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20 março 2011

NICOLE KRAUSS

Nicole Krauss tornou-se numa das revelações literárias americanas da última década, principalmente após a publicação de "The History of Love", publicado em Portugal pela Dom Quixote. "The History of Love"  foi um dos livros mais bem escritos e mais belos que li nos últimos anos. É, sem dúvida alguma, uma obra altamente recomendável. Agora, Krauss publicou o seu último romance "The Great House". Não é tão bom como o anterior, mas também vale a pena descobrir.


23 novembro 2010

MELHOR LIVRO

Excelentes notícias para a literatura portuguesa ao saber-se que Gonçalo M. Tavares venceu o Prémio para o Melhor Livro Estrangeiro publicado em França em 2010. A nova geração de escritores portugueses continua a dar cartas.

19 outubro 2009

JESUSALÉM

Numa altura em que se fala muito sobre o novo livro do Saramago, aqui fica uma sugestão de leitura. "Jesusalém", de Mia Couto, certamente um dos melhores de um autor cuja escrita está cada vez melhor. O livro conta a história de uma família que se auto-exila numa região remota de Moçambique, fugindo do mundo e de memórias de um passado penoso. O livro é contado por um dos personagens, Mwanito, e lê-se num ápice. Se Mia Couto era no início conhecido sobretudo pelos seus engraçados jogos de palavras e linguagens, crescentemente este autor moçambicano tem aperfeiçoado ainda mais os enredos das suas histórias, que narram um Moçambique e uma África que apetece conhecer. Vale a pena conhecer.

09 abril 2009

SUGESTÕES PARA A PÁSCOA

Duas sugestões de leitura para as breves férias da Páscoa:


A primeira sugestão é "O Mundo" de Juan José Millás, editado pela Planeta, uma autobiografia ficcionada de um dos escritores espanhóis mais badalados da actualidade. Confesso que nunca tinha lido nada do Millas. No entanto, fiquei rendido à sua escrita praticamente desde a primeira página. Um pouco como acontece com as obras de José Eduardo Agualusa, neste livro Millas mistura constantemente ficção com a realidade e o resultado final é fascinante. Um livro que vale a pena ler, nem que não seja pela descrição de uma Espanha dos anos 50 e 60 bem mais pobre e conservadora do que a actual.

A outra sugestão é "O Fundamentalista Relutante" de Mohsin Hamid (Civilização Editora), um paquistanês que vive em Londres.


Esta é a história de um estudante paquistanês que vai para a América estudar, frequentando a Universidade de Princeton, para mais tarde trabalhar numa das melhores consultorias de Nova Iorque. Apesar de tudo correr bem ao início, tudo se complica e altera quando acontecem os ataques terroristas de 11 de Setembro. A escrita é de fácil leitura e a história é interessante. Um autor a conhecer.

25 março 2009

TO LIVE



Acabei de ler um dos livros que mais me surpreendeu recentemente. O livro chama-se "To Live" e é da autoria do consagrado escritor chinês Yu Hua. Sim, consagrado. Apesar de ser um desconhecido entre nós, Hua já vendeu milhões de livros no seu país natal e cada livro que publica torna-se num enorme êxito editorial, um feito assinalável num país onde a pirataria ainda assume proporções muito grandes. "To Live" é um retrato brutal da China do século 20, através dos olhos e das vidas de uma família que passa pelas atribulações da Segunda Guerra Mundial, a tomada do poder pelos comunistas, a reforma agrária, as várias campanhas e loucuras do regime de Mao Tse Tung, e a revolução cultural.
O livro é tão real sobre as condições de vida na China comunista que foi inicialmente proibido pelo regime chinês. Mais tarde, serviu de base para um filme com o mesmo nome do conhecido realizador chinês Zhang Yimou.
Esta é uma história fascinante que nos transporta para uma realidade que poucos de nós conhecem, num país com tradições e com uma cultura muito diferente da nossa. Simplesmente, um livro a não perder. Um livro que, espero, seja traduzido o mais brevemente possível entre nós. Yu Hua é um autor a descobrir. Por mim, vou comprar rapidamente as suas outras obras as ler com o maior interesse.

16 março 2009

VENENOS DE DEUS

Aproveitei a ida a Portugal para ler o último romance de Mia Couto, que tem por título "Venenos de Deus, Remédios do Diabo". O livro conta a história de um jovem médico português que decide ir trabalhar para Moçambique à procura de uma mulher, Deolinda, que conhece em Lisboa e por quem se apaixona. Quando chega a África, o português não encontra Deolinda, mas fica a conhecer a família dela, bem como uma realidade muito distinta à que está habituado.
O livro é um Mia Couto clássico. Uma história na fronteira entre a realidade e o sonho, entre a verdade e a mentira, que vale a pena ler.

