14 julho 2009
OS PARTIDOS E A CRISE
07 julho 2009
O "REI" ESTÁ MORTO
03 julho 2009
A DEMISSÃO DO MINISTRO
27 junho 2009
DIVINA
Estava hoje à procura de novidades de jazz numa loja quando ouvi uma música que me chamou a atenção. Perguntei quem cantava e responderam-me Melody Gardot. Não conhecia. Eu sei, eu sei. A capa engana. Não parece jazz, mas é. E do melhor, pelo menos algumas das músicas. As primeiras músicas do album são engraçadas, mas não são certamente nada do outro mundo. Porém, a faixa 9, "My one and only thrill", que dá nome ao album, é simplesmente divinal. Os arranjos são extraordinários e a música é do mais bonito que ouvi nos últimos tempos. Simplesmente perfeito. Vale a pena descobrir, principalmente se começar na nona faixa.26 junho 2009
UM OUTRO MANIFESTO
24 junho 2009
ATAQUE À CRISE
Neste sentido, o meu desejo é que os partidos façam um verdadeiro debate sobre as suas visões estratégicas para o país e não passem o tempo preocupados com um confronto de estilos ou com trivialidades que não levam a nenhum lado. Tenho a esperança que possamos levar a cabo esse debate, nem que não seja devido à grave crise que nos assola. Veremos se esta não é uma esperança infundada.
20 junho 2009
O APELO DOS ECONOMISTAS
Em primeiro lugar, o que nos levou a redigir e subscrever o documento não foi nenhuma motivação política nem uma outra qualquer razão obscura. Entre os 28 subscritores, há pessoas de várias tendências políticas, independentes e ex-ministros de diversos governos, que têm certamente posições muito distintas em relação à política económica nacional.
Em segundo lugar, penso que é importante realçar que o que fez unir 28 pessoas com opiniões tão diversas foi o desejo de alertar os portugueses sobre a necessidade de reflectir um pouco mais sobre os grandes projectos públicos (TGV, aeroporto, e auto-estradas), e de realizar estudos mais aprofundados sobre estes mesmos projectos. Entendemos que, na conjuntura actual, o interesse nacional não é devidamente salvaguardado com o investimento publico em mega projectos de rentabilidade duvidosa. No mínimo, entendemos que deve haver uma reflexão adicional e um debate mais alargado sobre estes projectos.
Em terceiro lugar, certamente que os 28 subscritores do apelo têm opiniões distintas sobre a melhor forma de atacar os problemas estruturais da economia portuguesa. No entanto, o que é notável é que foi possível obter consenso entre tantos economistas. Uma das anedotas mais conhecidas dos economistas é que se colocarmos 5 economistas numa sala a discutir um problema de política económica, sairão de lá 5 recomendações diferentes. Aplicando o mesmo raciocínio, penso que é significativo que 28 economistas esqueceram as suas diferenças para assinar um documento conjunto sobre um tema da maior importância para o país.
^
Finalmente, uma opinião mais pessoal. É óbvio que a intenção dos subscritores não foi criar uma arma de arremesso político. Houve inclusivamente o cuidado de avançar somente depois das eleições europeias. No entanto, também me parece evidente que este será um dos temas da campanha eleitoral, o que acho bem, pois é preciso que haja um debate alargado sobre o assunto. Porém, e independentemente das nossas preferências políticas, o que seria importante é que os principais partidos políticos portugueses defendessem de uma vez por todas um estudo mais abrangente destes mega-projectos públicos. Seria igualmente desejável que houvesse uma reavaliação das prioridades nacionais numa altura em que temos uma crise interna que já dura há quase uma década, o país sobreendividado tanto interna como externamente, bem como a maior crise internacional das últimas décadas. Não serão estes motivos suficientes para sermos mais prudentes na aplicação de escassos recursos públicos e privados? Não haverão alternativas melhores à aplicação destes fundos? Penso que sim, assim como defendi no meu último livro.
Fico à espera da vossa opinião sobre o assunto. Se desejarem ver o documento, bem como uns gráficos que preparámos sobre a situação económica actual, podem fazê-lo aqui.
15 junho 2009
PRIMEIRO PASSO
14 junho 2009
CRISE E BANCOS CENTRAIS
A Fed e o Banco da Inglaterra foram muito mais activos e tiveram uma intervenção mais contundente nos primeiros meses da crise, enquanto o BCE foi mais prudente. Em parte, esta diferença justifica-se com os próprios mandatos de cada um dos bancos. A FEd e o Banco de Inglaterra têm por mandato a estabilidade de preços, mas também o estímulo da economia, enquanto o BCE só tem por mandato a estabilidade de preços. Penso que essa foi uma das razões que levaram o BCE a demorar um pouco mais a baixar os juros do que os seus congéneres nos outros países mais desenvolvidos.
