01 dezembro 2010

GASTOS NA EDUCAÇÃO

Sabia que Portugal é um dos países do mundo que mais gasta por aluno do ensino secundário em percentagem do PIB per capita? Mais concretamente, as despesas com cada aluno do ensino secundário português corresponde a cerca de 30% do nosso PIB per capita. Entre 145 países, Portugal é o 15º país que mais gasta por aluno do ensino secundário em percentagem do PIB por habitante. E como podemos ver no gráfico abaixo, na Europa, só o Chipre e a Dinamarca gastam mais por aluno do ensino secundário (em % do PIB per capita) do que nós. A Espanha, por exemplo, gasta somente um montante equivalente a 24% do PIB per capita por aluno do secundário, 5 pontos percentuais do PIB por habitante a menos do que nós. Apesar de todo este esforço e de todas estas estas despesas, Portugal continua com os terceiros piores indicadores da OCDE em relação ao abandono escolar, o desempenho dos nossos alunos nos estudos internacionais (como o PISA) deixa muito a desejar, e continuamos a ter as percentagens mais baixas de alunos com o ensino secundário (completo) de toda a União Europeia. Por outras palavras, gastar mais não é necessariamente sinónimo de qualidade ou de melhoria do capital humano. Bem pelo contrário.
A verdade é que há muito desperdício, bem como um centralismo exagerado por parte do Ministério da Educação que impede um melhor funcionamento do nosso sistema educativo e uma maior eficiência do sector. Mas não há problema. Havemos de continuar a arranjar maneira de melhorar os nossos índices educacionais. Nem que para isso tenhamos de acabar de uma vez por todas com as reprovações e as retenções, ou que tenhamos de manipular descaradamente as estatísticas educativas, ou que tenhamos que continuar a apostar nesse bastião de qualidade educativa chamado Novas Oportunidades.

Gráfico _ Despesas por aluno do ensino secundário em % do PIB per capita, 2009
Fonte: Banco Mundial

8 comentários:

democracia participativa disse...

O lobbie dos professores é poderoso assim como outros existententes em Portugal, que são uma das causas do entrave económico pelo desvio de verbas que podiam ser utilizadas para o desenvolvimento do PAÍS.O recuo de Sócrates na avaliação de professores deve-se ao receio de perda de votos.Mas com o tempo há males que vem por bem.

Carlos Pires disse...

Quando faço afirmações desse género alguns dos meus colegas chamam-me "economicista" - e pronunciam a palavra como se fosse um palavrão obsceno.
(Um ou dois colegas concordam comigo e a maioria fica calada, pois não costuma ter opinião sobre nada.)
Na verdade, as escolas portuguesas não precisam de mais dinheiro, mas sim de mais exigência - nomeadamente de mais exames nacionais (e outras formas de avaliação externa), de programas menos estúpidos e de menos burocracia (que rouba imenso tempo aos professores).

Anónimo disse...

Concordo com Carlos Pires, com ênfase em disciplina nas escolas, exames nacionais para os alunos, menos burocracia e programas menos estúpidos!

Não posso no entanto deixar de reparar que, com valores muito próximos dos de Portugal, vêm a Bélgica e a Suécia (e se calhar os outros países eurpeus). Lembrando que o PIB português é dos mais baixos da Europa, isso sugere que as nossas despesas são apenas marginalmente mais altas, o que até pode fazer sentido se um país atrasado está a tentar recuperar (deve ser por isso que Moçabique aparece com tanto destaque...). O nível de despesa pode então até ser correcto, o problema não deve ser esse, falta é o resto...

Miguel Loureiro disse...

Era bom que isto fosse uma "democracia participativa", para que a sra. MLR tivesse feito hara-kiri com as "reformas" e a aldrabice com que andou a intoxicar os cidadãos pouco esclarecidos e absorventes.
Caro Dr., certamente que sabe que em Portugal o Ensino Secundário não é obrigatório e penso que apenas em 1, ou 2 países da UE tal acontece e só por isso, estatisticamente, os alunos que não continuam o Secundário são considerados como "abandono escolar", o que é uma falácia. Por isso é que surgiram as NO, para enganar os cegos e seguramente é por isso que o Ensino Secundário fica mais caro por aluno. Se assim não fosse, como se pode aceitar a misturada de países do 1º mundo, com países do 4º?
Era bom saber como se gasta o dinheiro com CEFs, PIEFs e NO, assim como era bom saber quantos funcionários, não professores comem do bolo, para que realmente não houvesse "democracias participativas" a arrotar asneiras!

terebi disse...

"Caro Dr., certamente que sabe que em Portugal o Ensino Secundário não é obrigatório"

Só para dizer que desde o ano passado que o ensino secundário é obrigatório em Portugal.

