Segundo o governo moçambicano, existem demasiados polícias gordos no país, pois bebem "muito álcool" e fumam. Segundo um conselheiro do ministro do interior, “Alguns deles são tão gordos que está a afectar a sua saúde e a habilidade que têm para correr". Resultado: o governo vai introduzir um programa de educação física para os agentes policiais do país. Dentro em breve, os polícias de Moçambique poderão novamente correr atrás dos criminosos (que, obviamente, não devem beber nem fumar...).
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20 maio 2008
29 abril 2008
BRUTALIDADE POLICIAL
Tenho aqui enaltecido frequentemente a extraordinária recuperação económica de Moçambique. Este país tem levado a cabo um autêntico milagre que vale a pena salientar. Dito isto, é claro que nem tudo são rosas em Moçambique. Muito longe disso. Assim, hoje surgiu um relatório da Amnistia Internacional que condena a violência e a brutalidade da polícia moçambicana. Segundo este relatório, a polícia deste país tem respondido de forma muito violenta à subida da criminalidade que tem ocorrido nos últimos meses. A Amnistia Internacional recomenda uma reforma do sistema judicial e dos códigos da polícia para combater o clima de impunidade que caracteriza a violência policial.
29 março 2008
O MILAGRE MOÇAMBICANO _ DN
O meu artigo do Diário de Notícias da última semana:
"Em 1992, quando os acordos de paz foram assinados, poucos acreditavam no futuro de Moçambique. Após 500 anos de colonização e de três décadas de conflitos sangrentos e devastadores, Moçambique parecia um caso perdido, um caso clássico de um país preso nas chamadas armadilhas de conflito e da pobreza.
Quinze anos mais tarde, e contra todas as probabilidades, Moçambique é o exemplo mais nítido de uma África renascida. Um verdadeiro milagre económico. Nos últimos 15 anos, a economia moçambicana cresceu a uma média de 8 por cento ao ano, a pobreza decresceu, os investidores estrangeiros afluíram com entusiasmo ao país, e a indústria cresceu a mais de 20 por cento ao ano.
Quinze anos mais tarde, e contra todas as probabilidades, Moçambique é o exemplo mais nítido de uma África renascida. Um verdadeiro milagre económico. Nos últimos 15 anos, a economia moçambicana cresceu a uma média de 8 por cento ao ano, a pobreza decresceu, os investidores estrangeiros afluíram com entusiasmo ao país, e a indústria cresceu a mais de 20 por cento ao ano.
Sustentado pelo programa de privatizações mais bem-sucedido de toda a África, pela liberalização da economia, pelas exportações industriais, e pelo dinamismo económico dos moçambicanos, Moçambique tornou-se num dos maiores casos de sucesso da economia mundial.
É verdade que ainda há muito para fazer. Afinal, apesar do crescimento sem precedentes, Moçambique ainda é um país extremamente pobre. Os recentes tumultos relacionados com a subida dos preços dos transportes semi-públicos mostram que permanecem desequilíbrios que têm que ser corrigidos. Ainda há riscos e incertezas, as desigualdades sociais e regionais têm que ser atenuadas, a dependência da ajuda externa tem que diminuir e os níveis de pobreza têm que ser reduzidos.
No entanto, o mais difícil está feito. As forças do desenvolvimento económico foram desencarceradas, a jovem democracia mostra sinais de vitalidade e o futuro de Moçambique é verdadeiramente promissor. Como nunca foi.
Como antiga potência colonizadora e como amigo de Moçambique, Portugal pode ajudar a manter este milagre económico. Como? Não só continuando a investir no país, mas também perdoando a dívida moçambicana. Outros países já o fizeram. Chegou a nossa vez de fazer o mesmo. Chegou a nossa vez de acreditar também em Moçambique."
