E os novos indicadores sobre a confiança europeia não são nada famosos. Bem pelo contrário.
31 outubro 2008
SINAIS DE RECESSÃO
Os primeiros sinais que a recessão na economia americana está à porta começaram a surgir. Ontem, foram publicadas as estatisticas do Departamento do Comércio, que revelaram que a economia americana se contraiu 0,3% no terceiro trimestre (taxa anual). O consumo baixou cerca de 3% e o investimento 1%. Para termos uma ideia melhor sobre a magnitude da recessão vamos ter que esperar pelos números do quarto trimestre. Veremos.
GM-CHRYSLER
Afinal, a GM já não deve ir à falência. Para que tal não aconteça a GM vai-se juntar à rival Chrysler. Já se prevê que a fusão das duas empresas dê azo a dezenas de milhares de desempregados em várias fábricas na América do Norte. Pelo menos, a GM não desaparece.
A NOVA GUERRA DO CONGO (3)
Já se fala de uma nova crise humanitária no Congo. Os riscos da situação ficar fora de controlo são muito reais e assustadores. Convém lembrar que na última guerra do Congo, 8 países da África subsaariana estiveram envolvidos e cerca de 5 milhões de pessoas perderam a vida directa ou indirectamente por causa da guerra. Na altura, pouca gente falou desse conflito ou se importou com o que estava a acontecer porque... era na África subsaariana. Contudo, é imperioso que não deixemos que a barbárie se instaure outra vez. A ONU, a UE, e outras organizações internacionais têm que fazer tudo ao seu alcance para tentar evitar uma nova catástrofe.
A CRISE NA RÚSSIA
A Rússia continua a sofrer os efeitos da crise financeira. O governo avança com um plano de resgate do sistema financeiro (mais um "bailout"), mas há quem diga que é só para salvar os oligarcas. Há já quem tema uma nova crise cambial e financeira como em 1998.
30 outubro 2008
JUROS MAIS BAIXOS
Como era esperado, a Fed baixou as taxas de juros em o,5 pontos percentuais. A taxa directora nos EUA é agora de 1%. A Fed continua a prosseguir uma política muito agressiva para tentar evitar uma recessão prolongada. OU seja, a Fed continua muito mais pro-activa do que outros bancos centrais como o Banco Central Europeu. A decisão da Fed acarreta boas e más notícias. A má notícia é que há cada vez menos margem de manobra na política monetária. Se as medidas dos últimos tempos não resultarem não há muito mais que a Fed possa fazer para estimular a economia. A boa notícia é que a decisão da Fed ajuda o mercado imobiliário americano (que esteve na origem da crise), bem como os investidores e consumidores. Apesar de haver muito pouca confiança na economia, taxas de juro tão baixas irão, mais cedo ou mais tarde, ajudar os investidores e os consumidores americanos e, assim, à própria retoma da economia. Esperemos que sim.
A CRISE CHEGA À UCRÂNIA
As repercussões da crise financeira chegaram à Ucrânia. O sistema financeiro ucraniano está em risco e, por isso, a Ucrânia pediu um empréstimo de 16,5 mil milhões de dólares ao FMI para tentar evitar um colapso financeiro.
A NOVA GUERRA DO CONGO (2)

Milhares de refugiados tentam escapar aos combates entre os rebeldes e as forças governamentais na República Democrático do Congo. A cidade de Goma está em estado de sítio ameaçada pelos rebeldes. A situação actual parece estar a degenerar dia após dia. Nos próximos dias saberemos se o Congo irá sucumbir a um ciclo de violência parecido ao que aconteceu durante a última guerra civil.
A QUEDA DE UMA POPULISTA
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ganhou uma enorme notoriedade no ano passado quando se apresentou como a candidata do povo e para o povo. Kirchner ganhou e os argentinos depositaram uma grande esperança no seu governo. Um ano mais tarde a popularidade da "rainha Kirchner" (como ficou conhecida) desceu para níveis pouco habituais para um presidente que acabou de ser eleito. A inflação reapareceu e a dívida pública cresceu exponencialmente. A situação não está tão má como em 2001, mas deteriora-se a cada dia que passa. Em suma, a Argentina continua (praticamente) na mesma.
