28 novembro 2007

GORDON BROWN, DURÃO BARROSO E SÓCRATES

O primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, anunciou que não irá participar na cimeira Europa-África que se vai realizar em Lisboa, e que contará com a presença de Robert Mugabe, presidente do Zimbabué. Apesar de não devermos ter ilusões sobre as alegadas boas intenções de Brown, esta é uma decisão politicamente acertada, pois a opinião pública britânica claramente apoia o seu primeiro-ministro neste seu boicote contra o regime de Mugabe. Mas esta é igualmente uma decisão pessoal. Nos últimos anos, Brown tem levado a cabo uma cruzada pessoal contra a pobreza na África (ele é um dos “Planners” que William Easterly descreve no seu último livro) e, supostamente, gostaria de ressuscitar a ideia de Tony Blair que a política externa britânica se devia pautar por princípios éticos e pelo respeito pelos direitos humanos. Mas, se é assim, porque é que renegamos ao autoritarismo de Mugabe mas compactuamos, por exemplo, com a ditadura saudita? Alguma sugestão? Se o governo britânico dá realmente primazia aos direitos humanos, como é que podemos explicar que a Grã-Bretanha continua a ser um dos principais exportadores de armas para os países subdesenvolvidos?
Mesmo assim, e apesar de todas as possíveis hipocrisias, interessa realçar que a recusa de Brown em conviver com o ditador de um regime que tem sistematicamente levado a cabo práticas de tortura e assassinato políticos é um passo em frente nas relações internacionais. Às vezes, a ética e a integridade dos nossos líderes deveriam sobrepor-se a meros interesses estratégicos e económicos.
Esta é uma lição que Sócrates e Durão Barroso deviam aprender.

ASP

1 comentário:

on disse...

Parece-me que a pergunta fundamental é: Para que serve a cimeira Europa-África?
Não seria preferível convidar alguns países africanos que estão a fazer um esforço sério para mudar, ignorando os restantes?