Quando o Wall Street Journal e o Financial Times, entre outros, escrevem artigos sobre uma greve geral em Portugal, não é difícil perceber que os tempos que vivemos são verdadeiramente excepcionais.
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25 novembro 2010
24 novembro 2010
A OUTRA EUROPA
Enquanto nós permanecemos estagnados, a outra Europa, a de Leste, continua a crescer. Segundo as previsões do Banco Mundial, muitos dos países do Leste europeu crescerão em 2011 a taxas superiores a 3%. A Polónia será a economia mais dinâmica, com um crescimento projectado de 3,5% em 2010 e 4,1% em 2011. Quem disse que a Europa estava em crise?
OS SENHORES QUE SE SEGUEM (4)?
Pelo andar da carroagem, é bem possível que a especulação ao redor da nossa dívida soberana seja apenas uma nota de rodapé na crise da dívida europeia. Como um analista refere aqui, "Spain is the real issue here". Ou seja, Portugal é apenas um pormenor no cenário de um agravamento da crise soberana da Espanha. E já há quem faça as contas e chegue à conclusão de que os montantes do fundo de estabilização financeira não serão suficientes para resgatar Portugal e a Espanha.
EFEITO DOMINÓ
O efeito dominó e a crise europeia da dívida, segundo o Wall Street Journal, que também revê possíveis mecanismos de contágio da crise da dívida soberana ao nível europeu.
22 novembro 2010
21 novembro 2010
BAILOUT INEVITÁVEL
Era inevitável dado os montantes da dívida do sector bancário irlandês. Resta saber as condições e se o governo da Irlanda cedeu na questão fiscal. A grande questão para nós é saber se e quando nós seremos os senhores que se seguem. De uma coisa podemos estar certos, um bailout à Irlanda será muito diferente de um eventual bailout a Irlanda.
19 novembro 2010
BAILOUT OU NÃO, EIS A QUESTÃO (2)
Como já aqui referi, o principal ponto de discórdia entre a Irlanda e os negociadores europeus do bailout dos bancos irlandeses relaciona-se com as baixas taxas de impostos concedidas às empresas da economia celta. Mais concretamente, segundo o Financial Times, os alemães e os franceses consideram as baixas taxas de imposto irlandesas como sendo "quase predatórias". Por isso, estes países (que já tinham defendido a harmonização fiscal europeia para acabar com o regime de excepção irlandês) estão a fazer tudo o que podem para que os irlandeses aceitem aumentar a carga fiscal das empresas sediadas na Irlanda. Como disse um negociador francês “They need lots of money and we note they have a corporation tax rate that is very low. Supply must follow demand.” Uma espécie de lei de Say (que diz que a oferta cria a sua própria procura) aplicada à finança dos Estados. Enfim, uma vergonha. Querem acabar com o sucesso da economia irlandesa à força.
A que ponto chegou a Europa.
18 novembro 2010
CONFIANÇA NAS CONTAS
Nos últimos dias ficámos a saber que o buraco orçamental da Grécia em 2009 foi ainda maior do que já tinha sido previsto. Foram exactamente estas notícias que não só geraram alguma desconfiança por parte de outros parceiros europeus (principalmente por parte da Áustria, que ameaçou parar as suas transferências para o bailout grego), como também por parte dos mercados financeiros.
No entanto, nem tudo foi mau. Pela primeira vez em alguns anos, o Eurostat declarou que confiava nos valores da dívida pública grega, o que levou o comissário europeu para a Economia e Finanças afirmar (desafabar?) que a certificação das contas helénicas por parte do Eurostat tinha sido "um grande feito". Porquê? Porque pela primeira vez, nos últimos anos, é possivel afirmar com certeza que as contas públicas gregas são de confiança, uma condição fundamental para os mercados voltarem a acreditar nas autoridades helénicas. Não seria tão bom podermos afirmar o mesmo sobre as contas públicas nacionais?
08 novembro 2010
CRISE EUROPEIA
A crise da dívida soberana europeia continua a dominar as primeiras páginas dos jornais do mundo. Hoje o New York Times fala sobre a austeridade europeia, dando um grande ênfase à situação na Irlanda.
11 outubro 2010
O (QUASE) COLAPSO DO EURO
O Financial Times relata hoje a história do quase-colapso do euro na Primavera de 2010. Vale a pena recordar quão perto estivemos do abismo financeiro na Europa.