No entanto, vale a pena assinalar que desde meados de 2008 que os bancos centrais da OCDE cooperaram entre si para aumentar a quantidade de fundos na economia mundial. A crise do subprime levou a uma grande contracção da oferta de crédito e, por isso, os vários bancos centrais actuaram aumentando os fundos existentes.
_
Se até há pouco tempo quase toda a gente falava na privatização dos bancos públicos, hoje são poucas as vozes que se levantam para defender esta ideia. Afinal, qual é o papel dos bancos de capitais públicos no meio desta crise? Funcionam um pouco como “a mão invisível” de governos e Bancos Centrais como forma de garantir a tão desejada “estabilidade” económica ou são mais que isso?
A crise financeira internacional veio demonstrar que manter um banco público pode ser útil, principalmente para países com um menor nível de desenvolvimento (e que, assim, estão sujeitos a maior volatilidade). O banco público pode ser utilizado em períodos de maior instabilidade como um garante de estabilidade financeira. Isto é, nestes casos, o banco público pode ser uma autêntica âncora estabilizadora do sistema financeiro. Um banco público pode igualmente servir de suporte ao próprio desenvolvimento económico, ao ser o financiador de projectos de importância estratégica e ao aparecimento de novas empresas. Mas, nem tudo são rosas. Se o banco público não mantiver uma certa independência na sua gestão, há sempre o risco de instrumentalizar em demasia a sua actividade. Por outro lado, é também importante realçar que a nacionalização de bancos privados nos países mais ricos é meramente temporária, até que estes bancos recuperam da crise dos últimos meses.
É conhecida a crispação entre Greenspan e o presidente norte-americano George W. Bush durante o seu mandato, chegando este a utilizar o seu discurso sobre o estado da união em 1991 para mostrar o seu descontentamento do papel da Fed ao dizer que "Temos observado demasiado pessimismo". Qual é a importância dos Bancos Centrais estarem forem da alçada do governo, de serem verdadeiramente independentes? É da máxima importância que isso suceda para o bem da economia ou ambas as organizações (Governo e Banco Centrais) podem/devem estar directamente ligadas?
É muito importante. Vários estudos demonstram que a taxa de inflação média é mais baixa nos países com bancos centrais independentes e que a estabilidade macroeconómica é maior. Para além do mais, quando os bancos centrais não são independentes, há sempre a tentação de um governo pedir ao banco central para estimular a economia antes de uma eleição, por forma a ganhá-la. O banco central pode fazê-lo quer baixando as taxas de juros, quer aumentando a quantidade de dinheiro na economia. Se tudo correr como esperado, a economia cresce, a inflação sobe e o desemprego diminui antes da eleição. Depois de ganhar as eleições, o governo e o banco central são forçados a re-estabilizar a economia e a controlar a inflação, o que irá fazer com que o crescimento económico baixe e o desemprego suba. O processo termina com uma situação semelhante à inicial, mas com maior inflação. Isto é, a situação macroeconómica deteriora-se. Por outras palavras, quando os bancos centrais não são independentes do poder político há sempre a tentação de criar ciclos económicos políticos que somente aumentam a instabilidade económica.
Um exemplo ainda mais dramático da ausência de independência dos bancos centrais é-nos dado pelo Zimbabwe, que viveu recentemente uma das maiores hiperinflações da história mundial. Se o banco central zimbabueano fosse independente do poder político é muito provável que o país não teria sido sujeito à tragédia económica e social dos últimos meses.
12 junho 2009
IRRESPONSABILIDADE AO RUBRO
INTERREGNO
15 maio 2009
A CORRUPÇÃO E A CRISE
Como a crise interna já se arrasta há quase uma década, tem-se propagado a ideia de que muitos dos nossos males provêm do elevado nível de corrupção que grassa em Portugal, um sentimento agravado com os badalados casos que recentemente têm vindo a público. Por isso, vale a pena perguntar: será mesmo assim? Afinal, quão grave é a corrupção em Portugal?
