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11 março 2011

PREÇOS DO PETRÓLEO

Um gráfico interessante sobre a evolução dos preços do petróleo desde 1861.

Preço do petróleo (2009 = 100)
Retirado daqui.

22 fevereiro 2011

PREÇOS ALIMENTARES

O Público analisou algumas das consequências do recente aumento dos preços dos alimentos e das matérias-primas nos orçamentos das famílias portuguesas, num artigo que contém umas pequenas declarações minhas.

25 julho 2008

CAROS CARROS

Depois da General Motors, chegou a vez da Ford de apresentar prejuízos astronómicos. Nada mais nada menos que 8,7 biliões de dólares (ou 8,7 mil milhões, se preferirem) no último trimestre. Tudo porque a Ford, como a GM, insistiu durante anos afio em apostar em carros de grande dimensão para os mercados norte-americanos, verdadeiros carros "à americana". A subida do preço do petróleo torna estes carros (e camiões) demasiado caros para uma grande parte da população americana e, por isso, tanto a GM como a Ford têm visto as suas quotas de mercado baixarem vertiginosamente e os prejuízos a amontoarem-se.
Para sobreviverem, as duas companhias prometem agora apostar em carros mais pequenos e mais eficientes. Em carros de "dimensão europeia", segundo dizem. E ainda bem digo eu.

01 julho 2008

A GRANDE QUEDA DA BOLSA

Mais um dia muito negro para a bolsa portuguesa. Já sabíamos que este ano já acumulava quedas de 30 por cento. Hoje a Bolsa ficou ainda em pior estado com perdas quase de 5 por cento. É um péssimo sinal, pois reflete bem aquilo que os investidores prevêem para o futuro, que se prevê bastante negro. Nesta queda bolsista, os investidores estão a dizer-nos que os próximos tempos vão ser muito difíceis. No fundo, o que se teme é uma repetição dos anos 70, quando um choque petrolífero abalou as estruturas da economia mundial.
De facto, a crise petrolífera e a consequente subida dos preços alimentares não auguram nada de bom. Aliás, o choque petrolífero é a maior ameaça para a nossa economia neste momento. E se no final do ano passado existiam já sinais que era possível ser mais optimista para o futuro da economia portuguesa, o choque petrolífero deita os optimismos por terra (como o António menciona neste comentário). Pelo menos a curto prazo.
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De todos os choques económicos possíveis, os choques petrolíferos são os piores. É o chamado choque de oferta negativo, que dá azo tanto a inflação mais elevada como a um aumento do dsemprego. E se hoje estamos bem mais preparados do que nos anos 70 para o combater, a verdade é que a recessão tem-se tornado mais realidade a cada dia que passa.
Como a economia portuguesa já estava bastante debilitada da estagnação dos últimos anos, para nós o impacto do choque petrolífero ameaça ser bastante sério. É este receio que tem feito os investidores abandonarem a bolsa portuguesa nos últimos tempos.

24 junho 2008

21 junho 2008

TAXA ROBIN DOS BOSQUES

A chamada taxa Robin dos Bosques que (pelo que parece) será brevemente introduzida pelo governo português e, quiçá, por outros países europeus não terá os efeitos desejados. A ideia é taxar os lucros elevados das petrolíferas (só este ano as receitas do petróleo dos países do Golfo crescerão 75%) para depois distribuir o dinheiro para as camadas mais pobres da população. É uma ideia nobre e bonita. Taxa-se os ricos para das aos pobres. Infelizmente, a ser introduzida, tal taxa não terá o efeito desejado. É verdade que o Estado arrecadará mais receitas, que serão eventualmente reconduzidas para os mais pobres (mas não obrigatoriamente, pelo menos na sua totalidade). No entanto, como sempre se passa, quem pagará o aumento dos impostos das petrolíferas não serão essas empresas mas... nós todos. Sempre que há um aumento dos impostos dos produtos petrolíferos, as empresas do sector fazem o óbvio: transferem os encargos fiscais para os consumidores através de preços mais elevados. Uma taxa Robin dos Bosques não será diferente. Apesar do nosso idealismo, a verdade é que quem pagará a factura de tal medida seremos todos nós. Podemos ficar contentes em pensar que estamos a dar uma lição aos malvados das petrolíferas, mas não estaremos. Infelizmente, só nos estaremos a iludir (bem como a encher ainda mais os cofres do Estado...).
E, claro, convén não esquecer que não há impostos temporários. Impostos temporários quase sempre se tornam permanentes. Ou seja, mesmo que os preços do petróleo baixem um dia, a taxa Robin dos Bosques não desaparecerá.

