21 maio 2011

EMPREGO NA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL

Aqui estão os dados do Observatório do Emprego Público referentes aos postos de trabalho na Administração Central no final de 2009 (os dados mais recentes). Os dados são do Observatório do Emprego Público:



Postos de trabalho na Administração Central
Cargos / Carreiras / Grupos

Dirigente Superior
1211
Dirigente Intermédio
4574
Técnico Superior
24931
Assistente Técnico
55291
Assistente Operacional
73857
Informático
3070
Pessoal de Investigação
1743
Pessoal de Inspecção
1688
Magistrado
3484
Pessoal de Justiça
13856
Diplomata
337
Médico
19973
Enfermeiro
28483
Téc. Diagnóstico e Terapêutica
6304
Doc. Ens. Universitário
13760
Doc. Ens. Sup. Politécnico
8256
Educ. Infância e Doc. do Ens. Básico e Secundário
154836
Administração Tributária e Aduaneira
10376
Forças Armadas
37216
Forças de Segurança
53449
Outro Pessoal
6230
Total
522925

20 maio 2011

É O ENDIVIDAMENTO E O DESEMPREGO, PÁ

Quando Bill Clinton concorreu pela primeira vez à presidência americana, decidiu colocar uma tarja no seu escritório a dizer "É a economia, estúpido!" para que nunca se esquecesse do tema que devia dominar a campanha eleitoral. A razão para o ter feito é simples: havia então a tentação de falar de tudo e de mais alguma coisa menos da escalada do desemprego e do sofrível desempenho da economia americana nesse ano. E foi assim que, Clinton se tornou num verdadeiro obstinado durante essa campanha eleitoral, mencionando constantemente a crise económica em todas as ocasiões e instantes. E foi assim que ganhou.
Ora, agora que vamos entrar formalmente em campanha, seria bom que os partidos da oposição emulassem o exemplo de Clinton e denunciassem sem cessar os verdadeiros problemas nacionais, que são estruturais, mas que foram altamente agravados devido à irresponsabilidade e à incompetência deste governo. Mais precisamente, os partidos da oposição não deviam deixar passar um minuto, um segundo sequer, da campanha eleitoral em que não falassem dos dois problemas mais graves que assolam o nosso país: o desemprego gritante e o elevadíssimo endividamento da nossa economia. É mais do que patente que este governo foi completamente incapaz de lidar com estes assuntos e não tem o mínimo de estratégia sobre como os resolver. E é exactamente por isso que o governo prefere fingir que estes problemas não existem ou que não merecem a pena ser discutidos na campanha eleitoral. 

Ora, seria bom que toda a oposição se unisse contra este lamentável estado de coisas e, em todas as ocasiões e instantes, não se cansasse de repetir os lamentáveis factos do nosso desemprego e do nosso endividamento. Assim, quando o governo tentar desviar as atenções dos(as) portugueses(as) com acusações e com desculpas sem sentido, os partidos da oposição deviam imitar Clinton e responder imediatamente: "É o endividamento, pá!", "É o desemprego, pá". Quando o governo tentar resgatar a campanha para temas menores, a oposição devia logo retorquir: "É o endividamento, pá!", "É o desemprego, pá". E quando o governo tentar descartar-se das suas responsabilidades alegando que a crise nacional se deve somente à crise internacional (quando todos os nossos problemas têm origens bem mais remotas), os partidos da oposição deviam logo acusar: "É o endividamento, pá!", "É o desemprego, pá". É que mais do que discussões de cabeças de listas, de quanto deve subir este ou aquele imposto, ou quanto é que devem descer as contribuições sociais, o que está em causa nas próximas eleições é responsabilizar os que nos levaram (quase) à bancarrota, bem como apresentar caminhos alternativos para o país.  
E é por isso que o desemprego e o endividamento deviam dominar por completo a campanha eleitoral. A razão é simples: o excessivo endividamento (público e privado) é o constrangimento e a maior ameaça da economia nacional nos próximos tempos, enquanto o desemprego rompante é uma autêntica tragédia nacional. Neste sentido, e para que nunca nos esqueçamos do que está em causa, vale a pena relembrar mais uma vez os principais factos do endividamento e do desemprego:

