Mostrar mensagens com a etiqueta Desenvolvimento Económico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Desenvolvimento Económico. Mostrar todas as mensagens

28 fevereiro 2011

O PREÇO DAS POLÍTICAS ERRADAS

Se há uma imagem emblemática do terrível preço que as políticas erradas podem ter no bem-estar das populações, essa imagem é a da península da Coreia à noite. Como podemos ver na imagem de satélite abaixo, não deixa de ser chocante constatar as dramáticas diferenças de desenvolvimento entre dois países que partiram exactamente do mesmo ponto inicial há apenas 6 décadas atrás. As duas Coreias eram muito pobres quando se separaram, mas uma prosperou enquanto a outra optou pela falácia de um regime ditatorial, que faz da opressão e da propaganda o seu modo de vida.
Actualmente, a Coreia do Sul  é um dos países mais ricos do mundo e está povoada por cidades prósperas e modernas. A Coreia do Norte permanece nas trevas do desenvolvimento. O preço que os povos pagam pelas irresponsabilidades e pelas políticas erradas dos seus governantes é, sem dúvida, muito, mas mesmo muito elevado.

05 dezembro 2010

DE DESASTRES ANUNCIADOS A MILAGRES PROPAGADOS

Nos últimos anos, o mundo tem assistido a um dos mais rápidos e mais impressionantes milagres económicos da História universal: os milagres económicos de países como o Brasil, a China e a Índia. É verdade que a emergência destes países na cena internacional tem despoletado todo o tipo de reacções e de receios, devido ao peso e influência que estas economias têm no mundo. No entanto, vale a pena recordar que há apenas uma ou duas décadas atrás ninguém ou quase ninguém acreditava que o futuro próximo destes países seria risonho ou sequer promissor. Bem pelo contrário. Durante décadas, o Brasil foi caracterizado como o país do futuro, cujo futuro era sempre adiado por causa da incúria dos seus governantes e pelo desperdício dos seus recursos. A China permanecia como um gigante de pés de barro, onde líderes carismáticos condenavam os seus súbditos a uma vida de privação e de pobreza. E 40 anos após a independência, a Índia permanecia num ritmo vagaroso de desenvolvimento, o que levou muitos analistas a apelidarem de forma pejorativa a chamada “taxa de crescimento hindu".
Passadas umas décadas, tudo mudou. A China está a caminhar a passos largos para se tornar na maior economia do mundo (mas não a mais rica), a Índia cresce a taxas elevadas impulsionada pelo dinamismo do sector das novas tecnologias, e até o Brasil alcança taxas de crescimento económico capazes de rivalizar com os chamados milagres do Sudoeste asiático. Os extraordinários milagres económicos destes países (principalmente da China) são visíveis no gráfico 1, onde se apresentam os dados do PIB por habitante (ou per capita) do Brasil, da Índia e da China em paridades de poder de compra. Como podemos ver, durante a grande parte do século 20, os rendimentos por habitante médios da China e da Índia mantiveram-se quase constantes, e assim estes países continuaram a ser dos países mais pobres do mundo.
Por sua vez, o Brasil registou um período de forte crescimento económico na década de 60 (aquando da industrialização do país), mas estagnou entre os meados da década de 70 e a década de 90. As razões desta estagnação são bem conhecidas e relacionam-se não só com uma elevada instabilidade macroeconómica (que deu azo a taxas de inflação superiores a 300% na década de 80 e de 750% nos primeiros anos da década de 90), mas também com o falhanço estrondoso da política de industrialização, que fomentou a criação e a manutenção de monopólios estatais altamente ineficientes.

