16 outubro 2008

0,6 POR CENTO

A previsão do governo para o crescimento da economia no próximo ano não me parece nem realista nem irrealista. A verdade é que ainda é demasiado cedo para saber o que vai acontecer. Como as coisas têm evoluído a um ritmo tão rápido, ainda não é possível saber quão grave será a recessão da economia mundial e europeia. Neste sentido, a previsão do governo é principalmente uma estimativa do que poderá acontecer. Certamente que será revista quando tivermos mais dados sobre a situação económica actual.

NOVAMENTE PARA BAIXO

E os mercados bolsistas voltaram a cair fortemente após a publicação de alguns dados económicos que indiciam que a recessão está mesmo à porta. A grande questão não é se nem sequer quando é que a recessão acontecerá mas sim quão grande será. Tudo dependerá da acção dos governos, da evolução da confiança dos agentes económicos e do ajustamento das economias às novas realidades dos mercados financeiros.

15 outubro 2008

ORÇAMENTO DE ESTADO (nota)

Como o governo ainda não apresentou o Orçamento de Estado completo, prefiro esperar até mais tarde para o analisar.

ELEIÇÕES NO CANADÁ (2)

As eleições no Canadá correram exactamente como o previsto. Stephen Harper e os conservadores ganharam, mas não conseguiram a maioria. Os conservadores obtiveram 37, 7% dos votos, o que lhes deu direito a 142 deputados (8 a menos do que era necessário para alcançar a maioria). Os grandes derrotados foram os Liberais (cujo líder Stephane Dion foi um verdadeiro desastre), bem como a própria democracia (pois a abstenção foi a maior da história recente). Este é o terceiro governo minoritário seguido no Canadá. E certamente não ficaremos por aqui. Dentro de 2 ou 3 anos haverá eleições novamente. Esperemos que sejam mais animadas...

PRÉMIOS LITERÁRIOS

O primeiro Prémio Leya foi atribuído ao jornalista brasileiro Murillo António de Carvalho, autor do livro "O Rastro do Jaguar". Segundo o DN, "O seu romance, que venceu entre 448 originais, fala sobre a guerra do Paraguai no século XIX, cuja trama passa por Portugal, Brasil, Argentina e Uruguai. Um jornalista português e um índio que é levado para a Europa em criança e regressa aos 50 anos, vindo a tornar-se num líder guerreiro guarani, são alguns dos personagens. "O livro não fala só dessa guerra, fala também de como esses índios concebem o universo e como vêem a guerra contra brancos e gaúchos", conclui o autor."
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No Reino Unido, o Booker de 2008 foi ganho por Aravind Adiga, um indiano de 33 anos, autor do livro "White Tiger". O livro passa-se na Índia moderna e analisa alguns dos impactos sociais do milagre económico indiano.
Dois livros a ler.

AINDA A CRISE FINANCEIRA

Aqui está um artigo interessante no New York Times sobre as semelhanças entre a situação actual e outras crises financeiras que a precederam, principalmente no que diz respeito à intervenção estatal. Como pode ver, a intervenção do Estado neste tipo de crises não é, de modo algum, invulgar.
Este artigo debate se as origens da crise actual não se encontram na era Greenspan.

14 outubro 2008

ELEIÇÕES NO CANADÁ

Hoje há eleições no Canadá. As eleições no Canadá são muito diferentes das americanas. No Canadá as eleições são simplesmente uma chatice. Os debates não têm cor, a paixão não existe em quase nenhum partido e os líderes são tão entusiasmantes como Ferro Rodrigues ou Carlos Carvalhas. As eleições canadianas são tão aborrecidas que no dia 2 de Outubro milhões de canadianos preferiram ver o debate entre os candidatos à vice-presidência americana, entre Biden e Palin, do que ver o debate entre os líderes dos principais partidos canadianos.
Quem vai ganhar? Provavelmente o conservador Stephen Harper. No entanto, pela terceira vez seguida, não haverá maioria parlamentar. O que quer dizer que os canadianos voltarão às urnas dentro de um ou dois anos. Esperemos que então as coisas sejam mais animadas.