18 julho 2010
PORTUGAL NÃO É A GRÉCIA
Há umas semanas atrás, comecei a colaborar com o Notícias Magazine numa coluna onde escrevo sobre macroeconomia de uma forma descontraída. Às vezes escrevo para a revista ensaios mais longos. Este é um deles. Uma comparação entre Portugal e a Grécia.
"Nos últimos tempos, temos ouvido frequentemente que Portugal não é a Grécia. Porém, quantas vezes nos questionámos: o que é que significa «não ser a Grécia»? Afinal, se a crise nacional já dura há quase uma década, se o desemprego atinge níveis históricos e a emigração se aproxima perigosamente dos níveis das décadas de 60 e 70, será que não estaremos tão mal, ou quiçá até pior, do que a Grécia?
Comparemos então alguns indicadores, para podermos perceber a verdadeira situação dos dois países.
Melhor do que a Grécia
Se olharmos somente para as finanças públicas, há poucas dúvidas que Portugal está melhor do que a Grécia. Assim, enquanto a Grécia registou défices orçamentais a rondar os 8% do PIB em 2008 e os 14% em 2009, os nossos défices foram substancialmente mais baixos, tendo sido 2,8% do PIB em 2008 e 9,4% em 2009. Elevados, é certo, mas bem menores do que os défices helénicos.
Défice orçamental (% do PIB)
O mesmo se passa com a dívida pública. Este ano espera-se que a Grécia tenha uma dívida pública acima dos 120% do PIB, enquanto Portugal terá “somente” uma dívida pública à volta dos 85% do PIB nacional. Mais uma vez, demasiado elevada, é certo, mas menor do que a grega.
Dívida Pública (%do PIB)
Os gregos sofrem ainda de um grave problema de credibilidade. Na última década, os governos gregos manipularam sistematicamente as finanças do Estado para poderem entrar no euro e para evitarem as restrições do Pacto de Estabilidade, tendo também mentido descaradamente anos a fio sobre o real estado das contas públicas.
O défice de credibilidade das nossas contas públicas é considerável, mas não é tão grave como o grego. Nós também manipulámos as nossas contas públicas, inventámos receitas extraordinárias, e adiámos o pagamento de elevadas despesas públicas para o futuro quando construímos auto-estradas e hospitais através das chamadas parcerias público-privadas (que começam a ser pagas principalmente a partir de 2013). No entanto, a manipulação e maquilhagem das nossas contas públicas foi um pouco menos grave do que a grega.
Para além do mais, Portugal também efectuou importantes reformas na Segurança Social, que nos permitem ter maior sustentabilidade nas contas públicas, enquanto a Grécia tem evitado implementar estas reformas por receio da pressão da opinião pública e dos sindicatos.
Há, no entanto, toda uma série de indicadores em que nós estamos, infelizmente, piores do que a Grécia. São estes indicadores que nos tornam vulneráveis aos olhos dos mercados financeiros.
Pior do que a Grécia
Portugal está pior do que a Grécia em dois aspectos. Em primeiro lugar, a última década foi muito pior para a economia nacional do que para a economia grega. A nossa economia está praticamente estagnada há cerca de uma década, enquanto a economia grega cresceu a taxas apreciáveis até 2008.
Em segundo lugar, Portugal tem uma dívida externa muitíssimo mais elevada do que a Grécia. A dívida externa diz-nos quanto é que o país (isto é, as famílias, as empresas e o Estado) deve ao exterior, e neste campo estamos bastante pior do que os gregos. Como podemos ver no próximo gráfico, a nossa dívida externa bruta (i.e. total) já ultrapassa os 220% do PIB, enquanto que a grega é “somente” de 167% do PIB.
Dívida externa em % do PIB
É exactamente por causa da falta da estagnação económica e do nosso elevadíssimo endividamento externo que os mercados nos têm visto com tanta desconfiança.
Moral da história
Estamos ou não estamos melhores do que a Grécia? Depende para onde olharmos. Se atentarmos somente para as contas públicas, estamos definitivamente melhor, apesar de, infelizmente, não termos grandes motivos para nos regozijarmos. Por outro lado, se olharmos para o endividamento externo e para o crescimento da economia, então estamos claramente pior do que os gregos.