29 outubro 2008
A CRISE CHEGA À HUNGRIA
Chegou a vez da Hungria ser afectada pela crise financeira internacional. A moeda húngara tem descido vertiginosamente nos últimos dias e a estabilidade do sistema financeiro húngaro está em risco. O Banco Mundial, o FMI e a União Europeia já ofereceram ajuda a este país do leste Europeu, disponibizando um empréstimo de 20 mil milhões de euros. Alguns húngaros até já atribuem a culpa da crise no seu país à União Europeia, principalmente à imposição dos novos Estados-membros terem que seguir os Critérios de Convergência (que todos os países no euro tiveram que seguir). Esta crise está a ficar cada vez mais interessante do ponto de vista político.
A CRISE ISLANDESA (4)
A crise na Islândia continua. Agora surgem notícias que o Banco Central islandês subiu as taxas de juros de referência para 18%. Porquê? Para tentar travar segurar a moeda nacional e para tentar dinamizar os mercados de crédito islandeses. Não é difícil antecipar as consequências de tal decisão. Imagine o que não será pagar a prestação de um empréstimo bancário para compra de habitação se a taxa de juro ronda os 20%. Ou pagar o seu cartão de crédito com taxas de juros perto de 25 ou 30%. Ou tentar investir num projecto qualquer quando os juros dos empréstimos bancários rondam os 20%.
Claro que já se estão a ver as consequências para a economia real. Serão terríveis. A Islândia permanecerá em crise durante bastante tempo. Quem disse que a crise financeira não tinha consequências reais?
OBAMA, O ANTICRISTO
Muitos evangelistas americanos continuam a retratar Barack Obama como ... o Anticristo. Existem toda a espécie de teorias de conspiração sobre Obama (que se associa com terroristas, que é muçulmano, que estudou em madrassas na Indonésia, que que que), as quais se têm intensificado nos últimos dias de campanha. De acordo com estes sectores mais radicais, a eleição de Obama para a presidência será o princípio do Apocalise.
Agora, chegou a hora de dizer que um voto para Obama dá direito a uma passagem para o Inferno. E quem votar Obama não é cristão. Segundo uma destas fundamentalistas:
"To all those who name the name of Christ who plan to willfully disobey Him by voting for Obama, take warning. Not only is our nation in grave danger, according to the Word of God, so are you ... [T]his election is not about race. It's not about the economy. It's about obeying God. ...
Be forewarned: If you willfully disobey God on life and marriage because of race or false hope for the economy, you will usher in the kind of change that brought the Soviet Union to collapse. But the warning goes far beyond that. To those who think that God's grace gives them license to willfully disobey Him without consequences – think again:
Not everyone who says to Me, "Lord, Lord," shall enter the kingdom of heaven, but he who does the will of My Father in heaven. Many will say to Me in that day, "Lord, Lord, have we not prophesied in Your name, cast out demons in Your name, and done many wonders in Your name?" And then I will declare to them, "I never knew you; depart from Me, you who practice lawlessness!" (Matthew 7:21-23). That deals with your eternity...
Be forewarned: If you willfully disobey God on life and marriage because of race or false hope for the economy, you will usher in the kind of change that brought the Soviet Union to collapse. But the warning goes far beyond that. To those who think that God's grace gives them license to willfully disobey Him without consequences – think again:
Not everyone who says to Me, "Lord, Lord," shall enter the kingdom of heaven, but he who does the will of My Father in heaven. Many will say to Me in that day, "Lord, Lord, have we not prophesied in Your name, cast out demons in Your name, and done many wonders in Your name?" And then I will declare to them, "I never knew you; depart from Me, you who practice lawlessness!" (Matthew 7:21-23). That deals with your eternity...
To those who call themselves by the name of Christ who ignore what God says about life and marriage, who and are clinging to a fantasy of economic gain, think again ... Then obey Him in the voting booth and out of it. If not, do us all a favor and quit calling yourself a Christian. "
Hmm... Ah, como eu adoro as eleições americanas...
