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10 junho 2011

EMIGRAÇÃO PARA O REINO UNIDO

Na última década, o Reino Unido foi um dos países de eleição dos novos emigrantes portugueses. Segundo os dados da Segurança Social e do Ministério do Trabalho britânico, na última década mais de 100 mil portugueses procuraram trabalho na Grã-Bretanha, muitos dos quais acabaram por ficar. Actualmente, e de acordo ainda com as autoridades britânicas, pelo menos 101 mil portugueses vivem na Grã-Bretanha. Esta emigração portuguesa inclui não só indivíduos altamente qualificados, mas também trabalhadores com menos qualificações (há inúmeros portugueses a trabalhar em hoteis e até em estações de serviço das auto-estradas). Esta vaga emigratória para as ilhas britânicas é relativamente recente, pois, até há 10-15 anos não havia uma grande tradição para emigrar para esse país como havia, por exemplo, para a França e para a Alemanha. Tudo se alterou nos últimos anos, e existem hoje em dia comunidades de portugueses signficativas não só em Londres, mas também em cidades como Leeds e Belfast.
A crise da economia britânica parece ter abrandado de alguma forma o fluxo de novos emigrantes portugueses para as ilhas britânicas, mas ainda é cedo para se saber se esta diminuição é meramente temporária ou se é permanente. Logo veremos.
Entretanto, aqui está o gráfico da emigração anual dos portugueses para a Grã-Bretanha desde 1995. É visível a subida pronunciada do número de entradas de emigrantes portugueses nos últimos anos:

Fonte: National Statistics Office

09 junho 2011

A FUGA DE CÉREBROS PORTUGUESA

Como uma figura vale mais do que mil palavras, aqui fica o mapa da fuga de cérebros (o "brain drain") no mundo. Os países assinalados com cores mais escuras registam as maiores fugas de cérebros em percentagem da população total. O mapa apresenta a percentagem de licenciados do ensino superior de um determinado país que optou por emigrar. Em Portugal, cerca de 20% dos nossos licenciados emigraram. Uma percentagem que certamente tem vindo a aumentar nos últimos anos, e que poderá crescer ainda mais se o crescimento económico for retomado rapidamente.

Percentagem de licenciados de um determinado país que optou por emigrar

08 junho 2011

EMIGRAÇÃO PARA O LUXEMBURGO

Ontem o INE admitiu pela primeira vez que o nosso saldo migratório foi negativo em 2010, ou seja, saíram mais portugueses do que as entradas de imigrantes no nosso país. Mais concretamente, o INE estimou que saíram cerca de 23,7 mil portugueses em 2010, o que contribuiu para que a nossa população diminuisse em cerca de 700 pessoas no último ano. Continuo a afirmar que os números de saídas de portugueses estimados pelo INE estão manifestamente errados, assim como iremos ver dentro de pouco, quando os dados do Censos 2011 forem publicados. Nessa altura, penso que iremos verificar que a população do país terá entre 200 mil e 300 mil pessoas a menos do que os 10,6 milhões estimados pelo INE. Como chego a este número? Subtraindo as minhas estimativas da emigração com os números de entradas de imigrantes. 
Aliás, os primeiros indícios desta tendência já foram mais ou menos revelados pelo INE, quando há algumas semanas os números provisórios do Censos 2011 mostraram que cerca de 200 mil pessoas tinham "desaparecido" e/ou não tinham sido recenseadas. O INE admitiu na altura que não sabia onde estavam estas pessoas... Esperemos então para os números definitivos para ficarmos com mais certezas.
Entretanto, aqui ficam os dados da emigração portuguesa para o Luxemburgo, um destino muito procurado nos últimos anos. Como podemos ver no gráfico abaixo, o número de entradas de portugueses no Luxemburgo tem aumentado muito nos últimos anos (embora o número de entradas em 2009 seja menor do que em 2008, provavelmente devido ao efeito da crise económica, que teve um impacto na criação de emprego e, assim, na procura de novos emigrantes). Entre 1999 e 2009, entraram cerca de 37 mil emigrantes portugueses no Luxemburgo. Só entre 2004 e 2009, foram nada mais nada menos do que 24 mil. Relembre-se que, nos últimos 7 anos, só para a Suíça foram 70 mil portugueses. Ou seja, tudo somado, cerca de 100 mil portugueses saíram nos últimos 7 anos para a Suíça e para o Luxemburgo. 100 mil.
É ainda significativo verificar que nos últimos 5 anos, as entradas anuais de novos emigrantes portugueses para o Luxemburgo foram sempre superiores às entradas anuais registadas no final dos anos 1960 e no início dos anos 1970. Mais uma prova de que estamos a viver uma vaga emigratória histórica, e muitíssimo maior do que nos tem sido indicado pelo INE. E o problema é que desta vez a nossa natalidade não é suficiente para compensar as saídas, tal como aconteceu nas décadas de 1960 e de 1970. Muito pelo contrário. A crescente emigração só vem agravar ainda mais a crise demográfica que temos nas nossas mãos devido à nossa baixíssima natalidade. Como já aqui mencionei, estes dois factores são uma autêntica bomba relógio para a sustentabilidade das contas públicas e para a Segurança Social. Por isso, é muito importante que o novo governo comece a trabalhar afincadamente para tentar contrariar estas nefastas tendências. Para tal, é urgente implementar o quanto antes verdadeiras políticas de natalidade e de imigração.