O que é que isto quer dizer? Estamos condenados a ficar “gregos” como a Grécia? Estaremos tão perto da bancarrota como os gregos já estiveram? A resposta correcta a estas questões é: não, pelo menos, não necessariamente. Contudo, se quisermos evitar um colapso de dimensões helénicas só temos um caminho a seguir: efectuar toda uma série de reformas (no Estado, na Justiça e no mercado laboral) que poderão tornar a economia nacional mais dinâmica, e as nossas exportações mais competitivas nos mercados internacionais. Resta saber se haverá coragem política para o fazer.
28 abril 2010
SHAME ON EUROPE
O meu novo post no Portuguese Economy, no qual defendo que a culpa da crise actual não é só nossa, mas também da Europa.
26 março 2010
COMO COMBATER UMA DÍVIDA PÚBLICA
O governo Trabalhista (sim, Trabalhista) do Reino Unido anunciou que o crescimento explosivo da dívida pública britânica será combatido através de um corte das despesas públicas na ordem dos 25% até 2017. Sim, leu bem, 25%. Ou seja, cortes ainda mais profundos do que os efectuados por Margaret Thatcher nos anos 80. Medidas draconianas? Claro que sim. No entanto, os trabalhistas britânicos, bem como os próprios Conservadores, acreditam que a única maneira de combater os graves desequilíbrios orçamentais do Reino Unido é cortar na despesa pública. Porquê? Porque acreditam nas previsões do prestigiado (e independente) Institute for Fiscal Studies, que avisou que um reequilíbrio das contas públicas britânicas necessitava de um corte das despesas na ordem dos 25% nos próximos 7-8 anos.
E como no Reino Unido os governos não gostam de desbaratar o dinheiro dos contribuintes e têm a tradição de levar em linha de conta o bem-estar dos contribuintes futuros nos seus cálculos orçamentais, gerou-se um consenso político de que o corte da despesa pública é a única via para a sustentabilidade das contas públicas. Um exemplo e um consenso que, obviamente, não interessa ao governo nem à generalidade dos políticos portugueses. Porquê? Porque, é claro, quem está errado são eles, não nós.
25 março 2010
A CHANTAGEM
A descida do rating da dívida portuguesa era, de certa forma, esperada, assim como confirmou o próprio Ministro das Finanças. Não deixa, contudo, de ser lamentável. Lamentável porque teria sido evitada se o governo não tivesse errado por completo as suas previsões para o défice de 2009. Lamentável porque o governo andou meses a pregar números irrealistas e que só se compreendem por razões eleitorais. Lamentável porque não só o Orçamento de Estado para 2010 é pouco ambicioso no combate aos problemas estruturais das contas públicas nacionais, como o PEC foi manifestamente insuficiente para inverter a desconfiança que os mercados e as agências de rating têm em relação a Portugal neste momento. E ainda mais lamentável porque o governo continua a fazer politiquices com o bem-estar dos portugueses e a esquecer o interesse nacional.
Só assim é que se pode entender a inqualificável decisão de ratificar o PEC no Parlamento, por forma a arrastar os principais partidos da oposição para a dança suicida que as políticas deste governo estão a causar ao nosso país. A verdade é que o governo não precisava de o fazer. O governo só o fez, porque queria que os principais partidos da oposição assinassem por baixo os sacrifícios que o PEC acarreta, garantindo ainda a manutenção das irresponsabilidade que o documento e o Orçamento de Estado preconizam (vale a pena não esquecer que o TGV Lisboa-Madrid não foi adiado, o novo aeroporto continua programado, assim como todas as auto-estradas projectadas). E o que faz o governo perante a descida do rating da República? Chantagem. Faz autêntica chantagem com a oposição ao afirmar que o chumbo de um documento que não tinha que ser votado pelo Parlamento levará a uma descida do rating da dívida portuguesa. Pois eu acho que não. Pelo menos, não necessariamente. O que eu sei é que um chumbo do PEC no Parlamento conduzirá quase de certeza a novas eleições. E, perante o estado lastimoso a que chegámos, vale a pena perguntar: e por que não? Por que não?
