17 setembro 2008

NACIONALIZAÇÃO DISFARÇADA

Mais uma nacionalização disfarçada na América. Desta vez foi a maior seguradora americana, a AIG, que tem estado em grandes dificuldades. Para evitar que esta importante empresa vá à falência, o governo americano optou por conceder um empréstimo de 85 mil milhões de dólares por dois anos à taxa de juro de 11,31%. Em contrapartida, o governo americano fica com 80% da empresa. Hmmm... Mais uma vez, os defensores do comércio livre e do Estado mínimo nacionalizam uma empresa quando esta está em risco. É interessante, pois quando os outros países têm empresas em dificuldades, a receita é sempre a mesma: deixem o mercado actuar!Enfim, como se diz na América, "some talk the talk, but don't walk the walk"...
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Veremos se a turbulência financeira pára por aqui. Quase de certeza que não...

2 comentários:

Antonio disse...

Boa noite Álvaro,

É claro que a turbulência financeira não vai parar por aqui.

Uma pergunta: Se o Governo norte-americano não tivesse já intervido por meia duzia de vezes o que se teria passado? A total descredibilização das instituições financeiras? Falências em cadeia?

Mesmo que não concorde com isso, imagine um cenário francamente pessimista e diga-nos o que poderá acontecer.

Antonio Neto

Antonio disse...

Caro Alvaro,

A economia ocidental está cada vez pior. As bolsas e todo o sector financeiro, banca e seguradoras estão a sofrer um tsunami e a afogar-se. Os bancos centrais injectam liqquidez mas os efeitos parecem ser nulos.

Certamente que tanto na sua vida como na minha nunca houve nada assim. E nem com o seu fantástico optimismo há qualquer motivo para esperar quaisquer melhoras.

Como interveniente no seu blog há muito tempo peço-lhe um favor.

Faça uma reflexão sobre aquilo que se está a passar e crie um cenário pessimista.

Porque neste momento ser pessimista não é ser irrealista. Ser pessimista no sentido de admitir que as coisas ainda podem piorar muito não é apenas uma hipotese académica. Infelizmente para todos nós é uma hipotese bem real. Um bom militar quando estuda um combate tem de admitir vários cenários prováveis.Mesmo o cenário de retirada ou inclusivé da derrota. Um bom economista também tem de encarar os vários cenários prováveis. Para não ser apanhado desprevenido.

Gostaria muito ouvir de si qualquer coisa de menos bom. Para que quem o lê possa traçar um plano B alternativo a um plano A.

Ficar-lhe-ia grato.

Antonio