Números de novos emigrantes portugueses no Luxemburgo, 1995-2009

Fonte: Statec

31 maio 2011

MENOS CRESCIMENTO, MAIS EMIGRAÇÃO

Como já aqui vimos, uma das principais consequências da prolongada crise nacional relaciona-se com o extraordinário retorno em força da emigração portuguesa. E se ainda podíamos ter algumas dúvidas se esta vaga emigratória era realmente signficativa ou não, essas mesmas dúvidas começam a dissipar-se com os resultados preliminares do Censo da População, que mostram que as previsões do INE da população nacional poderão estar sobre-avaliadas entre 200 mil e 300 mil portugueses(as). Veremos se estas previsões se mantêm quando os dados definitivos estiverem disponíveis.
Ora, toda esta emigração tem uma grande vantagem, que é diminuir as pressões sociais e económicas relacionadas com o desemprego. Quanto mais emigração, menor é o desemprego, e menores as tensões sociais.
Mais, os dados disponíveis indicam que a emigração portuguesa tende a ser elevada quando o crescimento económico é baixo. Esta relação negativa tem sido especialmente forte nos últimos anos e pode ser observada no gráfico abaixo. Para ser mais fácil interpretar o que nos diz o gráfico, os anos foram incluídos na figura. Como podemos ver, a correlação negativa entre o crescimento do PIB nacional (no eixo vertical) e a emigração anual (no eixo horizontal) não foi muito grande na década de 1980, quando registámos taxas de crescimento económico significativas. Em contraste, os grandes fluxos emigratórios da primeira década do século 21 correspondem ao período de fraco crescimento económico que vimos anteriormente. Isto é, a estagnação económica da última década está altamente correlacionada com o retorno da emigração portuguesa.
O que isto quer dizer ainda é que não será possível travar esta nova vaga emigratória enquanto não houver crescimento económico e, consequentemente, oportunidades de emprego. É que quando não existem empregos nem oportunidades, as pessoas acabam por procurar noutros países aquilo que não encontram no seu país de origem país de origem. É tão simples como isso.

Número de novos emigrantes vs. Crescimento económico, 1985-2008

11 abril 2011

EMIGRAÇÃO PARA AS EX-COLÓNIAS

Um artigo da Associated Press que tem corrido as redações da imprensa internacional nas últimas horas debruça-se sobre a nova vaga de emigração proveniente dos países europeus em crise e que se destina às ex-colónias destes países. Em relação a Portugal, o artigo menciona o crescente fluxo de portugueses para Angola, o Brasil e Moçambique.

08 abril 2011

REMESSAS A MENOS

Um dos nossos problemas actuais é bem reflectido no gráfico abaixo, retirado do meu novo livro que sairá na última semana de Abril. Nas últimas décadas as remessas dos emigrantes em percentagem do PIB diminuiram muito pronunciadamente, de cerca de 10% do PIB no início dos anos 1980 para menos de 1,3% do PIB em 2010. Menos remessas implicam menos poupanças e menor financiamento da nossa economia. Se aliarmos a este facto a acentuada descida das entradas de capitais estrangeiros registada nos últimos anos, temos a receita perfeita para que um país com défices comerciais crónicos (como é o nosso) se comece a endividar a ritmos elevados e a acumular défices externos crescentes. Será que a nova vaga emigratória irá contrariar esta tendência?