20 junho 2008

AINDA O BOICOTE DOS COMBUSTÍVEIS

A Sábado desta semana idealizou um cenário onde o boicote dos combustíveis seria prolongado por umas semanas. Aqui estão alguns cenários possíveis e prováveis:
Um cenário de boicote prolongado dos combustíveis seria uma espécie de bomba de neutrões económico. Ou seja, após a bomba (i.e. o fim dos combustíveis) as infra-estruturas manter-se-iam nos seus lugares, mas tudo o resto seria afectado. Para bem ou para mal, o petróleo é como o sangue nas veias da economia mundial (e nacional, como é óbvio). Se falta o petróleo (ou os combustíveis), não existe energia suficiente para que as actividades económicas se façam normalmente. Um tal cenário não destruiria por completo as actividades económicas. Afinal, até há poucas décadas atrás, o petróleo não desempenhava nenhum papel significativo na economia mundial. No entanto, uma escassez absoluta dos combustíveis iria causar dificuldades tremendas para muitos sectores.
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Um dos problemas que se colocariam seria com a produção e distribuição de alimentos. Como mencionei, há umas décadas atrás o petróleo não era tão importante como hoje. Porém, na altura, uma grande parte das populações ainda vivia ligada à terra. O mesmo não é verdade hoje em dia. Nos países ocidentais, somente entre 3 e 10 por cento das populações nacionais trabalham directa ou indirectamente da agricultura. Por isso, num cenário de escassez absoluta de combustíveis, as pessoas certamente iriam tentar armazenar a maior quantidade possível de alimentos. É provável até que houvesse um certo pânico das populações que tentariam guardar o mais possível alimentos não perecíveis. Prontamente surgiria um mercado negro (ou não oficial) de todo o tipo de produtos (alimentares incluídos), a especulação aumentaria, e os preços cresceriam de uma forma significativa. Um outro mercado negro surgiria certamente para os próprios combustíveis, que seriam mais valiosos que o ouro.
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Os sectores mais afectados inicialmente seriam os ligados aos transportes e à distribuição de produtos. Táxis e transportes privados seriam os primeiros a sentir o efeito, e só mais tarde os transportes públicos (porque, certamente, seria dada prioridade a este tipo de transportes). Aos poucos e poucos até estes transportes seriam afectados. Os menos afectados seriam as actividades do sector dos serviços, tais como o sector financeiro e as empresas ligadas às novas tecnologias de informação (principalmente àquelas que dependem da internet).
Passadas umas semanas, e se os combustíveis ficassem realmente escassos, toda uma série de serviços públicos (p. ex. A recolha do lixo, etc) iriam ser afectados consideravelmente. Para evitar situações de ruptura da ordem pública e para manter a saúde pública, a prioridade total seria dada ao abastecimento dos serviços do Estado. Para tal, seria declarado o estado de emergência, no qual seriam mantidas reservas nacionais de combustíveis para sectores como a defesa e a segurança interna, bem como para o sector da saúde.
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Numa situação de desespero, alguns poderiam ser tentados a reintroduzir alguns animais de carga e de transporte, como os burros (se ainda existirem...) e outros. Muitos poderiam ser tentados a procurar alternativas ao petróleo, mas estas tentativas seriam quase todas em vão. É certo que existem algumas energias alternativas. Contudo, mesmo que houvesse um maior investimento nessas áreas, a verdade é que levaria demasiado tempo para que quaisquer alternativas surtissem efeito a curto ou médio prazo.
O tempo de resistência dependeria muito do sector em causa. Os mais rapidamente afectados seriam os dos produtos perecíveis e o sector dos transportes. Os sectores que não dependem directamente do sector dos transportes seriam menos afectados.
Os hábitos dos consumidores e dos privados seriam muito afectados. O chamado “tele-commuting” (trabalhar de casa) aumentaria exponencialmente. Muitos iriam para os seus empregos a pé ou de bicicleta. Muitas escolas fechariam, etc., etc. Somente serviços essenciais seriam mantidos.
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O impacto macroeconómico seria tremendo. A Inflação dispararia. A Economia entraria em recessão. O desemprego e o sub-emprego cresceriam dramaticamente. A escala das actividades económicas seria substancialmente reduzida
O comércio internacional seria gravemente afectado. A maior parte das nossas exportações iria acabar. Se o mundo não fosse afectado, as nossas maiores importações seriam alimentos e combustíveis. Se o mundo fosse afectado, então o comércio internacional seria reduzido quase para zero.