19 janeiro 2010

MÁS POLÍTICAS E MAU DESEMPENHO

Aqui fica um gráfico que vale a pena reflectir (clique duas vezes para ver a imagem ampliada). No início do século 20, se alguém tivesse que apostar entre a Argentina e o Canadá para que um destes países se tornasse num país rico e próspero, quase toda a gente escolheria o país da América Latina em vez do "Great White North" (expressão que os americanos às vezes empregam em relação ao Canadá). Porquê? Porque a Argentina tinha tantos ou mais recursos do que o Canadá (pelo menos era isso o que se pensava na altura), tinha um enorme potencial agrícola e industrial, e tinha tido um desempenho verdadeiramente notável desde o final do século 19. Assim, no dealbar dos anos 1930, a Argentina tinha um PIB per capita ligeiramente mais elevado do que o Canadá, o que augurava um futuro promissor.
E depois chegaram os anos 1930 e as políticas proteccionistas e populistas de Juan Perron, que foram seguidas por políticas ainda mais populistas dos governos que se lhe seguiram. O resto éo que se sabe. De milagre económico, a Argentina tornou-se no caso mais paradigmático de como as políticas económicas podem fazer descarrilar um país. Décadas mais tarde, o país ainda não recuperou totalmente das más políticas seguidas.
Um exemplo que vale a pena estudar no contexto da crise económica nacional que se arrasta há uma década. Uma crise que ameaça tornar-se ainda mais grave graças ao populismo e à irresponsabilidade dos nossos governantes, que continuam mais preocupados em deixar obra palpável (i.e., de betão) do que trabalhar em prol de uma economia saudável. Perante o que pode acontecer à Grécia, esperemos que o bom senso finalmente prevaleça e a nossa classe política assuma as suas responsabilidades e comece finalmente a atacar os males económicos do país. Não temos muito mais tempo para o fazer. Se não o fizermos nós, outros nos obrigarão a fazê-lo (assim como nos lembrou o recente aviso da agência de rating Moody's).

15 setembro 2009

AINDA A CRISE INTERNACIONAL

A Carteira, através do Luís Leitão, fez-me recentemente algumas perguntas (a negrito) sobre a crise financeira internacional. Aqui estão as minhas respostas:
Carteira_ A política dos principais governos de injectarem avultados montantes de dinheiro no mercado foi a decisão mais correcta ou serviu apenas para esconder e alimentar o monstro da crise por mais algum tempo? Que consequências terão estas medidas nos próximos tempos?
A política de injecção de grandes montantes nos sistemas financeiros foi totalmente acertada. Aliás, se não tivesse sido levada a cabo, decerto que o impacto da crise financeira teria sido muitíssimo mais grave. Basta lembrarmo-nos do que aconteceu durante a Grande Depressão dos anos 30 (quando a massa monetária se contraiu) para percebermos da necessidade dessa medida. A curto prazo, o principal objectivo (e efeito( dessa medida é exactamente evitar que a economia mundial caia em deflação, um cenário a evitar a todo custo. Quando as principais economias recuperarem, é natural que surjam alguns efeitos inflacionários. Nessa altura, certamente que a política monetária irá inverter-se com uma subida dos juros. Porém, por enquanto, a inflação é ainda um cenário muito longínquo.
Carteira_ Se na bolsa os ganhos já começam a aparecer - desde 9 de Março que o S&P 500 já valorizou 47% - na economia, os indicadores continuam a não ser muito animadores: as penhoras nos EUA continuam a aumentar, o desemprego na Europa e nos EUA persiste em manter-se elevado e o risco de deflação parece ainda não ter desaparecido. Que sinais precisa o mercado de dar a investidores e consumidores para que a recuperação seja sustentável e não um mero surto de euforia?
Penso que os últimos indicadores de alguma recuperação de várias economias europeias irão dar um novo impulso aos mercados financeiros. Contudo, ainda precisamos de ter mais um ou dois trimestres de crescimento positivo, bem como uma recuperação do consumo e dos mercados imobiliários, para que os mercados comecem a acreditar numa verdadeira retoma das principais economias mundiais. E, neste momento, este cenário ainda não se vislumbra, pois ainda persistem muitas incertezas, apesar dos indicadores começarem a ser mais positivos do que era esperado há alguns meses.
^
O FMI diz que a recuperação será longa e demorada e Jean Claude-Trichet, apesar de acreditar que a economia europeia já não está em queda livre, diz que ainda não é tempo para euforias. Quais são as suas perspectivas para a economia mundial e quais serão os sectores que acredita que recuperarão primeiro e porquê?
Penso que ainda há alguma expectativa sobre como as principais economias irão evoluir. Apesar dis sinais crescentemente positivos que nos chegam, ainda há muitos riscos e incertezas. Por exemplo, o crescimento do desemprego e a consequente diminuição de rendimentos de algumas camadas das populações (principalmente da classe média) de muitos países poderão aumentar o crédito mal parado, o que poderá fazer aparecer novos problemas nos mercados de crédito. Neste momento, parece que os primeiros sectores a recuperar serão as exportações de muitos países (como a Alemanha), bem como algumas indústrias de maior valor acrescentada, tais como as tecnológicas. Alguns países aproveitaram a crise para aumentar o proteccionismo de alguns dos seus sectores mais sensíveis (e menos concorrenciais). Estes apoios certamente ajudarão estes sectores a recuperarem mais rapidamente.
No plano das economias em vias de desenvolvimento, estes países não sentiram directamente a crise em virtude de terem um sistema financeiro rudimentar. No entanto, viram as ajudas e as exportações serem reduzidas bruscamente, sobretudo os países produtores e exportadores de petróleo. Acredita que esta crise será mais um obstáculo ao desenvolvimento económico ou uma oportunidade para países como Angola que faz depender do barril de crude mais de 95% das suas exportações?
Quase todos os países em desenvolvimento viram as suas exportações e as ajudas externas diminuir. Penso que a crise será um obstáculo maior para os países em desenvolvimento mais frágeis, isto é, aqueles cujos governos dependem mais da ajuda externa para os seus orçamentos. Para os países exportadores de petróleo, a crise será mais temporária, pois é crível que o preço do crude recupere assim que a procura mundial seja retomada com a aceleração do crescimento económico. Assim, nos próximos um ou dois anos é natural que o preço do crude suba, aumentando novamente os rendimentos dos países exportadores de petróleo. Isto, sem dúvida, será positivo para Angola. No entanto, o principal desafio da economia angolana persiste. É premente que Angola utilize as benesses do petróleo para diversificar a sua economia, para melhorar as suas infra-estruturas, e para investir noutros sectores como o turismo e a indústria. Uma economia tão dependente do petróleo estará sempre vulnerável às naturais oscilações dos preços do crude nos mercados internacionais. Por outro lado, as receitas petrolíferas tendem a apreciar a moeda angolana, o que penaliza as outras exportações (um fenómeno que é chamado de "doença holandesa"). Neste sentido, se Angola pretende realmente diversificar-se para se tornar menos vulnerável às crises internacionais e para se desenvolver mais harmoniosamente, então esta "doença holandesa" terá que ser combatida a todo o custo, através de medidas que apoiem os potenciais sectores exportadores e através de políticas que potenciem alguma desvalorização cambial para contrair a apreciação associada à exportação do petróleo.