22 março 2010
PEC E PIIGS
O Diário Económico fez-me algumas perguntas sobre o PEC e a economia dos PIIGS (Portugal, Italy, Ireland, Greece, Spain). Aqui estão as minhas respostas:
DE_ 1. As economias dos PIIGS atingiram níveis de endividamento bastante elevados colocando em causa a própria estabilidade da economia europeia. Qual o caminho mais sensato que estes países deverão tomar?
O caminho mais sensato é colocarem as suas casas em ordem. Estes países têm de atacar os problemas estruturais das suas contas públicas, cortando despesas supérfluas e aumentando a eficiência fiscal. Porém, é importante relembrar que o endividamento não se limita ao Estado, pois tanto as famílias com as empresas viram aumentar significativamente as suas dívidas a terceiros na última década. O mesmo se passou em Portugal. Qual é a solução? Consolidar e renegociar dívidas enquanto os juros estão baixos e, principalmente, fomentar o crescimento da poupança, de forma a reduzir padrões de consumo insustentáveis.
DE_ 2. Portugal apresentou recentemente um conjunto de medidas no PEC. Qual a sua análise a este documento?
Acho que é um documento que poderá ser suficiente para alcançar a redução do défice abaixo dos 3% do PIB até 2013. Isto se a economia recuperar, se o Governo conseguir arrecadar os fundos que pretende nas privatizações, e se conseguirmos obter os ganhos de eficiência no Estado que o documento promete. São, portanto, muitos “ses” para um documento só.
Porém, infelizmente, a verdade é que este PEC não ataca as verdadeiras causas dos desequilíbrios estruturais das nossas contas públicas. Por mais que o Governo nos queira convencer do contrário, este PEC preconiza a consolidação das contas públicas através de um aumento de receitas e da carga fiscal efectiva, e não se reduzem de forma significativa as principais causas do despesismo do Estado. Este PEC adia, mais uma vez, a consolidação das contas públicas portuguesas.
DE_ 3. Muitas vozes têm-se levantado a favor da ideia da Grécia abandonar o Euro. De que forma esta decisão poderia afectar os restantes Estados-membros?
Se tal acontecesse, haveria um verdadeiro risco de contágio para outros países em situações fiscais mais periclitantes (como Portugal), e que poderiam ficar numa situação muito complicada. Acho que não vamos chegar a esse ponto, pelo menos por enquanto, pois os custos da saída de um país do euro são bastante mais elevados para toda a Eurolândia do que os benefícios que poderiam advir com tal decisão.
20 março 2010
O MELHOR E O PIOR DO PEC
O Expresso pediu-me para sintetizar o melhor e o pior do PEC. Aqui estão as minhas respostas
O MELHOR
As privatizações e previsões económicas realistas.
O PIOR
Este é um PEC fingidor. Finge-se que o investimento público baixa, mas mantêm-se as parcerias público-privadas. Finge-se que as despesas com o pessoal descem, mas esquece-se que estas têm baixado principalmente porque se transformaram os hospitais em empresas do Estado. Finge-se que se atacam os problemas estruturais da despesa pública, mas a consolidação orçamental é conseguida sobretudo com o aumento da carga fiscal efectiva e com as receitas das privatizações. Acima de tudo, este é um PEC que adia mais uma vez a resolução dos problemas estruturais das contas públicas nacionais.
As privatizações e previsões económicas realistas.
O PIOR
Este é um PEC fingidor. Finge-se que o investimento público baixa, mas mantêm-se as parcerias público-privadas. Finge-se que as despesas com o pessoal descem, mas esquece-se que estas têm baixado principalmente porque se transformaram os hospitais em empresas do Estado. Finge-se que se atacam os problemas estruturais da despesa pública, mas a consolidação orçamental é conseguida sobretudo com o aumento da carga fiscal efectiva e com as receitas das privatizações. Acima de tudo, este é um PEC que adia mais uma vez a resolução dos problemas estruturais das contas públicas nacionais.
19 março 2010
OS ALEMÃES VÃO À LUTA
Como era esperado, os alemães vão à luta. Depois de, nos últimos dias, vários analistas terem pedido aos alemães para subirem os seus salários para reduzirem a sua competitividade (pois os salários subiriam em relação aos outros países europeus), chega agora a altura de os alemães recusarem esta possibilidade. A ideia é simples: por que é que haveriam de ser os alemães a pagar pelos erros e as irresponsabilidades cometidas pelos outros? Por que é que os alemães haveriam de afectar a competitividade da economia voluntariamente, se quem aumentou os custos laborais acima do que devia foram os outros (isto é, nós, os gregos, os espanhóis, etc)?
