02 dezembro 2010

REEQUILIBRAR AS CONTAS EXTERNAS

O Público perguntou-me qual será a melhor estratégia para reequilibrar a balança externa. Aqui estão as minhas respostas:

O défice externo português é crónico e já dura há várias décadas. As únicas duas vezes em que registámos excedentes comerciais foi durante a Segunda Guerra Mundial, quando houve uma grande procura de produtos como o volfrâmio e outros bens. A diferença é que durante décadas nós conseguimos não só manter um défice comercial relativamente baixo (em % do PIB), mas também financiámos os nossos défices crónicos com as remessas dos emigrantes (e mais tarde com as transferências da UE). Como agora já não podemos desvalorizar a moeda e a concorrência internacional é maior, o défice externo em percentagem do PIB tem-se mantido em valores muito elevados, o que, por sua vez, contribui para o nosso alto endividamento externo. Por todos estes motivos, o reequilíbrio da nossa balança externa tem de ser feito não só tentando controlar os nossos custos produtivos, mas também tentando reduzir as nossas importações, utilizando (melhor) as remessas dos emigrantes, e estimulando as exportações.
Como é que podemos estimular as exportações? Concedendo todo um conjunto de incentivos aos nossos exportações (subsídios, benefícios e créditos fiscais, bem como utilizando toda uma série de apoios directos e indirectos que já existem para muitas das nossas empresas), e não complicando a vida às empresas exportadoras.

Público: O sector exportador português tem estado acima das expectativas? Ou as expectativas têm sido demasiado conservadoras? 
Tem ficado acima das expectativas por dois motivos. Primeiro, porque a economia mundial tem crescido mais do que era previsto (aumentando assim a procura dos nossos procura dos nossos produtos). Em segundo lugar, o comportamento das exportações só pode surpreender porque há muita gente que não tem dado a devida atenção ao notável desempenho do nosso sector exportador nos últimos anos. A verdade é que após um período inicial de alguma dificuldade relacionado com a nossa entrada no euro, as exportações têm crescido consistentemente a bons ritmos. A excepção foi, obviamente, 2008 e 2009, por causa da crise internacional.
No entanto, como já defendi por várias vezes, o nosso problema principal são as importações mais do que as exportações.

1 comentário:

democracia participativa disse...

OK! E pergunto eu como é que se combate as importações?