17 junho 2008

JUROS A SUBIR

Ontem ficámos a saber que a taxa de inflação na zona euro foi de 3.7 or cento em Maio, o valor mais alto desde a criação da moeda única europeia. O que é que isto significa? Que os juros vão subir muito brevemente. Não seria de espantar se na sua próxima reunião, o Banco Central Europeu subisse as taxas de juros de uma forma agressiva, provavelmente na ordem dos 0,5 pontos percentuais.
Consequências? Para além do maior aperto de cinto para as famílias (muitas das quais já extremamente endividadas), é certo que o euro continua a apreciar-se em relação ao dólar americano, pois aumentará o diferencial entre as taxas de juro europeias e americanas. Quem sofrerá? Os exportadores, que irão ver os seus custos aumentar ainda mais.
Más notícias para a Europa e, em especial, para a economia portuguesa. A crise internacional começa a ter cada vez mais um impacto muito significativo na economia nacional.

10 junho 2008

CARO INSECTO

Luis Liwanag

Um dos culpados da alta dos preços alimentares é este insecto, um gafanhoto que se tem espalhado pelas plantações de arroz na China e tem causado grandes perdas nas colheitas desse produto. Um insecto caro, sem dúvida nenhuma.

MAIS INFLAÇÃO

E ainda mais indícios que a inflação está de volta. Por isso, os bancos centrais na Europa e na América já deram sinais que iriam aumentar as taxas de juros. Os mercados financeiros já começaram a reagir, registando quebras significativas. A OCDE também já desceu as suas previsões de crescimento económico para 2008 e 2009. Em suma, todos cada vez mais preocupados com o regresso da estagflação. Todos? Nem todos. A OPEP continua impávida e serena a ver isto tudo. É que há muita, muita gente a beneficiar com a alta dos preços do petróleo. E não devem alterar esta posição tão facilmente. Pelo menos até a economia mundial dar sinais de estar a entrar para uma verdadeira recessão (o que, diga-se, ainda não é o caso).

09 junho 2008

REGRESSO DA INFLAÇÃO

Mais indícios que a inflação está a começar a subir de forma significativa. Já não são só os preços do petróleo e dos produtos alimentares que crescem. O problema é quando a subida destes preços se começa a reflectir noutros sectores da economia. O mecanismo é simples e conhecido: a subida dos preços petrolíferos aumenta os custos das empresas, o que faz com que estas tenham que subir os preços dos seus produtos. Foi isso que aconteceu nos anos 70 e é isso que está a começar a acontecer agora. Vários países já sentem o efeito da subida dos preços. No Reino Unido, os preços "à saída da fábrica" já cresceram 6 por cento no último ano. Neste país, a inflação está a 3 por cento, mas já se espera que suba para os 4 por cento dentro em breve. A economia está perto da recessão e há muitos que começam a falar em estagflação.
O que é que isto quer dizer para o cidadão comum? Menos emprego (pois as empresas vêem as suas encomendas descer e são forçadas a despedir parte dos seus trabalhodores), preços mais altos e uma subida das taxas de juros. Os tempos que aí vêem não se adivinham nada fáceis.