12 fevereiro 2009

CRISE NO BOTSWANA

O Botswana, o grande e surpreendente milagre económico africano dos últimos 40 anos, começa a sofrer o travo amargo da crise internacional. Porquê? Porque tanto o preço como a procura de diamantes (a maior exportação do país) têm diminuído dramaticamente nos últimos anos.

Já agora, quão grande foi o milagre do Bostwana? Enorme. Em 1966, o país tinha um rendimento médio por pessoa de 80 dólares. Hoje em dia, este valor é de 7,000 dólares. O sistema de saúde funciona bem (apesar de um impacto devastador do HIV/SIDA) e a educação é gratuita até aos 13 anos. Um exemplo que os economistas gostam sempre de enaltecer.

A CORRIDA DO REFUGIADO


A nossa alma caridosa nas Nações Unidas teve uma ideia original durante o Fórum Económico Mundial que se realizou em Davos, Suíça. António Guterres e a sua equipa decidiram fazer a "corrida do refugiado", na qual os participantes do congresso podiam passar por refugiados. Uma experiência única, sem dúvida. E que (surpresa!) foi altamente criticada por alguns dos intelectuais mais influentes do planeta, tais como William Easterly.
PS. Obrigado ao Paulo Ferreira por me ter alertado para esta notícia.

09 dezembro 2008

VACINA CONTRA A MALÁRIA

Um artigo no New England Journal of Medicine apresenta resultados muito promissores sobre o desenvolvimento de uma vacina contra a malária. Apesar de estar erradicada nos países mais desenvolvidos, a malária anda infecta milhões de pessoas todos os anos e é a causa de morte de centenas de milhares de pessoas todos os anos, inclusivamente dezenas de milhares de crianças. Uma vacina eficaz seria uma das melhores notícias que muitos países tropicais poderiam ter.

PS: Obrigado ao Tiago Villanueva por me ter chamado a atenção para esta notícia.

TIGRE SEM DENTES?

Um artigo interessante sobre aquele que devia ser o novo tigre asiático. Após uma década de crescimento, o Vietname continua a ter enormes problemas estruturais.

10 outubro 2008

INFLAÇÃO MILIONÁRIA

Sabe qual é a inflação no Zimbabwe? No mínimo é 231,000,000%. Duzentos e trinta e um milhões de por cento. Ainda não é o recorde mundial (que pertence à Alemanha de 1923), mas começa a aproximar-se a passos largos. E claro, certamente que a inflação do Zimbabwe já aumentou desde que começou a ler este post.

