A tabela abaixo apresenta os dados do total de declarações fiscais por escalões de rendimentos que nos são fornecidos pela Direcção-Geral dos Impostos. Mais concretamente, a primeira coluna dá-nos o escalão de rendimento bruto (declarado às Finanças), a segunda coluna dá-nos a percentagem das declarações de um determinado escalão no total das declarações apresentadas, e a terceira coluna indica-nos o total acumulado dos sucessivos escalões de rendimentos. Como podemos ver, mais de 50% das declarações entregues referem-se a rendimentos brutos inferiores a €13.500 (pouco menos de mil euros por mês, se contabilizarmos 12 salários, bem como os subsídios de férias e de Natal), e 83,2% dos rendimentos declarados pertencem a trabalhadores com rendimentos brutos inferiores a €27.500 por ano. Só 5,9% das delarações referem-se a rendimentos brutos acima dos €50.000 euros.
Ou seja, metade dos trabalhadores portugueses aufere rendimentos brutos abaixo dos €10.000, e cerca de 4 em cada 5 portugueses recebe menos de 2000 euros por mês. Em contrapartida, só 1,1% dos trabalhadores portugueses auferem mais de 100.000 euros por ano. Por outras palavras, e como as estatísticas da OCDE (que já aqui falei várias vezes) demonstram, Portugal permanece um país extrememente desigual. E as políticas dos últimos anos pouco ou nada fizeram para contrariar esta tendência.
| Escalão de Rend. Bruto (euros) | % do total de declarações | Acumulado |
| €0 | 0.7% | 0.7% |
| €1-€5000 | 13.0% | 13.8% |
| €5000-€10.000 | 28.8% | 42.6% |
| €10.000-€13.500 | 14.2% | 56.7% |
| €13.500-€19.000 | 14.5% | 71.3% |
| €19.000-€27.500 | 11.9% | 83.2% |
| €27.500-€32.500 | 3.8% | 87.0% |
| €32.500-€40.000 | 3.9% | 90.9% |
| €40.000-€50.000 | 3.2% | 94.1% |
| €50-000-€100.000 | 4.8% | 98.9% |
| €100.000-€250.000 | 1.0% | 99.9% |
| > €250.000 | 0.1% | 100.0% |