FACTOS DO ENDIVIDAMENTO:
_ A dívida pública não está longe dos 100% do PIB (a mais elevada dos últimos 160 anos)
_ A dívida externa já ultrapassa 2,3 vezes toda a produção nacional num ano (a maior desde 1892, quando entrámos em bancarrota)
_ A dívida externa portuguesa é quase 8 vezes maior do que as exportações anuais do nosso país
_ A dívida das famílias ronda os 135% do rendimento disponível
_ A dívida das empresas já ultrapassou os 150% do PIB
_ Entre 40% e 50% de todo o endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado.

FACTOS DO DESEMPREGO:
_ 690 mil desempregados
_ 365 mil desempregados de longa duração
_ 200 mil de trabalhadores desencorajados de procurar emprego e que, por isso, não entram para as estatísticas do desemprego
_ A taxa de desemprego é de 12,4%. Essa taxa de desemprego era somente de 6,6% no início de 2005. 
_ A taxa de desemprego jovem ronda os 28%
_ A taxa de desemprego só não é superior a 15% há alguns anos, porque centenas de milhares de portugueses optaram por emigrar na última década.


Para a campanha, pouco mais interessa do que estes factos.

TAXA DE POUPANÇA BRUTA

Aqui está a série da Taxa de poupança bruta em percentagem do PIB entre 1960 e 2010.

ESTRUTURAS DE MISSÃO

Aqui está a lista das 25 Estruturas de Missão do nosso Estado. Entre outras, esta lista inclui a Comissão de Avaliação e Acompanhamento de Projectos de Interesse Nacional, a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, o Programa de Desenvolvimento Educativo para Portugal, a Agência Nacional para a Gestão do Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, o Programa para a Inclusão e Cidadania, a Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Potencial Humano, e o Programa Operacional Temático Valorização do Território.

19 maio 2011

A TRAGÉDIA DO DESEMPREGO




Se há indicador que nos devia envergonhar e que nos devia fazer perceber a gravidade da crise nacional da última década, esse indicador é este: já há quase 700 mil portugueses(as) sem emprego. 700 mil. E nestes números não incluem as centenas de milhares de portugueses que emigraram na última década à procura de melhores oportunidades noutros países, nem sequer os trabalhadores desencorajados (isto é, os que estão desempregados por um período prolongado e já deixaram de procurar emprego, não contando assim para as estatísticas do desemprego). Estima-se que o número de trabalhadores desencorajados já ultrapasse os 200 mil
E o pior é que a tendência do desemprego é para aumentar. Segundo a nova metodologia do INE, a taxa de desemprego já ultrapassou os 12,4% e deve chegar aos 13% nos próximos meses. Já agora, em relação à mudança metodológica do INE, vale a pena referir que estas quebras de série são bastante comuns no INE. O problema não são as quebras de série, que são bem vindas se derem azo a mais informação ou a uma melhor recolha de dados. O problema é que o INE tem o péssimo hábito de fazer estas mudanças metodológicas e depois não consegue (ou não quer) actualizar as séries retroactivamente. Para quem lida com dados é verdadeiramente exasperante.
Mas deixemo-nos das questões metodológicas. O que interessa é analisar as tendências do desemprego. Comecemos então pela análise regional. Como podemos observar no quadro abaixo, a região mais afectada pelo desemprego é o Algarve, onde 17% dos trabalhadores já estão desempregados. A Madeira e a região lisboetas vêm logo atrás com, respectivamente, 13,9% e 13,6% de desempregados. Não deverá tardar muito para vermos uma região do país com níveis de desemprego parecidos com os registados em Espanha (isto é, acima dos 20%).

