21 julho 2008

LISBOA NO NEW YORK TIMES

Lisboa continua a ter destaque no New York Times. Desta vez, o Times tem um artigo sobre a vida cultural lisboeta. Para ver aqui.
PS. Obrigado ao Tiago Villanueva pela referência ao artigo

3 comentários:

Antonio disse...

Boa noite,

Lisboa está em alta. A minha cidade tem um charme fantástico. O abandono e a falta de coragem em recuperar os centros históricos de Lisboa tiveram pelo menos uma grande vantagem. Lisboa está a cair aos bocados e nem as cidades italianas conseguem estar mais podres. E isso dar-lhe um ar incrivelmente romântico. Ir ao Chiado à noite é sempre um espectáculo quase comovente. É certo que o Rossio tem apenas um morador. Mas isso não transparece cá para fora.

Contudo um pouco mais longe do Tejo,a Av da Liberdade, Fontes Pereira de Melo e Av.da Républica já apresentam muitas mazelas. Como foi possivel deitarem abaixo aqueles palacetes lindissimos?

Mas felizmente que ainda sobra muito e enquanto isso sobrar Lisboa vai estar na moda.

Ao contrário do Algarve e Madeira que estão completamente descaracterizados. É que nestas regiões a aposta é no crescimento exponencial do número de camas. E embora alguns responsáveis venham dizer que a aposta é na qualidade, é evidente que não é. Mesmo que só existissem hoteis de 6 estrelas, quando a oferta é muita estes teriam de ser cheios com gado porque não haveria gente suficiente. Estamos a seguir os péssimos exemplos de Maiorca e Canárias.(uma vez em Maiorca vi um animal inglês a lavar a roupa e os tenis com detergente na piscina como se aquilo fosse um tanque de lavar roupa!)

E a propósito disso vi há poucos dias uma pessoa que até prezo a dizer uma serie de baboseiras. Tratava-se do Dr.Hernani Lopes a defender a construção de turismo residencial para reformados escandinavos. Claro que estes investimentos são para para as cimenteiras e construção civil mas não trazem mais nenhum valor acrescentado. É sabido por quem anda no métier que o que acontece é que esses turistas residentes vivem grande parte do tempo nos seus paises de origem e que emprestam ou alugam as suas casa a familiares, amigos e conhecidos criando assim uma oferta paralela que não gera receitas(nem sequer fiscais). E que retiram do mercado um enorme número de pessoas que nunca mais entrará no circuito turistico normal e que doutro modo seriam obrigados a gastar dinheiro em Portugal se nos quisessem visitar.

E tratando-se de escandinavos a coisa ainda piora. Porque toda a gente sabe, mas toda a gente sabe mesmo que o sueco em qualquer parte do mundo a unica coisa que faz mal chega é ir ao supermercado buscar a garrafe de Gin ou Vodka e ir bebê-la para a varanda.

É claro que isto não é conveniente dizer. É por isso que neste nosso pais estamos sempre a apostar no cavalo errado e nunca conseguiremos sair da cepa torta.

Mas quer as Câmaras que necessitam do betão para financiar os impostos autárquicos, quer os partidos que recebem chorudas contribuições das empresas de construção civil quer o futebol que também vive dos construtores não têm qualquer hipotese de sobreviverem sem o betão. Por isso vamos ter nos próximos anos os PIN e afins que vão mudar o país e tornar-nos ainda mais dependentes dos animais que lavam os tenis e roupa na piscina.

Por isso que o Antonio Costa continue sem orçamento para estragar Lisboa antiga para que esta continue a ser uma das capitais de maior cachet. Até que um dia caia.

Um abraço

Antonio

Alvaro Santos Pereira disse...

Olá António

Obrigado pelo seu estimulante comentário.
Lisboa é (e sempre foi) uma das minhas cidades preferidas. É certamente das cidades mais aprazíveis e bonitas que conheco. A questão que fala sobre a revitalização do centro histórico é fundamental. Não se compreende porque é que não existe uma política de atracção de investimentos imobiliários de recuperação da zona histórica. É verdadeiramente lamentável

E, quanto à proposta de Ernani Lopes, temo que tenha razão.