01 março 2009

NA PRAIA DE CHESIL

"On Chesil Beach" (publicado em Portugal pela Gradiva em 2008) é o romance mais recente do consagrado escritor britânico Ian McEwan. Este é um livro típico de McEwan, onde vívidas descrições nos transportam para os ambientes e cenários narrados pelo autor. Esta é a história de um jovem casal, Edward e Florence, e as dificuldades que eles sentem na noite de núpcias, numa época quando a libertação sexual dos anos 1960 ainda não tinha acontecido.
Tal como acontece em "Expiação", um momento marcante na vida do casal irá determinar para sempre a relação entre Edward e Florence. McEwan é um mestre em nos fazer pensar sobre o peso que determinadas decisões têm nas nossas vidas e o impacto que certas palavras e certos diálogos na nossa felicidade. Este é um livro que vale a pena ler, se possível numa praia, ao som do mar (não. eu não o fiz...). Um McEwan clássico.

21 fevereiro 2009

WHITE TIGER

O vencedor do Man Booker de 2008 foi "White Tiger", o primeiro romance do autor indiano Aravind Adiga. O livro relata a história de Balram Halwai, filho de um condutor de riquexó que morre de tuberculose (tal como acontece todos os anos com milhares de indianos pobres). Balram decide fazer tudo para escapar à sina do seu pai e da sua família, que pertence a uma das castas mais baixas desse país. Por isso, torna-se num condutor de um jovem patrão recentemente retornado à Índia
após uma estada em Nova Iorque. O livro relata então a relação entre Balram e o seu patrão, e transporta o leitor para as desigualdades e as contradições da Índia moderna. Depois de ler um livro, verá com outros olhos a simples entrada num centro comercial...
O texto está bem escrito e bem planeado e apesar de não ser um daqueles livros que se torna num clássico imediatamente, este é um romance que vale a pena ler, nem que não seja para perceber e conhecer um pouco mais a Índia de hoje em dia.
O livro será publicado em Portugal pela Editorial Presença no mês de Março com o título "O Tigre Branco"

08 fevereiro 2009

OSCAR WAO

"The Brief Wondrous LIfe os Oscar Wao" de Junot Díaz foi um dos livros de ano de 2008, tendo ganho o Pulitzer Prize, entre outros prémios e reconhecimentos. O livro relata a história de um jovem americano de ascendência dominicana e da sua família. É mais um livro da tendência mais interessante da literatura anglo-saxónica, em que emigrantes ou filhos de emigrantes escrevem sobre as experiências das suas comunidades tanto no país de acolhimento como nos seus países de acolhimento, nos quais se incluem Jumpa Lahiri, Ha Jin, entre outros. Através da voz das suas personagens, Díaz relata a crueldade do regime de Trujillo que dominou a República Dominicana durante várias décadas até ser assassinado em 1961, bem como a voracidade sexual do ditador que transformou aquele país caribenho na primeira "culocracia" do mundo (nas palavras de Díaz). Só por isso o livro valeria a pena, pois a ditadura de Trujillo é apresentada aqui numa vertente muito diferente da escolhida por Mário Vargas Llosa no seu excelente livro "A festa do Chibo".
Porém, o romance vale muito mais. A escrita é muito boa, num estilo moderno e fluído, misturando frequentemente o espanhol e o inglês e, assim, representando exemplarmente o inglês falado pelas comunidades hispânicas nos Estados Unidos.
O livro será publicado em Portugal em Abril pela Porto Editora e o meu único voto é que a tradução faça justiça ao texto. Este livro é um clássico à nascença e vale mesmo a pena ler.

10 dezembro 2008

NOVO LIVRO

Gabriel Garcia Marquez, uma das lendas da literatura mundial (e um autor verdadeiramente fantástico) está a escrever um livro novo. Uma óptima notícia, principalmente porque ele já tinha anunciado que não iria escrever mais. Cá ficamos à espera.

03 dezembro 2008

SARAMAGO

O lançamento oficial do novo livro de José Saramago é hoje, 3 de Dezembro. Já comecei a ler o livro e é, sem dúvida, um dos melhores do autor nos últimos anos. Um Saramago clássico. Vale a pena ler. O convite para o evento está aqui:

15 outubro 2008

PRÉMIOS LITERÁRIOS

O primeiro Prémio Leya foi atribuído ao jornalista brasileiro Murillo António de Carvalho, autor do livro "O Rastro do Jaguar". Segundo o DN, "O seu romance, que venceu entre 448 originais, fala sobre a guerra do Paraguai no século XIX, cuja trama passa por Portugal, Brasil, Argentina e Uruguai. Um jornalista português e um índio que é levado para a Europa em criança e regressa aos 50 anos, vindo a tornar-se num líder guerreiro guarani, são alguns dos personagens. "O livro não fala só dessa guerra, fala também de como esses índios concebem o universo e como vêem a guerra contra brancos e gaúchos", conclui o autor."
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No Reino Unido, o Booker de 2008 foi ganho por Aravind Adiga, um indiano de 33 anos, autor do livro "White Tiger". O livro passa-se na Índia moderna e analisa alguns dos impactos sociais do milagre económico indiano.
Dois livros a ler.

