Tudo indica que as negociações "oficiais" do resgate português já se iniciaram. Tanto os jornais portugueses como os internacionais afirmam que a posição dos bancos foi preponderante para esta decisão.
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06 abril 2011
29 março 2011
LIÇÕES IRLANDESAS PARA PORTUGAL
O Wall Street Journal analisa alguma das lições do resgate à Irlanda que nos poderão vir a ser úteis dentro em breve, quando uma eventual ajuda external for activada. Aqui está um excerto do artigo do WSJ, que pode ser lido aqui:
"The problems facing Portugal seem less complex, if no less serious. Its banks may be in difficulty, but not to anything like the same extent as Ireland's, and voters appear less convinced that the problems that do exist can be laid at the feet of the outgoing government.
But Portuguese voters should be given the chance to look back over the sequence of events that has led to their nation's parlous financial position, decide on its root causes, and who they want to fix them. Only then can an agreement be reached with the EU and IMF on the terms of the likely bailout.
Of course, they don't have a limitless amount of time in which to do that. The money is running out, and if Portugal can't elect a new government quickly enough to negotiate a deal before the June repayments, it's going to have to borrow in the bond markets, whatever the price. To keep a lid on the cost of doing democracy properly, the Portuguese are going to need help. And the only European institution that can supply that right now is the European Central Bank."
28 março 2011
NOVOS BURACOS
Pelo que parece, e de acordo com o Guardian, os bancos irlandeses irão revelar mais um buraco de 25 mil milhões de euros quando os testes de stress forem publicados. Por sua vez, as cajas espanholas precisam de angariar cerca de 15 mil milhões de euros. E Portugal está cada vez mais sob pressão para "aceitar" ajuda externa.
27 março 2011
VENDER DÍVIDA PORTUGUESA
Os bancos europeus vendem os seus títulos da dívida portuguesa para evitarem estar demasiado expostos a activos menos sólidos quando forem sujeitos aos testes de stress. Mais um sinal do que está para vir. Nas rádios da BBC, da Bloomberg e a National Public Radio discute-se abertamente os montantes do resgate português. A verdade é que fora de Portugal já ninguém acredita que Portugal não recorra ao FEEF e ao FMI.
25 março 2011
24 março 2011
Um bom artigo da Economist sobre a crise política nacional. Como a revista nota, e bem, um dos principais problemas da crise actual tem a ver com as eventuais (mas mais que certas) negociações com os nossos parceiros europeus e com o FMI sobre as contrapartidas necessárias para que seja activado um plano de resgate. A grande questão é assim: quem é que nos irá representar nessas importantes negociações? O governo? Ou mais alguém? Seria bom que os principais partidos estivessem representados e não só o governo actual, pois o governo não tem nem a necessária credibilidade nem (e principalmente) a confiança política das outras forças partidárias, algumas das quais certamente formarão governo daqui alguns meses e terão que arcar com as consequências do acordo negociado. Os próximos dias devem esclarecer esta questão.
A Economist resume bem este dilema. Segundo a revista, a crise: "also created a political vacuum in which nobody may have enough authority to negotiate a bail-out. Few doubt that Portugal is close to the moment when it has no alternative but to seek assistance from the European Financial Stability Facility (EFSF), the euro-zone’s bail-out fund. But economists say that the crisis increases the chances that Portugal will need EU funds soon."
20 março 2011
QUEM TEM A CULPA?
Agora que estamos prestes a pedir ajuda financeira ao FMI e aos nossos parceiros europeus, uma das perguntas que nos inquieta é: quem são os culpados por toda esta situação? A crise financeira internacional? A crise da dívida europeia? A fraca competitividade da economia nacional? Os nossos governos? Ou será que nós também somos culpados?
Se formos isentos, facilmente concluiremos que todos estes factores contribuíram para chegarmos à situação actual. Por um lado, a crise financeira internacional expôs as debilidades e as fragilidades da nossa economia (principalmente o nosso elevado endividamento). Foi igualmente a crise financeira internacional que fez com que muitos governos europeus se endividassem excessivamente ao introduzirem planos de resgate dos seus bancos, bem como toda uma série de estímulos às economias.
Por outro lado, a situação actual tem igualmente uma importante componente nacional. Porquê? Porque, primeiro, a economia nacional atravessa uma grave crise estrutural há já uma década, e os nossos governos têm sido totalmente incapazes em lidar com este problema. Segundo, porque os nossos governos têm sido de uma incompetência atroz e de uma irresponsabilidade indesculpável ao terem deixado que as nossas finanças públicas chegassem ao estado que chegaram. E todos nós (famílias, empresas e Estado) somos culpados, porque deixámo-nos endividar bem acima do que era aconselhável.
