18 agosto 2008

A CRISE QUE NÃO ACABA

As primeiras frases de um (longo) artigo sobre a crise actual (e possíveis soluções) que irá ser publicado na revista EXAME de Setembro:
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Economicamente os últimos 7 anos foram os piores das últimas 8 décadas. Este facto é notável se nos lembrarmos que durante esse período vivemos sob uma ditadura pouco visionária, houve uma guerra mundial, lutámos guerras coloniais, fizemos uma revolução, perdemos um império, efectuámos nacionalizações e reformas agrárias de utilidade questionável, tivemos graves crises financeiras e aderimos ao maior espaço comercial do mundo. De facto, o desempenho da economia nacional dos últimos anos tem sido tão sofrível que o processo de convergência com a União Europeia foi invertido e vários países “ultrapassaram” o PIB per capita português. O desemprego atingiu níveis históricos no período democrático e o crescimento da economia é de tal modo baixo que, a este ritmo, serão precisos 50 a 70 anos para duplicar o rendimento médio nacional.
Esta não é certamente a maior crise da nossa história. Bem longe disso. No entanto, esta é a maior crise que há memória. Por todos estes motivos, urge implementar o quanto antes uma estratégia de combate à estagnação económica.

1 comentário:

Antonio disse...

Caro Àlvaro

Francamente não o entendo às vezes. Diz-me que esta crise é a maior das ultimas oito décadas, em que existiu uma guerra mundial, uma guerra colonial,um regime de muito pouca visão etc. etc. etc. e que é a maior crise de que há memória mas de que está longe de ser a maior crise da nossa história.

Diga-me então quais foram as crises piores. Refere-se o Álvaro à peste que matou muita gente no sec.XIV, à prisão de D.Sebastião en Álcacer Quibir ou talvez ao Terramoto de 1755 ? Eu julgo que quando se compara qualquer coisa é necessário que haja no mínimo um denominador comum. Não se podem comparar alhos com bugalhos.

Comparar a crise que adveio da derrota em Alcacer Q'bir e da prisão do rei com a actual crise não faz muito sentido. Os tecidos sociais, económicos e poiliticos eram completamente diferentes e não comparáveis.

E notemos para além disso que estamos longe de sair da actual crise. Só este governo autista que até acha que a segurança neste país está perfeitamente controlada é que parece pensar que a crise nos passa ao lado.

E já agora deixe-me lembrar-lhe que a China esmagou os States nas medalhas de ouros dos j.Olimpicos numa demonstração evidente de que à China só a excelência interessa e que não se contenta com medalhas de bronze.

Donde se pode legitimamente deduzir que a guerra econõmica entre o Ocidente e o Oriente ainda mal começou e que a crise está para durar e que os rounds dos prómos anos e mesmo das próximas décads estão para ser ganhos pelos chineses.

E enquanto esta evidência não for admitida a Europa faz de avestruz concedendo ainda mais vantagem à China.

Um abraço

António