Remessas dos emigrantes portugueses em percentagem do PIB nacional, 1930-2009

Fonte: Santos Pereira (2011) "Portugal na Hora da Verdade: Como vencer a crise nacional", Gradiva

11 março 2011

IMIGRAÇÃO MENOS EMIGRAÇÃO _ voz aos leitores

O Pedro Teixeira apresenta algumas razões para que os meus cálculos sobre a evolução da população portuguesa possam estar errados.
"De forma muito clara deixe-me dizer-lhe a minha opinião: as suas conclusões acerca deste tema (e ainda ligando com o tema do desemprego) estão erradas. Trata-se apenas de uma opinião, não sou sequer um expert. O seu argumento é: o desemprego em Portugal aumentou ao longo de toda a década, e só não é ainda pior porque 7% da população portuguesa emigrou. Eu refutei esse seu argumento em vários pontos já:
1. O desemprego aumentou na última década sim, mas não de forma continuada, em 2 momentos específicos - na crise 2002-2004, e depois da crise 2008.
2. A emigração aumentou, mas ao mesmo tempo aumentou a população e população activa, pelo que o efeito da emigração não fez baixar o número de pessoas à procura de trabalho.
3. O total de empregos gerados pela economia está em 2010 sensivelmente igual a 2001 (dados do INE).
Nos números que apresenta agora sobre emigracao e imigracao, dá a sensação que Portugal perdeu neste deve e haver 300.000 pessoas. Sendo que a taxa de crescimento organico da população portuguesa é nula ou negativa (http://epp.eurostat.ec.europa.eu/tgm/table.do?tab=table&init=1&language=en&pcode=tps00007&plugin=1), um tal saldo migratório tão negativo significaria uma redução da população e necessariamente da população activa - segundo o Eurostat/INE, isso não ocorre, pelo contrário (http://epp.eurostat.ec.europa.eu/tgm/table.do?tab=table&init=1&language=en&pcode=tsdde230&plugin=1).
Eu sou um dos 700.000 portugueses que emigraram ao longo da última década (durante 2 anos apenas, mas apareço nessa estatistica). Também apareço na população residente e população activa, porque regressei a Portugal. Assim como eu e a minha família, conheço mais 50 pessoas na mesma situação (apenas falando de um restrito grupo de colegas de trabalho!). O que quero dizer como isto é: não existiu uma debandada de 700.000 portugueses nos ultimos 10 anos. É normal que a emigração aumente nestes anos, mas o efeito principal nos ultimos 10 anos foi a globalização (ou de forma mais pequena a iberizacao) a nivel empresarial, que levou a uma grande quantidade de expatriações temporárias. Tal entra nas estatisticas da emigracao, mas é temporária. Será que isto invalida o seu argumento de que existe um surto migratório? Não, de todo não invalida. Mas invalida o argumento de que, nos ultimos 10 anos, Portugal perdeu população activa devido ao saldo migratório. Saberemos em concreto isto após os censos deste ano."
 
Concordo. Saberemos daqui a uns meses.

10 março 2011

IMIGRAÇÃO MENOS EMIGRAÇÃO

A propósito dos números da emigração, alguns leitores perguntaram-me se o aumento da imigração que ocorreu nos últimos anos foi suficiente para compensar a saída dos portugueses desta nova vaga emigratória. A resposta é simples: não, não foi. Como podemos ver no gráfico abaixo, é verdade que a população estrangeira a residir em Portugal cresceu muito consideravelmente no final dos anos 1990 e no principío do novo século. Porém, nos últimos anos, a crise nacional e o aumento do desemprego têm feito diminuir os fluxos imigratórios para o nosso país, tendo, inclusive, originado um retorno de alguns imigrantes aos seus países de origem. 
Ainda assim, nos últimos 15 anos, recebemos quase 300 mil imigrantes, o que nos faz perguntar se este fluxo não será suficiente para compensar as perdas para a emigração. Não é porque, só entre 1998 e 2008, saíram cerca de 700 mil portugueses. É possível que alguns destes portugueses possam ter regressado, principalmente os que estavam a residir na Espanha e no Reino Unido, países onde o desemprego aumentou muito desde 2008. Porém, é igualmente provável que muitos dos novos emigrantes tenham optado por ficar nos seus países de destino. É que, sinceramente, não acredito muito no argumento de que a nossa emigração é agora essencialmente temporária, pois não só não temos provas inequívocas que isso seja verdade, como também, e principalmente, porque quem é ou já foi emigrante sabe muito bem que é extremamente fácil passar de uma situação de emigrante "temporário" a "permanente". É tudo uma questão de oportunidades, em Portugal e nos países de acolhimento.
O que é que tudo isto quer dizer? Que se subtrairmos os fluxos da imigração às saídas dos novos emigrantes, ficamos com uma diferença populacional negativa entre 200 mil e 300 mil pessoas (já contando com possíveis erros). Como é que saberemos se todos estes números se confirmam? Quando saírem os resultados do Censo lá mais para o final do ano. Certamente que não iremos ficar tão surpreendidos como o regime salazarista ficou na década de 1960 (quando se registou uma saída maciça de emigrantes portugueses), mas não seria de admirar se as actuais estimativas populacionais do INE se viessem a revelar demasiado optimistas.