KRUGMAN (2)

A propósito desta pergunta do analisedasemana:
Os escritos de Paul Krugman (académicos ou jornalísticos) nunca são aborrecidos. Todos os livros mais populares são interessantes, apesar de que, nos últimos anos, Krugman tem jogado em demasia a carta ideológica e política.
O melhor para começar a ler Krugman é ir directamente ao blogue dele (recomendado aqui há alguns dias). Um óptimo lugar para perceber quão interessante são os seus escritos é um livrinho chamado "Geography and Trade", onde a teoria do comércio internacional entra em diálogo com a geografia. É muito interessante.
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Já agora, um esclarecimento. Alguns blogues, tal como o Ladrão de Bicicletas congratularam-se com a atribuição do Nobel a Krugman por ele ser de "esquerda". Porém, a esquerda de Krugman é muito diferente da nossa esquerda.
O Krugman (ou o Dani Rodrik ou até o Brad deLong) é menos de esquerda do que a grande maioria dos nossos politicos, incluindo Manuela Ferreira Leite ou Marcelo Rebello de Sousa. Todo o trabalho do Krugman tem apontado para a insuficiência e irrazoabilidade dos modelos neoclássicos mais simples. No entanto, isto não quer dizer que Krugman seja de "esquerda", pelo menos da mais tradicional. Um "Liberal" ou um Democrata nos Estados Unidos é muito mais de direita do que a maior parte dos políticos de direita europeus. Krugman não é uma excepção.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL? (3)

O António pergunta: "a curto prazo o problema parece ter ficado sob controlo.Mas será que a médio prazo a questão ficou resolvida? Algo me diz que não. Algo me diz que isto não foi mais que um balão de oxigénio porque de facto nada mudou. A economia ocidental continua deprimida e aceita-se que ainda fique mais deprimida."
Sem dúvida que as coisas ainda vão piorar antes de melhorar a nível económico. O que interessa agora é estabilizar os mercados para evitar um colapso financeiro. Quando este objectivo for alcançado, os governos têm que começar a dar prioridade ao combate à recessão que vem aí. As principais economias ocidentais dão sinais de estarem a entrar em recessão e, por isso, os governos têm que começar a actuar. O que fazer? Nos EUA a política monetária está muito limitada, pois os juros já estão muito baixos. Na Eurolândia e no Reino Unido ainda há bastante margem de manobra para baixar os juros. O que falta, por enquanto, é vontade dos bancos centrais. Veremos se as coisas mudarão nos próximos meses. Esperemos que sim.
Por isso, e porque esta é uma crise com contornos semelhantes ao que aconteceu na década de 1930 (com muitas diferenças também), os governos têm que começar a atacar a recessão com as suas políticas fiscais. Isto é, com baixas de impostos e aumentos das despesas públicas (para quem pode...). Na UE, esperemos que a crise acabe de uma vez com o fundamentalismo do défice. Veremos se a ideologia dogmática consegue resistir aos ventos recessivos.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL (2)

Os mercados continuam a reagir muitíssimo bem às notícias do fim-de-semana. Depois da Europa e dos Estados Unidos, os índices bolsistas continuam a subir mais de 10% na Ásia. Se não houver nenhuma surpresa, os mercados europeus devem continuar a recuperar.

13 outubro 2008

KRUGMAN, O NOBEL MERECIDO

Paul Krugman recebeu o Prémio Nobel de Economia. O prémio é justíssimo pelo seu trabalho na teoria do comércio internacional (intra-industrial), pela reabilitação da economia geográfica, bem como pela sua investigação sobre crises cambiais. Para além disso, Krugman é o melhor comunicador da sua geração de economistas, tanto na imprensa como através de livros em que o economês é decifrado para os não-economistas. Aliás, este era o principal motivo que poderia fazer Krugman não ganhar o Nobel. Quando começou a escrever para os jornais, Krugman foi extremamente criticado por ter cedido à tentação de explicar os conceitos económicos para os não-especialistas e não~economistas. Ainda por cima, Krugman escreve no New York Times e define-se claramente como um "liberal", ou seja Democrata.
Por isso, havia muita gente que Krugman nunca iria receber o Nobel, apesar de claramente merecer. Obviamente, estavam errados.
O Nobel fica em muito boas mãos.