E agora pergunto: não terão os alemães razão nesta área? Por que razão haveriam eles(as) de se auto-mutilarem se eles(as) se comportaram de uma forma (quase) exemplar desde o início do euro?
Obviamente, os alemães têm razão. Não faz sentido fazê-lo. Só há um senão. É que, numa altura de crise, o bem-comum da União deveria sobrepôr-se aos interesses individuais e nacionais. Pelo menos seria assim numa união monetária "normal" (como nos Estados Unidos ou no Canadá). Porém, a união monetária europeia é tudo menos normal, pois não há união política. Numa união monetária normal, os ajustamentos seriam feitos não através de um aumento voluntário de salários nas regiões menos afectadas pela crise (como os alemães recusam), mas sim através da transferência de fundos das regiões mais ricas para as mais pobres e, claro, através da emigração. Como a UE não prevê essa solidariedade fiscal de transferências de fundos, resta-nos ajustar a economia com mais desemprego, mais desinflação e mais... emigração. E, claro, procurar outras soluções milagrosas e bem menos penosas, que ainda ninguém descobriu. (E quem sabe se não é o TGV????).
E agora pergunto: não terão os alemães razão nesta área? Por que razão haveriam eles(as) de se auto-mutilarem se eles(as) se comportaram de uma forma (quase) exemplar desde o início do euro?
Obviamente, os alemães têm razão. Não faz sentido fazê-lo. Só há um senão. É que, numa altura de crise, o bem-comum da União deveria sobrepôr-se aos interesses individuais e nacionais. Pelo menos seria assim numa união monetária "normal" (como nos Estados Unidos ou no Canadá). Porém, a união monetária europeia é tudo menos normal, pois não há união política. Numa união monetária normal, os ajustamentos seriam feitos não através de um aumento voluntário de salários nas regiões menos afectadas pela crise (como os alemães recusam), mas sim através da transferência de fundos das regiões mais ricas para as mais pobres e, claro, através da emigração. Como a UE não prevê essa solidariedade fiscal de transferências de fundos, resta-nos ajustar a economia com mais desemprego, mais desinflação e mais... emigração. E, claro, procurar outras soluções milagrosas e bem menos penosas, que ainda ninguém descobriu. (E quem sabe se não é o TGV????).
18 março 2010
A CULPA É DA ALEMANHA
Mais um artigo interessantíssimo de Martin Wolf, que acusa a Alemanha e a China de tentarem impôr uma estratégia deflacionária aos restantes países do mundo, e, por consequência, aos seus maiores parceiros económicos. A ideia é simples. A China e a Alemanha têm excedentes comerciais fabulosos, mas, em vez de tentarem financiar os seus (países) clientes numa altura recessiva, estão a insistir dogmaticamente em soluções que somente vão agravar o mal-estar de todos. A China insiste em desvalorizar a moeda, prejudicando a recuperação das exportações dos seus principais clientes (e concorrentes), como os Estados Unidos. Por seu turno, a Alemanha continua a tentar impôr uma disciplina orçamental férrea a alguns dos seus maiores parceiros económicos (e compradores de bens alemães). Ou seja, a Alemanha quer exportar deflação para países que são seus clientes. Como as medidas de austeridade levarão necessariamente à descida da procura agregada, (isto é, o consumo e o investimento baixarão) a exportação da deflação por parte da Alemanha irá necessariamente levar a uma redução da procura dos próprios bens alemães. Uma estratégia suicida, portanto. Um estratégia de tal modo suicida por parte de duas importantes economias mundiais que, de acordo com Wolf, poderá conduzir ao fim da globalização actual.
Vale também a pena citar esta frase em relação à Alemanha:
"Germany is in a supposedly irrevocable currency union with some of its principal customers. It now wants them to deflate their way to prosperity in a world of chronically weak aggregate demand."
SAIR DO EURO (2)
O Publico faz hoje referência a mais um artigo académico que discute a saída para a crise actual. Ainda não li, mas este relatório preparado por vários economistas parece ser, no mínimo, provocatório. Esperemos que valha a pena (quando ler eu digo).
17 março 2010
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