Taxa de desemprego por região:

Portugal
 12.4
Norte
 12.8
Centro
 9.7
Lisboa
 13.6
Alentejo
 12.5
Algarve
 17.0
R. A. Açores
 9.5
R. A. Madeira
 13.9




Se atentarmos agora para a estrutura etária da população desempregada, podemos verificar que os mais afectados pelo desemprego são o grupo dos 25 aos 34 anos (com 196 mil desempregados) e o grupo com mais de 45 anos. Porém, é ainda notório que todos grupos têm sido assolados pelo flagelo do desemprego:

População desempregada (milhares de pessoas)


População desempregada
 688.9
Homens
 354.1
Mulheres
 334.8
Dos 15 aos 24 anos
 123.9
Dos 25 aos 34 anos
 196.1
Dos 35 aos 44 anos
 160.4
Com 45 e mais anos
 208.4




Se olharmos para o grau de Educação obtido pelos trabalhadores desempregados, vemos que a grande maioria dos sem emprego não têm mais do que o ensino básico. Ainda assim, é muito revelador observar que cerca de 85 mil licenciados estão desempregados. E, obviamente, muitos mais existiriam se nós não fossemos o segundo país da OCDE com a maior fuga de cérebros. Mencione-se ainda que estas cifras não incluem os milhares de empregos temporários que foram criados para o Censos da População. Quando o Censos acabar, é bem possível que muitos destes milhares de trabalhadores engrossem as filas do desemprego.

População desempregada por grau de ensino (milhares)




Até ao Básico - 3º ciclo
 464.4
Secundário e pós-secundário
 140.0
Superior
 84.5




Finalmente, e ainda mais preocupante, refira-se que já há mais de 365 mil portugueses(as) que estão desempregados há mais de um ano. 365 mil. Como este é o desemprego mais difícil de combater, este número elevadíssimo de desempregados de longa duração deve persistir durante bastante tempo.
Por todos estes motivos, é absolutamente vital que o próximo governo ponha o combate ao desemprego no topo da lista das suas prioridades (que deve também incluir o combate ao excessivo endividamento nacional), visto que é simplesmente inaceitável que um país como o nosso (que tradicionalmente tem um desemprego relativamente baixo) tenha taxas de desemprego desta dimensão. Estes números são uma vergonha para todos nós. E um próximo governo não pode continuar a fingir que nada se passa. A verdade é que temos nas mãos não só uma situação social potencialmente explosiva, mas também, e principalmente, uma verdadeira tragédia pessoal para centenas de milhares de famílias portuguesas. E quanto mais tardarmos a lidar com esta situação potencialmente explosiva, piores serão as consequências para todos nós.

DÍVIDA EXTERNA LÍQUIDA, 1990-2010

Aqui está a série da dívida externa líquida em percentagem do PIB entre 1990 e 2010.

ORGÃOS INDEPENDENTES

Aqui está a lista dos 350 Orgãos Independentes do nosso Estado, e que, entre outras entidades, inclui nada mais nada menos do que 340 Tribunais.

18 maio 2011

A VERDADE SOBRE O PLANO TECNOLÓGICO (2)

A melhoria dos indicadores da inovação nacionais são, sem dúvida alguma, uma boa notícia. Pelo menos em princípio (mais abaixo veremos o que poderá tornar estas notícias menos boas). E também acho que devemos que devemos reconhecer que esta melhoria dos indicadores da inovação se devem, pelo menos em parte, à maior aposta que tem sido dada a este sector nos últimos anos. Assim, é de assinalar que, de acordo com os dados mais recentes da OCDE, Portugal registou uma assinalável convergência em vários indicadores de ciência e de tecnologia, principalmente no que diz respeito às despesas em actividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) em percentagem do PIB. Como podemos ver no gráfico abaixo, nos últimos anos, Portugal parece ter convergido com a média da OCDE em termos de despesas com I&D em percentagem do PIB. 