Por outro lado, a situação actual tem igualmente uma importante componente nacional. Porquê? Porque, primeiro, a economia nacional atravessa uma grave crise estrutural há já uma década, e os nossos governos têm sido totalmente incapazes em lidar com este problema. Segundo, porque os nossos governos têm sido de uma incompetência atroz e de uma irresponsabilidade indesculpável ao terem deixado que as nossas finanças públicas chegassem ao estado que chegaram. E todos nós (famílias, empresas e Estado) somos culpados, porque deixámo-nos endividar bem acima do que era aconselhável.
Ou seja, a culpa da situação actual é de todos. Por isso, temos todos de trabalhar em conjunto para conseguirmos novamente tornar Portugal num país com futuro.
Nota: Meu artigo no Notícias Sábado, Janeiro 2011
17 março 2011
CICLO INFERNAL
Excelente resumo da situação actual feito pela Helena Garrido, directora-adjunta do Jornal de Negócios:
11 março 2011
BAILOUT OU NÃO _ DEBATE
O Portuguese Economy é o palco de um debate sobre a necessidade ou não de Portugal ter de recorrer ao resgate do FEEF e do FMI. A pergunta é "Does Portugal need a bailout?", e eu, o Pedro Lains, o Pedro Martins, o Pedro Pita Barros, Paulo Trigo Pereira, e o Francesco Franco damos as nossas opiniões sobre o assunto.
Aqui está um excerto do meu texto:
"Why is a bailout almost inevitable? Because the credit constraints and the lack of financing of the economy are untenable, the debt dynamics are unsustainable, and because, frankly, there is a self-sustaining belief that Portugal is the next country to fall in the European sovereign debt domino.
Independently of what will happen in the next few days, the fact is that Portugal has a very serious debt problem in its hands, which will likely not go away with a mere bailout. Just to put things into perspective, in 2011, Portugal will have its highest public debt (as % of GDP) of the last 160 years, and the largest external debt in the last 120 years. Our public debt will be higher than 91% of GDP, and that does not even include the debt of public enterprises or the future debt already committed with the private-public partnerships that substituted for public investment in the last decade. In addition, the country’s gross external debt amounts to more than 240% of GDP, and net external debt is around 110% of GDP. The economy has not grown significantly in the last decade, and there is no major indication (with the possible exception of exports) to make us believe that we are on a prelude for an unforeseen economic miracle. To make things worse, government policies have been close to disastrous, and have only aggravated Portugal’s economic ailments. In short, the situation is dire, and it is difficult to envision any scenario in which a bailout will not take place, even though the latter might not be enough to help resolve Portugal’s debt problems in the medium and long term.
Independently of what will happen in the next few days, the fact is that Portugal has a very serious debt problem in its hands, which will likely not go away with a mere bailout. Just to put things into perspective, in 2011, Portugal will have its highest public debt (as % of GDP) of the last 160 years, and the largest external debt in the last 120 years. Our public debt will be higher than 91% of GDP, and that does not even include the debt of public enterprises or the future debt already committed with the private-public partnerships that substituted for public investment in the last decade. In addition, the country’s gross external debt amounts to more than 240% of GDP, and net external debt is around 110% of GDP. The economy has not grown significantly in the last decade, and there is no major indication (with the possible exception of exports) to make us believe that we are on a prelude for an unforeseen economic miracle. To make things worse, government policies have been close to disastrous, and have only aggravated Portugal’s economic ailments. In short, the situation is dire, and it is difficult to envision any scenario in which a bailout will not take place, even though the latter might not be enough to help resolve Portugal’s debt problems in the medium and long term.
The fact is that the only reason that has prevented Portugal to ask for a bailout are the political costs that will be associated with such a decision... "
Pode ler o resto do texto aqui, onde poderá ver igualmente a opinião dos outros intervenientes.
08 março 2011
REESTRUTURAÇÃO OU NÃO, EIS A QUESTÃO (7)
Satyajit Das, o autor de "Traders, Guns & Money", também defende que as reestruturações das dívidas de alguns países europeus são inevitáveis.
A CULPA É DOS BANCOS (2)
Numa entrevista ao Der Spiegel, Barry Eichengreen defende que os bancos europeus estão numa situação bem mais perigosa do que às vezes se pensa.
A CULPA É DOS BANCOS
Há cada vez mais analistas a defender que a crise soberana europeia é essencialmente uma crise bancária, e que o problema não se irá embora enquanto os bancos não partilharem o custo da crise que assola a periferia da Europa. Assim, os irlandeses dizem que estão a pagar um preço demasiado elevado para resgatar os seus bancos, bem como os bancos europeus (alemães, britânicos e franceses) que os financiaram. Um debate que está para ficar.