11 agosto 2008

DERRAPAGENS MAIS-QUE-ESPERADAS

Segundo o PUBLICO de hoje, algumas das concessões rodoviárias promovidas pelo governo vão ter uma derrapagem orçamental de pelo menos 40 por cento, o equivalente a cerca de 750 milhões de euros. De acordo com o jornal, "A disparidade entre os valores anunciados e aqueles que aparecem nas propostas é explicado por uma "diferença de conceitos relevante": "enquanto o custo divulgado pelo Governo é o típico custo de construção da via, a rubrica "custo de construção" apresentada pelos concorrentes inclui quer o custo de construção da via, quer o custo com equipamentos e expropriações". A mesma fonte acrescenta que os valores anunciados pelo Governo são meras "estimativas realizadas de acordo com os projectos iniciais que serviram de base ao lançamento dos concursos", enquanto as propostas dos concorrentes incorporam, também, todos os efeitos do risco de construção. "
Ou seja, estes 750 milhões de euros adicionais nem sequer têm em linha de conta as derrapagens de custos que irão certamente acontecer devido ao aumento dos preços dos produtos petrolíferos e dos custos de construção. Ou seja, as diferenças entre o que estas obras vão custar e o orçamentado e previsto pelo governo serão bastante elevadas.
Ora, se é assim com estradas (que estamos habituados a fazer), o que irá acontecer com o TGV? Não há problema. Afinal, haverá sempre quem pague a factura (isto é, os contribuintes). Foi um azar, dizer-nos-ão. Foram os imponderáveis, informar-nos-ão. Talvez sejam. Mas o mais provável é que tudo não passou de mau planeamento na pressa de satisfazer a febre do betão. É só pena que nunca haja ninguém que se responsabilize por estas derrapagens mais-que-esperadas.

31 julho 2008

O GIGANTE EMERGENTE?


Há uma nova estrela emergente no mundo económico. Para espanto de muitos, essa estrela chama-se Brasil, durante décadas conhecido como o país do futuro cujo futuro nunca chegava. Ora, contra as previsões de muitos, parece que o futuro do Brasil está finalmente a chegar. Na última década, o crescimento económico brasileiro atingiu já não vistos há mais de três décadas e as tremendas desigualdades sociais parecem finalmente ter começado a decrescer (pelo menos em termos relativos). O Brasil internacionaliza-se cada vez mais (como o recente anúncio de investimento da Embraer em Portugal o demonstra) e diversifica-se, tanto a nível industrial como agrícola. Esperemos que assim continue.
Ainda por cima, há pouco tempo foram descobertas enormes reservas petrolíferas na costa brasileira, augurando ainda mais receitas para o Estado e para o país. Paradoxalmente, esta pode ser a pior notícia que o Brasil poderia ter. Numa altura em que a economia mostra grande dinamismo e uma crescente diversificação das actividades económicas, a descoberta dessas reservas petrolíferas fará certamente valorizar o real (pois haverá maior procura de moeda brasileira), o que poderá afectar negativamente os sectores exportadores do país, bem como outras áreas da economia que poderão menos competitivas com a valorização do real.
^
Mas, esperemos que isso não aconteça ou, a acontecer, esperemos que a recente vitalidade do Brasil seja suficiente para aguentar o impacto que a valorização do real terá no sector exportador brasileiro. Entretanto, saudemos os feitos económicos do Brasil, que parece finalmente ter deixado de continuar permanentemente adiado.
PS. Vale a pena ver aqui uma reportagem do New York Times sobre o crescimento brasileiro.

18 julho 2008

NOTA DE 50 BILIÔES


Como prometido, aqui estão as notas de 5, 25 de de 50 (!!!) biliões de dólares do Zimbabwe. Como já são zeros a mais, o banco central deixar de emitir notas "normais" e passou a imprimir notas de "agro-cheques", que, como se pode ver, não têm zeros. Mais uma singularidade do regime de Mugabe. Recorde-se que outra originalidade do Banco Central Zimbabweano é emitir notas com data de validade. O dinheiro expira no Zimbabwe, quer porque perde valor com a hiperinflação quer porque a partir de certa data não mais é aceite.

Quanto valem 5 biliões de Z dólares? Cerca de 20 cêntimos de um euro, o preço de um ovo. E isto era ontem. É provável que já esteja mais "caro", pois is preços duplicam quase todos os dias.