28 outubro 2008
A GUERRA NOVAMENTE
Voltou a guerra civil na República Democrática do Congo (ex-Zaire). Na última década mais de 5 milhões de pessoas morreram directa ou indirectamente por causa da guerra civil congolesa. O recrudescimento da guerra não augura nada de bom para os próximos tempos.
UMA LOUCA EXAUSTÃO
O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, anda exausto. Pelo que parece, o pobre homem trabalha 20 horas por dia e anda esgotado. As más línguas dizem que o grande visionário iraniano padece de algum mal de saúde. Tais calúnias certamente têm origem no país do Grande Satã. Outras más línguas afirmam a pés juntos que o líder espiritual do Irão irá aproveitar a deixa para mandar o carismático (mas errático) líder às malvas por forma a substituí-lo por alguém mais competente. O mais certo é que o Grande Visionário saia deste mal-estar temporário mais retemperado e mais forte do que nunca para combater a inflação crescente e o desemprego que se acumula. E viva a Revolução Iraniana!A DINAMARCA E O EURO
A pequena Dinamarca também foi afectada grandemente pela crise financeira, principalmente devido à grande desvalorização da coroa dinamarquesa. Há já quem defenda que só resta à Dinamarca entrar no euro para evitar episódios semelhantes no futuro. As sondagens já dizem que mais de 50% dos dinamarqueses apoiam a adesão ao euro. Resta saber se o mesmo se passará dentro de alguns meses ou num referendo sobre o euro... (o que, sinceramente, não acredito)
McCAIN CONTRA PALIN
Estamos a uma semana das eleições americanas, quando a grande maioria dos americanos irá às urnas para eleger o novo presidente. Muitos outros optaram por votar quer por correio, quer antecipadamente, pois nalguns estados é possível votar duas semanas antes das eleições.
As sondagens dão todas uma vantagem considerável para Obama, que se deve tornar no novo presidente americano, a não ser que haja uma enorme surpresa na última semana da campanha (Bin Laden a apoiar "Barack Hussein Obama"?).
Com efeito, a grande supresa do momento tem sido a enorme batalha que se tem passado entre... McCain e Palin. Como a campanha parece destinada ao fracasso, as recriminações entre os Republicanos sobem de tom. As coisas estão tão más que os próprios ajudantes de McCain e Palin têm trocado acusações sobre quem tem a culpa pela derrota (vindoura), sobre quem tem a culpa por comprar roupas no valor de 150 mil dólares para Palin, bem como quem é culpado pelo fracasso das entrevistas de Palin aos meios de comunicação social. As coisas estão tão interessantes que um dos ajudantes de McCain chamou Palin de "diva". Hmmm... Será que isto será um sintoma do que irá acontecer no dia 4 de Novembro?
27 outubro 2008
A CHINA E A CRISE
O influente analista britânico Will Hunt argumenta que a China não está em condições para resgatar o Ocidente da crise económico. Segundo ele, quando muito o oposto acontecerá. Outra das ideias interessantes do artigo é que o partido comunista chinês está a pensar levar a cabo a maior reforma agrária da história chinesa recente. Como? Colectivizando a terra? Não, pelo contrário. Concendendo contractos de arrendamento e de leasing aos camponeses (que ficariam praticamente donos das terras). Como o mundo mudou...
O FIM DOS OLIGARCAS?
O Guardian especula se a crise financeira não ditará o fim dos oligarcas russos. Nos últimos5 meses, os oligarcas já perderam 200 mil milhões de dólares. Só Roman Abramovich, dono do Chelsea, já perdeu 20 mil milhões de dólares. Será que o Chelsea se verá forçado a vender jogadores?
CRISE NA POLÓNIA E... NO BRASIL?
O New York Times tem hoje um artigo que fala sobre as ramificações da crise financeira na Polónia e, talvez, no Brasil. As moedas dos dois países caíram bruscamente nos últimos 10 dias e a instabilidade chegou aos mercados financeiros dos mesmos. Há quem diga que o milagre económico polaco vai estancar, pelo menos por algum tempo.
