26 março 2009

O AUTISMO DOS DIRIGENTES EUROPEUS

O autismo e o imobilismo dos dirigentes europeus face a crise internacional começa a ter consequências. Em vários países, começam a haver reacções populistas contra banqueiros e empresários. Em França, o presidente de uma multinacional foi aprisionado no seu escritório por funcionários da empresa. Na Escócia, a casa e o carro do antigo CEO do Royal Bank of Scotland foram vandalizados. Entretanto, o que é que os políticos europeus fazem? Nada. Ou quase nada. No máximo, criticam os Estados Unidos por tentarem fazer alguma coisa. Ontem, o primeiro-ministro demissionário da República Checa, o actual presidente da União Europeia, não fez por menos e disse que o plano de recuperação económica da administração Obama era uma estrada para o Inferno, pois ia conduzir-nos à inflação e ao aumento da dívida pública. Até pode ser. Sem dúvida, que a dívida pública dos EUA é uma fonte de preocupação. No entanto, ficar parado, não fazer nada perante a maior crise económica das últimas décadas é uma atitude suicida. Equivale condenar milhões de trabalhadores ao desemprego, com todas as graves consequências sociais que isso acarreta. Ora, o problema actual não é a ameaça da inflação, é a deflação, devido à queda pronunciada da procura global. Quando a economia recuperar, será então a altura de nos preocuparmos com a inflação.
Neste sentido, o que os líderes europeus ainda não perceberam é que o excessivo conservadorismo fiscal dos últimos anos é totalmente contraproducente na crise actual (tal como tem sido na crise nacional dos últimos 8 anos). É suicida. É completamente disparatado. Não será chegada a hora de os líderes europeus demonstrarem alguma liderança, alguma visão, e atacarem decisivamente a crise económica? Não será chegada a hora de perceber que a Europa continua refém de demasiadas prima domas, de demasiados interesses nacionais, e não há uma voz europeia perante a crise? Não será chegada a hora da Europa perceber que não actuar ou não fazê-lo decisivamente poderá trazer para o nosso seio conflitos sociais e, quiçá, nacionalismos exacerbados que não interessam a (quase) ninguém? Não será a hora dos políticos europeus perceberem da irrelevância que a Europa se auto-condena quando os seus líderes insistem numa estratégia errada e autista?

2 comentários:

Antonio disse...

Caro Álvaro,

É evidente que a postura dos burocartas europeus tem a mesma pobreza que tem neste momento a alma europeia. A europa está envelhecida e esclerótica.

Mas a terapia de choque do Sr. Obama pode gerar um Tsunami. Pode fazer mexer um pouco a economia mas pode fazer pumm!


Não sei não.

Antonio

João Bispo disse...

Talvez o comentário do António vá ao encontro do que o Álvaro escreveu no post.

Não sei não.