27 janeiro 2011

PENSANDO BEM...

Na Irlanda, em plena discussão eleitoral, já se fala em tentar renegociar o plano de resgate do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), e em ir contra as vontades e os interesses dos restantes países da Zona Euro. Porquê? Porque existe a percepção de que quem está a suportar todos os custos da crise bancária são os contribuintes, enquanto os bancos acabaram por se sair relativamente bem (dadas as circunstâncias) ao terem sido salvos pelo Estado (com o dinheiro dos contribuintes) e pelo financiamento proporcionado pelo FEEF. Por isso, já há quem defenda uma renegociação do acordo de Novembro do ano passado e uma eventual reestruturação da dívida dos bancos irlandeses, na qual os detentores da dívida bancária (as obrigações dos bancos) teriam também de partilhar os custos do resgate dos bancos. O problema é que, se tal aocntecer, uma hipotética reestruturação da dívida bancária irlandesa teria bastantes implicações para a Zona Euro e para os outros países em dificuldades, pois os investidores poderiam ver essa decisão como sendo o primeiro passo para uma reestruturação mais abrangente da dívida europeia.
Quais são as lições que poderemos retirar de tudo isto? Por que é que esta discussão nos pode interessar? Porque, se nos virmos forçados a recorrer ao FEEF e ao FMI, é melhor que estejamos preparados para podermos negociar um acordo que defenda os nossos interesses e não termos que nos sujeitar a contrapartidas ruinosas que poderão impor um custo muito elevado na economia nacional. Mas, talvez eu esteja enganado. Sim, provavelmente estou. Afinal, para quê prepararmo-nos se Portugal não vai ter de recorrer ao FEEF e ao FMI? E, como é óbvio, se entretanto tiver de o fazer, logo se vê...

2 comentários:

Miguel Loureiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel Loureiro disse...

Bem sei que o que se passou na Irlanda não tem nada a ver com o que se passou em Portugal, em que na 1ª o "empréstimo" foi quase todo para a Banca e aqui só o BPN nos coloca em "paralelo" com países em risco do sector financeiro. Mas na prática e pelas dimensões da Economia e dimensão demográfica de cada país, os resultados e os visados são os mesmos, na mesma proporção.
Sempre tive a ideia de que a Irlanda pensou e pensa como eu, de que nunca houve um país que fosse à falência e daí a relutância em aceitar a "inevitável" "ajuda", que pelos vistos lhes foi imposta, e só podia ser mais por interesse dos credores do que dos devedores. É claro para mim, que se há lucros entre os credores quando as coisas lhes correm bem, quando lhes correm mal os "negócios" terão que suportar a pastilha, como qualquer usurário.
Só não se percebe por que esta lógica, que me parece básica, não é aplicada há mais tempo e generalizadamente, provavelmente por falta de regulamentação e de acordo para a fazer e fazer cumprir e só a partir de 3013, depois das eleições na Alemanha e na França.
Mas isto não é Economia, é política baixinha, sem respeito pelos cidadãos, não será?