Para respondermos a estas perguntas, o melhor é socorrermo-nos aos estudos comparativos da corrupção no mundo. O mais conhecido é o da Transparency International, cujo índice de percepção de corrupção é dos mais utilizados pelos investigadores destas matérias. E o que é que este índice nos informa? Que, em 2008, Portugal se encontrava em 32º lugar entre 180 países em termos de percepção de corrupção. Na Europa, Portugal estava na 19ª posição (em 31 países), tendo uma classificação pior do que a Espanha, mas melhor do que a Grécia, a Itália e a República Checa. Isto é, em relação à percepção de corrupção, e contrariamente àquilo que às vezes se pensa, Portugal não é dos melhores, mas certamente não é dos piores. Portugal está ligeiramente pior do que a média europeia. Esta ideia é confirmada se atentarmos às práticas de corrupção. Inquéritos realizados por esta organização revelam que somente 2% dos entrevistados portugueses já pagaram um suborno para obter determinados serviços.
_
Mas as notícias menos más acabam aqui. Este índice internacional mostra claramente que a de percepção de corrupção tem piorado nos últimos anos. Assim, em termos europeus, Portugal desceu 5 posições entre 1998 e 2008. Pior: dois terços dos portugueses esperam que os problemas de corrupção vão aumentar nos próximos anos e, ainda mais grave, dois terços de nós consideram que o governo tem sido ineficaz no combate à corrupção. Ou seja, a percepção da corrupção tem aumentado com o arrastar da crise económica e a desconfiança em relação aos nossos governantes tem crescido consideravelmente.
Esta ideia é confirmada se observarmos o impacto da corrupção nas várias instituições nacionais. Os portugueses consideram que os partidos políticos são muito corruptos e que o Parlamento, as autoridades fiscais, e o sistema judicial são corruptos. A Polícia e os serviços médicos são igualmente olhados com desconfiança. Moral da história: apesar de Portugal não ser um país onde a corrupção impera, é preocupante observar que a percepção de corrupção tem aumentado substancialmente e que o nosso sistema político é visto com extrema suspeição pelos portugueses. Decerto que esta desconfiança em relação aos partidos políticos não terá diminuído com a aprovação da nova lei do financiamento dos partidos.
_
Claramente, esta tendência tem que ser invertida. Por isso, o próximo governo tem responsabilidades acrescidas nesta matéria, principalmente se pretender ter aspirações reformistas. Neste sentido, a primeira medida do próximo governo devia ser a introdução de um pacote credível de medidas anti-corrupção. Uma tal medida seria importante para restaurar a confiança dos portugueses nos seus governantes e instituições, bem como para travar a recente subida da percepção da corrupção. E como todos sabemos, a restauração da confiança é o primeiro passo para alcançar uma retoma económica há tanto esperada e desejada. Por isso, esperemos que os próximos governo e Parlamento tenham coragem de fazer aquilo que os portugueses crescentemente exigem: a introdução de leis anti-corrupção credíveis, que moralizem a vida pública e que ajudem a combater o generalizado clima de descrença que se vive no nosso país.
14 maio 2009
INTERESSE NACIONAL E O BLOCO CENTRAL
"Nos últimos dias, intensificou-se o debate sobre as virtudes e as desvantagens de um governo do Bloco Central após as próximas eleições legislativas. Em circunstâncias normais, não faria sentido falar num novo Bloco Central. Contudo, nós não estamos em circunstâncias normais. Bem pelo contrário. Por isso, vale a pena relembrar o que está em causa.
>
E é aqui que chegamos à questão do Bloco Central. Num cenário em que nenhum partido consiga alcançar a maioria absoluta nas legislativas, terá o país capacidade para combater eficazmente a crise e implementar uma nova política de competitividade? A resposta é claramente negativa. Perante os enormes desafios que se colocam à economia nacional e perante a grave crise internacional, Portugal não se pode dar ao luxo de ficar refém de partidos cujas políticas iriam agravar ainda mais o nosso problema de competitividade, nem refém do imobilismo que inevitavelmente seria associado a um governo minoritário. Por isso, nesse cenário, um governo do Bloco Central é um verdadeiro imperativo.
Será possível que o PS e o PSD consigam chegar a um acordo? Sim, pois nas grandes questões nacionais há mais consensos do que divergências irresolúveis entre os dois principais partidos portugueses. Nesse sentido, um governo do Bloco Central poderia ser um catalisador para prosseguir uma agenda reformista.
<>
Mas nem tudo seriam rosas. Provavelmente, um dos principais pontos de contenda num governo do Bloco Central seria a prioridade a dar aos grandes investimentos públicos. No entanto, talvez mesmo nessa questão seja possível chegar a um acordo, visto que, com o agravamento da crise económica, será cada vez mais difícil justificar desbaratar escassos recursos financeiros para embarcar em projectos financeiros irrealistas e potencialmente comprometedores para a saúde financeira do país.
Em suma, embora um governo PS-PSD possa ser difícil de alcançar ou de concretizar (pois há muitos interesses nos dois partidos para que um tal cenário não se materialize), a verdade é que um novo Bloco Central poderia ser o paliativo necessário para que algo mude em Portugal e para que os portugueses voltem a acreditar nos nossos políticos.