31 maio 2008

NOVO CHOQUE PETROLÍFERO (2)

A manutenção de elevados preços do petróleo trará toda uma série de consequências para a economia mundial, tanto a curto como a longo prazo. A curto prazo, as consequências da manutenção de preços do crude são previsíveis: menos crescimento e mais inflação. De facto, aumentos substanciais dos preços petrolíferos geralmente reflectem-se nos preços de grande parte dos bens e serviços, gerando não só inflação mas também um agravamento dos custos das empresas. Este aumento dos custos diminui os lucros das empresas, o que leva a uma diminuição das suas actividades económicas. Consequentemente, a nível agregado, o produto nacional diminui e o desemprego aumenta. Assim, um aumento significativo e duradouro dos preços petrolíferos significa que a economia mundial irá crescer menos. Aliás, isso já está a acontecer, como todos sabemos.
Por outro lado, o aumento das pressões inflacionárias conduzirá inevitavelmente a taxas de juros mais altas, o que poderá afectar ainda mais a actual (débil) recuperação económica. Neste sentido, a retoma económica num cenário de preços petrolíferos elevados depende em grande parte da maneira como os bancos centrais reagirem à subida dos preços do crude. Como é sabido, as autoridades monetárias poderão diminuir o impacto no respectivo PIB nacional se estiverem dispostas a suportar maiores taxas de inflação a curto prazo. Porém, se as autoridades monetárias não o fizerem, então o abrandamento económico será mais acentuado. Obviamente, este cenário é preocupante principalmente se no futuro existirem desenvolvimentos políticos (como novos ataques terroristas, um agravamento da situação no Médio Oriente, etc.) que conduzam a novos aumentos substanciais do preço do crude.

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Contudo, se a curto prazo a subida dos preços petrolíferos é, sem dúvida, uma má notícia, a longo prazo a manutenção de um elevado preço do crude poderá, paradoxalmente, ter efeitos benéficos para a economia mundial. Nomeadamente, se o preço do crude se mantiver em níveis elevados durante um período de tempo considerável, então certamente emergirá um novo ímpeto para a substituição do petróleo por outras fontes de energia, as quais serão provavelmente renováveis e menos poluentes. Isto é uma boa notícia para o combate ao efeito de estufa, visto que, como a procura dos produtos petrolíferos é demasiado inelástica, somente impostos proibitivos poderão fazer com que haja uma diminuição acentuada da procura. Um aumento significativo dos preços do crude poderá assim aumentar as despesas de I&D em energias alternativas, o que poderá contribuir para uma mais rápida substituição dos produtos petrolíferos como a nossa principal fonte energética.

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Porém, não só o ambiente global beneficiaria com uma substituição do petróleo por outras fontes de energia. De facto, um dos principais benefícios da substituição do crude relaciona-se com a independência energética dos países não produtores de petróleo. Nomeadamente, o mundo ficaria muito menos dependente da volatilidade do Médio Oriente se o petróleo fosse substituído por outras fontes de energia. Isto seria bom para o mundo, mas também para o Médio Oriente, visto que nessa parte do mundo, o petróleo é mais fonte de conflito e de corrupção do que de riqueza. Em suma, a subida dos preços do petróleo não é necessariamente uma má notícia. Embora a curto prazo a subida dos preços dos produtos petrolíferos seja prejudicial à economia mundial, a longo prazo este aumento dos preços do crude poderá, paradoxalmente, contribuir para o estabelecimento de economias mais saudáveis e sustentáveis.

