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19 março 2009

SANTA IGNORÂNCIA (2)

Ora, aí está uma óptima iniciativa. O Jorge Andrez Malveiro, da Universidade do Algarve, comenta o post sobre os Pápa e os preservativos e informa-nos do seguinte:
"O actual Santo Padre tem razão num aspecto: o uso do preservativo não resolve o problema do VIH e neste ponto termina a infalibilidade do Papa sobre este assunto. O uso do preservativo é uma medida de Prevenção e de redução de riscos absolutamente necessária para evitar a propagação espiral da pandemia. Aqui na Universidade do Algarve, orgulho-me de ter desenvolvido desde 2002 um Programa de Prevenção de Comportamentos de Risco que envolve a distribuição semanal (e gratuita) de preservativos com informação anexa a todos os alunos das residências universitárias e aos que frequentam os bares, cantinas e serviços médicos da universidade; um rastreio de VIH efectuado todas as semanas, alternadamente em cada pólo da UAlg; sessões de formação ao longo do ano e uma intervenção anual - chamada de TU DECIDES - durante toda a semana das festividades da Queima das Fitas (que aqui se chama "Semana académica"). Distribuímos ao longo destes anos que decorre o Programa de Prevenção mais de 500 mil preservativos e efectuámos mais de 200 rastreios. Resultado? Agora, ao contrário de quando iniciámos, fala-se abertamente sobre a prevenção das DST, os homens aderem cada vez mais ao programa (no início eram mais as mulheres), o feedback é positivo em 96% dos casos (dados do último inquérito interno) e somos solicitados regularmente pelos alunos para intervir em sessões de esclarecimento sobre o tema.O Santo padre não sabe ou não quer saber, mas a a verdade - Divina - é que a Ignorância Mata!".
Nem mais.

09 dezembro 2008

VACINA CONTRA A MALÁRIA

Um artigo no New England Journal of Medicine apresenta resultados muito promissores sobre o desenvolvimento de uma vacina contra a malária. Apesar de estar erradicada nos países mais desenvolvidos, a malária anda infecta milhões de pessoas todos os anos e é a causa de morte de centenas de milhares de pessoas todos os anos, inclusivamente dezenas de milhares de crianças. Uma vacina eficaz seria uma das melhores notícias que muitos países tropicais poderiam ter.

PS: Obrigado ao Tiago Villanueva por me ter chamado a atenção para esta notícia.

20 agosto 2008

A SAÚDE PORTUGUESA


(Por favor clique nas figuras se quiser visualisá-las melhor)

Afinal, gastamos pouco ou muito na Saúde? Segundo os dados mais recentes, somos dos países da OCDE que mais gastam com a Saúde em percentagem do PIB. A média da OCDE é de 8,9% do PIB, enquanto nós gastamos 10,2% (primeiro gráfico).
Os valores em gastos por habitante são melhores (segundo gráfico), visto que gastamos em média 2,102 dólares americanos (em paridades de poder de compra) enquanto a média da OCDE é de 2,824 dólares
Entre 2000 e 2006, as despesas com a Saúde cresceram 3,3% ao ano, um valor inferior à média da OCDE, que foi igual a 5%. O maior crescimento das despesas com a Saúde registou-se com as despesas farmacêuticas, que são quase 22% das despesas totais com a Saúde
Outros indicadores interessantes:

  • Portugal tem 3,4 médicos(as) por cada 1000 habitantes (a OCDE 3,1)
  • Temos bastante menos enfermeiras(os) do que a média da OCDE: nós temos 4,6 enfermeiros(as) por cada 1000 habitantes enquanto a OCDE tem 9,7
  • Temos menos camas nos cuidados intensivos:
    _ Portugal 2,2 por cada 1000 habitantes
    _ OCDE: 3,9
  • Em linha com a OCDE, nos últimos anos, o número médio de dias de estadia hospitalar tem diminuído consideravelmente
  • O número das tecnologias disponíveis nos hospitais portugueses tem aumentado substancialmente

18 junho 2008

MALÁRIA EM PORTUGAL

Sabia que a malária já foi endémica em Portugal? Eu não sabia, pelo menos até ter começado um trabalho sobre o assunto. Pois é, parece incrível mas é verdade. A malária era uma das grandes doenças nacionais até aos anos 50. Mais de 40 a 50 mil pessoas ficavam infectados todos os anos com a doença, muitos dos quais pereciam (a figura acima dá-nos a evolução do número de infectados anualmente). O impacto da malária era significativo, principalmente no interior e nas regiões mais rurais. O rio Sado, partes de Portalegre, Coimbra, Aveiro, Évora e Faro, eram as regiões mais afectadas. Os mais pobres eram quem mais sofriam com a doença. As cidades eram pouco afectadas.
O grande combate contra a doença deu-se a partir dos anos 30 e, principalmente, nos anos 40, quando o DDT foi utilizado para pulverizar as zonas mais afectadas e quando centenas de milhares de comprimidos de quinina (e derivados) foram utilizados no combate à malária. A estratégia teve tanto sucesso que a Organização Mundial de Saúde declarou Portugal livre de malária em finais dos anos 50.
Um sucesso que nos devemos orgulhar e que demonstra que, quando queremos, conseguimos feitos admiráveis. Quão admiráveis? Muitíssimo admiráveis. A doença já era endémica em Portugal há milénios, tendo inclusivamente sido referenciada por poemas de Gil Vicente.
Quem disse que não fazemos nada de jeito?