26 março 2008
O MILAGRE MOÇAMBICANO
PIB em Moçambique 1991-2006

Extractos de um artigo meu (em inglês) sobre o milagre económico moçambicano:
"In Mozambique, peacebuilding went in tandem with economic reform. The timid policies of the 1980s gave way to sweeping structural reforms, macroeconomic stability and the promotion of foreign direct investment in the 1990s. In part, it could be argued that the reform program was implemented because there was no other credible alternative... The protracted war, the sluggish economy and the onset of a severe drought in 1991/92 left the country on the verge of a critical humanitarian crisis. In 1992, Mozambique was host to “26 UN agencies, 6 multilateral non-UN agencies, 44 bilateral donors, official agencies from 35 countries, and 143 external NGOs from 23 countries”.
The economic recovery of Mozambique is nothing short of amazing, especially when we remember that, for decades, this was a country caught in conflict and poverty traps. After 1992, the growth of Mozambican GDP averaged rates above 8 per cent, and, between 1991 and 2004, GDP per capita (in purchasing power parity) grew at an annual rate of 7.8 percent, implying an increase in income per capita from US$615 to US$1,641, even though, in 2000, the country registered its worst floods on record. According to the latest Africa Economic Indicators, between 2000 and 2005, Mozambique had the second highest rate of per capita growth in the non-oil African countries, with an average growth of 5.3 percent per year, just slightly below than Botswana (with 5.6 percent growth). Mozambique also had the second highest rate of growth of agriculture value added in Africa during the same period. Industrial value added has been growing at rates higher than 10 per cent per year since the early 1990s. Value added in the services sector has been growing at rates averaging almost 8 percent per annum since 2000.
Although all sectors of the economy registered high growth rates, the industrial sector has had particularly an outstanding performance with rates of growth averaging more than 20 per cent per year. This industrial growth was mostly due to the great dynamism of the aluminum sector, as well as construction. Agriculture and services have also reached annual average rates above 6 per cent, thanks to the growth of Mozambique’s traditional crash crops as well as other crops."
A continuar...
24 março 2008
MOÇAMBIQUE RESSUSCITADO
Se há uma razão que me levou a estudar Economia foi a questão do desenvolvimento económico. E para um(a) economista há poucas coisas mais interessantes e recompensadoras que um milagre económico. Nós não precisamos de olhar muito longe para vermos um. Não temos que olhar para a China. Não temos que nos virar para Ásia, para a América ou para a Europa. Na economia mundial, um dos milagres económicos mais impressionantes da última década tem-se passado num país que diz muito para muitos(as) portugueses(as): Moçambique. De caso perdido nos anos 80 a milagre económico, a viagem de Moçambique é verdadeiramente fascinante. Uma autêntica lição para muitos países subdesenvolvidos.
Moçambique é hoje em dia um exemplo a seguir pelos países subdesenvolvidos, um exemplo constantemente citado pelas principais organizações internacionais, desde a ONU ao FMI ao Banco Mundial. É claro que Moçambique é ainda um país extremamente pobre, um país ainda bastante desigual, um país com enormes carências sociais e económicas. Ainda assim, Moçambique é hoje um país que pode e deve sonhar. Um país com futuro. Um país independente, sem guerras e com crescente prosperidade. Um país que deve ser admirado. E estudado.
Há uns meses atrás eu sabia pouco sobre Moçambique. Pouco mais do que as ideias correntes que vigoram entre nós. Pouco mais do que as imagens que vemos nos telejornais e que lemos nos jornais. Foi então que surgiu a oportunidade de efectuar um estudo comparativo das economias angolana e moçambicana. Desse estudo nasceu um outro estudo mais aprofundado da economia moçambicana através de um trabalho para as Nações Unidas. Desde então, não tenho deixado de ficar verdadeiramente impressionado com o progresso de Moçambique, que é um dos casos de sucesso da África actual. É por isso que, a propósito da visita de Cavaco Silva, irei nos próximos dias colocar alguns posts sobre a economia moçambicana e o enorme progresso que o país tem feito desde que a paz foi alcançada em 1992. Entretanto, para aumentar o apetite, fica aqui a trajectória do produto interno bruto por moçambicano desde 1950:

Fonte: Calculado com dados de Maddison (2001, 2007)
21 março 2008
ENERGIA DE MOÇAMBIQUE
Nas vésperas da visita de Cavaco Silva a Moçambique, o DN traz hoje um artigo sobre o potencial energético desse país, referindo ainda as oportunidades de investimento nesse país.