LUZ AO FUNDO DO TÚNEL?

Ainda é cedo para retirar conclusões definitivas, mas parece que finalmente estamos a ver luz ao fundo do túnel na crise financeira. Após a reúnião dos ministros das Finanças do G7 neste fim-de-semana e após o acordo entre os líderes europeus sobre as medidas a tomar para estancar a crise, parece que os mercados começam a acreditar que a turbulência excessiva das últimas semanas possa estar a abrandar. Esperemos que sim. Para bem dos mercados e da estabilidade da economia mundial.
Nomeadamente, este fim-de-semana pode ter sido importante por dois motivos. Primeiro, pela primeira vez em várias semanas, não tivemos bancos ou seguradoras a falir num sábado ou num domingo. Só isso é assinalável, pois os últimos fim-de-semanas têm sido um verdadeiro desastre para a confiança dos mercados financeiros. Segundo, as reuniões deste fim-de-semana parecem indiciar que começa a emergir algum consenso sobre o que fazer para estabilizar os mercados. Mais concretamente, o caminho a seguir parece mesmo ser a recapitalização das instituições financeiras. A promessa de recapitalização dos bancos é uma espécie de nacionalização temporária dos bancos e das instituições financeiras europeias. As autoridades americanas também já sinalizaram que irão seguir o mesmo caminho. Esta é uma medida drástica (já seguida pelo Reino Unido e que irá ser adoptada pelos restantes países), mas fundamental para conseguir dar alguma confiança aos mercados.
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Note-se que esta medida não significa o fim das economias de mercado ou dos mercados financeiros. Mesmo defensores intransigentes da economia de mercado, como Milton Friedman, acreditavam que em momentos de crise dos sistemas financeiros é preciso actuar de uma forma muito agressiva. Ben Bernanke também partilha desta crença. Uma nacionalização temporária das instuições financeiras pode ser o mal menor perante as terríveis possibilidades de um possível colapso do sistema financeiro mundial, que teria enormes consequências para os restantes sectores da economia mundial. Quando a confiança retornar aos mercados, quando os sistemas financeiros tiverem recuperado, e quando a regulamentação dos mercados tiver sido feito, os vários Estados podem voltar a vender as participações públicas nas instituições financeiras agora semi-nacionalizadas.
Obviamente, este é o primeiro passo. O que interessa agora é estabilizar os mercados financeiros e evitar o colapso dos mesmos. Quando tal objectivo for alcançado, o passo seguinte é começar a atacar de forma decisiva a recessão económica que está à porta.

CRISE FINANCEIRA _ CARTOON (2)

CRISE FINANCEIRA _ CARTOON (1)

11 outubro 2008

A CRISE QUE NÃO ACABA (3)

