Se o mundo está cada vez mais desigual (devido ao crescimento económico) o que é que podemos fazer para diminuir a pobreza mundial?
Primeiro, os países subdesenvolvidos têm que melhorar os seus governos e respectivas políticas económicas. Uma das maiores lições dos últimos 200 anos é que é não há receitas mágicas para o desenvolvimento. De facto, é muito mais fácil destruir do que construir uma economia. Destruir é simples. Se um governo imprimir dinheiro desmesuradamente, deixar sobrevalorizar excessivamente a moeda nacional, criar défices excessivos, deixar crescer a dívida pública de forma desmedida, ou se fomentar a corrupção, então os incentivos dos agentes económicos serão distorcidos e o crescimento económico morrerá. Por outro lado, construir uma economia é muito mais difícil. Contudo, políticas macroeconómicas estáveis e responsáveis, conjuntamente com o estabelecimento de instituições que protejam os direitos de propriedade são importantes pré-condições para o desenvolvimento económico.
^
Em segundo lugar, é crucial que depois de um período mais proteccionista, a estratégia de desenvolvimento privilegie o comércio com o exterior, como o exemplo das economias asiáticas bem demonstra. Finalmente, é imperioso que as economias subdesenvolvidas diminuam o grau de corrupção existente em muitos desses países. A corrupção é extremamente penalizadora para o desenvolvimento económico não só porque muitos importantes recursos são desviados para fins duvidosos, mas também porque os incentivos à produção são distorcidos. De facto, muitos países subdesenvolvidos nunca poderão aspirar a uma melhoria significativa das suas populações enquanto não diminuírem esse cancro das economias chamado corrupção.
^
Porém, a eliminação da pobreza deverá ser alcançada não só com políticas internas, mas também através do auxílio dos países desenvolvidos e organizações internacionais. O que podemos então fazer para ajudar?
Primeiro, é preciso darmos conta que a ajuda externa deverá ser utilizada principalmente para emergências. Se os elementos fundamentais de uma economia não estiverem correctos, então não há ajuda externa que valha. Segundo, contrariamente a muitas correntes de opinião, reduzir o crescimento populacional não é suficiente para os países se desenvolverem. De facto, quase sempre é o crescimento económico que conduz a um decréscimo do crescimento populacional, e não ao contrário. Terceiro, o perdão da dívida externa dos países subdesenvolvidos não contribuirá para a eliminação da pobreza se esse perdão for utilizado para fins que não sejam o do desenvolvimento. Se a dívida externa for perdoada a um governo corrupto, quais são as garantias que temos que os pobres desse país irão beneficiar da nossa generosidade? Porque deverão os nossos contribuintes financiar governos corruptos? Deste modo, tanto a ajuda externa como o perdão de dívidas deverão ser somente atribuídos a governos que demonstrem que estão genuinamente interessados em eliminar a pobreza nos seus povos.
^
Finalmente, os países desenvolvidos deveriam abrir mais os seus mercados aos países subdesenvolvidos. Atrás de uma retórica de protecção de “sectores sensíveis”, a UE, os EUA e Japão têm sistematicamente encerrado os seus mercados aos produtos mais exportados pelos países subdesenvolvidos. Ora, se quisermos realmente ajudar diminuir a pobreza a nível mundial, a abertura dos mercados tem que ser bidireccional e não ter apenas um sentido.
Em suma, a pobreza de mais de dois terços da humanidade é o problema mais premente que a economia mundial enfrenta actualmente. Existem muitos obstáculos ao desenvolvimento económico de muitas regiões, tais como guerras, o flagelo da SIDA, e corrupção endémica. Porém, a nível do desenvolvimento económico, o recente sucesso da China e da Índia dão-nos a esperança de que no futuro é mesmo possível termos um mundo melhor e eliminarmos a pobreza das nações.