há sempre a tentação de nacionalizar a CDG, principalmente quando os recursos do Estado escasseiam. Porém, com a grave crise financeira bem presente, a privatização da CDG é economicamente arriscada e um autêntico suicídio político. Ninguém de perfeito juízo arriscaria privatizar uma instituição financeira que não é só uma referência nacional, como é um dos garantes da estabilidade do sistema financeiro português.

CRISE NA ISLÂNDIA

A crise financeira já não ameaça somente os sistemas financeiros americanos e europeus. Agora, surgem relatos que um dos países mais afectados pela crise financeira é a pequena Islândia. Em poucos anos, a Islândia passou de milagre económico a desastre financeiro. As coisas estão tão más que o passivo das instituições financeiras islandeses já é quase 10 vezes maior do que o PIB nacional! Com dívidas tão elevadas, há quem preveja que a bancarrota do país possa não estar muito longínqua.

06 outubro 2008

CRISE FINANCEIRA NA EUROPA

Os reflexos da crise financeira americana continuam a fazer~se sentir na Europa. Desta vez, foi o banco alemão Hypo Real Estate, uma das maiores instituições financeiras do país. Para evitar a sua falência, o governo alemão apresentou um plano de resgate no valor de 50 mil milhões de euros, quase um décimo do total do plano americano. As más notícias revelam bem que a crise não é só americana e vai-se fazer sentir cada vez mais na Europa e na Ásia. Porquê? Porque muitas instituições financeiras europeias e asiáticas também lucraram imensamente com os investimentos no mercado imobiliário americano, bem como com os empréstimos de "subprime". Os bancos europeus também emprestaram bastantes recursos aos bancos e seguradoras americanas. Assim, estão bastante expostos à crise financeira que começou na América. A diferença é que enquanto nos EUA tanto o governo como a FEd tem tido uma política muito agressiva para tentar estancar a crise, na Europa os líderes continuam divididos e o BCE é uma lástima de imobilismo (apesar da injecção de liquidez nos mercados).
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O que estas notícias indiciam é que o pior da crise financeira ainda pode estar para vir. Acima de tudo, há cada vez menos dúvidas que a recessão está à porta dos EUA e da Europa. Até pode ser que Portugal venha a crescer um pouco este ano, mas o mais provável é que a recessão também nos bata à porta. Se tal acontecer, vamos lá ver se a obsessão com o défice se vai manter...

NOBEL DA LITERATURA 2008

Na próxima quinta-feira, dia 9, a Academia Sueca vai anunciar o Prémio Nobel da Literatura 2008. Pelo que parece, ainda não será este ano que autores americanos consagrados como Phillip Roth ou Paul Auster irão vencer o prémio. Porquê? Porque o secretário permanente do comité de selecção do Prémio Nobel teve o desplante de relevar a sua opinião que a literatura americana é "demasiado insular" e "demasiado susceptível a tendências da cultura de massas". Enfim. Um disparate. Sinceramente não sei onde é que as tendências das culturas de massas estão presentes em Roth ou em Auster. O que eu sei é que os Nobel continuam a privilegiar os escritores europeus ou escritores com ligações à Europa. O que é lamentável.
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Mas, talvez não. Talvez esta conversa sem sentido seja só para despistar. Seria bom se este fosse o ano de Roth ou Auster ou Vargas Llosa ou até Margaret Atwood. Melhor ainda: Lobo Antunes? Já falta pouco para sabermos.

03 outubro 2008

A HIPOCRISIA DE TRICHET

O presidente do Banco Central Europeu afirmou ontem que a crise financeira não tem "precedentes desde a II Guerra Mundial” e "pediu uma maior cooperação dos países europeus para a enfrentar".
Concordo. A crise financeira actual é bastante grave e ameaça ficar pior. No entanto, a verdade é que o senhor Trichet diz isto e depois não faz nada. No dia em que o BCE podia ter optado por baixar as taxas de juros, a decisão do banco foi manter as taxas. Hmmmm... Se o senhor Trichet está realmente preocupado com a crise financeira, não seria natural que os juros baixassem por forma a combater a contracção do crédito que se tem espalhado pela economia europeia (e mundial)? Injectar liquidez nos mercados faz todo o sentido. No entanto, não baixar os juros numa altura em que a crise começa a punir seriamente os investidores e consumidores é um disparate. Ficar de braços cruzados quando a crise financeira começa a ter efeitos reais nas nossas economias faz tanto sentido como um médico diagnosticar uma doença grave e dizer ao doente para ele(a) esperar para os sintomas se irem embora.
Enfim, a falta de senso comum do presidente do BCE nunca deixa de surpreender.

PALIN VS BIDEN

Ontem à noite realizou-se o debate entre os candidatos à vice-presidência dos Estados. As expectativas eram enormes, porque as entrevistas mais recentes de Sarah Palin foram simplesmente desastrosas, demonstrando inequivocamente que a governadora do Alaska não está minimamente preparada para o cargo que se candidata (muito menos para ser presidente). Não sou eu quem o diz, mas muitos dos próprios Republicanos e conservadores ue chegaram a sugerir que ela regressasse a casa com a desculpa de ter que tomar conta do seu filho mais novo.
O debate correu bem melhor a Palin. A candidata sobreviveu e conseguiu apresentar o seu charme de mulher do povo (com expressões como "darn it" e "you betcha"), sem cometer nenhuma gafe monumental. Só por isso os Republicanos suspiraram de alívio. Mesmo assim, quase todos os comentadores (e as sondagens a espectadores) subinharam que Palin evitou responder a muitas das perguntas que lhe foram colocadas e que os seus conhecimentos de política económica ou de política externa não são muito extensos. Apesar disso, Palin sobreviveu, o que já foi um grande feito após os desastres dos últimos dias.
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Por seu turno, Biden mostrou dominar bem os assuntos e, principalmente, não cometeu nenhuma gafe (como é conhecido). Os dois ganharam, apesar das sondagens terem dado vantagem a Biden.
Quem acabou por lucrar mais foi Obama, pois o debate não mudou nada substancial na corrida, o que é uma boa notícia para o senador de Illinois (pois as sondagens mais recentes têm dado uma vantagem significativa a Obama).

CITAÇÃO DO DIA _ A Crise Financeira

"One thing’s for sure: The next administration’s economic team had better be ready to hit the ground running, because from day one it will find itself dealing with the worst financial and economic crisis since the Great Depression."
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(Tradução: Uma coisa é certa: é melhor que a equipa económica da próxima administração esteja pronta, pois desde o primeiro dia irá ter que lidar com a pior crise financeira e económica desde a Grande Depressão")