Despesas em actividades de I&D em percentagem do PIB, 1980-2009
Fonte: OCDE 

Ainda assim, devo admitir que tenho muitas reservas sobre alguns destes indicadores e sobre estas melhorias alcançadas em tempo recorde. Mais concretamente, tenho bastantes dúvidas e poucas certezas relativamente aos nossos indicadores de Investigação e Desenvolvimento. Porquê? Porque não sei o que é realmente uma melhoria real e o que são meras manipulações estatísticas. 
Porquê estas dúvidas? Como é que é possível proferir tais afirmações? Porque fiquei com um pé atrás em relação às estatísticas de I&D desde que, em 2009, ouvi Carlos Zorrinho afirmar numa conferência que antes deste governo nós nem contabilizávamos bem as despesas de Desenvolvimento. É sabido que cerca de dois terços das despesas em I&D são relacionam-se com o Desenvolvimento. Assim, se não houver uma contabilização correcta destas despesas, os indicadores de I&D são subavaliados. Por isso, uma contabilização mais adequada destas despesas fará aumentar o valor do I&D em percentagem do PIB, sem que haja um crescimento real destas despesas. Para quem quiser confirmar as afirmações de Carlos Zorrinho, pode fazê-lo aqui, principalmente a partir do 27m e 30s do video, onde se revela que antes de 2006 não se "registavam" bem as despesas de Desenvolvimento: 




Ora, se a nossa "melhoria" dos indicadores estatísticos das actividades se deve a acertos estatísticos (como Carlos Zorrinho parece indicar), então das duas uma: ou a melhoria dos indicadores de I&D foram principalmente legadas pelos governos anteriores mas não tinham sido devidamente contabilizadas, ou a melhoria é mais aparente do que real.
Eu não digo que este governo não tem qualquer mérito em ter dado uma maior ênfase à questão da inovação. A verdade é que a aposta na inovação e na melhoria da produtividade é importantíssima e deve ser continuada pelo próximo governo. O que eu desconfio é que as melhorias dos indicadores de inovação não se possam atribuir à política iluminada e "modernizadora" deste governo. É que, sabendo o que se tem passado em outras áreas, é sempre muito difícil saber o que é realidade ou mera malabarismo estatístico. E este é, de facto, um dos tristes legados deste governo. Este é um governo que nos deixou à beira da bancarrota e que nos lega os piores indicadores económicos desde o século 19, mas que conseguiu fomentar toda uma série de "melhorias" que foram principalmente alcançadas à custa da contabilidade criativa. Apesar de todo o desastre económico, não há dúvida que a contabilidade criativa foi das (poucas) indústrias de grande sucesso no nosso país. As estatísticas de Investigação e Desenvolvimento aí estão para o provar. Infelizmente.

DÍVIDA EXTERNA BRUTA, 1999-2010, DADOS TRIMESTRAIS

Aqui estão os dados trimestrais da dívida externa bruta de Portugal em percentagem do PIB desde 1999. 

ESTRUTURAS ATÍPICAS

Aqui está a lista das chamadas Estruturas Atípicas do nosso Estado. São 100 e incluem, entre outras, o Gabinete Coordenador do Sistema de Informação do Ministério da Educação,  o Centro de Formação Profissional do Artesanato, o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, o Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo, o Editorial do Ministério da Educação, e a Comissão de Acompanhamento das Reprivatizações. 

17 maio 2011

POBREZA DAS CRIANÇAS

Para quem tem um governo que gosta tanto de se vangloriar de ter uma política social activa, vale a pena observar os dados mais recentes da OCDE sobre a pobreza das famílias e das crianças.  Mais concretamente, e como podemos constatar no gráfico abaixo, Portugal é um dos países da OCDE onde a percentagem de crianças em agregados familiares pobres é mais elevada. Cerca de 17% das nossas crianças estão em situações de pobreza. Ou seja, quase 1 em cada 5 crianças portuguesas pertencem a agregados familares com rendimentos médios baixos ou muito baixos. Uma percentagem bem mais elevada do que na grande maioria  dos países da OCDE, e substancialmente mais alta do que a média da OCDE (cerca de 12%). Em relação a este indicador, pior que nós só a Espanha (marginalmente), a Polónia e os Estados Unidos (que, como nós, também têm desigualdades sociais muito elevadas). 
Ainda de acordo com os dados da OCDE, é ainda interessante (e lamentável) verificar que, entre os meados dos anos 1990 e o final da primeira década do novo século, a percentagem de crianças em agregados familiares pobres aumentou cerca de um ponto percentual. Não é muito, é certo, mas não deixa de ser bastante significativo que o propagado aumento (e criação) de prestações sociais como o Rendimento Social de Inserção na última década foi totalmente incapaz para prevenir um agravamento da pobreza das nossas crianças. Porquê? Porque quando as economias não crescem e o desemprego sobe, não há prestações sociais que cheguem para contrabalançar a deterioração das condições de vida das famílias. É tão simples quanto isso.

