10 julho 2008

O PESSIMISMO DAS EMPRESAS

Como o António já nos vem alertado há algum tempo, as empresas estão bastante pessimistas quanto à evolução da economia nacional nos próximos tempos. Aliás, a significativa queda da Bolsa portuguesa no primeiro semestre do ano reflecte exactamente este pessimismo. A confirmar estas suspeitas, a Associação Industrial Portuguesa apresentou os resultados de um inquérito que mostra bem o pessimismo reinante no nosso mundo empresarial. Segundo o DN, "De um universo de 1260 empresas abrangidas pelo inquérito, que engloba associados da AIP, mas também de outros sectores de actividade além dos industrial, 88% classificou de "má" ou "muito má" a actual situação económica (mais 23 pontos percentuais do que no inquérito de 2007". E apenas 11% considerou a conjuntura que atravessamos é "normal". Além disso, 69% estima que a situação económica em 2008 será "pior ou muito pior" do que em 2007. E apenas 25% admitem que poderá ser igual à do exercício anterior."
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Não é de espantar este pessimismo. A estagnação económica já dura há 7 anos e quando as coisas pareciam ir melhorar, eis que surge a pior das crises possíveis: um choque petrolífero que fez subir os custos operacionais de todas as empresas e fez diminuir a procura externa dos nossos produtos. É por isso que já há gente do partido do governo que afirma que as "contas saíram furadas ao governo". Pois. E é por isso que surgiram as medidas de desespero ao apostar numa nova política de betão que terá rendibilidades muito duvidosas na maioria dos casos.
Apesar da crise e das contas furadas do governo, o inquérito da AIP tem alguns aspectos positivos. Ainda segundo o DN, "a maioria das empresas inquiridas avalia de forma positiva a sua situação financeira e 59% delas tem intenção de realizar investimentos, no decurso deste ano, superiores aos de 2007." Ou seja, a crise está aí, as coisas estão difíceis para as empresas, mas, ainda assim, a grande maioria das empresas tem confiança no futuro da economia portuguesa. Se não tivessem, certamente não estariam disponíveis para aumentar os seus investimentos na economia nacional, um aumento de investimento que, sublinhe-se uma vez mais, acontece numa altura particularmente pouco favorável no panorama económico internacional. E se isto não são boas notícias, são pelo menos boas indicações que as nossas empresas continuam a acreditar na nossa economia.

2 comentários:

Antonio disse...

Caro Álvaro,

A intenção de investir não significa necessáriamente que haja confiança na economia portuguesa. Significa sobretudo que existe a consciência de que não investir não é alternativa. Não investir é a certeza de condenar a empresa ao insucesso.Portanto só nos resta fazer o melhor. E esperar que resulte.

Mas penso que na cabeça de muitos empresários existe a consciência de que quase nada existe para produzir que a China não consiga produzir a metade do preço

E essa tendência vai agravar-se nos próximos anos. Com pessimas consequencias.

Portanto o caminho sío pode ser o ir para frente.

Um abraço

A.Neto

Alvaro Santos Pereira disse...

Olá António,

Falarei da China e da Índia noutro post.
Quanto ao investimento, posso concordar que ás vezes quase não há alternativa para a empresa. Mas, há sempre alternativas para o investimento. Tanto no país, como noutros sectores e no exterior. Como o António bem sabe da sua experiência profissional, quem investe está também à espera de retorno. E quando não há expectativa de retorno, não há investimento, tal como aconteceu nos últimos anos

Um grande abraço

Alvaro