Um abraço amigo

Alvaro

Antonio disse...

Olá Álvaro,

Lembre-se só da reação à proposta do casino no Parque Mayer. Esta local é a zona ludica historica de Lisboa. Por arrastamento a construção do casino revitalisaria o meio envolvente, pois era do interesse do próprio casino que o espaço circundante tivesse glamour. E com uma zona de espectáculos com glamour no coração de Lisboa, esta estaria ainda mais em alta. Continua contudo esta zona a cair de podre.

Por outro lado e por razões de conveniência politica os senhorios foram tratados como párias. Como se o investimento para o arrendamento fosse uma actividade indigna. E mesmo hoje apesar de toda a gente reconhecer o problema não há ninguem capaz de reconhecer que os senhorios foram muitissimo mal tratados e houve muitos que ficaram completamente arruinados e tiveram que vender as suas casas ao desbarato para terem dinheiro para comer.(eu tenho uma tia que ia de chauffeur todos os anos passear pela Europa e hoje vive num lar de "desgraçados" da Mesericórdia e também eu tive uma 1ª dama do nosso país a utilizar de uma forma abusiva uma casa minha) Mesmo que se inverta a tendência e se criem grandes facilidades e incentivos financeiros e fiscais para a reconstrução de Lisboa enquanto o Estado não reconhecer e pedir desculpas a uma classe pela forma como foi tratada não haverá condições psicológicas para mexer em Lisboa. É que quase nenhum senhorio quererá arriscar a que daqui a uma dúzia de anos volte a ser considerado um pária e perca quaisquer direitos económicos. (porque razão a actividade de contruir umn prédio para arrendamento é menos nobre do que a actividade bancária de emprestar dinheiro ou a actividade comercial de comprar por 10 e vender por 20?)

E garanto-lhe que enquanto isso não acontecer nunca haverá confiança para inverter a situação.

É que as dezenas de milhares de prédios existentes em Lisboa a precisar de obras têm por detrás um rosto.


Quanto ao restante, veja-se o artigo do Miguel Sousa Tavares do Expresso do ultimo sábado.

A minha vida está muito ligada ao turismo e ao Algarve e eu sei por isso mesmo que o Miguel tem toda a razão. Salvo raríssimas excepções hoje a hotelaria do Algarve está de joelhos e nas mãos de meia duzia de grandes operadores tipo TUI que nos trazem gente que nunca viu um talher de peixe na vida e que não sabe distinguir vinagre de vinho e que quando se sentam num bar a primeira coisa que fazem é meter as patas na cadeira da frente. Toda a gente sabe isso mas todas as pessoas ligadas ao sector não divulgam isso no exterior.(Um pouco como os médicos que adoram falar mal uns dos outros mas que quando vêem os seus previlégios em causa se unem, como uma verdadeira corporação).

E repare-se apenas que os maiores grupos hoteleiros portugueses têm cada vez mais uma componente imobiliária porque a componente turistica deixou de ser sustentável.(atente-se apenas ao maior grupo hoteleiro nacional, o Grupo Pestana). Hoje o hotel e o campo de golf são apenas o chamariz para se vender as 600 moradias e os 1400 apartamentos que se construiram também volta e que são vendidos como o sonho de cada portugûes.

E este modelo de desenvolvimento que certamente a curto prazo irá gerar emprego irá condenar as zonas em que ele for realizado a viverem uma existência terceiro mundista nas próximas gerações.

É que estes imbecis ainda não perceberam ou não querem perceber que aquilo que define a massificação do turismo que todos dizemos não desejar, mais do que a falta de qualidade do produto, é a oferta excessiva do produto.

Quer isto dizer que mesmo que só se construam camas de 5 estrelas, estas passarão a ser vendidas a preços e clientes de 3 estrelas quando a oferta exceder a procura.

Um abraço

Antonio