07 março 2011
RESGATE, DIZEM ELES
O que pensar quando, no mesmo dia, os dois principais jornais económicos do mundo se dão ao trabalho de escrever editoriais e artigos a aconselhar Portugal a aceitar um recurso ao FEEF e ao FMI? Será uma conspiração contra o nosso país? Contra o governo? Estarão estes jornais a trabalhar a favor dos "malvados dos mercados"? A favor dos partidos da oposição? Ou será que estes não são mais do que sinais da inevitabilidade daquilo que está para vir?
É, de facto, extraordinário o que está acontecer. Não é propriamente inesperado, visto que há meses que tudo isto era relativamente previsível. Já aqui o afirmei várias vezes, mas nunca é demais reiterar qual é a única razão que ainda não nos fez pedir auxílio aos nossos parceiros europeus e ao FMI. Essa razão chama-se sobrevivência do governo. Não é o euro, não é a solidariedade europeia e não é sequer por causa da austeridade que alegadamente nos será imposta pelo FMI. Não. O que está em causa neste momento é apenas a sobrevivência do governo. Uma sobrevivência que se faz a todo o custo, mesmo que para isso tenhamos que sobrecarregar as próximas gerações e os próximos governos com centenas e centenas de milhões de euros em juros adicionais.
E o mais lamentável é que toda esta situação poderia ter sido evitada ou, pelo menos, minorada, se o governo tivesse seguido o conselho de muito boa gente e tivesse pedido recurso ao FEEF e ao FMI logo em Novembro, quando a Irlanda o fez. É certo que as taxas de juros oferecidas à Irlanda não foram muito apetecíveis. Porém, nessa altura não só as taxas de juros da nossa dívida pública no mercado secundário eram substancialmente mais baixas do que actualmente (e do que as irlandesas), como também o governo poderia ter-se desculpado perfeitamente que o nosso resgate se devia ao contágio irlandês. Ainda por cima, nessa altura, ainda estavamos em pré-campanha eleitoral para as eleições presidenciais, o que teria impedido a dissolução da Assembleia da República e a destituição do governo. Como o governo optou por não o fazer, ficou a porta aberta para que o cenário actual se tornasse inevitável. Ainda por cima, como o governo "alcançou" as suas metas orçamentais com truques contabilísticos que já não enganam ninguém (ainda hoje o editorial do Financial Times chama a atenção para os malabarismos orçamentais com os fundos de pensões da PT), e como a execução orçamental de Janeiro deixou muito a desejar, o governo simplesmente hipotecou toda e qualquer réstia de credibilidade que lhe restava. E foi assim que, ao negar o resgate em Novembro, o governo perdeu a sua oportunidade de ouro para tentar sobreviver mais uns meses, quiçá até mais tempo. Um cálculo político que poderá vir a sair muito caro, principalmente para o partido do governo que, contrariamente ao primeiro-ministro, tem tudo a perder com a continuação do governo por muito mais tempo. A verdade é que quanto mais se deteriorar a nossa situação económica, mais danos eleitorais sofrerá o partido do governo nas próximas eleições, bem como nas eleições futuras. Basta ver o que é que aconteceu nas eleições irlandesas para percebermos isso mesmo.
Independentemente desta ou de outras leituras políticas, a verdade é que se acreditarmos o que o FT e o WSJ nos dizem, só um milagre poderá evitar o recurso ao FEEF e ao FMI. Neste sentido, no editorial de hoje, o Financial Times defende que a única razão que nos faz recusar o resgate do FEEF e do FMI é o "orgulho" do governo e do primeiro-ministro. Em contrapartida, o país teria tudo a ganhar em fazê-lo desde já para não cair numa situação insustentável. Segundo o FT:
"José Sócrates, prime minister, and his minority socialist government want desperately to avoid following in the footsteps of Greece and Ireland with a request for emergency international financial assistance. They profess to believe that, if only Europe’s leaders produce a comprehensive plan for tackling the eurozone’s debt crisis, the record-high interest rates that investors are demanding to hold Portuguese government bonds will come down and the nation will be safe.
Perhaps they will be proved right. But the prospects for a grand plan that would receive approval at a European Union summit on March 24-25 look uncertain. Meanwhile, Portuguese banks are shut out of financial markets and depend on the European Central Bank for short-term funds. Bank recapitalisations appear inevitable. If taxpayers were to pick up the bill, Portugal’s public debt would rise to almost 100 per cent of gross domestic product...
But the management of the public finances continues to raise eyebrows. The government’s success in reducing last year’s budget deficit to about 7 per cent of GDP owed much to a one-off measure – the transfer of pension fund assets from Portugal Telecom. Ideally, Portugal would emulate Spain and adopt structural economic reforms aggressive enough to relieve market pressures. But if Portugal must apply for aid, it should do so pre-emptively rather than delay to the point where public opinion sees the request as a national humiliation."
