12 fevereiro 2008

SUB-PRIME

Mais indícios que a crise do sub-prime se está a alastrar para outros sectores.

1 comentário:

Antonio disse...

Caro Álvaro

Aqui vai mais uma discordância relativamente ao seu “mitos”.
Diz você que uma das coisas boas da actual crise é que permite que os portugueses se disponham a aceitar reformas. Mas vejamos, quais reformas? O Simplex não pode ser considerado uma reforma. Porque não mexe nem com estatutos ou interesses de pessoas ou grupos. O Simplex que já antes deste Governo começara a ser delineado é antes a aplicação da informática ao sistema burocrático do país. È claro que tem o seu mérito, dado o gigantismo da tarefa. Mas não é uma reforma. É claro que agora pagamos o s impostos e pedimos uma certidão pela net. Mas não imagine por um momento que a vida das empresas está mais facilitada. Alguém que desmascare isso. O Editorial&Opinião do 1º caderno do Expresso desta semana toca na ferida. Temos “Os legisladores compulsivos”. O meu escritório encontra-se afogado em documentação. Para as Finanças, para a “Inspecção do Trabalho”, para a ASAE, para o INE, para o Banco de Portugal, para o ministério da Tutela, para a Autarquia etc. E vivo angustiado porque tenho a perfeita consciência que esta documentação nunca será suficiente em caso de uma inspecção e que estarei sempre dependente da compreensão e boa vontade dos inspectores. Que talvez me apliquem uma multa pelo mínimo dado reconhecerem que não há vestígios nem de fraude nem de qualquer outro dolo. Os custos desta burocracia, bem ao jeito de Bruxelas são enormes. Impedem-nos de nos concentrar no que é a actividade da empresa para nos concentrarmos na burocracia. Uma enorme perda de eficiência.

E que outras reformas? Reforma da função pública? Tenho-me deparado em repartições com gente a fazer a sesta. E que não atendem os telefones porque não querem ser chateados. Mas cada reforma esbarra numa Providência Cautelar. O temido Quadro de excedentários não deve chegar para formar um Pelotão.

Reforma da justiça? Pobre do cidadão que tiver de recorrer à justiça! Só através de um exercício de imaginação podemos considerar que vivemos num estado de direito.

Reforma da Educação? Ainda ontem um tribunal dava provimento a não sei quantos pedidos de providências cautelares requeridos pelos sindicatos. E assim se vão esvaziando as reformas.

Reforma da saúde? Um burro. Para além de burro é teimoso. O ministro da saúde demonstrou essas qualidades. Se eu quiser fazer uma reforma na minha empresa, primeiro tenho de preparar a alternativa. Quando esta estiver operacional, posso eliminar os procedimentos anteriores. E claro que os meus clientes não podem ser as vitimas mas sim os beneficiários das minhas reformas. Porque senão perco os clientes.
Penso que por questões orçamentais, o Sr. Ministro pôs o carro à frente dos bois. Destruiu antes de construir. Descredibilizou assim a sua reforma. Ao ponto do seu chefe ter sido obrigado a fazer um golpe de rins. No dia anterior o Sr. Ministro dizia que estava na maior e no dia seguinte estava na rua.

E já agora vamos ao Turismo. A minha vida tem ligações ao Turismo e à Saúde. Como todos sabemos as estatísticas não estão a ajudar a imagem do Sr.In..genheiro. Como melhorar a estatística do investimento? Pelo consumo de cimento. Como melhorar os números do desemprego? Através de sectores de mão de obra intensiva. Nada melhor que a hotelaria e a construção civil. Depois, o ultimo a chegar que feche a porta. Os projectos são mais que muitos. Neste fim de semana almocei em Lisboa com um Guru de uma mui poderosa estrutura turística europeia e com o qual mantenho relações de amizade e que estava de passagem pelo nosso país. Disse-me não ver sustentabilidade nesta enorme profusão de projectos que continuam a sobrecarregar o Algarve e que vão invadir o Alentejo. Mas ironizando disse-me que via pelo menos uma vantagem. Daqui a quatro ou cinco anos não via a necessidade de todos os anos enviar a Portugal directores de contratação. Com tanta escolha bastava-lhes enviar um mail estabelecendo os preços a praticar já que não haveria lugar a negociações. E fique sabendo que neste momento a tendência é claramente essa. E anda o nosso Pinho a promover sempre que pode novos empreendimentos turísticos. E um empreendimento turístico não é como uma seara que permita no ano seguinte ficar em pousio ou semear girassóis.

Por ultimo e nada tendo a ver directamente com o seu livro, gostava que você comentasse esta cegueira do BCE que parece achar que a economia europeia respira saúde e que está imune à recessão vinda dos USA. Não era sequer preciso a recessão americana para nos preocupar. Basta o elevado valor do Euro para permitir antever a curto prazo enormes dificuldades à economia europeia por perca de competitividade. Será que pode haver tanta miopia? Não se esqueça. Eu, pobre António declaro que vamos levar com uma valentíssima crise. Pode vir ao retardador. Mais vai ser do tipo pegajoso. Tipo alcatrão.

Vai uma apostinha?