02 fevereiro 2011

A REVOLUÇÃO EM CURSO (1)

Há uns dias no debate do Diário de Notícias afirmei que estava convicto de que estávamos à beira de uma revolução em Portugal, uma revolução que não se fará nas ruas e que não será sangrenta. Uma revolução silenciosa que irá alterar radicalmente a forma como encaramos o Estado e como o próprio Estado actua.
Há inúmeras razões que irão tornar esta revolução inevitável, mas o principal motivo para que tal aconteça é simples de explicar: não temos alternativa. Se não levarmos a cabo uma verdadeira reforma do Estado arriscamo-nos a pôr em risco o próprio Estado Social e a causar uma deterioração ainda maior da nossa situação económica. Isto já para nem falar na possibilidade de cairmos numa situação de incumprimento das nossas obrigações financeiras. Por isso, tenho confiança que a revolução vai ser feita e até acho que acabará por ser bem feita. Não por este governo, como é evidente, mas pelo próximo.
Ainda assim, não deixa de ser interessante verificar que alguns sectores deste governo já se deram conta que têm muito a ganhar se, entretanto, também introduzirem iniciativas que possam reduzir alguma da despesa estrutural do Estado. Assim, ficámos ontem a saber que o Ministro dos Assuntos Parlamentares defendeu uma redução do número de deputados (depois do seu partido ter recusado esta mesma ideia em 2008), enquanto o Secretário de Estado da Administração Local advogou uma diminuição do número de autarquias. Estão de parabéns. São boas iniciativas, sim senhor. Agora, é arregaçar as mangas, negociar e planear devidamente como e quando é que as coisas poderão ser feitas.

1 comentário:

Manuel disse...

Ao contrário do autor do «post», não estou optimista, pois os figurões que dominam o palco político continuam os mesmos. Vejam a reacção do senhor ANMP (Fernando Ruas); e ainda não chegou a reacção das populaças. Quanto à redução de deputados, se os troca-tintas do PS agora se mostram concordantes, outros virão a seguir a contrariá-la, desde o CDS ao BE, passando pelo PC, e isto se o PSD conseguir resistir aos diversos lobby's que o compõem. A história do PSD na consolidação das contas públicas, desde 1977, é muito pouco confiável.
Estamos muito perto do abismo, mas ainda não caímos lá bem no fundo. Estou convicto de que mesmo depois de lá cairmos ainda ouviremos o senhor Jardim vociferar contra os «colonialistas» que lhe roubam os fundos para «alcatranizar» a «sua» ilha, ou os outros «jardinzinhos» continentais que farão ouvir a sua voz logo que o PSD assuma as rédeas do país. Há por aí tanta gente inquieta, nervosa mesmo, sedenda de se sentar à mesa do orçamento, apesar de já haver pouco para distribuir, mas a ilusão continua.
Basta vê-los e ouvi-los todos os dias nos «media».
Manuel Henrique Figueira