População estrangeira em Portugal
Fonte: SEF, Gráfico retirado de Santos Pereira (2011)

09 março 2011

OS NÚMEROS QUE REALMENTE INTERESSAM (2)

Um leitor anónimo insinua que estou a fazer um argumento político com os números do desemprego. Pois muito bem. A minha intenção era somente chamar a atenção para o grave problema que temos nas nossas mãos e para o qual tenho tentado alertar várias vezes. O fenómeno do desemprego começou a acentuar-se em 2000 e nenhum governo foi capaz de o travar, pelo menos de uma forma duradoura. Não foi só este governo, foram também os governos que o precederam. É claro que as consequências relacionadas com a crise internacional foram responsáveis por cerca de 180 mil novos desempregados. No entanto, e como já aqui tinha mostrado, a tendência de crescimento do desemprego começou no início deste século. Não começou em 2004, 2005, nem em 2008. Ou seja, há uma crise nacional que se prolonga há mais de uma década e que tem tido reflexos muito claros ao nível do desemprego e do retorno da emigração, e que foi agravada pelo eclodir da crise internacional. E as políticas económicas dos últimos têm-se revelado totalmente ineficazes para contrair esta tendência.
Mas, para além dos dados históricos, aqui ficam os dados da última década para que não fiquem dúvidas sobre os números do desemprego. Os dados são referentes ao último trimestre  de todos os anos entre 1999 e 2010. E, já agora, uma sugestão: se quisermos fazer um argumento político, vale a pena atentarmos para os dados do primeiro trimestre de 2005 em vez do trimestre precedente:


4.º Trimestre de 1999 4.º Trimestre de 2000 4.º Trimestre de 2001 4.º Trimestre de 2002 4.º Trimestre de 2003
215.2 195.1 220.5 329.6 355.6
1.º Trimestre de 2005 4.º Trimestre de 2005 4.º Trimestre de 2006 4.º Trimestre de 2007 4.º Trimestre de 2008 4.º Trimestre de 2010
412.6 447.3 458.6 439.5 437.6 619
Fonte: INE

Quanto aos dados da emigração, aqui estão os fluxos entre 1998 e 2008 estimados a partir dos dados dos fluxos populacionais e da Segurança Social dos principais países de acolhimento dos nosso emigrantes. Os dados não são meus, são dos países de acolhimento. Eu simplesmente os compilei:

Número de emigrantes portugueses, 1998-2008


1998 1999 2000 2001 2002
44.694 36.793 35.489 38.179 45.098
2003 2004 2005 2006 2007 2008
60.818 68.144 74.493 84.272 108.388 101.595

Fonte: Santos Pereira (2011)

É exactamente por a emigração ter subido tanto que não é difícil concluir que a taxa de desemprego já seria bem mais elevada se centenas de milhares de portugueses não tivessem saído do país à procura de oportunidades de emprego e de melhores condições de vida.
Apesar de estes dados serem uma mera constatação da realidade, qual é o verdadeiro argumento político que está por detrás destes números? É simples: as más políticas dos últimos 15 anos são responsáveis pelo desastre económico que estamos agora a assistir, cujas consequências incluem, entre outras coisas, o maior desemprego dos últimos 80 anos e a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos. Este é, aliás, um dos principais argumentos do meu novo livro, onde se apresentam vários outros dados que provam quão desastrosas foram as políticas económicas dos últimos anos.

28 fevereiro 2011

EMIGRAÇÃO DA IRLANDA (2)

Mais dados sobre a emigração da Irlanda. O próximo gráfico dá-nos a migração líquida do território irlandês nos últimos 50 anos. Como já aqui mencionei, após décadas em que Irlanda registou a taxa de líquidas de migração positivas (isto é, em que os imigrantes que chegaram ao país foram superiores às pessoas que saíram), a grave crise económica dos últimos anos conduziu a um aumento da emigração e a uma diminuição da imigração. Por isso, desde 2008 que a Irlanda regista uma taxa líquida migratória negativa, que é crescente e muito significativa. Por outras palavras, a emigração regressou em força à Irlanda. Aliás, como já acontece em Portugal há alguns anos. E tal como nós, os irlandeses estão expectantes por saber os resultados do Censo da população deste ano.
Gráfico retirado daqui.