10 maio 2008

A POLUIÇÃO DE VISEU

Segundo um estudo sobre a qualidade do ar divulgado hoje no DN, a atmosfera de Viseu tem níveis de partículas três vezes mais elevados do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Supostamente, estes valores registam-se devido a "queimas" (de quê?). De acordo com este mesmo estudo realizado sob a orientação de Carlos Borrego, esta situação não se passa somente em Viseu, mas também noutras cidades do interior. Lisboa e Porto têm valores ainda mais elevados. E se é assim, temos um problema de saúde pública grave a nível das nossas cidades. Um problema que urge combater.
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Aqui está um extracto do artigo do DN:
"O grupo português, constituído por investigadores da Universidade de Aveiro e por médicos da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e Hospital da Estefânia, quiseram ir mais além. Desenvolveram uma metodologia de medições exaustivas dos diferentes poluentes atmosféricos e seguiram em permanência dois grupos de crianças em Viseu. Ao todo foram avaliadas 108 crianças entre os 7 e 9 anos, de quatro escolas de Viseu (duas no centro da cidade e duas na periferia), dividas por dois grupos de 54 cada. Um com doenças respiratórias, como asma, alergias respiratórias e rinites, e outro sem problemas de saúde, para serem feitas comparações.Esta metodologia inédita e o período alargado do estudo permitiram confirmar pela primeira vez uma relação directa entre a poluição atmosférica e o agravamento dos sintomas das doenças respiratórias de que sofriam as crianças em observação. "Em situações de picos de poluição, uma parte das crianças com doenças respiratórias tinha um agravamento dos sintomas logo no dia seguinte, o que atesta uma relação directa", explica o coordenador do projecto, notando que as crianças saudáveis nunca apresentaram qualquer alteração. Os resultados já foram parcialmente publicados em revistas internacionais."

02 maio 2008

TECLADOS RETRETE

Sabia que há teclados tão sujos, tão nojentos que chegam a ter 5 a 10 vezes mais bactérias do que um tampo sujo de sanita??? Pois é. Não parece, mas é. Segundo um estudo recente, muitos de nós deixam acumular tanta porcaria nos teclados dos computadores que o nível bacteriano chega a ser 150 vezes mais elevado do que o limite bacteriano recomendado (e saudável). Um autêntico nojo e um perigo para a saúde pública. Ainda bem que a ASAE ainda não descobriu este estudo (julgo eu). Se não, certamente que teríamos os inspectores à pega, para ver o nível bacteriológico dos nossos teclados...

30 abril 2008

O PAI DO LSD

Morreu o pai do LSD, Albert Hofmann. Aos 102 anos. Pelo que parece, este químico descobriu por acaso a droga de excelência dos anos 60. A sua curiosidade científica fê-lo provar o composto químico que tinha desenvolvido, o que lhe provocou sintomas "não desagradáveis" (segundo ele) e uma imaginação extremamente estimulada. O problema foi que ao tentar esse composto no dia seguinte, Hofmann teve a sua primeira "bad trip", caracterizada por dificuldades de visão, bem como a percepção que estava a ser perseguido por um demónio. Como chegou aos 102 anos, presumo que este senhor não tenha experimentado muitas mais vezes a droga que veio a ser baptizada de LSD. Mesmo assim, e apesar das "bad trips", comercializou um composto de LSD mais fraco, que foi vendido livremente até ser proibido pelas autoridades americanas em 1966. O LSD já estava então em vias de se tornar na droga preferida do movimento hippie dos anos 60, sendo louvada por músicos, artistas entre outros(as). Muitas halucinações e muitas, muitas bad trips se seguiram nos anos seguintes. Aos 102 anos, Hofmann teve a sua bad trip final.

27 abril 2008

O RECUO NAS URGÊNCIAS

Começam a surgir mais e mais indicadores que sugerem que o governo já está em fase pré-eleitoral. Agora foi a vez das urgências de Ovar, que tinham sido encerradas no horário nocturno pelo ministro da Saúde demitido. Sabemos agora que vão reabrir novamente em meados de Maio. Supostamente este recuo do governo se deve às dificuldades sentidas com o aumento da afluência da urgência do hospital de Santa Maria da Feira (originado pelo encerramento da SAP de Ovar), bem como aos problemas sentidos nos transportes nocturnos ao concelho vizinho.
Ora, o problema não está no recuo do governo. Se, de facto, houve uma decisão que não correu bem e que teve consequências indesejadas, há que ter coragem para voltar atrás. Até pode ser que sim. O problema é que este tipo de decisões cheira demasiado a esturro, demasiado a estratagemas eleitorais.
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Independentemente das preferências políticas de cada um(a), o que interessa perguntar é: porque é que estas decisões não foram bem estudadas e analisadas? Se tivessem havido análises custo-benefício cuidadosas, haveria uma menor probabilidade de ocorrerem erros nas decisões políticas. Ora, se esses estudos se realizaram (como é apregoado pelo governo), então os recuos não deviam acontecer. Se acontecem, então é porque provavelmente a decisão é mais política do que económica. E alguma coisa não bate certo.

