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20 maio 2008

FEIRA SIM, MAS SEM DATA

Como era esperado, o acordo para a realização da Feira do Livro de Lisboa já foi assinado pelas partes em conflito. Assim, vai haver Feira. O único senão é que a Feira era para abrir amanhã (!) e agora nem se sabe em que dia irá começar... Nada como a tradicional (des)organização nacional para alimentar o suspense sobre questões tão triviais como sejam as barracas de uma Feira do Livro. Nós devemos ser os campeões mundiais de fazer as coisas no joelho...

16 maio 2008

BOM SENSO

Ora, aí está. O bom senso parece finalmente estar a imperar entre as partes em confronto no folhetim da Feira do Livro. A ameaça e a mediação da Câmara de Lisboa parecem ter funcionado e tudo indica que vamos ter acordo ainda hoje. Veremos se, obtido o acordo, os protagonistas deste imbróglio não mudam de opinião mais uma vez e voltamos à estaca zero. Mesmo assim, é praticamente garantido que a Feira vai para a frente. Mal seria se assim não fosse. A Feira ainda é um bom negócio para as editoras, tanto a nível de vendas como de exposição. A verdade é que todos perderíamos se a Feira de Lisboa não se realizasse. Editoras incluídas.

15 maio 2008

A NOVELA DA FEIRA DO LIVRO

A novela da Feira do Livro conheceu ontem outro episódio dramático. Como a APEL (uma das associações das editoras) ainda não entregou o plano da distribuição dos pavilhões no Parque Eduardo VII, a Câmara decidiu suspender a montagem da Feira. Todos sabemos que o que está em causa é muito mais do que a Feira do Livro. No entanto, parece absolutamente inacreditável que a uma semana da sua abertura, ainda exista tanta indefinição sobre a Feira. Este é um exemplo crasso de como temos uma cultura organizativa muito deficiente e demasiado reactiva. Assuntos que já deviam ter sido abordados e resolvidos há semanas (ou meses) atrás, ainda estão na ordem do dia, ameaçando a própria realização da Feira. Inacreditável, patético e demasiado triste para poder acreditar.
Neste sentido, interessa reflectir sobre alguns aspectos que rodeiam esta polémica:
  1. A questão dos pavilhões diferenciados (que tem estado no centro da polémica) é uma falsa questão. O grupo Leya não é invulgarmente inovador neste aspecto, pois já nos anos anteriores algumas editoras tinham tentado ter pavilhões diferenciados nas feiras do livro, propostas prontamente ignoradas pelos organizadores do evento. A diferença é que, até agora, nenhum grupo editorial tinha tido força suficiente para impor a existência de pavilhões diferenciados. A constituição do grupo Leya alterou por completo esta situação. Apesar da abordagem da Leya não ter sido a mais correcta (faz lembrar os "bullies" nas escolas secundárias), há méritos inegáveis. Para bem ou para mal, depois deste ano, a Feira nunca mais será a mesma. Provavelmente, a partir do próximo ano, a Feira será mais colorida, mais atractiva, mais agradável e menos bolorenta. Esperemos que sim.
  2. Num contexto mais alargado, a polémica sobre a Feira do Livro não interessa para nada. É somente um pretexto para os grupos editoriais criados recentemente em Portugal mostrarem a sua força diante dos seus pares, dos livreiros e das associações de editores. O que está em causa é muito mais do que a Feira do Livro. O que está em causa é um apurar da relação de forças entre os diversos grupos editoriais. Ao bradir os seus músculos, o grupo Leya demonstra aos outros editores e, principalmente, aos livreiros que a sua posição dominante tem mesmo um peso real no mundo dos livros. A partir de agora, quem contrariar o grupo Leya ou não acomodar as necessidades e ambições do grupo sofrerá as devidas consequências. A Leya não está sozinha neste aspecto. É sabido que a Bertrand tem tido uma política de compra de livros nas suas livrarias muito mais selectiva do que há alguns anos e, de certa forma, mais penalizadora das pequenas editoras. Ora, isto não acontece por acaso. O mercado livreiro português está em ebulição com todas estas mudanças e um equilíbrio ainda não foi alcançado.
  3. Contrariamente ao que é apregoado por muitos, a concentração não tem que ser má. Muito pelo contrário. Como já foi referido aqui, uma maior concentração poderá, em teoria, aumentar a razionalização do mercado livreiro nacional. Ora, apesar de movimentar muitos milhões de euros por ano e de existirem centenas de editoras em Portugal, o mercado dos livros ainda está muito pouco desenvolvido entre nós. Não existem dados fiáveis sobre as vendas de livros, não há agentes literários a funcionar entre nós, e as coisas ainda se fazem como há 30 ou 40 anos atrás, quando ainda não havia computadores para gerir stocks e auxiliar a distribuição dos livros. A concentração editorial poderá melhorar este estado de coisas, ao contribuir para um aumento da concorrência editorial, bem como da qualidade dos produtos vendidos. Claro que a concentração editorial acarreta riscos, mas não tem que ser tudo mau.