PORTUGAL, PAÍS MODELO (2)
O Jorge Oliveira tem este comentário ao artigo sobre as energias renováveis nacionais. Penso que levanta pontos muito pertinentes, principalmente no que diz respeito ao facto do financiamento das renovaveis estar a ser suportado por todos os portugueses. Não é por acaso que continuamos a ter uma electricidade demasiado cara. Resta especular o que é que aconteceria se abandonássemos os projectos das renováveis. Será que o preço da electricidade diminuiria? Provavelmente não. Afinal, durante vários anos não investimos nada no sector, mas, mesmo assim, a nossa factura da electricidade não era baixa. O que falta em Portugal neste sector é concorrência e transparência. Se o conseguirmos, certamente que começaremos a pagar menos.
^
Vale a pena realçar outro aspecto. Como independente, o que me interessa é apontar aquilo que vai mal quando está mal, e enaltecer o que está bem quando está bem. O que é importante é tentar manter a isenção e a imparcialidade com sentido crítico.
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Já agora, o link do video da peça da CBC sobre as energias renováveis portuguesas está aqui:http://www.cbc.ca/mrl3/8752/news/features/durham-portugal081020.wmv
ps. Obrigado ao Sócrates pelo link
ORÇAMENTO DE ESTADO (2)
A propósito do meu comentário sobre o orçamento de estado, o Fartinho da Silva tem a seguinte opinião...
"Repare bem nesta contradição:"Ou seja, estamos a aumentar (...) e os salários dos funcionários públicos" "em vez de (...) auxiliar as famílias portuguesas". Por acaso, considera que os funcionários públicos não têm família? Por acaso considera que os funcionários públicos não são feitos do mesmo osso e carne que a população restante? Por acaso, considera que apesar dos 8 anos consecutivos a perderem poder de compra (perdendo cerca de 10% desse mesmo valor) não chega para os funcionários públicos? Sinceramente, acho que o meu caro não percebe bem aquilo que é realmente a função pública portuguesa. Assim, vou tentar explicar de forma muito breve e resumida: o problema de não se conseguir reduzir a dimensão da função pública em Portugal deve-se ao facto de os dois maiores partidos portugueses terem "por lá" colocado dezenas de milhares de funcionários desses partidos e como tal como podem agora os representantes de PS e/ou PSD fazer as verdadeiras reformas? Eu, considero que com este sistema político esse problema não tem solução fácil. Por isso, peço, por favor, para não invocar os salários dos funcionários públicos porque, obviamente, eles não tem qualquer responsabilidade no facto dos dois grandes partidos portugueses terem inchado o Estado português com dezenas de milhares de funcionários desses partidos através de:- "empresas" públicas;- "empresas" semi-públicas;- golden shares;- "universidades";- "politécnicos" (aqui então...);- "hospitais" públicos;- etc. Claro que esta é apenas uma opinião de quem já esteve na função pública a receber fortunas (mil euros)... e agora está no sector privado a ganhar muito mais..."
"Repare bem nesta contradição:"Ou seja, estamos a aumentar (...) e os salários dos funcionários públicos" "em vez de (...) auxiliar as famílias portuguesas". Por acaso, considera que os funcionários públicos não têm família? Por acaso considera que os funcionários públicos não são feitos do mesmo osso e carne que a população restante? Por acaso, considera que apesar dos 8 anos consecutivos a perderem poder de compra (perdendo cerca de 10% desse mesmo valor) não chega para os funcionários públicos? Sinceramente, acho que o meu caro não percebe bem aquilo que é realmente a função pública portuguesa. Assim, vou tentar explicar de forma muito breve e resumida: o problema de não se conseguir reduzir a dimensão da função pública em Portugal deve-se ao facto de os dois maiores partidos portugueses terem "por lá" colocado dezenas de milhares de funcionários desses partidos e como tal como podem agora os representantes de PS e/ou PSD fazer as verdadeiras reformas? Eu, considero que com este sistema político esse problema não tem solução fácil. Por isso, peço, por favor, para não invocar os salários dos funcionários públicos porque, obviamente, eles não tem qualquer responsabilidade no facto dos dois grandes partidos portugueses terem inchado o Estado português com dezenas de milhares de funcionários desses partidos através de:- "empresas" públicas;- "empresas" semi-públicas;- golden shares;- "universidades";- "politécnicos" (aqui então...);- "hospitais" públicos;- etc. Claro que esta é apenas uma opinião de quem já esteve na função pública a receber fortunas (mil euros)... e agora está no sector privado a ganhar muito mais..."
