15 outubro 2008

AINDA A CRISE FINANCEIRA

Aqui está um artigo interessante no New York Times sobre as semelhanças entre a situação actual e outras crises financeiras que a precederam, principalmente no que diz respeito à intervenção estatal. Como pode ver, a intervenção do Estado neste tipo de crises não é, de modo algum, invulgar.
Este artigo debate se as origens da crise actual não se encontram na era Greenspan.

3 comentários:

Sócrates disse...

Apesar de ser comum, não será "incoerente" tendo em conta o mercado e a tendência que temos vivido?

Devo dizer que não sou fã do mercado livre, mas sim, e tendo em conta as experiências (falhadas?) socialistas, de uma economia relativamente livre (isto é, com iniciativa privada) mas com forte regulação estatal. No entanto é a economia de mercado livre que tem sido há já algum tempo defendida por muita gente. Admito que possa ter uma velocidade de desenvolvimento maior, mas não será como um automóvel que tem uma boa velocidade de ponta para depois ficar parado na berma porque o motor aqueceu?

Quando tudo corre bem, os defensores da economia liberal queixam-se sempre que o Estado está demasiado presente, que não querem um estado paternal, que eles já são "crescidinhos". Quando a coisa corre mal, porque lhes é dada liberdade para se auto-gerirem, vêm a correr para o Estado, que nem "crianças chorosas", a pedir tudo e mais alguma coisa.

Poder-se-ia argumentar que a população no geral beneficia com os períodos de prosperidade do mercado liberal, não coloco isso em causa (e compreendo que essa dinâmica é até complicada de analisar num comentário ou mesmo numa entrada de um blog), no entanto não será mais seguro um mercado fortemente regulado para que quando as coisas correm mal, a população no geral não seja a sacrificada de sempre, pagando a crise com a perda do seu poder de compra, desemprego e ainda pelos seus impostos que vão "salvar" as grandes empresas (que pelos vistos "ganham" sempre). Não será mais seguro e lógico um crescimento sustentado que evite grandes alterações sociais (tanto de "enriquecimento" rápido, como de "empobrecimento")?

por outro lado, seria interessante comparar as políticas que estão a ser seguidas nos vários países relativamente a estas "ajudas" e quais as condições que cada Governo apresenta para aceitar auxiliar as empresas (bancos especialmente) em risco... pois se não há dinheiro para áreas como a Educação, Saúde e Administração Pública, não será sensato andar a desbaratar dinheiro para ser usado em ordenados milionários de gestores incompetentes (afinal, são eles o homem do leme da alta finança e vê-se no que isso deu) ou em indemnizações compensatórias, bónus, dividendos, etc. A desculpa que o Estado já por si debarata dinheiro não deverá ser usada, pois não é lógico de todo agir incorrectamente só porque é "tradição".


Esta é apenas a minha opinião. Não sou especialista em economia nem essa é a minha área profissional. Interesso-me por política e economia e acho que para haver Democracia, temos que estar todos minimamente informados. Os partidos políticos não devem ser vistos como clubes desportivos de paixões dogmáticas. Assim sendo sem dúvida ainda muito que aprender (e vai sempre a haver muito a aprender), pelo que até agradeço contra-argumentação. :)

Porfirio Silva disse...

Porque é preciso recomeçar a pensar (a menos que se pense que "a crise" foi um carnaval e já estamos em quarta-feira de cinzas...), permito-me interromper para sugerir Para uma economia política institucionalista .

Alvaro Santos Pereira disse...

Caros Sócrates e Porfírio Silva,

Muito obrigado pelos vossos comentários. Tentarei responder adequadamente às vossas perguntas e sugestões hoje e amanhã (inclusivamente o post do Porfírio).

Entretanto, muito obrigado

Alvaro