Terceira parte do meu artigo da EXAME de Setembro: (escrito antes da crise financeira se ter alastrado)
As retomas económicas em Portugal são quase sempre motivadas pelo crescimento do investimento e/ou das exportações. Ora, de todas as variáveis macroeconómicas, o investimento tem sido a mais decepcionante nos últimos anos. Entre os finais de 2001 e o primeiro semestre de 2007, o comportamento do investimento foi quase sempre negativo e só mesmo no último ano é que se registou uma recuperação significativa desta variável, motivada pela maior confiança dos investidores (entretanto dissipada). Apesar da baixa das expectativas dos investidores associada à subida dos preços dos produtos petrolíferos, o comportamento do investimento nos trimestres mais recentes poderá finalmente vaticinar melhores dias para esta importante variável macroeconómica.
As exportações têm tido um desempenho bastante mais positivo, e até surpreendente, crescendo a taxas já não vistas há quase uma década. Recorde-se que esta subida das exportações nacionais é ainda mais notável quando tomamos em linha de conta a situação internacional extremamente adversa provocada tanto pela forte valorização do euro como pela subida dos preços petrolíferos. Ainda mais significativamente, o crescimento das exportações tem ocorrido não só devido ao maior dinamismo dos sectores mais tradicionais (como é o caso dos têxteis), mas principalmente graças à exportação de produtos de média e alta tecnologia. Na última década, a percentagem das exportações das tecnologias de ponta no total das exportações portuguesas quase duplicou, o que representa um dos melhores desempenhos de um país europeu. É verdade que as exportações de alta tecnologia ainda não são tão importantes para Portugal como são para países como a Irlanda, o Luxemburgo, o Reino Unido e mesmo a Hungria. Todavia, é inegável que as exportações portuguesas destes sectores têm exibido um dinamismo assinalável.
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Este dinamismo das exportações portuguesas de tecnologias de ponta é ainda mais visível quando observamos a evolução das exportações dos produtos industriais transformados. Num trabalho recente, Manuel Cabral, docente da Universidade do Minho, argumenta que nos últimos anos se registou não só uma diversificação dos nossos mercados externos e das nossas exportações, como também se deu uma melhoria significativa do conteúdo tecnológico das exportações nacionais. Como podemos observar no quadro 3, o peso dos produtos de alta e média tecnologia no total das exportações de produtos industriais transformados já atinge os 45 por cento, um valor que certamente irá crescer nos próximos tempos. Aliás, entre 2003 e 2006, as exportações de produtos de alta tecnologia contribuíram para 64 por cento do crescimento do volume das exportações nacionais.
Assim, vivemos actualmente uma situação complexa. Por um lado, regista-se um crescente dinamismo das exportações e o investimento tem dado mostras de poder recuperar. Por outro, o choque petrolífero ameaça pôr em causa a tímida recuperação da economia portuguesa. Perante o actual estado de coisas, o que é que pode ser feito para acelerar a retoma? Poderá o governo auxiliar a economia? Se sim, como?
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QUE FAZER?
A tarefa mais urgente da política económica é, sem dúvida alguma, parar de imediato com a absurda obsessão com o défice orçamental. Como vimos anteriormente, este é o abrandamento económico mais significativo dos últimos 80 anos. Não faz assim sentido permanecer de mãos atadas enquanto continuamos obstinados em agradar Bruxelas. É, assim, preciso ter coragem para enfrentarmos Bruxelas, esquecendo o défice durante 2 ou 3 anos. Em contrapartida, o governo devia comprometer-se com os restantes parceiros europeus em introduzir legislação que obrigue os governos nacionais a atingirem o equilíbrio orçamental ao longo do ciclo económico ou político.
Feito isto, temos duas possibilidades para reanimar a economia: fomentar o investimento público ou utilizar a política fiscal (i.e., gastar mais ou cobrar menos impostos). Ora, os rendimentos decrescentes associados à sempre-na-moda política do betão significam que o investimento público não deve ser suficiente para a retoma. Uma estrada hoje não tem o mesmo rendimento nem externalidades do que quando completámos a A1. Deste modo, apesar das dezenas de projectos de investimento públicos já anunciados, não é linear que estes venham a ter uma importância decisiva para a retoma da economia.
Ora, como aumentar as despesas do Estado está fora de questão (pois não surte grande efeito, como podemos ver pelos últimos anos) só nos resta cortar os impostos, principalmente o IRC e talvez o IRS, para podermos aumentar a competitividade das nossas empresas. Se o fizermos, as descidas terão que ser substanciais (mas faseadas) e talvez diferenciadas geograficamente, oferecendo fiscalidade bonificada às regiões deprimidas.
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Mas, como é possível baixar os impostos se não há margem de manobra orçamental? Continuando a reforma do Estado, racionalizando recursos, e adiando projectos megalómanos como o TGV, que ameaça ser o nosso maior erro financeiro desde a construção da barragem de Cahora Bassa. O TGV tem um enorme custo de oportunidade tanto nas escolas e nos hospitais não construídos, como a nível da fiscalidade mais baixa que poderia ser concedida aos particulares, às empresas e às regiões menos desenvolvidas.
Ora, se queremos ser sérios no combate à insustentável estagnação económica dos últimos anos, as prioridades da política económica têm de mudar. É perfeitamente desapropriado continuar a dar primazia ao défice orçamental. A prioridade tem de ser dada à competitividade. Uma forma de o fazermos é melhorar a competitividade das nossas empresas ao oferecer-lhes um alívio fiscal nestes tempos recessivos. De facto, esse será o estímulo mais adequado para fazer ressuscitar o investimento e para auxiliar os nossos exportadores a enfrentarem a crise internacional.