Caro Fartinho da Silva,
Obrigado pelo comentário. Aqui vão as minhas respostas:
1) Em relação à questão das famílias, o que eu queria dizer era que neste momento de crise (que se prolonga há 7 anos) era importante que o Estado começasse a dar prioridade ao auxílio de todas as famílias (incluíndo, obviamente, os funcionários públicos) através, nomeadamente, de benesses fiscais e de baixas de impostos. Um dos problemas dos últimos anos (e décadas) tem sido exactamente a ideia que o Estado é a solução (e a fonte...) dos nossos problemas. Não é. Existe em Portugal um paternalismo excessivo do Estado que não ajuda nem as empresas nem os particulares. Como os últimos anos demonstraram, não é à custa do crescimento do Estado que vamos conseguir sair da crise. Já o tentámos e falhámos. Vezes sem conta. Eu por mim já estou fartinho da silva dessa solução. É preciso começar a procurar alternativas.
^
2) Concordo inteiramente consigo quando afirma que o excesso de funcionários públicos se deve a motivos políticos. Todos os principais partidos têm responsabilidades nesta matéria. E é por isso que todos se deviam empenhar em fazer emagrecer o Estado e contribuir para aumentar a meritocracia na Função Pública. Aliás, só assim é que poderemos aumentar os salários dos funcionários públicos. Eu não sou contra o aumento dos salários dos funcionários públicos por princípio. Sou contra, porque não há grande margem de manobra (i.e. fundos) para o fazer. Porém, só há duas formas de acabar com os salários de 1000 euros: ou cortamos o número de funcionários ou cortamos noutras despesas públicas, tal como o TGV. É tudo uma questão de escolha. Pessoalmente, sou inteiramente a favor do aumento dos salários dos funcionários públicos. Até porque essa é a única maneira de conseguir reter funcionários competentes e não fazer com que eles se vejam forçados a sair para o sector privado por forma a alcançar um nível de vida melhor.
Cumprimentos,
Alvaro
26 outubro 2008
24 outubro 2008
VIRAGEM À ESQUERDA
O meu artigo no PUBLICO de hoje:
Não é difícil antever que 2008 será um ano histórico, tanto económica como politicamente. Economicamente, 2008 foi o ano em que a economia mundial sofreu dois rudes golpes. Primeiro, tivemos um choque petrolífero que ameaçou arrastar-nos para uma recessão semelhante às ocorridas em 1973 e em 1980, quando a subida vertiginosa dos preços petrolíferos originou uma quebra de produção significativa (e um correspondente aumento do desemprego) e um aumento considerável da inflação. Logo em seguida, fomos atingidos pelos efeitos da grave crise financeira americana que se espalharam como um rastilho pela economia mundial e abalaram as estruturas do sistema financeiro internacional. Quando demos conta, vimos os mercados financeiros e bolsistas em pânico, os mercados de crédito a congelar e a confiança das agentes económicos a evaporar-se. Apesar da volatilidade ainda não ter acabado, os mercados parecem estar mais estabilizados. É chegada a hora de emendar o que está mal e começar a preparar o combate contra a recessão que aí vem, uma recessão que poderá ser a maior e a mais prolongada dos últimos anos.
