08 abril 2009

SALÁRIOS DOS GESTORES

Um post de Augusto Küttner de Magalhães sobre os salários dos gestores:
"Trata-se de um tema recorrente, e que tem sido um pouco "tabú" no mesmo falar. Primeiro, dado que os próprios gestores - sentem-se muito confortáveis com "tudo" o que auferem, logo não vão querer "nisso mexer" e por outro lado, por parte de "todos os outros" tem havido quase uma obrigatoriedade de sobre o "tema" manterem silêncio, podem receber represálias!. Antes de mais convém frizar que se está a falar do gestor como tal que pode não ser o detentor do capital, sendo que este último tem todo o direito em receber o valor devido pelo investimento ou capital investido, além da remuneração de gestar se for o caso. Quanto ao gestor, sendo uso e costume para além do vencimento base, ter mais uma série de regalias e mordomias, algumas nem sequer devidamente tributadas em sede de IRS e até Segurança Social, como viatura permanente para uso e utilização própria, teêm seguros de saúde e de vida que abrangem o próprio e até a familia, para além de cartão de credito e mais benesses. Sendo que se estamos a falar numa empresa sólida e sobretudo se o gestor - não detentor do capital - é capaz, competente, tem educação - mais que só instrução - formação e faz a empresa crescer deve ser bem retribuído, sem dúvida. Porém ser gestor e só por o ser, ter que receber todas as mordomias e regalias inerentes "à função" mesmo que a não cumpra com a máxima competência, no minimo é estranho. Como é evidente neste caso, o próprio não vai diminuir nada do que aufere, mas depressa o fará - evidentemente - aquele que é capaz, que é competente por isto mesmo. Também não é do interesse da empresa , nem público, mesmo que seja uma empresa com muita visibilidade que as regalias dos gestores sejam discutidas na praça pública, de forma alguma, bem pelo contrário. Mas o lugar não faz a pessoa e o contrário é verdadeiro, e por aqui é que se devem corrigir possiveis erros, possiveis discrepâncias, e não virem depois "uns quantos" reclamar, que se recebe demais, e mesmo assim a empresa não se aguentou. Os merecidamente donos do capital, sejam accionistas maioritários ou minoritários, devem ter o poder de decidir sobre o que cada Gestor aufere, e hoje sem medo de que "algum" possa "fugir" para outra empresa, dado que andam muitos à procura de lugar, e por vezes tantos tão mais competentes, dos que estão em funções, e o não encontram - lugar. Sendo sempre, ontem, hoje e amanhã indispensável a existência de hierarquias, de diferenças salariais e até de regalias, está chegada a altura de tudo ser cada vez "mais" conquistado em função do mérito pessoal, da competência e até da concorrência leal e justa entre orgãos de topo e quem os ocupa. Não sendo possivel continuar a haver que tenha tremendas regalias unicamente pelo posto, e não pela forma capaz como o cumpre. Por outro lado os próprios se competentes e capazes devem conseguir saber discernir até que ponto é justo receberem o que recebem e se a empresa em determinada altura pode suportar esses "seus" custos. Por outro lado haver gestores que recebem mais 10 vezes que quadros intermédios, e mais 18 vezes que quadros mais baixos, é pouco louvável. Neste momento, democraticamente e internamente cada empresa, cada gestor, cada accionistas tem que olhar com muito cuidado para este assunto, e dar-lhe um cariz mais justo, mais realista, mais transparente em função do que estamos a viver e do que virá - ou não!!- a seguir! A competência, capacidade, rectidão, conhecimenntos, liderança, deve ser compensadas, justamente, não o resto.....olhos azuis, os castanhos, jogar ténis, ou vestir bem, etc..."

3 comentários:

Gi disse...

Tem graça, ainda esta manhã estive a conversar sobre este tema e com as mesmas conclusões.

Antonio disse...

A economia de mercado tem de ter alguma etica. Sempre que desempenhamos quaisquer funções, devemos fazê-lo o melhor possivel. Desse modo o facto de um gestor obter bons resultados deve resultar do seu compromisso quando aceitou as funções.
Os prémios absurdos que se pagam dão um caracter mercenário ao trabalho de um qualquer gestor. E mais do que isso, são um convite à fraude e à insensatez, já que a ganância pelo prémio chorudo faz com que se corram riscos desaconselháveis e que se a curtissimo prazo podem trazer bons resultados, já a médio ou longo prazo podem por em causa muita coisa.

Sendo eu um defensor da economia de mercado, considero que devia haver um debate para a autoregulação.

Deveria existir vida para além do sacar o mais possivel

Antonio

Cajó disse...

Acho que há varias variáveis em analise:
- a ética e a moral (há vencimentos e rendimentos auferidos que não são nem éticos nem morais);
- a meritocracia que deveria existir na escolha de alguns quadros superiores;
- e vergonha em receber alguns vencimentos...