10 outubro 2008

FALÊNCIA DA GM?

As acções da General Motors perderam 30% do seu valor na sessão de ontem. Os rumores de uma hipotética falência desta (outrora) eminente empresa não param de aumentar. A GM é a quinta maior empresa do mundo e, por isso, se tal acontecer, certamente que irão haver bastantes repercussões para a economia americana e para a economia mundial. Nos próximos dias veremos se a GM consegue sobreviver.

A CRISE CONTINUA

Apesar das medidas sem precedentes levadas a cabo pelos bancos centrais, a crise financeira não dá mostras de abrandar. Ontem os mercados financeiros americanos baixaram cerca de 7 por cento, enquanto hoje os mercados asiáticos sofrem perdas entre 7 a 10 por cento. Os mercados estão em pânico e, por enquanto, nada parece estar a dar resultado. Nos EUA já se fala na nacionalização temporária dos principais bancos e instituições financeiras através da compra de acções por parte do Estado americano. O mais provável é que os mercados financeiros continuem a baixar nos próximos dias. A volatilidade está aqui para ficar, pelo menos nos próximos tempos.

CRISE NA ISLÂNDIA (3)

A crise na Islândia continua a dar que falar. O governo já nacionalizou a banca toda e já houve uma tentativa falhada de fixar o valor da taxa de câmbio. A Islândia continua a tentar salvar-se da bancarrota através de empréstimos contraídos junto da Rússia e do FMI. Independentemente do que se venha a passar, a crise financeira islandesa não tem precedentes na história recente dos países mais ricos.

CASAMENTO HOMOSSEXUAL

O PUBLICO de hoje pergunta a dezenas de portugueses: "Concorda ou não com o casamento homossexual? Com ou sem limitação do direito à adopção? E com ou sem limitação dos direitos patrimoniais? Prefere outra fórmula jurídica?"
Eis a minha resposta:
Não me parece que compete ao Estado decidir as preferências sexuais das pessoas. A orientação e a união sexual de cada um é uma escolha pessoal que não deve ser ditada pelo Estado nem sequer pelas preferências da sociedade. Por isso, sou a favor da aprovação de legislação que conceda os mesmos direitos às uniões homossexuais e heterossexuais, incluindo os mesmos limites em relação aos direitos patrimoniais.
O direito de adopção é diferente. A adopção envolve terceiros. Por isso, antes de decidirmos sobre o direito de adopção por casais homossexuais temos que realizar um debate abrangente e chegar uma conclusão sobre o assunto, quiçá através de referendo.

DIVÓRCIO JUSTO

Como os divórcios são processos muito alongados e burocráticos no Cambódia, um casal não teve meias medidas e dividiu a casa... a meio. Já viram se a moda pega?
PS. Segundo a BBC, o ex-marido levou a outra metade da casa para parte incerta

INFLAÇÃO MILIONÁRIA

Sabe qual é a inflação no Zimbabwe? No mínimo é 231,000,000%. Duzentos e trinta e um milhões de por cento. Ainda não é o recorde mundial (que pertence à Alemanha de 1923), mas começa a aproximar-se a passos largos. E claro, certamente que a inflação do Zimbabwe já aumentou desde que começou a ler este post.