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O dramatismo da crise financeira foi tal que muitos chegaram a proclamar o falhanço do modelo económico vigente. Porém, afirmar que a crise financeira é o prenúncio do fim das economias de mercado ou que a crise é a prova provada dos falhanços do capitalismo é, no mínimo, errado ou enganador. Apesar de não serem frequentes, as crises financeiras são um facto recorrente das economias de mercado (e não só). O que é importante é garantir que, quando as crises ocorrem, os governos estejam preparados para actuar convicta e decisivamente para não deixar que as coisas fiquem foram de controlo. E essa é uma das lições da Grande Depressão.
Ainda assim, restam poucas dúvidas que 2008 entrará na história como um ano de viragem no pêndulo ideológico dominante nas últimas décadas. A era Thatcher-Reagan chegou ao fim. Nos próximos tempos, os gritos de privatização, desregulamentação e liberalização serão cada vez menos audíveis. Nos próximos anos, o mundo virará à esquerda tanto económica como ideologicamente. Na próxima década, os governos serão bem mais intervencionistas do que nos últimos 30 anos, a regulação da actividade económica aumentará, o proteccionismo crescerá, o recurso aos défices orçamentais tornar-se-á mais frequente (mesmo na Eurolândia), as despesas públicas aumentarão, e, consequentemente, a carga fiscal crescerá.
O dramatismo da crise financeira foi tal que muitos chegaram a proclamar o falhanço do modelo económico vigente. Porém, afirmar que a crise financeira é o prenúncio do fim das economias de mercado ou que a crise é a prova provada dos falhanços do capitalismo é, no mínimo, errado ou enganador. Apesar de não serem frequentes, as crises financeiras são um facto recorrente das economias de mercado (e não só). O que é importante é garantir que, quando as crises ocorrem, os governos estejam preparados para actuar convicta e decisivamente para não deixar que as coisas fiquem foram de controlo. E essa é uma das lições da Grande Depressão.
Ainda assim, restam poucas dúvidas que 2008 entrará na história como um ano de viragem no pêndulo ideológico dominante nas últimas décadas. A era Thatcher-Reagan chegou ao fim. Nos próximos tempos, os gritos de privatização, desregulamentação e liberalização serão cada vez menos audíveis. Nos próximos anos, o mundo virará à esquerda tanto económica como ideologicamente. Na próxima década, os governos serão bem mais intervencionistas do que nos últimos 30 anos, a regulação da actividade económica aumentará, o proteccionismo crescerá, o recurso aos défices orçamentais tornar-se-á mais frequente (mesmo na Eurolândia), as despesas públicas aumentarão, e, consequentemente, a carga fiscal crescerá.
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Quão pronunciada será esta viragem à esquerda irá depender principalmente de um factor: a gravidade da recessão que se aproxima. Quanto maior for a crise económica mundial, maior será a tentação de seguir receitas populistas e fórmulas milagrosas patrocinadas pelo Estado.
Neste contexto, outra lição a retirar da crise financeira associada à Grande Depressão é que é importante também não esquecer os erros de política económica desse período. A década de 1930 foi a época mais proteccionista dos últimos 150 anos e o resultado foi desastroso a nível económico. O mesmo poderá acontecer actualmente. Retroceder na globalização, aumentar desmesuradamente o nível de proteccionismo, e até mesmo ceder ao encantamento da regulamentação excessiva não beneficiará ninguém, a não ser determinados grupos de interesse. Independentemente do que venha a acontecer, é fundamental garantir que esta viragem ideológica seja regrada por forma a evitar que, sob um manto proteccionista e ideológico, se desbaratem os avanços económicos alcançados das últimas décadas.
Quão pronunciada será esta viragem à esquerda irá depender principalmente de um factor: a gravidade da recessão que se aproxima. Quanto maior for a crise económica mundial, maior será a tentação de seguir receitas populistas e fórmulas milagrosas patrocinadas pelo Estado.