Percentagem de crianças em agregados familiares pobres, OCDE
Fonte: OCDE

Nota: O México e a Turquia não foram incluídos no gráfico, visto que, tendo em linha de conta os seus rendimentos, apresentam valores de pobreza infantil muito mais elevados do que os outros países da OCDE.

CRESCIMENTO DA PRODUTIVIDADE

INSPECÇÕES REGIONAIS

Aqui está a lista das Inspecções Regionais.

FOGO DEVASTADOR

Uma cidade no interior da província canadiana de Alberta é quase toda destruída em poucas horas por fogos florestais fora de controlo.

16 maio 2011

REFORMA DO MERCADO LABORAL

O plano de ajustamento elaborado pela troika contém quatro grandes reformas destinadas a ajudar a economia portuguesa a ficar mais produtiva e competitiva: a reforma das leis laborais, a desvalorização fiscal, a reforma da Justiça e uma política de concorrência mais eficaz. Por enquanto, só se falou (e mal) da desvalorização fiscal. Infelizmente, o governo decidiu fazer demagogia política  com a proposta da troika de baixar as contribuições sociais dos empregadores em contrapartida a uma descida das despesas públicas e a um aumento dos impostos ao consumo, nomeadamente no que diz respeito às taxas reduzidas do IVA. E foi assim que a proposta que o próprio FMI considera ser a medida central para estimular a competitividade das nossas exportações foi lamentavelmente utilizada pelo governo como arma de arremesso político, como se não tivesse sido o próprio governo a assinar o documento. Enfim, o habitual de um governo sempre mais interessado na demagogia política do que no interesse nacional. 
Ainda assim, e dado o inequívoco entusiasmo do FMI sobre a necessidade de efectuarmos uma desvalorização fiscal, arrisco-me aqui a fazer uma previsão. Independentemente da composição do próximo governo, é mais do que certo que a desvalorização fiscal vai ser feita. É inevitável. E mais: a desvalorização fiscal vai ser substancial, assim como refiro no meu livro. Nas palavras do documento da troika, será uma "major reduction" da taxa social única. E "major" em inglês quer dizer "substancial" ou "muito significativa". Não quer dizer pequena ou reduzida. Se não o for, não vale a pena. É essa a vontade do FMI e é essa a melhor possibilidade que temos para fazer aumentar rapidamente a competitividade das nossas exportações. Por isso, argumentar como faz o governo de que uma "major reduction" é de 1% ou menos da TSU é um perfeito disparate e mais uma manobra de propaganda deste governo populista.
No entanto, e para além da desvalorização fiscal, uma das medidas que decerto será implementada nos próximos tempos é a reforma do mercado de trabalho. Nesta área, os meios de comunicação social prestaram mais atenção às alterações referentes ao subsídio de desemprego, mas menos à questão da liberalização das nossas leis laborais. E esta questão é fundamental, pois é sabido que Portugal tem as leis laborais mais rígidas de toda a OCDE. É exactamente isso que podemos ver no gráfico abaixo, que apresenta o índice de protecção laboral utilizado pela OCDE, e que varia entre os valores de 0 para os países onde existe menos protecção laboral e 6 para os países com mais protecção do trabalho. É perfeitamente visível que Portugal é o país da OCDE que tem, de longe, o maior índice de protecção laboral, com valores bem acima do todos os outros países. É igualmente interessante verificar que os países que têm Estados Sociais fortes têm índices de protecção laborais bastante reduzidos. A razão é simples: uma menor rigidez no mercado do trabalho é absolutamente essencial para uma maior criação de emprego e para combater uma maior precariedade do trabalho. No meu novo livro explico com algum detalhe as razões que explicam estas relações.
Ora, em claro contraste, e como vários estudos empíricos demonstram, o nosso mercado de trabalho é muito disfuncional, oferecendo níveis de protecção demasiado elevados para os trabalhadores efectivos, mas fomentando uma excessiva precariedade do emprego para os trabalhadores não efectivos. Ou seja, há direitos adquiridos para os trabalhadores efectivos, mas há muitos poucos direitos para todos os restantes trabalhadores. E é aqui que se encontram algumas das reformas propostas pela troika. No fundo, pretende-se acabar com estas enormes assimetrias que existem no mercado de trabalho português, enquanto se tenta fomentar um maior dinamismo e uma maior criação de emprego. Uma maior criação de emprego significa uma redução do desemprego, combatendo-se assim a maior chaga social dos nossos dias.
É isso que irá ser feito no mercado de trabalho nos próximos anos. Ao fazê-lo, a nossa economia ficará mais dinâmica e produtiva, as nossas exportações ficarão mais competitivas, e haverá mais criação de emprego e menos desemprego. E todos teremos a ganhar com isso.