09 outubro 2008

DESCIDA DO IRC

A descida do IRC anunciada ontem pelo governo é uma boa medida, mas que terá um impacto muito limitado. A medida releva que: "Os primeiros 12.500 euros de matéria colectável serão tributados a uma taxa de 12,5 por cento e o restante à taxa de 25 por cento."
Esta é uma boa notícia, pois a descida da carga fiscal irá beneficiar muitas das nossas pequenas empresas. Porém, o impacto será limitado, pois, segundo o que o PUBLICO conseguiu apurar, somente um terço das nossas empresas com rendimentos inferiores a 12500 euros paga IRC. As restantes não o fazem pois não apresentam resultados suficientes.
Porém, ironicamente, a descida do IRC até poderá beneficiar mais o Estado do que a economia nacional. Como todos sabemos, é graças aos marabilismos financeiros que muitas empresas não pagam impostos. A descida das taxas poderá formecer um incentivo necessário para que estas empresas passem a pagar os seus impostos, pois o risco das suas artimanhas financeiras poderão não compensar o não de pagamento de impostos. Assim, a descida das taxas do IRC para as empresas de menor dimensão poderá até beneficiar o saldo orçamental do Estado...
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Apesar disso, esta é uma medida que só peca por não ser extensível às restantes empresas. A descida do IRS seria uma medida bem-vinda numa altura em que a estagnação económica não dá mostras de abrandar (bem pelo contrário). Se a taxa de IRC mais elevada 25% descesse para 15 ou 20%, quem beneficiaria seria a competitividade das nossas empresas e, consequentemente, a competitividade da nossa economia.
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Uma última palavra: desconfio que este não seja o último corte de impostos antes das eleições. Desconfio que o IVA irá baixar mais um ponto percentual antes de irmos às urnas. Deste modo, o governo poderia argumentar que baixou a carga fiscal da economia. Veremos.

BLOGUE RECOMENDADO

Um blogue que vale a pena ler nesta altura de crise financeira é o de Paul Krugman, que reflecte sobre as causas e as possíveis soluções para o problema. O link para o blogue está aqui.

NOBEL DA LITERATURA

O vencedor do Nobel da Literatura deste ano foi o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, considerado pelo comité do Nobel como um "autor de novas partidas, aventuras poéticas e extase sensual". Confesso que nunca li os seus livros. Tenho agora mais uma boa razão para o fazer...

08 outubro 2008

JUROS MAIS BAIXOS

Quais são os melhores sintomas do quão séria é a crise financeira? As medidas dos bancos centrais. Nos últimos tempos tem havido uma concertação de posições dos principais bancos centrais mundiais, principalmente atavés da injecção de grandes quantidades de fundos para os mercados financeiros. Agora, chegou a vez da posição concertada no corte das taxas de juros.
Hoje de manhã, seis bancos centrais (o BCE, a Fed, o Banco de Inglaterra, o Banco do Canadá, o Banco da Suécia e o Banco da Suíça) actuaram em conjunto cortando as taxas de juros em 0,5 por cento. Objectivo? Tentar descongelar os mercados de crédito dos seus países (e regiões).
Veremos se tais medidas têm efeito. No entanto, é de salientar que estas são as acções mais agressivas por parte dos bancos centrais das últimas décadas. Só isso indicia o quão preocupados os bancos centrais estão com a crise actual.

LUCRAR COM O BAILOUT

Após o governo americano ter concedido um empréstimo de emergência no montante de 85 mil milhões de dólares à seguradora AIG, os quadros executivos da empresa decidiram ir até a um spa da Califórnia para esquecer as misérias dos mercados financeiros. Em menos de uma semana, esses quadros executivos gastaram mais de 400 mil dólares em massagens, em bebidas e em comida. 400 mil dólares que vieram, obviamente, do bolso dos contribuintes. Nada mau. Quem disse que a crise financeira afecta todos da mesma maneira?

CRISE NA ISLÂNDIA (2)

A crise financeira continua a dar que falar na Islândia. Já se debate a constituição de um governo de unidade nacional e a krona islandesa já se desvalorizou mais de 50%, o que levou o governo a decretar a adopção de taxas de câmbio fixas. A estabilização do sistema financeiro do país parece estar nas mãos do FMI e da Rússia, que irá emprestar vários milhares de milhões de dólares à Islândia para que esta consiga combater a crise. Ainda ninguém sabe se a Islândia irá conseguir evitar a bancarrota.

DEBATE MCCAIN-OBAMA

O segundo debate entre Obama e McCain realizou-se ontem no formato "townhall", onde o público faz perguntas aos candidatos. O debate não trouxe nada de novo. Mais uma vez, Obama ganhou e McCain perdeu mais uma oportunidade de alterar a tendência das últimas semanas (que claramente favorecem Obama). Praticamente todos os analistas de todos os campos, bem como as sondagens realizadas após o debate, concordam que Obama ganhou e convincentemente. Alguns conservadores da National Review já concedem as eleições. McCain precisa de fazer algo drástico para conseguir ter alguma possibilidade de ganhar as eleições de 4 de Novembro.