21 janeiro 2011

 Fonte: Wall Street Journal

Contrariamente ao nosso INE, que continua a negar aquilo que é mais do que evidente, o Irish Central Statistics Office já possui estimativas sobre a nova vaga de emigração que está a assolar a Irlanda. Só em 2010, a Irlanda viu emigrar 65 mil habitantes, o que representa uma perda líquida (isto é, emigrantes menos os imigrantes) de quase 40 mil pessoas. Como era de esperar, o ritmo do movimento emigratório está a aumentar, de modo que um relatório do Economic and Social Research Institute estima que cerca de 100 mil pessoas irão sair da Irlanda entre Abril de 2010 e Abril de 2012, algo como 1000 pessoas por semana. Porquê? Porque as oportunidades de emprego são muito limitadas e a taxa de desemprego já ultrapassa 13,5%. Ainda por cima, como é sabido, a situação económica não deve melhorar nos tempos mais próximos. 
Por outras palavras, está a acontecer à Irlanda exactamente o mesmo que está a ocorrer ao outro país europeu com uma forte tradição de emigração, o nosso. É só pena que as nossas autoridades económicas e o INE continuem a fingir que nada se passa. Por que será?

20 janeiro 2011

EMIGRAÇÃO PARA A ESPANHA

Segundo os dados mais recentes do Ministério do Trabalho espanhol, o número de portugueses a trabalhar em Espanha tem vindo a baixar significativamente desde 2008, quando eclodiu a crise internacional e a bolha imobiliária espanhola rebentou. Esta diminuição do número de emigrantes portugueses para destinos como a Espanha e o Reino Unido era inteiramente esperada (aliás, como eu já tinha referido aqui), devido ao grande aumento de desemprego registado nestes países desde o ano de 2008. O que é que acontece aos portugueses que optam por sair de Espanha? Não sabemos bem, pois não temos estatísticas fiáveis que nos ajudem a perceber exactamente para onde é que vão estes trabalhadores. Ainda assim, o mais certo é que alguns regressem a Portugal se conseguirem arranjar emprego, mas muitos outros optem por continuar a trabalhar no estrangeiro. Ou seja, muda-se o destino da emigração, mas continua-se a trabalhar fora de Portugal. Não é à toa que,  nos últimos tempos, destinos como Angola, Luxemburgo e Suíça tenham sido crescentemente procurados pelos nossos trabalhadores. A verdade é que enquanto a economia nacional permanecer em crise ou estagnada (como nos últimos 10 anos), e enquanto o desemprego nacional continuar muito elevado, o mais certo é que a nova vaga de emigração não será invertida.

10 janeiro 2011

AINDA A EMIGRAÇÃO (3)

O jornal britânico The Guardian fala sobre a nova vaga da emigração portuguesa e refere alguns efeitos positivos que esta vaga migratória pode vir a ter no nosso país.

28 novembro 2010

AINDA A EMIGRAÇÃO (2)

O Público e o DN falam hoje sobre a questão da emigração e sobre os impactos que a mesma poderá ter para a economia nacional.

27 novembro 2010

EMIGRAÇÃO DA IRLANDA

Como já aqui referi, o regresso da emigração não se restringe a Portugal. Existem cada vez mais indícios que este fenómeno está também a voltar à Irlanda.

25 novembro 2010

EMIGRAÇÃO PARA A SUÍÇA

Os dados mais recentes sobre a emigração para a Suíça foram agora disponibilizados pelo organismo responsável pelas estatísticas desse país. Entre outras coisas, ficámos a saber que, em 2009, viviam nesse país 206 mil portugueses, cerca de 70 mil portugueses a mais do que em 2001. Um valor significativo até porque a Suíça não tem sido o país onde os fluxos de emigração portuguesa têm sido mais elevados.
É também interessante constatar a inequívoca tendência de crescimento da população portuguesa nesse país durante a última década. Neste sentido, o próximo gráfico é muito elucidativo em relação à nova vaga emigratória que está a decorrer. É visível que a população portuguesa a residir na Suíça tinha estabilizado na segunda metade dos anos 90, começando a crescer por volta de 2002. Ou seja, mais ou menos quando a crise económica nacional começou. Mais um forte indício de que estamos a viver a terceira grande vaga emigratória dos últimos 150 anos. Mas, claro, são os Suíços que estão errados, não o INE.