O NOVO CHOQUE PETROLÍFERO (1)

No primeiro choque petrolífero de 1973 (causado pelo embargo dos países árabes em retaliação à Guerra do Yum Kippor) originou uma subida vertiginosa dos preços do petróleo, que triplicaram em apenas alguns meses. Igualmente, entre os anos de 1979 e 1980, os preços petrolíferos aumentaram quatro vezes, principalmente devido ao efeito negativo da revolução Iraniana e da guerra Irão-Iraque. Ora, se analisarmos os dados históricos, damos conta que a magnitude da actual subida dos preços do crude tem sido bastante mais moderada face a 1973 e 1980. Entre 2001 e 2004, os preços do petróleo subiram cerca de 140%. Desde então, os preços já duplicaram. Em comparação, durante a crise petrolífera de 1973, os preços do crude aumentaram cerca de 275% em apenas seis meses. Durante a crise de 1980, a subida dos preços foi ainda mais acentuada. Ou seja, a grande diferença entre o choque actual e os choques petrolíferos de 1973 e 1980 é que os preços do crude subiram então muito mais depressa do que actualmente.
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Ainda assim, é claro que o impacto da subida acentuada dos produtos petrolíferos é bastante apreciável. Alguns estudos estimam que cada aumento do preço do petróleo em $10/barril é associado com uma descida do PIB mundial em cerca de 0.5% ao ano. Quais são então as causas do substancial aumento dos preços do petróleo?
Por um lado, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a procura mundial do petróleo é a mais elevada dos últimos 25 anos, principalmente devido ao grande aumento da procura por parte da China, à retoma (ainda tímida) da economia mundial, e ao aumento da procura de muitos países subdesenvolvidos (como a Índia). De facto, segundo um estudo do HSBC Bank, o aumento da procura explica cerca de 80% dos preços petrolíferos actuais. Porém, outros estudos não concordam com esta análise. Nomeadamente, a AIE estima que a procura tem sido largamente satisfeita pela oferta. Neste sentido, o aumento dos preços petrolíferos seria justificada principalmente por dois factores: a incerteza sobre a oferta de petróleo futura e a especulação.
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A incerteza sobre a oferta petrolífera deve-se a uma série de conflitos internacionais, tais como o conflito no Médio Oriente. Neste contexto, alguns analistas estimam que o prémio de risco é responsável por cerca de 25 por cento do preço do crude actual. Esse prémio de risco é ainda mais elevado devido à grande especulação que hoje se vive no mercado do crude. Por seu turno, esta especulação está relacionada com a grande incerteza que rodeia grande parte das principais regiões exportadoras. Devido a todos estes motivos, tem havido uma grande especulação nos mercados mundiais, o que tem originado um aumento substancial do preço do crude.
Assim, é provável que os preços do crude se mantenham substancialmente elevados durante os próximos tempos, o que trará toda uma série de consequências para as economias mundiais. Este cenário será analisado na segunda parte deste artigo.

28 maio 2008

CITAÇÃO _ preços alimentares

Um artigo interessante do Guardian sobre a subida dos preços alimentares. Aqui está um excerto: "Of course, the food crisis is not all the fault of some dunderheads in Washington; bad governments in countries such as Burma - once one of Asia's biggest rice exporters - and those surging energy prices are also to blame. And in the short term only a moratorium on biofuel use might help lower prices. But to prevent this drama being revived regularly the west will need to reverse its previous policy and encourage poor countries (especially in Africa) to help their farmers get seeds, fertilisers, more credit and better roads. This is starting to happen, but more in rhetoric than deed."

24 maio 2008

CARROS GRANDES

A subida dos preços dos combustíveis tem tido um impacto substancial um pouco por todo o mundo. Na América do Norte, a subida dos preços petrolíferos tem levado muitos (muitos mesmo) consumidores a deixarem os seus queridos jeeps e camiões. Vêem-se muitos sinais de particulares que querem vender os seus carros de um tamanho descomunal, que são grandes bebedores e sorvedores de gasolina e gasóleo. A subida dos preços petólíferos é, sem dúvida, uma má notícia para a grande maioria das economias, mundiais, mas é definitivamente uma óptima noticia para aqueles que defendem que a arma mais eficaz contra as alterações climáticas é um aumento substancial dos preços dos produtos petrolíferos. Haverá uma intensificação da procura de carros e energias mais eficientes, bem como a substituição de veículos pouco eficientes.