Indíce de protecção do emprego (0 para menos protecção, 6 para mais protecção) na OCDE
Fonte: OCDE

Documento da troika sobre as reformas laborais:
"Reforms will focus on creating new jobs, not least for the young. We must address the fundamental problems that impede the efficient transition of workers across occupations, firms and sectors and create socially unfair privileges. To this end, in consultation with our social partners, we will adopt the following measures:
• Reform employment protection legislation to foster flexibility and improve equity. We will align severance payments for open-ended and fixed-term hires, submit legislation reducing severance payments for all new contracts to 10 days per year of tenure, with an additional 10 days financed out of employers’ financed fund by September 2011, and present a proposal to revise severance payment entitlements for current employees in line with the reform for new hires by end-2011, without reducing accrued-to-date entitlements. As a further step, by end-March 2012, we will prepare a proposal to align the level of severance payments to the EU average, while at the same time amending the dismissal fund in a way that allows the portability of worker’s entitlement to severance pay. We will prepare by end-December 2011 a proposal aimed at introducing adjustments to the cases for fair individual dismissals.
• Revise the unemployment insurance system to change incentives, increase employment, and strengthen social safety nets. We will reduce the maximum duration of unemployment insurance benefits to no more than 18 months, and cap unemployment benefits at 2.5 times the social support index and introduce a declining profile of benefits after six months of unemployment (a reduction of at least 10 percent in benefits), without reducing accrued-to-date entitlements. To extend social safety nets, we will reduce the necessary contributory period to access unemployment insurance from 15 to 12 months, and present a proposal to extend eligibility for clearly-defined categories of self-employed. Training opportunities will be strengthened, especially for the low-skilled.
• Ensure that labor costs support job creation and competitiveness. Over the program period, any increase in the minimum wage will take place only if justified by economic conditions and agreed in the context of regular program reviews.
• Define clear criteria for the extension of collective agreements, including the representativeness of the negotiating organizations and the implications of the extension for the competitive position of non-affiliated firms. To promote wage adjustments in line with productivity at the firm level we will (i) allow works councils
to negotiate mobility conditions and working time arrangements; (ii) reduce the threshold below which works councils or other workers organizations cannot conclude firm-level agreements to 250 employees per firm; and (iii) include in sectoral collective agreements conditions under which works councils can independently conclude firm-level agreements.
"

INSPECÇÕES-GERAIS

Aqui está a lista das nossas 16 Inspecções-Gerais.

EMIGRAÇÃO ANUAL, 1850-2008

15 maio 2011

AS CONTAS DOS JUROS

O Rui Peres Jorge no Massa Monetária e o Ricardo Reis no Portuguese Economy explicam as contas dos juros que iremos pagar pelos empréstimos da Europa e do FMI.

DIRECÇÕES REGIONAIS

Confesso que a minha preferida é a Direcção Regional de Apoio à Coesão Económica. Muito pertinente, sem dúvida. Principalmente para um país com as nossas dimensões.

14 maio 2011

TAXA DE DESEMPREGO 1932-2010

DIRECÇÕES-GERAIS

Aqui está a lista das nossas 68 Direcções-Gerais.