Gráfico _ População de nacionalidade portuguesa a residir na Suíça, 1995-2009
Fonte: Statistique Suisse "Population étrangère 1995-2009"

24 novembro 2010

A FICÇÃO DO INE

Num dia em que o Público faz capa com os temas da greve geral, o desemprego e o retorno da emigração, é interessante verificar que o Instituto Nacional de Estatística continua a fingir que nada ou pouco se passa em relação aos fluxos emigratórios dos portugueses. Assim, o INE publicou ontem a edição de 2010 das Estatísticas Demográficas, onde se demonstra que a população portuguesa continua a crescer, apesar de o saldo demográfico natural (nascimentos menos mortes) permanecer negativo. Como é possível? Porque o INE estima que o saldo migratório nos continua a ser favorável. Mais concretamente, de acordo com o INE, em 2009 entraram 32 mil novos imigrantes em Portugal (tinham sido 29 mil em 2008), e saíram somente 16899 portugueses em 2009 e 20357 em 2008. Ou seja, números radicalmente distintos dos meus, que apontam para uma emigração a rondar os 100 mil portugueses nesses anos. 
Como é possível esta diferença tão abismal? Muito simples. O INE utiliza métodos indirectos de avaliação da emigração, fazendo inquéritos telefónicos aos agregados familiares onde se pergunta se há alguém nesse agregado que emigrou no último ano. Ora, vários estudos internacionais demonstram que este método subavalia enormemente os fluxos emigratórios, pois as pessoas costumam omitir informação relevante sobre os fluxos de saída. Por outro lado, os meus números foram obtidos olhando para os países de origem dos emigrantes, através dos dados dos centros de emprego e da Segurança Social desses países, onde se distinguem os novos trabalhadores por país de origem. Isto é, um método que nos permite observar directamente o número de portugueses no estrangeiros.
Mas esqueçamos por um momento a questão dos métodos de obtenção dos dados e concentremo-nos nos números agora divulgados. Eu sei que sou suspeito, mas será que os números do INE fazem algum sentido? É claro que não. Se fossem reais, o que estes números nos dizem é que em 2009 registámos os menores fluxos de saída de portugueses das últimas décadas. Mais concretamente, desde 1948 que os fluxos de saída dos portugueses não era tão baixo! Isto numa altura que o desemprego já rondava os 9,5% e a crise económica nacional já dura há uma década. Ou seja, estes números são, no mínimo, inverosímeis, para já não dizer ridículos. E se não acreditem em mim, vejam os números apresentados pelo Observatório da Emigração, que é ligado ao governo, e que ainda há pouco tempo falou em saídas  anuais de 70 mil portugueses nesta década. 
Enfim, só não vê quem quer. E o INE, que faz um trabalho tão meritório e tão importante noutras áreas, infelizmente não quer ver.

Já agora, aqui ficam os dados do INE publicados ontem.


Fluxos emigratórios de Portugal em 2008 e 2009, segundo o INE

 Nacionalidade 2008 2009
HM H M
HM H M
Total  20 357  11 642  8 715
 16 899  9 665  7 234
Portugal  18 462 x x
 14 138 x x
Outros Estados-Membros da UE   161 x x
  254 x x
Países terceiros  1 734 x x  2 507 x x

17 novembro 2010

FINANÇAS PÚBLICAS E EMIGRAÇÃO

Um dos efeitos mais nefastos da nova vaga migratória agora em curso é o impacto que a emigração poderá ter sobre a sustentabilidade das finanças públicas e da Segurança Social a longo prazo. Estes efeitos poderão ser ainda mais gravosos e preocupantes se nos lembrarmos que a taxa de natalidade nacional é uma das mais baixas do mundo, o que terá enormes consequências para a mesma sustentabilidade das finanças públicas e da Segurança Social. Este foi um dos temas de algumas declarações que eu fiz para a Lusa e que estão resumidas aqui.

15 novembro 2010

EMIGRAÇÃO DE ENFERMEIROS

Começam a surgir os primeiros dados micro do fenómeno da emigração, para o qual tenho aqui chamado a atenção. Agora um trabalho da Ordem dos Enfermeiros, referido no i, estima não só que a taxa de desemprego dos enfermeiros ronde os 20%, mas também que 15% dos enfermeiros que encontraram emprego emigraram para outros países.