Neste contexto, outra lição a retirar da crise financeira associada à Grande Depressão é que é importante também não esquecer os erros de política económica desse período. A década de 1930 foi a época mais proteccionista dos últimos 150 anos e o resultado foi desastroso a nível económico. O mesmo poderá acontecer actualmente. Retroceder na globalização, aumentar desmesuradamente o nível de proteccionismo, e até mesmo ceder ao encantamento da regulamentação excessiva não beneficiará ninguém, a não ser determinados grupos de interesse. Independentemente do que venha a acontecer, é fundamental garantir que esta viragem ideológica seja regrada por forma a evitar que, sob um manto proteccionista e ideológico, se desbaratem os avanços económicos alcançados das últimas décadas.
23 outubro 2008
A CAIR NOVAMENTE
Os mercados retomaram a tendência de descida. Ontem o Dow Jones desceu quase 6% e hoje os mercados asiáticos têm estado a descer mais de 5%. Porquê? Porque o medo de uma recessão mundial continua a dominar o sentimento nos mercados.
OBAMA AO SEU MELHOR
No dia em que as sondagens mostraram que a escolha de Sarah Palin é apontada como o factor mais negativo atribuído à campanha de McCain (sim, é verdade, como as coisas mudaram nas últimas semanas) e no dia em que os Republicanos ficaram chocados ao saberem que a campanha gastou 150 mil dólares com roupa e maquiagem para Palin, Obama responde da melhor maneira. Ou seja, com aquilo que ele sabe fazer melhor: discursar. Um discurso de unidade que mostra bem os extraordinários dotes oratórios de Barack Obama. Um discurso que reintroduz o tema de esperança e de unidade que o trouxe à ribalta da política americana, quando, em 2004, se apresentou triunfantemente à nação com um discurso arrebatador. Obama ao seu melhor. Vale a pena ver.
22 outubro 2008
EURIBOR E ENDIVIDAMENTO
Os sinais e as consequências do sobreendividamento das famílias portuguesas começam a notar-se cada vez mais.
Segundo um esclarecedor artigo no DN da autoria de Rudolfo Rebêlo, "Há cada vez mais portugueses a entrar em litígio com a banca. O malparado no crédito à habitação e ao consumo subiu 26,5% entre Agosto do ano passado e o mesmo mês deste ano. Nas empresas, o incumprimento aumentou 36,8% e já representa 2,2% do total dos empréstimos concedidos. Construtores estão a falhar os pagamentos à banca."
Ora, como o sobreendividamento já atingiu 129% do PIB nacional, a crise económica não dá mostras de abrandar e, ainda por cima, a concessão de crédito irá ficar mais controlada por causa da crise financeira, a situação só tenderá a piorar.
A única boa notícia em todo este cenário é a recente descida da Euribor, que é um autêntico balão de oxigénio para milhares de famílias portuguesas. Como o Banco Central Europeu parece, por enquanto, ter esquecido a sua cruzada fundamentalista contra a inflação, é provável que as taxas de juros continuem a baixar nos próximos meses, o que irá ajudar os consumidores e as empresas endividadas.
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Porém, a situação é tão grave que vale a pena perguntar: não será chegada a hora do governo pensar em actuar? O crédito ao consumo em Portugal é caríssimo quando comparado a outros países, e as taxas de juros do crédito ao consumo são um verdadeiro insulto para os consumidores. Será que o governo não poderia fazer algo para diminuir o preço do crédito, ajudando assim as famílias portuguesas a manterem as suas casas e outros bens adquiridos em tempos mais risonhos? Porque é que só os bancos têm direito a ser ajudados?
Mais, porque é que o Estado insiste em gastar mais em obras públicas em vez de ajudar as famílias portuguesas? Porque é que preferimos despender centenas de milhões de euros em obras faraónicas como o TGV e não fazemos nada para aliviar a vida e os níveis de vida dos portugueses? Sinceramente, parece-me que alguém tem as prioridades erradas (incluindo muitos dos partidos da oposição)
Segundo um esclarecedor artigo no DN da autoria de Rudolfo Rebêlo, "Há cada vez mais portugueses a entrar em litígio com a banca. O malparado no crédito à habitação e ao consumo subiu 26,5% entre Agosto do ano passado e o mesmo mês deste ano. Nas empresas, o incumprimento aumentou 36,8% e já representa 2,2% do total dos empréstimos concedidos. Construtores estão a falhar os pagamentos à banca."