Em suma, o que esta polémica indicia é o quão feudal ainda é o mercado dos livros em Portugal. Ainda assim, esperemos que o bom senso prevaleça no final e que as lições aprendidas contribuam para melhorar o mercado livreiro português.

04 fevereiro 2008

JOSÉ CARDOSO PIRES

Um inédito de José Cardoso Pires, o "Lavagante", vai ser publicado em Fevereiro pelo antigo editor do escritor, Nélson de Matos. O livro marca o arranque editorial de uma nova editora, Edições Nelson de Matos, que promete inovar no mercado editorial nacional. Estas são duas boas notícias. Por um lado, esta é uma óptima oportunidade para dar a conhecer às novas gerações um dos monstros sagrados da nossa literatura do século 20. A escrita de Cardoso Pires era única e inconfundível, e livros como Alexandra Alpha são verdadeiras obras-primas no contexto da literatura portuguesa contemporânea. Por outro lado, a emergência da Nelson de Matos demonstra que, apesar da recente concentração editorial, ainda há espaço para as editoras mais pequenas conseguirem ser competitivas no mercado português. Para tal, o que é preciso é inovar, ser-se audaz. Tal como prometem fazer as Edições Nélson de Matos.

25 janeiro 2008

MERCADO LIVREIRO

O DN de hoje tem um artigo muito interessante sobre o mercado livreiro, reiterando algumas das ideias já aqui debatidas. Em suma, o mercado livreiro continua trabalhar na idade da pedra, como se ainda não houvessem computadores nem internet. Lamentável.

08 janeiro 2008

LEYA(MOS) MAIS E MELHOR


Aquele que é agora o maior grupo editorial português, LEYA, anunciou os seus planos para o corrente ano, bem como a criação do maior prémio literário português. Sinceramente, e como já referi aqui, penso que uma maior concentração editorial pode ser benéfica para o subdesenvolvido mercado livreiro nacional. Esperemos que sim.
Quanto ao prémio literário, claro que é uma boa notícia. Para os escritores, quanto mais melhor. Agora só falta um Booker Prize português...