12 março 2008
REMODELAÇÃO EM MOÇAMBIQUE
O governo moçambicano foi remodelado pelo presidente da República, Armando Emílio Guebuza. Saíram quatro ministros, dos quais se destaca António Munguambe, ministro dos Transportes e Comunicações. Mnguambe tinha sido considerado responsável pela aprovação do aumento dos preços dos transportam que despoletaram os tumultos em Maputo e outras regiões do país em Fevereiro último.
21 fevereiro 2008
CHEIAS EM MOÇAMBIQUE
A OIKOS tem hoje um anúncio no PUBLICO solicitando contribuições para ajudar as vítimas das cheias de Moçambique.07 fevereiro 2008
DISTÚRBIOS EM MAPUTO (2)
O Portugal Diário tem este conjunto de imagens sobre os tumultos que abalaram Maputo nos últimos dias.06 fevereiro 2008
TUMULTOS EM MAPUTO
Uma das notícias mais alarmantes dos últimos dias relaciona-se com os tumultos de ontem em Maputo, onde uma multidão enraivecida protestoy contra o aumento acentuado no preço dos transportes semicolectivos de passageiros, os chamados "chapas". As notícias são preocupantes porque, desde que a guerra civil terminou em 1992, Moçambique tem sido um exemplo na África subsaariana. Poucos países no mundo se podem gabar do progresso atingido pelos Moçambicanos nos últimos 15 anos. Devido aos distúrbios, o governo voltou atrás na decisão de fazer subir as tarifas dos "chapas". Ainda assim, uma tensa calma parece reinar hoje sobre Maputo. Mesmo assim, esperemos que as coisas acalmem nos próximos dias. Depois de todo o progresso, depois dos sacrífícios dos últimos anos, seria uma tragédia se a instabilidade social regressasse ao país. Na cobertura dos tumultos, o destaque tem que ser dado a Carlos Serra e à sua Oficina de Sociologia, onde as notícias dos distúrbios foram actualizadas variadíssimas vezes ao longo do dia. Um trabalho admirável.11 janeiro 2008
MOÇAMBIQUE INUNDADO
Quem não se lembra das trágicas imagens das inundações em Moçambique em 2000 e 2001, quando vimos crianças, mães, mulheres, pais, e até mesmo animais, a serem resgatados de árvores, de telhados, de pequenas ilhotas?
As inundações de então tinham sido as maiores desde que os registos começaram. Pois bem. Este ano, as chuvas ameaçam tornar a situação no vale do Zambeze igualmente grave. Se as chuvas torrenciais persistirem, centenas de milhares de pessoas poderão ser afectadas. A cidade de Tete já está a sofrer as consequências das inundações, e já se fala na falta de alimentos e provisões na região. Se existe solidariedade internacional, se existem os chamados "povos irmãos", é precisamente para estas alturas. Para ajudar quando é preciso.
As inundações de então tinham sido as maiores desde que os registos começaram. Pois bem. Este ano, as chuvas ameaçam tornar a situação no vale do Zambeze igualmente grave. Se as chuvas torrenciais persistirem, centenas de milhares de pessoas poderão ser afectadas. A cidade de Tete já está a sofrer as consequências das inundações, e já se fala na falta de alimentos e provisões na região. Se existe solidariedade internacional, se existem os chamados "povos irmãos", é precisamente para estas alturas. Para ajudar quando é preciso.
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