Ora, como o sobreendividamento já atingiu 129% do PIB nacional, a crise económica não dá mostras de abrandar e, ainda por cima, a concessão de crédito irá ficar mais controlada por causa da crise financeira, a situação só tenderá a piorar.
A única boa notícia em todo este cenário é a recente descida da Euribor, que é um autêntico balão de oxigénio para milhares de famílias portuguesas. Como o Banco Central Europeu parece, por enquanto, ter esquecido a sua cruzada fundamentalista contra a inflação, é provável que as taxas de juros continuem a baixar nos próximos meses, o que irá ajudar os consumidores e as empresas endividadas.
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Porém, a situação é tão grave que vale a pena perguntar: não será chegada a hora do governo pensar em actuar? O crédito ao consumo em Portugal é caríssimo quando comparado a outros países, e as taxas de juros do crédito ao consumo são um verdadeiro insulto para os consumidores. Será que o governo não poderia fazer algo para diminuir o preço do crédito, ajudando assim as famílias portuguesas a manterem as suas casas e outros bens adquiridos em tempos mais risonhos? Porque é que só os bancos têm direito a ser ajudados?
Mais, porque é que o Estado insiste em gastar mais em obras públicas em vez de ajudar as famílias portuguesas? Porque é que preferimos despender centenas de milhões de euros em obras faraónicas como o TGV e não fazemos nada para aliviar a vida e os níveis de vida dos portugueses? Sinceramente, parece-me que alguém tem as prioridades erradas (incluindo muitos dos partidos da oposição)
SINAIS DE RECESSÃO
Se os mercados financeiros começam a estabilizar, surgem cada vez mais indícios que a economia americana está em recessão. Ontem foi publicado um novo inquérito ao emprego desolador. O desemprego aumentou em 41 dos 50 estados americanos.
O DEGELO DOS MERCADOS DE CRÉDITO
Nos Estados Unidos os mercados de crédito dão mostras de (finalmente) estarem a voltar ao normal. As intervenções governamentais estão finalmente a dar resultados.
Na Europa a Euribor continua a baixar, mais um sintoma que a intervenção está a dar frutos.
A recapitalização dos bancos (iniciada pelos britânicos e pelos restantes europeus, e em seguida pelos americanos) parece ter sido sido o factor que conseguiu estabilizar os mercados financeiros.
21 outubro 2008
PORTUGAL, PAÍS MODELO
Quem diria que Portugal se tornaria num modelo para um país como o Canadá? Não, não estou a ser irónico nem malicioso. A CBC, a televisão pública canadiana, apresentou Portugal como um modelo a seguir ao nível das energias alternativas. Sob o título "The little nation that could go green - and is" a reportagem da CBC rasga enormes elogios ao nosso país pelas inovações introduzidas na área das energias alternativas. Sinceremente, fiquei orgulhoso ao ver o artigo. Vou tentar arranjar o video no You Tube para o postar aqui no blogue.
Quem disse que de Portugal só vêm más notícias?
PRÉMIO MO IBRAHIM
O prémio Mo Ibrahim de boa governação no continente africano foi atribuído ao ex-presidente do Botswana Festus Gontebanye Mogae. Esta é a segunda vez que o prémio é atribuído. No ano passado o prémio foi ganho pelo ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano.
Se Chissano foi uma óptima escolha em 2007, Mogae é outra excelente escolha em 2008. O Botswana é uma das maiores histórias de sucesso económico nas últimas 3 décadas, quando o país passou de um dos mais pobres do mundo para um país de rendimentos médios. Fora da Ásia, o Botswana (e agora Moçambique) é o milagre económico mais impressionante dos últimos 30 anos. Uma das razões para tal ter acontecido foi exactamente a boa governação que este país africano tem tido. E só por isso, a atribuição do prémio Mo Ibrahim a Festus Gontebanye Mogae é inteiramente merecida.
20 outubro 2008
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