03 janeiro 2008

MERCADO DOS LIVROS (2)_ A GRANDE DESCOORDENAÇÃO


O Francisco José Viegas discute aqui a utilidade e a veracidade dos tops livreiros nacionais. Igualmente, vale a pena relembrar o lastimoso estado de descoordenação que existe entre os livreiros, as distribuidoras e as editoras, pelo menos no que diz respeito aos números das vendas de livros.
Se um(a) editor(a) ou um(a) autor(a) quiser saber se um livro está a vender bem, simplesmente isso não é possível, pelo menos na grande maioria dos casos (com a excepção dos grandes best-sellers). Nem é só conhecer os números das vendas semanais, como acontece noutros países por publicações como o Bookseller, o New York Times, entre outros. Eu já nem pedia tanto. No entanto, em Portugal nem sequer as vendas mensais e, por vezes, trimestrais, estão disponíveis. Vivemos num estado de pura ignorância em relação às vendas da grandessíssima maioria dos livros à venda em Portugal.
Com efeito, se um livro vende bem mas não chega aos tops, é extremamente difícil saber se e quando novas edições se justificam. Simplesmente, espera-se até haver poucos exemplares (umas poucas centenas) nos stocks da distribuidora para se decidir fazer (ou não) uma nova edição. Ora, como preparar uma nova edição demora cerca de 10 a 15 dias (até o livro estar disponível nas livrarias), surgem inúmeras situações em que se registam graves atrasos na colocação das novas edições nas livrarias. Como certamente já aconteceu a muitos de nós, muitas vezes vamos à procura de um livro que supostamente está a vender bem e não o conseguimos comprar. Uma edição esgotou-se e a nova ainda não está disponível. E esperamos, esperamos até ele finalmente chegar, ou, então, perdemos simplesmente o interesse.
Como é óbvio, a falta de coordenação e comunicação entre livrarias, editoras e distribuidoras, limitam seriamente a capacidade de resposta na venda de livros. Quem perde? Os autores, as editoras, as distribuidoras e os próprios livreiros. Ou seja, todos. A falta de coordenação entre todos resulta numa situação em que ninguém ganha e todos perdem.
O sector livreiro português continua a proceder como se não existissem computadores para gerir stocks, como se não fosse do interesse de todos haver uma maior coordenação por parte de todos os actores interessados (editoras, distribuidoras e livrarias). Será que já não era hora de mudarmos este lastimável estado de coisas?

02 janeiro 2008

CONCENTRAÇÃO EDITORIAL


Este será o ano em que veremos os resultados da concentração editorial em Portugal. Recorde-se que recentemente Paes do Amaral comprou algumas das maiores editoras nacionais, incluindo a Dom Quixote, a Asa, a Texto Editora e a Caminho. A Gradiva foi comprada pelo grupo da Oficina do Livro/Explorer. Provavelmente, a tendência de concentração irá continuar, com outras editoras a seguirem o exemplo.
A concertação editorial não é, por si só, nefasta ou prejudicial. Actualmente, existem centenas de editoras em Portugal. Nos últimos anos, surgiram dezenas de novas editoras, muitas das quais extremamente inovadoras e dinâmicas (entre as quais se conta a minha editora, a Guerra e Paz). No entanto, é claro que a tendência de repartição do mercado não podia continuar. As fusões e concentrações (bem como as falências) eram inevitáveis. A única coisa que foi surpreendente foi um grupo comprar as principais editoras do país.
Dito isto, e tendo em conta o novo panorama editorial muito mais concentrado, interessa perguntar: Irão os novos colossos editoriais ter uma palavra a dizer nas margens de lucro dos distribuidores? Haverá menos espaço para as escritas menos ortodoxas? Serão os consumidores (os leitores) a pagar o preço pela maior concentração editorial? Irão os grandes grupos editoriais apostar ainda mais em best-sellers com qualidade duvidosa ou será que haverá lugar para os novos autores? Em Portugal, por não haver agentes literários, é extremamente difícil e moroso publicar o primeiro livro. Irá esta situação piorar ou melhorar com os novos grandes grupos editoriais?
Estas são perguntas para as quais começaremos a ter respostas ao longo dos próximos meses. Pessoalmente, não estou muito preocupado com a concentração editorial. Por um lado, se resultar (um grande "se"...), pode ser verdade que haja uma maior aposta e divulgação da literatura portuguesa no mundo lusófono (o que seria ideal), bem como noutros países. Por outro lado, mesmo que os nossos piores receios (em relação aos novos autores, etc.) se confirmem, teremos sempre as editoras pequenas para inovar e para apostar em novos autores. Afinal, Bill Gates, que é Bill Gates, sempre confessou que o seu pior pesadelo (sobre o futuro da Microsoft) era aparecer algum (jovem) espertalhão, capaz de inovar de forma decisiva radical, capaz de retirar a liderança da inovação à própria Microsoft. Quem nos garante que o mesmo não se passe com os colossos editoriais agora criados?

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