NOTA DE 500 MILHÕES

E aí está uma nota de 500 milhões de dólares do Zimbabwe. Pelo que parece, já há notas de 1,5 biliões de dólares e de 2,5 biliões de dólares... Uma cerveja já custa a módica quantia de 15 biliões de dólares. Uma pechincha, pois é bem menos que um euro. Um jornal custa(va) cerca de 25 biliões de dólares.

17 julho 2008

MÁS E BOAS NOTÍCIAS

Primeiro as más notícias. O INE divulgou hoje as suas estimativas para a actividade económica dos primeiros e segundos trimestres de 2008 e concluiu que houve um agravamento significativo do sentimento económico e da confiança dos agentes económicos. Os factores que realmente interessam para a retoma, as exportações e o investimento, também abrandaram. No entanto, é de referir que, apesar do choque petrolífero, as exportações continuam a crescer a um ritmo significativo na ordem dos 5.8 por cento. Se isto é uma grande recessão, venham muitas. O pior é em relação ao investimento, que retoma a sua trajectória descendente após uma recuperação tímida no ano passado. A principal causa desta queda do investimento foi o sector da construção.
Mas nem tudo são notícias más. O FMI reviu em alta as suas previsões para a economia mundial, que agora se estima venha a crescer acima dos 4 por cento este ano. Isto é, apesar de um choque petrolífero, de uma grave crise financeira nos Estados Unidos (com ramificações noutros países) e uma subida acentuada dos preços dos produtos alimentares, a economia mundial ainda cresce a um ritmo bastante alto. Boas notícias para os países subdesenvolvidos e para o nosso sector exportador, que será menos afectado pela crise internacional do que anteriormente se tinha previsto.
Moral da história: a economia mundial está hoje bem mais resistente a choques negativos como o que vivemos do que há 30 ou 20 anos atrás. E porquê? Porque, contrariamente aos choques petrolíferos dos anos 70 e 80, os países subdesenvolvidos estão hoje em dia bem mais saudáveis e dinâmicos economicamente. E todos ganhamos com isso.

09 junho 2008

A NOVA GRANDE FOME


Uma nova grande fome paira sobre a Etiópia. Mais de 4 milhões de crianças estão ameaçadas pela fome provocada pela seca dos últimos meses. Muitos temem que esta seja a pior crise alimentar a assolar a Etiópia desde a trágica fome de 1984, quando mais de um milhão de crianças pereceu esfomeada. O pior é que a situação actual pode ser agravada pela subida dos preços alimentares a nível mundial, o que poderá fazer com que a ajuda externa possa chegar atrasada. Demasiado atrasada para muitos adultos e crianças que sofrerão na pele as consequências de terem nascido num país com uma história recente tão trágica e cruel.

21 maio 2008

O REGRESSO DA FOME

Segundo a UNICEF, a fome ameaça regressar à Etiópia. Uma nova seca tem afectado gravemente este país, bem como a Somália e o Uganda. Só na Etiópia existem já mais de 100 mil crianças subnutridas, bem como mais de 3 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária "urgente". Se a seca subsistir, há mais de 6 milhões de crianças em risco. Depois do Myanmar e da China, uma nova tragédia paira sobre a comunidade internacional.

19 maio 2008

INVADIR MYANMAR???

O ciclone que assolou o Myanmar (Birmânia) causou pelo menos 80 mil mortos. 80 mil. Provavelmente mais. Muitos mais. Para além da terrível devastação, o número de mortos pode aumentar ainda muito, muito mais, principalmente se a ajuda externa não chegar a quem precisa. Como a junta militar tem-se apropriado de parte da ajuda externa e como a mesma junta tem bloqueado sistematicamente a entrada de observadores internacional e de ONGs, há centenas de milhares de pessoas que correm o risco de morrer à fome ou devido a doenças como a cólera. Perante a intransigência da junta, têm-se levantado muitas vozes que defendem uma intervenção militar de Myanmar por parte das Nações Unidas. Desde a blogosfera à revista Time, a possibilidade de invasão tem sido aflorada por um número crescente de analistas.
^
Neste sentido, o que interessa perguntar é: independentemente da crueldade da junta militar que não se importa que o seu povo morra desnecessariamente, será uma invasão mesmo uma solução credível ou aceitável? Depois do que aconteceu no Iraque, como é que podemos defender tão levianamente a invasão de países soberanos (mesmo sob a égide a ONU), por mais que os seus povos sejam governados por tiranos inqualificáveis?

28 abril 2008