01 abril 2011

DÍVIDAS DAS EMPRESAS PÚBLICAS

Um dos cálculos que efectuei no meu novo livro foi exactamente uma estimativa da dimensão da dívida das empresas públicas em percentagem do PIB. Fi-lo com o intuito de resgatar a ideia de Eduardo Catroga (preconizada num artigo de opinião há cerca de dois anos) que as dívidas das empresas do Sector Empresarial do Estado deviam entrar para a contabilização da dívida pública global. Por isso, somei as dívidas de curto e de médio e longo prazo das empresas do Estado nos últimos dez anos e calculei esse mesmo endividamento em percentagem do PIB. Os resultados não poderiam ser mais claros. Nos últimos anos, as empresas públicas têm vindo a aumentar o seu endividamento à razão de 3-3,5 mil milhões de euros por ano, o que tem feito crescer substancialmente as dívidas das empresas públicas em percentagem do PIB.  Actualmente, estas dívidas já ultrapassaram os 25% do PIB. E como podemos ver no gráfico abaixo, o endividamento das empresas do Estado em relação à economia nacional tem vindo a aumentar bastante desde 2006. Uma situação que, mais uma vez, se revelou crescentemente insustentável.
Obviamente, esta situação era conhecida, e foi exactamente por isso que o Eurostat nos obrigou a fazer aquilo que nós já devíamos ter feito há muito tempo, isto é, começar a contabilizar a dívida pública alargada do Estado, que inclui não só a dívida pública directa, mas também as dívidas das empresas estatais. Quanto essa tarefa for concluída, só faltarão incluir as PPPs para termos uma estimativa integral das elevadíssimas dívidas do nosso Estado. Já falta pouco para que tal aconteça.
Enquanto isso não se faz, aqui vai mais um gráfico retirado do meu novo livro, onde se apresenta a evolução das dívidas das empresas públicas em percentagem do PIB desde 2001:

Gráfico _ Dívidas das empresas públicas em percentagem do PIB
Fonte: DGTF, Santos Pereira (2011)

2 comentários:

pvnam disse...

A propósito da ameaça de bancarrota:

- O conselheiro de Estado e professor de Economia, Vítor Bento: «A conclusão adicional a que eu tenho vindo a chegar, não necessariamente com grande satisfação, é que outra actuação não teria sido possível, no quadro democrático. Qualquer narrativa diferente teria sido rejeitada eleitoralmente, como aliás foi»
DITO DE OUTRA FORMA: O país está à mercê da bandalheira: "vamos curtir... e quem vier a seguir que pague..."

MAIS: a bandalheira parece não conhecer limites - A SUBMISSÃO MORAL DAS MULHERES PERANTE OS ISLÂMICOS!
- De facto: criticam a repressão dos Direitos das mulheres... mas depois avançam em direcção ao cúmulo da bandalheira: «vamos aproveitar a boa 'produção demográfica' daqueles gajos que reprimem os direitos mulheres (leia-se os Islâmicos) para baixar os custos de renovação demográfica [nota: fica caríssimo pagar os custos de renovação demográfica: incentivos monetários à natalidade, despesas com a fertilidade dos casais, despesas com a gravidez das mulheres, despesas em Saúde e Educação até à idade adulta, etc...] e resolver assim o problema demográfico que existe na Europa».



---»»» Concluindo e resumindo: Antes que seja tarde demais, há que mobilizar aquela minoria de europeus que possui disponibilidade emocional para abraçar um projecto de Luta pela Sobrevivência... e... SEPARATISMO-50-50!

Antonio disse...

Tem dados anteriores a 2001? Será interessante poder vêr a evolução desde a década de 70 e poder comparar com os valores actuais.