09 junho 2011

A FUGA DE CÉREBROS PORTUGUESA

Como uma figura vale mais do que mil palavras, aqui fica o mapa da fuga de cérebros (o "brain drain") no mundo. Os países assinalados com cores mais escuras registam as maiores fugas de cérebros em percentagem da população total. O mapa apresenta a percentagem de licenciados do ensino superior de um determinado país que optou por emigrar. Em Portugal, cerca de 20% dos nossos licenciados emigraram. Uma percentagem que certamente tem vindo a aumentar nos últimos anos, e que poderá crescer ainda mais se o crescimento económico for retomado rapidamente.

Percentagem de licenciados de um determinado país que optou por emigrar

5 comentários:

Tiago disse...

Fuga de cérebros... este assunto tem sempre o reverso da medalha, julgo eu. Porque é que se assume que as pessoas que vão estudar para fora são grandes cérebros?

Exagerando um pouco (ou talvez não?), eu pergunto: Então e os que fogem do país por não terem grande cérebro, mas que, chegando lá fora, ganham instantaneamente o estatuto de grande cérebro pois conseguiram um lugar numa universidade estrangeira (ui, o estrangeiro, essa elite!) que, no contexto português, não seria mais que uma Universidade Lusófona?

Carlos Pereira disse...

Há poucas empresas que dêem hipótese aos licenciados de mostrar o que valem. Por outro lado, se, por iniciativa própria “suicida”, tentarem-se estabelecer ou empreender algum negócio, é-lhes logo aplicada uma perseguição fiscal que o mais provável é o negócio morrer ao nascer. Veja-se a retenção de 21.5% para IRS e 29,6% de taxa social única, isto sem falar em IVA uma vez que o sujeito passivo apenas é intermediário do mesmo. É preferível trabalhar por conta de outrem pois a taxa de IRS varia conforme a base de incidência. Por exemplo, para um recém-licenciado, solteiro, pagar 21,5% de IRS com trabalhador dependente, terá de auferir aproximadamente €2.500,00 mês, no entanto como trabalhador independente basta ter um rendimento médio mensal de €1.000,00. Quero apenas alertar para que, se por um lado, não há quem dê trabalho aos licenciados, por outro, a carga fiscal é dissuasora. Resta a emigração.

Carlos Pereira

Anónimo disse...

Caro Alvaro, este nao e' o primeiro blog em que vejo esta imagem, com um titulo semelhante. Julgo que apresentar a imagem tal e qual como esta', e inferir imediatamente da fuga de cerebros de Portugal, e' uma conclusao perigosa. Em ultima analise comparar paises com o mesmo tom de azul nao me parece rigoroso; por exemplo, podemos comparar Japao, Indonesia, eStados Unidos e Myanmar. Nao me parece. De igual modo, comparar Portugal e Reino Unido utilizando a frase "A fuga de cerebros do Reino Unido" tambem nao se aplica; e' irrelevante se os licenciados emigram ou nao, o que e' relevante e' que o licenciado portugues emigra para ir produzir para uma empresa estrangeira, enquanto o licenciado Britanico emigra porque vai como expatriado para um qualquer lugar do Mundo, trabalhar numa empresa Britanica. Concordo consigo que Portugal e' uma verdadeira tragedia a todos os niveis, mas ha' que ser, perdoe-me o reparo, intelectualmente rigoroso.

António Ribeiro disse...

Este valor é o que é. Podemos pensar neste valor como: "Ainda há 80% de Cérebros que aceitam viver neste país."

Porque:
-Enquanto um cérebro tiver de fazer estágios profissionais em regime de escravidão durante 2 anos;
-Enquanto um cérebro tiver de pagar para fazer estágios em hospitais;
-Enquanto um cérebro que decida ter filhos tenha de pagar 400€ por filho num berçário porque as autarquias preferem apostar em licenciamentos de centros comerciais;
-Enquanto um cérebro tiver de trabalhar 12h por dia, ouvindo todos os dias que é uma sorte ter trabalho num país em crise;
-Enquanto um cérebro tiver de pagar facturas a empresas monopolistas privatizadas aos amigos com dinheiro dos depositantes dos bancos;
-Enquanto "uma" cérebro tiver de optar entre ir trabalhar 2 meses depois de ser mãe porque é trabalhadora a recibos verdes e não tem qualquer apoio social;

Esta taxa dificilmente irá descer.

Os decisores políticos e os empregadores deste país ainda não perceberam que os jovens já não toleram comportamentos como os que enunciei anteriormente. Que hoje é mais rápido vir de Paris a Lisboa que de Castelo Branco a Lisboa há 30 anos atrás. O custo da emigração é muito menor do que há 30 anos atrás.

Fico feliz por todos esses 20% de cérebros que decidem emigrar. Poucos se devem arrepender da escolha que fizeram.

Já agora, porque decidiu emigrar Álvaro?

Vasco Gama disse...

Não consigo ver bem a cor de Portugal mas parece-me estranho que estejamos ao nível (ou perto disso) de Irlanda, Grã-Bretanha, Alemanha, Austria e Suiça. Que quer isto dizer? Que só espanhois e franceses não vão para outro país porque são reconhecidamente nabos a falar inglês e portanto a Europa não tem futuro? Acho realmente difícil de entender este mapa.