18 janeiro 2011

REESTRUTURAÇÃO OU NÃO, EIS A QUESTÃO (3)

Depois da revista Economist, mais uma voz a defender a reestruturação da dívida dos países em dificuldades. Só que, desta vez, o argumento não se aplica a todos os países em dificuldades, mas sim somente a Portugal. Segundo o autor, só uma reestruturação da dívida portuguesa (e não um mero financiamento ou bailout do FEEF e do FMI) poderá resolver o grave problema relacionado com a nossa elevada dívida pública, bem como evitar que a turbulência financeira que assola a Europa não contagie países como a Espanha e a Bélgica. Vale a pena ler.
Uma posição que, diga-se, é defendida por um crescente número de economistas e analistas.

4 comentários:

Anónimo disse...

«The last thing the euro area needs is another failed rescue package that only ends up making the whole crisis even worse.»

Não se pode concordar mais.

Mas a solução talvez esteja em construir um pacote destinado a conseguir alcançar aquilo a que se propõe: recuperar e não enterrar mais.

Obrigado.

F

António Parente disse...

Com o artigo da Bloomberg os traders mais ansiosos venderam, quem fez short selling comprou e embolsou mais uns lucros para atingir o objectivo anual. Mais uma vez os mercados financeiros funcionaram. Curiosamente, o analista não fala na reestruturação da dívida dos EUA e do Reino Unido que precisam dela tanto ou mais do que Portugal.

A reestruturação da dívida de Portugal não leva a lado nenhum por vários motivos: 1) Portugal fica impedido de ir ao mercado financiar-se durante vários anos e quando voltar pagará novamente taxas de juro altas porque uma reputação não se contrói em dias (mas destrói-se num dia); 2) Nesse período o Fundo Europeu e o FMI terão de suportar as necessidades de financiamento do orçamento português, ou seja, aquilo que se quer evitar tem de acontecer. 3) Os mercados perguntarão: "Se Portugal reestruturou, por que não a Grécia e a Irlanda? E a Espanha? Já agora, a Bélgica?", isto é, o efeito de contágio não pára. 4) A reestruturação poderá rebentar com o euro e com a Europa.

Caro Álvaro Pereira (num comentário anterior chamei-lhe "Álvaro Mendonça" e peço-lhe desculpa por isso; na altura estava a consultar duas páginas ao mesmo tempo e numa estava o Álvero Pereira e noutra o António Mendonça e o resultado foi confundir os dois nomes):

Eu esperava que um blogue com o título "desmitos" desmistificasse muitos dos mitos que por aí andam. É possível que o tenha feito algures no tempo porque não li todos os posts. Mas os que tenho lido têm-me desiludido. A culpa não é sua, é minha, que pensei uma coisa sobre o seu blogue e afinal a realidade é outra.

Um abraço, bons posts e felicidade na promoção e venda do seu novo livro

António Parente

David disse...

Eu também acho que Portugal deveria reestruturar a sua dívida, mas não pelos motivos "altruistas" de ajudar os vizinhos. Simplesmente não vejo que outra opção tenhamos, com ou sem entrada do FEEF/FMI (estou a descontar a opção de saída do euro, coisa que só poderá acontecer por decisão alheia).

Mas concordo com o António Parente em que isso não pararia o contágio, bem pelo contrário.. Creio até que no dia seguinte os juros da dívida espanhola, belga e italiana disparariam.

Anónimo disse...

http://boombustblog.com/reggie-middleton/2011/01/10/the-ecb-loads-up-on-increasingly-devalued-portuguese-bonds-ensuring-that-they-will-get-hit-hard-when-portugal-defaults/#more-4397