09 julho 2008

NEM TUDO VAI MAL

Uma breve nota só para dizer que, segundo o INE, nem tudo vai mal na nossa economia. Segundo os últimos dados disponíveis,
"Em Maio de 2008, o valor das novas encomendas recebidas pelas empresas industriais aumentou 3,0% em termos homólogos, em resultado de andamentos díspares observados nos mercados nacional (10,1%) e externo (-6,0%)... Todos os Grandes Agrupamentos Industriais apresentaram comportamentos positivos, destacando-se o de Bens de Investimento que, com uma taxa de variação de 31,6%, registou a maior aceleração (3,5 p.p.) e apresentou um contributo determinante para a variação positiva do índice agregado (8,2 p.p.). O agrupamento de Bens de Consumo inverteu a tendência negativa que mantinha nos últimos cinco meses, tendo registado uma variação homóloga de 0,8% e um contributo de 0,2 p.p. para a variação do índice total."
NO MERCARDO EXTERNO
"No trimestre terminado em Maio de 2008, as encomendas recebidas na indústria com origem no mercado externo diminuíram 6,0%, -6,1 p.p que o registado em Abril. O comportamento mais negativo do agrupamento de Bens Intermédios (taxa de variação de -15,4%, -7,3% em Abril) sobrepôs-se aos resultados positivos dos restantes agrupamentos, tendo contribuído com -8,8 p.p. para a variação do índice agregado. O agrupamento de Bens de Investimento apresentou o contributo positivo mais influente (2,8 p.p.)"
Traduzindo o economês (lendo o texto não admira que as pessoas achem a economia cheia de "números" e "chata"):
Apesar de toda a retórica com a crise, algumas coisas parecem começar a correr melhor. Primeiro, são alguns indícios que a estrutura das nossas exportações começa a mudar. Agora, estes dados reforçam a ideia que as encomendas das empresas estão a começar a aumentar gradual mas significativamente. Note-se ainda que estes dados sugerem que as empresas nacionais (domésticas) industriais estão a começar a investir mais. Houve um retrocesso nos mercados externos a nível dos bens de consumo, mas até nesses mercados os bens de investimento registaram uma variação positiva (o que é surpreendente, devido à crise internacional).
São pequenos passos, eu sei, mas ao menos há algum movimento.
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Isto não quer dizer que irá haver retoma este ano ou até para o próximo. Tudo depende da evolução da economia internacional e da confiança dos investidores nacionais e internacionais. Mesmo assim, nem tudo está a colapsar, como nos tentam convencer os habituais profetas da desgraça.
(PS. EStou fora e, por isso, não me foi possível responder ainda à interessante discussão entre o Tiago, o António, a Gi, e o Miguel nos comentários ao post do PIB. Irei fazê-lo assim que regresse)

3 comentários:

Antonio disse...

Caro Álvaro,

Verifico que o Álvaro segue com alguma atenção a evolução da economia portuguesa. Mas com o devido respeito eu penso que o Álvaro tira conclusões um pouco apressadas da evolução dos dados fornecidos pelo INE ou BdeP. O que eu quero dizer é que existe uma forte tendência de se olhar para a árvore sem se ver a floresta. Como tenho vindo a defender, não estamos perante uma conjuntura de crise mas sim perante um periodo de grandes mudanças fruto de finalmente se terem aberto os vasos comunicantes entre os varios blocos económicos mundiais sendo que a partir de agora vence aquele que for mais competitivo. E na historia do mundo é a primeira vez que isso acontece. Ou não será se nos lembrarmos que os portugueses com o seu comercio maritimo para o Oriente vieram por em causa as rotas terrestres das especiarias que vingaram ate ao sec XVI. Mas na era moderna esta e a primeira grande globalização e está apenas no começo. E vai durar alguns anos ou decadas esta "revolução" até que
as novas regras do jogo estejam claras. E enquanto isso acontecer as economias ocidentais vão ser as grandes vitimas pois desta vez são as economias emergentes que estão a descobrir "os novos caminhos maritimos". O ocidente era detentor ate agora da rota terrestre das especiarias mas agora as novas economias emergentes pretendem colocar as suas especiarias a preços muito mais competitivos nos mercados. Que no fundo foi o que os portugueses fizeram quando desenvolveram o comercio para oriente.

Sendo nós no sec. XVI os causadores de um movimento que alterou muitas das regras das trocas entre o Ocidente e o Oriente, não consigo perceber porque hoje não conseguimos entender que o que está a acontecer é algo semelhante.Mas em sentido inverso.

Porque é pelo menos muito importante que se encare esta questão e não se faça como a avestruz e se pense que com uns pequenos acertos se consegue inverter a tendência actual.

Como diria Cesar,(agora que se celebra o 21º centenário do seu nascimento), os dados estão lançados. E ou aprendemos a jogar com eles rapidamente ou arriscamo-nos as que os novos gauleses e germanos (neste caso indianos e chineses) tomem rapidamente de assalto as nossaqs posições.

Um abraço

Antonio


Um abraço

Antonio

Antonio disse...

Caro Álvaro,

Aqui vai uma blasfémia. Como tenho vindo a dizer, a actual crise tem a sua génese no processo imparável de aquisição, crescimento e transferência de conhecimento e capacidade produtiva para oriente.

Se o aumento do preço do petróleo fosse o causador desta crise, então a China e a India tinham também invertido o seu ciclo de crescimento. Mas não. Embora tenha havido um ligeirissimo arrefecimento destas economias, estas continuam pujantes. O que significa ou pode significar que as razões da actual crise são bem diversas.

E pode ser até que este aumento incontrolado do preço do crude abra uma janela de oportunidade para o investimento sério em novas tecnologias e investigação que permita encontrar alternativas. Se assim for, como o Ocidente ainda leva muitos anos de avanço, talvez se abra uma janela de oportunidade que permita ao Ocidente revitalizar as suas economias e voltar a tomar a dianteira.

Não se esqueça que o preço do petroleo afecta igualmente todas as economias e que tera maior peso relativo naquelas em que o custo energético tiver maior peso. E neste caso a China sofrerá mais do que o Ocidente que também tem custos mais nacentuados noutras áreas.

Um abraço

Antonio

Alvaro Santos Pereira disse...

Olá António,

Estimulantes os seus pensamentos, como sempre. Respondo mais adequadamente amanhã

Abraço

Alvaro