07 abril 2008

OS INCENTIVOS DO SNS

A saída de centenas de médicos do Sistema Nacional de Saúde (SNS) faz hoje capa no DN. Segundo o jornal, entre 2006 e 2007, mais de 400 médicos(as) abandonaram o SNS. Segundo o Bastonário da Ordem dos Médicos continuam a "empurrar-se os médicos para fora do SNS, que, muitas vezes, saem não tanto pelo que podem ganhar no privado, mas porque se sentem insultados com medidas estúpidas." Que fazer para travar a saída dos médicos do SNS? Talvez seja preciso eliminar as "medidas estúpidas". Contudo, na entrevista, o bastonário realça principalmente "salários justos e medidas de carácter afectivo e melhores condições de evolução na carreira". Igualmente, o dirigente do Sindicato Independente dos Médicos defende que a única maneira de reter os médicos no SNS é através de "uma justa política de incentivos, que ainda não está suficientemente generalizada no universo hospitalar".
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Pois faz todo o sentido. Afinal, se as outras pessoas respondem aos incentivos, os médicos também o fazem. O que eu gostaria de saber era o seguinte:
1) o que é que serão "salários justos"? Os determinados pela oferta e pela procura, tal como no sector privado?
2) que incentivos é que estamos a falar? "Salários justos" ou mais algumas coisas (tais como mehores condições de trabalho, mais e melhor equipamento, etc)
3) os valores de 400 médicos a abandonar o SNS são retirados fora do contexto. Neste sentido, interessa perguntar: quantos médicos abandonavam o SNS em 1990? Em 1995? Em 2000? Ou seja, um ano não quer dizer nada, o que interessa é a tendência. E o artigo e o bastonário não a refere.
4) O representante dos médicos afirma também que precisamos de formar 2000 médicos por anos, mas só se estamos a formar 1500. Numa simples lógica de oferta e procura, será que este senhor não percebe que se se aumentar a oferta de médicos, os salários não subirão? Isto é, mais médicos significa que gaverão menos "salários justos"...

22 março 2008

LISTAS DE ESPERA


O PUBLICO destaca hoje as listas de espera nos hospitais. Como podemos ver, a oftalmologia é a área mais carenciada pelo SNS, com quase 120 mil pessoas à espera de uma consulta. E se é assim, o que eu gostaria de saber é: o que é que o governo propõe para diminuir este flagelo? E já agora, e a oposição? E os médicos?

18 março 2008

RECUO DOS PIERCINGS

Perante o espanto geral provocado pela ridícula decisão de proibir os piercings a menores e nas áreas genitais, o PS começa a recuar. Segundo o PUBLICO:
"O Partido Socialista manifestou-se ontem disponível para acei-tar que cidadãos menores de 18 anos sejam autorizados a usar piercings ou tatuagens, desde que as respectivas famílias assumam a res-ponsabilidade em termos de consequências para a saúde. "O objectivo do nosso projecto não é proibicionista, mas regular uma actividade para salvaguardar a saúde dos seus utilizadores, assim como para prevenir a transmissão de doenças", declarou à agência Lusa o deputado socialista Renato Sampaio, eleito pelo círculo do Porto e primeiro subscritor da proposta entregue no Parlamento.Da mesma forma, o presidente do PS-Porto adiantou estar aberto a rever a ideia de proibir os cidadãos em geral de aplicarem piercings em zonas do corpo humano como a língua, vasos sanguíneos, junto do pavimento da cavidade oral, na proximidade de nervos e de músculos, e sobre quaisquer tipos de lesão cutânea."

Ou seja, depois de se terem exposto ao ridículo e à chacota nacional, os iluminados do Partido Socialista fazem uma inversão de marcha na aplicação da medida. Os puristas e os moralistas perderam uma batalha, mas, certamente, continuarão a pensar que não perderam a guerra. Até já devem estar a pensar noutra lei para nos salvaguardar a nossa estimada saúde...

20 fevereiro 2008

EPIDURAL EM LEIRIA

O PUBLICO de hoje informa-nos que "Leiria só usa epidural de vez em quando". Pelo que parece o epidural só está a ser utilizado em casos excepcionais. Tudo porque faltam anestesistas, informa-nos o hospital. Hmmm... O que eu gostaria de saber é o que fariam os(as) administradores do hospital se as filhas deles(as) precisassem de epidural. Seria este um dos tais casos excepcionais?