20 maio 2008

CARA GASOLINA


Muito se tem reclamado nos últimos dias sobre os recentes aumentos dos preços da gasolina e gasóleo. Do governo aos revendedores de gasolina aos consumidores, todos fazem contas à vida e todos culpam as companhias petrolíferas pelo aumento de preços. Quão altos são os preços da gasolina e do gasóleo portugueses? Muito, muito altos. Segundo um estudo recente referenciado ontem pela CNN, a gasolina portuguesa é a décima mais cara do mundo. A décima. Pior que nós só mesmo a Eritreia (!!!) e mais uns quantos países ricos. Porquê? Para além do alto nível dos impostos, a falta de competição (sim, a falta de competição) é a grande responsável por estes exagerados e despropositados preços dos produtos petrolíferos entre nós. É chegada a altura de liberalizar ainda mais o sector.

15 maio 2008

O MITO DA CRISE ALIMENTAR (2)

A propósito do post sobre a crise alimentar, um anónimo teve o seguinte comentário:
"Tenho que discordar com o titulo deste post. A verdade é que estamos perante uma crise alimentar. Não é a toa que o IMF e o Banco Mundial e os analistas estão preocupados. Concordo que nao e a crise prevista por Malthus, mas e sem duida uma crise. A subida dos precçs é assustadora. Se não acredita pense só no seguinte, podemos dizer que aproximadamente existe 1 biliao de pessoas que vive com $1 por dia. se tivermos em conta algumas estimativas (conservadoras por sinal) de que o custo da comida aumentou cerca de 20% (e em alguns lugares aumentou ainda mais), podemos concluir que cerca de 100m pessoas vao ver a sua vida piorar e regressarao ao nivel de $1 por dia, que e nem mas nem menos que o indicador da pobreza absoluta.sabemos que tambem parte deste custo se deve a duas grandes forcas1) o uso de cereais para os ditos bio combustiveis. 2) o use de politicas como a CAP por parte de paises desenvolvidos, i.e. subsidios aos agricultores. Concluo então que o periodo das vacas gordas (i.e. cheap food) are long gone. Serão preciso boas politicas e um pouco de sorte para levar a economia para um novo equilibrio da maneira menos prejudicial para a economia. E até agora esta transição tem sido mais avassaladora do que os analistas tinham antecipado"
Caro anónimo,
Eu concordo que estamos a passar por uma delicada crise alimentar. Aliás, temos aqui mencionado várias vezes os protestos um pouco por todo o mundo contra o aumento dos preços. E concordo também que quem pagará o substancial aumento dos preços (que atingem os 50-60 por cento no caso de alguns cereais) são principalmente os mais pobres. São os mais pobres que gastam uma maior proporção dos seus baixos rendimentos em despesas de alimentação. E são os mais pobres que terão mais dificuldades em subsistir num cenário de subida generalizada dos preços alimentares. Por isso, concordo consigo quando afirma que muitos milhões de pessoas irão sofrer na pele as consequências da subida dos preços alimentares.
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No entanto, o que o post queria salientar era que, apesar da subida dos preços alimentares, esta não é uma crise Malthusiana, não é uma crise por causa da escassez alimentar, pelo menos a médio ou longo prazo. Como menciona e já aqui foi referido também, tanto os biocombustíveis, como políticas como a PAC, e, principalmente, a subida dos preços petrolíferos, foram responsáveis pela subida dos preços. Ora, como a pessoas (neste caso, os agricultores) respondem a incentivos, a subida dos preços irá levar a que os agricultores invistam mais nas suas terras e noutras mais marginais, fazendo aumentar a oferta alimentar e, deste modo, diminuindo a pressão dos preços dos produtos alimentares. Que há crise alimentar, há. O que não há é um cenário catastrofista como muitos neo-Malthusianos nos tentam impingir.