07 outubro 2008

A CRISE CHEGOU À EUROPA, PORTUGAL E A CGD

A queda brutal resgistada ontem nas bolsas europeias é só mais um sintoma que a crise do "subprime" é bem mais do que um problema americano. Neste momento, a Europa está em riscos de ficar tão ou mais afectada pela crise financeira que os Estados Unidos.
Para além da acentuada descida dos mercados bolsistas, o grande problema que seestá a registar na economia americana é o congelamento dos mercados de crédito. Neste momento, o mercado de crédito americano está simplesmente parado. Assumindo que o mesmo possa vir a acontecer à Europa, estas são péssimas notícias para um país sobre-endividado como Portugal, pois o crédito vai ficar mais escasso e mais caro. Muitas das famílias portugueses irão encontrar ainda mais dificuldades para pagarem as suas prestações e as suas dívidas.
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Mas a crise financeira demonstra outra coisa. Como já aqui falámos, nos próximos tempos veremos um novo ímpeto proteccionista e mais intervencionista. Em Portugal e na Europa, iremos certamente ver mais instituições financeiras a serem nacionalizadas temporariamente. Neste sentido, em Portugal, a privatização da Caixa Geral de Depósitos é um assunto morto e enterrado. É certo que há sempre a tentação de nacionalizar a CDG, principalmente quando os recursos do Estado escasseiam. Porém, com a grave crise financeira bem presente, a privatização da CDG é economicamente arriscada e um autêntico suicídio político. Ninguém de perfeito juízo arriscaria privatizar uma instituição financeira que não é só uma referência nacional, como é um dos garantes da estabilidade do sistema financeiro português.

CRISE NA ISLÂNDIA

A crise financeira já não ameaça somente os sistemas financeiros americanos e europeus. Agora, surgem relatos que um dos países mais afectados pela crise financeira é a pequena Islândia. Em poucos anos, a Islândia passou de milagre económico a desastre financeiro. As coisas estão tão más que o passivo das instituições financeiras islandeses já é quase 10 vezes maior do que o PIB nacional! Com dívidas tão elevadas, há quem preveja que a bancarrota do país possa não estar muito longínqua.

06 outubro 2008

CRISE FINANCEIRA NA EUROPA

Os reflexos da crise financeira americana continuam a fazer~se sentir na Europa. Desta vez, foi o banco alemão Hypo Real Estate, uma das maiores instituições financeiras do país. Para evitar a sua falência, o governo alemão apresentou um plano de resgate no valor de 50 mil milhões de euros, quase um décimo do total do plano americano. As más notícias revelam bem que a crise não é só americana e vai-se fazer sentir cada vez mais na Europa e na Ásia. Porquê? Porque muitas instituições financeiras europeias e asiáticas também lucraram imensamente com os investimentos no mercado imobiliário americano, bem como com os empréstimos de "subprime". Os bancos europeus também emprestaram bastantes recursos aos bancos e seguradoras americanas. Assim, estão bastante expostos à crise financeira que começou na América. A diferença é que enquanto nos EUA tanto o governo como a FEd tem tido uma política muito agressiva para tentar estancar a crise, na Europa os líderes continuam divididos e o BCE é uma lástima de imobilismo (apesar da injecção de liquidez nos mercados).
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O que estas notícias indiciam é que o pior da crise financeira ainda pode estar para vir. Acima de tudo, há cada vez menos dúvidas que a recessão está à porta dos EUA e da Europa. Até pode ser que Portugal venha a crescer um pouco este ano, mas o mais provável é que a recessão também nos bata à porta. Se tal acontecer, vamos lá ver se a obsessão com o défice se vai manter...