09 outubro 2008

NOBEL DA LITERATURA

O vencedor do Nobel da Literatura deste ano foi o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, considerado pelo comité do Nobel como um "autor de novas partidas, aventuras poéticas e extase sensual". Confesso que nunca li os seus livros. Tenho agora mais uma boa razão para o fazer...

06 outubro 2008

NOBEL DA LITERATURA 2008

Na próxima quinta-feira, dia 9, a Academia Sueca vai anunciar o Prémio Nobel da Literatura 2008. Pelo que parece, ainda não será este ano que autores americanos consagrados como Phillip Roth ou Paul Auster irão vencer o prémio. Porquê? Porque o secretário permanente do comité de selecção do Prémio Nobel teve o desplante de relevar a sua opinião que a literatura americana é "demasiado insular" e "demasiado susceptível a tendências da cultura de massas". Enfim. Um disparate. Sinceramente não sei onde é que as tendências das culturas de massas estão presentes em Roth ou em Auster. O que eu sei é que os Nobel continuam a privilegiar os escritores europeus ou escritores com ligações à Europa. O que é lamentável.
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Mas, talvez não. Talvez esta conversa sem sentido seja só para despistar. Seria bom se este fosse o ano de Roth ou Auster ou Vargas Llosa ou até Margaret Atwood. Melhor ainda: Lobo Antunes? Já falta pouco para sabermos.

25 setembro 2008

FOER EM VIDEO

Uma das coqueluches da nova literatura americana, Jonathan Safran Foer, fala sobre os seus livros e sobre a escrita neste video.

26 julho 2008

O JOGO DE DeNIRO



Acabei de ler "De Niro's Game" do escritor líbano-canadiano Rawi Hage, que foi recentemente editado entre nós pela Civilização Editora com o estranho título "Como a Raiva ao Vento" (não percebo muito bem porque é que não traduziram o título inglês, mas enfim). Como o li em inglês, não sei como é que será a tradução portuguesa. No entanto, este é um livro a comprar. Um livro óptimo para as suas férias do Verão.

Este é o primeiro romance de Rawi Hage, um livro que recebeu em, Junho último o prémio literário mais generoso do mundo, o International IMPAC Dublin Literary Award, para o qual livros de todos os países podem concorrer. O livro merece o galardão. Hage descreve magnificamente a história de dois rapazes que crescem no ambiente violento da guerra civil libanesa. Beirute é uma cidade cercada e dominada pelas milícias cristãs, muçulmanas e comunistas. Bassam e George (De Niro) vivem as atribulações e as idiossincracias da guerra e são moldados pela mesma. Hage transporta-nos para a vida em Beirute durante a guerra, com todos os seus excessos, perigos e contradições. Apesar dos estilos serem muito diferentes, Rawi Hage é uma espécie de Khaled Hosseini do Líbano. Um livro fabuloso que vale a pena ler.

11 julho 2008

BEST BOOKER


Salman Rushdie ganhou o Best of Bookers com o seu "Midnight's Children" (traduzido e publicado como "Os Filhos da Meia-Noite", edições D. Quixote). O livro foi considerado o melhor dos Bookers Prizes dos últimos 40 anos. Como o Booker premeia aquele que é considerado o melhor livro de ficção de língua inglesa (com a excepção dos Estados Unidos), o feito é considerável. Este é um prémio inteiramente justo. Midnight's Children é um dos melhores livros do século 20, uma saga ímpar de crianças que nascem no mesmo segundo que acontece a independência da Índia. Um livro notável e um dos poucos que li repetidas vezes. Se ainda não o leu, aproveite a ocasião e faça-o. Vai ver que não se vai arrepender.

16 junho 2008

MANGAS A EXPLODIR


O romance de estreia do paquistanês Mohammed Hanif tem andado na ribalta dos meios literários internacionais. Um livro a ler e a traduzir. Falarei mais sobre ele nos próximos dias.

09 junho 2008

PEQUENOS GRANDES CONTOS

Apesar de ter recebido o Prémio Camões em 2003, até agora ainda não tinha tido lido a obra de Rubem Fonseca. Comecei agora e gostei muito. "Ela e Outras Mulheres" é uma colecção de vinte e sete pequenos contos, que relatam a vida de outras tantas mulheres e seus (muitos) companheiros. A escrita é simples, directa e cheia de sensualidade. Vidas "normais" misturam-se com vidas de criminosos e outras personagens, num retrato do Brasil que é indispensável para quem gosta de literatura. Gostei tanto que aproveitei a visita a Portugal para comprar mais livros de Rubem Fonseca. Comecei tarde, mas valeu mesmo a pena.