Por sua vez, o Wall Street Journal defende igualmente que Portugal devia activar desde já o recurso ao FEEF e ao FMI, até porque a subida das taxas de juros agora anunciada pelo BCE só tornará a nossa situação mais difícil. De acordo com o WSJ:
"The prospect of a rate rise makes life more difficult for Portugal. Its prime minister, José Sócrates, says his country does not need and will not seek a bail-out. But his euro-zone colleagues fear that he is being overly optimistic. The longer he waits to ask for the help they know he will need, the larger the eventual bail-out. Worse still, his stalling is making it more expensive for other countries to borrow as nervous investors fear not only a Portuguese bailout, but a sovereign-debt default that won't stop at the Portuguese border. The eurocracy has reason to worry. New data reported in this paper last week show that Portugal has cash on hand of about €4 billion ($5.5 billion). Next month it must spend more than that to repay one of its long-term bonds, part of the €20 billion it will need this year to repay debt and cover its ongoing deficit, and for which it will have to pay around 7%, an interest rate that most observers agree is unsustainable. In addition, its banks are frozen out of credit markets, and its state-owned companies need to raise €3.8 billion this year. The decision by Rede Ferroviária Nacional, the state-owned railway infrastructure operator, to cancel a €500 million government-guaranteed syndicated bond offer for lack of buyer interest at acceptable rates, is an ominous omen to problems to come."
Dito isto, interessa perguntar: Será que um resgate irá resolver os nossos problemas? Irá um recurso ao FEEF e ao FMI evitar que tenhamos de efectuar decisões mais drásticas, tais como uma eventual reestruturação da nossa dívida? Claro que não. O máximo que um recurso ao FEEF e ao FMI poderá fazer é dar-nos tempo para nos podermos preparar mais adequadamente para outras eventualidades, bem como para tentarmos introduzir algumas reformas estruturais destinadas a melhorar o desempenho da economia nacional. Porém, e perante a enormidade das nossas dívidas, é muito provável que o recurso ao FEEF e ao FMI não seja mais do que uma aspirina que nos irá aliviar temporariamente das nossas queixas, mas que não resolverá as nossas maleitas.
Ainda assim, as restrições de crédito à economia nacional estão a ficar de tal modo críticas e os juros a que nos estamos a financiar estão a ficar de tal maneira elevados que mesmo essa aspirina poderá ser importante para não termos uma travagem económica ainda mais brusca e traumatizante. E é exactamente por isso que o recurso o FEEF e ao FMI poderá ser tão importante, pelo menos a curto prazo.
04 março 2011
SINAIS DOS TEMPOS (4)
A Refer sente dificuldades para emitir dívida (um mau sinal, sem dúvida) e é notícia de destaque no Financial Times. Mais uma sinal de que os tempos que vivemos são realmente extraordinários.
03 março 2011
QUEM COMPRA?
Antes passavam-se anos (literalmente) para se ver uma notícia sobre Portugal num jornal ou numa televisão estrangeira. Agora, as notícias sobre o nosso país nos principais meios de comunicação social mundiais são diárias. O Financial Times debate hoje quem são os compradores da nossa dívida pública e pergunta:
"Who will step up to buy Portugal’s government bonds when the European Central Bank stops? We think it’s a good question as pressure on Portugal to take a bail-out continues. The answer is an ominous silence."O blogue do FT também contém uns gráficos muito reveladores sobre este assunto.
01 março 2011
NÃO À RENEGOCIAÇÃO
Os governos da Alemanha, da Finlândia e da Holanda não parecem dispostos a ceder em relação a uma eventual renegociação das condições do resgate irlandês (ou seja, baixar a taxa de juros do empréstimo). Ou seja, é melhor que a negociação seja bem feita logo à primeira, pois não haverá lugar a renegociações posteriores. Lições para Portugal?
VENDER OURO PARA RECAPITALIZAR
Os bancos italianos querem que o Banco de Itália venda parte das suas reservas de ouro para ajudar a recapitalização dos bancos antes dos novos testes de stress que se irão realizar no Verão. Os preços do ouro não param de aumentar, de modo que as reservas dos bancos centrais são cada vez mais tentadoras. Veremos se os bancos italianos conseguem levar a sua avante. A grande questão é: e se a moda pega?
28 fevereiro 2011
QUANTO TEMPO MAIS? (2)
O Financial Times vê o recurso de Portugal ao FEEF e ao FMI como cada vez mais inevitável. O artigo do FT começa com estas palavras bem sintomáticas:
"Portugal is under increasing pressure to take a bail-out as its borrowing costs have stayed above a level widely considered unsustainable for longer than Greece and Ireland before their rescues last year."
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