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/08/16600/0563505636.pdf

Faz diferença?

Miguel Loureiro disse...

terebi
No papel! Só começa para os alunos que estão agora no 8º ano!!!
E acha que por ter sido legislado no ano lectivo transacto entrou nos PISAs e outros Relatórios do passado próximo?
Cruz credo! Virtualidade só na net.
Já agora, pode procurar no site do Ministério da Educação o que eu disse sobre o "abandono escolar".

Rolando Almeida disse...

O primeiro comentário insinua um lobby de professores? Não há nenhum caro amigo. Mas eu vou dar-lhe um exemplo claro onde se gasta rios de dinheiro no sistema educativo: por exemplo, eu sou formado em filosofia. Se for professor de filosofia dou 4 semanais a uma turma e o Ministério da Educação paga-me exactamente 4 horas de trabalho por semana. Se tiver reuniões para essa turma, as mesmas não são pagas e há um número minimo de reuniões obrigatórias por ano. Mas se eu leccionar coisas como Novas Oportunidades (que tenho habilitações para tal), por exemplo numa turma de um curso de Educação e Formação, que é pensado para alunos rebeldes que têm mais de 18 anos (no caso do secundário) mas sem o 12º completo, tenho então 4 horas semanais de leccionação, mais duas de reunião e duas de preparação. Dá um total de 8 horas que me são todas pagas pelo Ministério da Educação. Ou seja, formar á força uma imensa maioria de pessoas que não querem ser formadas, a menos que tal coisa seja gratuita, podendo ofender professores e fazendo da escola um lugar para não ter de aturar filhos em casa, tem um custo financeiro elevado.

Anónimo disse...

O Curioso da Educação em Portugal é típico da nossa cultura e é como o futebol toda a gente percebe menos os profissionais da área, os professores. Estes são os "chulos", "parasitas", "malandros", "lobis" etc.Para desacreditar a Função Pública e principalmente os professores, este Governo intoxicou a opinião pública geral, que continua igual ao que sempre fomos, ignorantes, de que não queriam ser avaliados.Os professores sempre foram avaliados, agora o que acontece é que alteraram á bruta as regras dessa avaliação impondo um tipo de avaliação impossível de ser aplicado a não ser no período de férias tal era a burocracia. Só para tentar comparar por exemplo o Sr Belmiro passava a aplicar este modelo de avaliação aos caixas dos Continentes e então não eram os mais experientes nem o mais habilitados que iriam fazer essa avaliação dos colegas, começa aqui. Depois tinham de ser avaliados nos momentos em que os hiperes estivessem cheios, com clientes de carrinhos de compras abarrotar para poderem aferir a sua capacidade de desempenho, depois de preenchidos 4 a 6 folhas de papel, tanto o avaliado como o avaliador teriam de agendar uma reunião antes e depois da avaliação fora das horas de trabalho, pois o tio belmiro talcomo ministério não paga reuniões. Sabemos que em todos lados, todas as profissões as amizades funcionam assim como as inanimizades e ódios viscerais por isso a avaliação pelos pares já dá para pensar no que daria. Depois os caixas avaliadores quem os avalia? e param de trabalhar para avaliar ou essas horas deveriam ser contadas como horas de trabalho? Na escola não são 10 ou 20 caixas são 80, 100, 150 "caixas" para avliar. Ou pode-se tranferir para uma empresa esta valiação, os operadores de máquinas deixam de trabalhar para avaliar os seus colegas, na construção civil, no mar alto na pesca, ia ser lindo ia.. O problema do modelo de avaliação dos professores como querem implementar é absurdo mas tenho de concordar que o objectivo é maquiavélico: guerra e discórdia entre pares, injustiças, estagnar as progressões.
Quanto ao ensino, é uma treta, trabalhar para a estatistica, passagens administrativas, pois o sitema obriga a tanta papelada e burocracia quando um aluno tem negativa e que não quer saber de nada, que força a ter positiva.Quanto aos gastos nas escolas não há dinheiro para nada mas para os CEFs, PIEFs e NOVAS Oportunitretas até sobra,pois Os "meninos" não devem ser incomodados e então têm tudo de borla, Capas, cadernos, livros, enfim todo material ainda apareciam nas eescolas sem material já viram? É neste ensino de futuro, justo e sério que o governo aposta e gasta o dinheiro.
Pergunto onde é que esta gente Letrada em educação se formou e em que Escola? Não foi na escola antiga? Os professores não foram e não são os mesmos? Então aquilo que aprenderam e onde se formaram estava tudo errado para á força de decretos e imposições quererem mudar á bruta todo o sitema de ensino em portugal. É triste discutir-se um assunto tão sério com ignorantes.