Há momentos em que a política partidária deve ser temporariamente posta de lado em prol do interesse nacional. Este é exactamente um desses momentos. E é por isso que faz todo o sentido falar num governo do Bloco Central."
13 maio 2009
GRANDE DEPRESSÃO OU GRANDE RECESSÃO?
Dois ilustres historiadores económicos, Barry Eichengreen e Kevin O'Rourke, compararam o que aconteceu à economia mundial durante a Grande Depressão e durante os primeiros meses da recessão actual. Os investigadores chegaram à conclusão que a descida do PIB mundial desde Abril de 2008 tem sido tão acentuada como durante a Grande Depressão (ver gráfico acima). Pior, na crise actual os mercados financeiros mundial e o comércio internacional já desceram ainda mais do que na década de 1930. Quer isto dizer que estamos mesmo numa nova Grande Depressão? À primeira vista, parece que sim. No entanto, como já aqui falámos e como estes investigadores demonstram aqui, a grande diferença entre a Grande Depressão e a crise actual tem ocorrido ao nível da resposta da política económica. Esssencialmente, desde Abril de 2008, as taxas de juros já desceram muito mais depressa do que durante a Grande Depressão, oferta monetária tem aumentado muito mais depressa do que então (gráfico abaixo) e os governos têm aumentado os défices orçamentais a um ritmo muito superior. Por outras palavras, tanto a política monetária como a política fiscal têm sido muito mais agressivas (e expansivas) actualmente do que na Grande Depressão. Isto é, os governos e os bancos centrais aprenderam as lições do período da Grande Depressão e têm actuado mais rapidamente. Resta saber se vai resultar. É verdade que já há indícios que algumas economias na OCDE têm dados sinais que poderão estar a começar a recuperar, mas ainda é cedo para termos certezas.Gráfico 2 _ Oferta monetária mundial na década de 1930 e actualmente
PS. Gráficos retirados daqui30 abril 2009
GRIPE SUÍNA
DN_ O Banco Mundial estimava que uma epidemia de gripe da aves teria um impacto de 3 mil milhões de dólares na economia global. É possível prever os impactos desta nova gripe?
Certamente que, brevemente, quando tivermos uma noção mais concreta do impacto e da extensão do problema, irão surgir estimativas do impacto da gripe suína. O que sabemos é que o impacto final irá depender da extensão e difusão desta nova gripe. Tudo vai depender se vai haver realmente uma pandemia, quantos países serão afectados, etc.
DN- O fecho das fronteiras é a principal ameaça? Que efeitos pode ter?
Sim, o encerramento das fronteiras é uma das ameaças mais sérias. Se tal acontecesse, os efeitos económicos seriam bastante consideráveis, pois esta gripe surge num momento em que a economia mundial já está bastante debilitada. O encerramento das fronteiras irá lesar principalmente os países mais dependentes do comércio externo.
DN- Os mercados, depois de um impacto negativo nos primeiros dias, parecem agora estar a reagir bem... é de esperar que continuem a reagir bem?
Tudo vai depender da evolução da doença. Se a febre suína se tornar mesmo numa pandemia, o comércio internacional será muito atingido, o que seguramente irá afectar negativamente os resultados das empresas. Num tal cenário, certamente que os mercados irão reagir de forma negativa.
DN- Há empresas que podem sair a ganhar?
Há sempre empresas que podem sair a ganhar. Obviamente, muitas empresas do sector da saúde irão beneficiar, não só os produtores de medicamentos como o Tamiflu, mas também as empresas que vendem máscaras, produtos desinfectantes e sanitários, etc. Mas há muitos outros potenciais vencedores. Imaginemos um cenário em que se dá mesmo uma pandemia mundial e que o comércio internacional é seriamente afectado. Haverá produtores nacionais que poderão sair beneficiados se os seus concorrentes externos forem atingidos. Obviamente, se os preços dos produtores nacionais forem mais elevados do que os preços dos seus concorrentes internacionais, quem pagará a diferença serão os consumidores.
DN- Quais as que podem perder mais?
As empresas que podem perder mais são exportadores e importadoras, bem como aquelas que dependem de matérias-primas e bens intermédias para as suas produções. Ou seja, as empresas que podem perder mais são aquelas que mais dependem do comércio internacional para as suas actividades.
DN- É importante para as empresas estabelecerem planos de contingência?
Sim, claro que sim. Aliás, é muito provável que muitas empresas já o estejam a fazer, principalmente se dependerem de mercados externos para as suas produções