NOBEL DA LITERATURA 2008

Na próxima quinta-feira, dia 9, a Academia Sueca vai anunciar o Prémio Nobel da Literatura 2008. Pelo que parece, ainda não será este ano que autores americanos consagrados como Phillip Roth ou Paul Auster irão vencer o prémio. Porquê? Porque o secretário permanente do comité de selecção do Prémio Nobel teve o desplante de relevar a sua opinião que a literatura americana é "demasiado insular" e "demasiado susceptível a tendências da cultura de massas". Enfim. Um disparate. Sinceramente não sei onde é que as tendências das culturas de massas estão presentes em Roth ou em Auster. O que eu sei é que os Nobel continuam a privilegiar os escritores europeus ou escritores com ligações à Europa. O que é lamentável.
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Mas, talvez não. Talvez esta conversa sem sentido seja só para despistar. Seria bom se este fosse o ano de Roth ou Auster ou Vargas Llosa ou até Margaret Atwood. Melhor ainda: Lobo Antunes? Já falta pouco para sabermos.

03 outubro 2008

A HIPOCRISIA DE TRICHET

O presidente do Banco Central Europeu afirmou ontem que a crise financeira não tem "precedentes desde a II Guerra Mundial” e "pediu uma maior cooperação dos países europeus para a enfrentar".
Concordo. A crise financeira actual é bastante grave e ameaça ficar pior. No entanto, a verdade é que o senhor Trichet diz isto e depois não faz nada. No dia em que o BCE podia ter optado por baixar as taxas de juros, a decisão do banco foi manter as taxas. Hmmmm... Se o senhor Trichet está realmente preocupado com a crise financeira, não seria natural que os juros baixassem por forma a combater a contracção do crédito que se tem espalhado pela economia europeia (e mundial)? Injectar liquidez nos mercados faz todo o sentido. No entanto, não baixar os juros numa altura em que a crise começa a punir seriamente os investidores e consumidores é um disparate. Ficar de braços cruzados quando a crise financeira começa a ter efeitos reais nas nossas economias faz tanto sentido como um médico diagnosticar uma doença grave e dizer ao doente para ele(a) esperar para os sintomas se irem embora.
Enfim, a falta de senso comum do presidente do BCE nunca deixa de surpreender.

PALIN VS BIDEN

Ontem à noite realizou-se o debate entre os candidatos à vice-presidência dos Estados. As expectativas eram enormes, porque as entrevistas mais recentes de Sarah Palin foram simplesmente desastrosas, demonstrando inequivocamente que a governadora do Alaska não está minimamente preparada para o cargo que se candidata (muito menos para ser presidente). Não sou eu quem o diz, mas muitos dos próprios Republicanos e conservadores ue chegaram a sugerir que ela regressasse a casa com a desculpa de ter que tomar conta do seu filho mais novo.
O debate correu bem melhor a Palin. A candidata sobreviveu e conseguiu apresentar o seu charme de mulher do povo (com expressões como "darn it" e "you betcha"), sem cometer nenhuma gafe monumental. Só por isso os Republicanos suspiraram de alívio. Mesmo assim, quase todos os comentadores (e as sondagens a espectadores) subinharam que Palin evitou responder a muitas das perguntas que lhe foram colocadas e que os seus conhecimentos de política económica ou de política externa não são muito extensos. Apesar disso, Palin sobreviveu, o que já foi um grande feito após os desastres dos últimos dias.
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Por seu turno, Biden mostrou dominar bem os assuntos e, principalmente, não cometeu nenhuma gafe (como é conhecido). Os dois ganharam, apesar das sondagens terem dado vantagem a Biden.
Quem acabou por lucrar mais foi Obama, pois o debate não mudou nada substancial na corrida, o que é uma boa notícia para o senador de Illinois (pois as sondagens mais recentes têm dado uma vantagem significativa a Obama).

CITAÇÃO DO DIA _ A Crise Financeira

"One thing’s for sure: The next administration’s economic team had better be ready to hit the ground running, because from day one it will find itself dealing with the worst financial and economic crisis since the Great Depression."
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(Tradução: Uma coisa é certa: é melhor que a equipa económica da próxima administração esteja pronta, pois desde o primeiro dia irá ter que lidar com a pior crise financeira e económica desde a Grande Depressão")