18 janeiro 2008

AMEAÇAS DE RECESSÃO

Gordon Brown já tinha avisado, e a inédita acção concertada dos bancos centrais já o tinham indiciado, mas agora temos o aviso mais sério sobre as possibilidades reais de haver uma recessão na maior economia do mundo. Num discurso sombrio e um pouco alarmante, Ben Bernanke, presidente da FED, o banco central americano, alertou que a recessão estava à porta e que era preciso introduzir um pacote de medidas destinadas a estimular a economia. Os mercados financeiros já reagiram de forma muito negativa ao discurso, o que não é surpreendente dado do tom de Bernanke. É de notar que as afirmações de Bernanke são ainda mais preocupantes se nos lembrarmos que a maneira mais rápida de sair de uma recessão é fazer descer taxas de juro e/ou aumentar a liquidez da economia (isto é, aumentar a disponibilidade financeira dos agentes económicos, ou, em economês, utilizar uma política monetária expansionista). Ou seja, duas responsabilidades do banco central e, assim, de Bernanke.
Deste modo, o que Bernanke está a dizer é que a política monetária já não é, por si só, suficiente para evitar a recessão, sendo também necessário levar a cabo um conjunto de medidas fiscais. Que medidas fiscais? Um governo normal aumentaria as despesas públicas e cortaria alguns impostos, de forma a estimular o consumo e o investimento. Como a administração Bush é verdadeiramente fundamentalistas a nível do corte de impostos, é muito natural que o pacote de medidas a introduzir consista principalmente de uma baixa de impostos. Resta saber se os benefícios fiscais serão proporcionalmente maiores para os indivíduos com rendimentos mais elevados (o que tem sido a norma nesta administração) ou não. Hoje saberemos.
Entretanto, poderemos estar certos que a economia se tornará cada vez mais no tema central das eleições americanas.

2 comentários:

Henrique Braga disse...

Os EUA são o único país do mundo a ter um dispositivo de segurança contra recessão. Pois quando o dólar (moeda de reserva mundial) baixa, os demais países do mundo também têm prejuízos, reduzindo as exportações para os EUA (dólar baixo). Isso fortalece a indústria e o comércio local norte-americanos, que aquecem a economia interna e começam a exportar mais também. Tudo porque o dólar é uma moeda de reserva mundial. Ex: A China tem 1 trilhão de dólares de reserva. Se o dólar cair 10%, terá um prejuízo de $100 bilhões de dólares (para a China e demais países, fica mais difícil exportar para os EUA com o dólar baixo = margem de lucro reduzida = fortalecimento do PIB norte-americano). Este é o dispositivo de segurança contra recessão que, se acontecer, durará em torno de 6 meses.
O grande problema da grande recessão de 1930 foi que o governo norte-americano da época não injetou dinheiro no mercado com medo de pejuízos, promovendo um quebra-quebra geral de empresas, que só se recuperaram apenas 15 anos depois (II Guerra Mundial).
Por isso que o Bush e o FED estão injetando dinheiro pesado no mercado. Talvez injetem mais ainda, a depender do andar da carroagem.

Alvaro Santos Pereira disse...

Tem toda a razão. O dólar é, de facto, a grande moeda de reserva internacional. No entanto, o dólar tem descido tanto que até mesmo os chineses já querem diversificar o portfolio das suas reservas, incorporando euros também. Certamente que a Fed e a administração americana não irão cometer os mesmos erros da Grande Depressão (quando a Fed tinha apenas 20 anos de idade), injectando, como disse, uma grande quantidade de fundos na economia (e baixando os impostos e as taxas de juro)