NÃO QUEREMOS SER A GRÉCIA OU A IRLANDA

Um artigo que escrevi antes de conhecermos as condições do plano de ajustamento proposto pela troika, mas que antevê algumas das medidas do pacote de ajuda:
"Na altura em que este artigo foi escrito as medidas da troika FMI-BCE-CE ainda não eram conhecidas. Por isso, podemos apenas antever o que será um bom pacote e um mau pacote de medidas para o nosso país.
O pacote de ajustamento que nos será imposto pela troika será mau para o nosso país se tiver três características: 1) se as taxas de juros forem demasiado elevadas, 2) se o prazo de pagamento for demasiado curto, e 3) se a austeridade a aplicar for demasiado cega.
Em relação às taxas de juros do empréstimo que nos será concedido, o teste é simples: se forem essas taxas as mesmas às oferecidas à Irlanda (cerca de 5,8%), as notícias são decisivamente más e é muito provável que a nossa elevadíssima dívida pública se torne insustentável. Se as taxas de juros estiverem ao nível das concedidas à Grécia (cerca de 5,2%), o problema não será tão grave, mas, mesmo assim, a dinâmica da dívida tornar-se-á muito difícil. Aliás, tudo o que estiver acima dos 4% será uma má notícia, e 3% ainda seria melhor. O problema é que, infelizmente, é muito improvável que a troika nos ofereça taxas de juros muito mais favoráveis do que as concedidas à Grécia e à Irlanda, pois os nossos parceiros europeus consideram que juros baixos seriam um incentivo à irresponsabilidade dos governos. Assim, é muito natural que nos sejam impostas taxas de juros incomportáveis para o nosso actual nível de endividamento.
Por um lado, seria bom se os prazos dos empréstimos fossem suficientemente dilatados, de forma a permitirmos o reembolso da dívida sem termos de implementar medidas draconianas. Se não forem, será difícil conseguir reembolsar o empréstimo na totalidade.
Finalmente, se a troika impuser uma política de austeridade cega e sem olhar a meios, o mais certo é que a economia nacional entre numa recessão ainda maior, o que agravará ainda mais os desequilíbrios das finanças públicas (pois as receitas fiscais cairão e os défices aumentarão nesse ambiente recessivo). Deste modo, seria bom se o próximo governo tivesse alguma margem de manobra para implementar uma política de competitividade, que incluísse não só reformas das leis laborais (já planeadas), mas também uma desvalorização fiscal, onde baixaríamos a taxa social única paga pelos empregadores em contrapartida a um corte das despesas e um pequeno aumento dos impostos ao consumo.
Moral da história: quando tivermos as propostas da troika em cima da mesa, poderemos ver qual será o nosso futuro imediato: grave recessão ou grande reorganização. Já falta pouco para sabermos a verdade."
Notícias Sábado

13 maio 2011

DÍVIDA PÚBLICA 1850-2011

Aqui está a série da dívida pública portuguesa em percentagem do PIB entre 1850 e 2011.

INSTITUTOS PÚBLICOS

Como prometido, começo hoje a publicar no blogue as séries da economia portuguesa, bem como as séries das entidades e organismos do Estado. Nos próximos dias, irei publicar as séries que tenho e que utilizei para a escrita do meu novo livro. O Desmitos terá duas páginas dedicadas a estas séries, uma para a lista dos Organismos do Estado e a outra para as Estatísticas da Economia Portuguesa. Estas páginas encontram-se no lado superior direito do blogue.

Entretanto, aqui está  a lista dos institutos públicos, incluindo as universidades e politécnicos.

IDEIAS EM ESTANTE

Aqui está a minha entrevista com a Mafalda Avelar, na Económico TV, no programa Ideias em Estante. Falámos do acordo com a troika e do meu novo livro (incluindo de desvalorizações fiscais, da taxa social única, das crises nacionais e de estratégias para o futuro):

O IMPACTO DA TSUNAMI

Começamos agora a conhecer melhor os impactos económicos da tsunami japonesa. Como podemos ver no gráfico abaixo, um dos efeitos do desastre natural foi uma subida pronunciada das importações e uma descida das exportações, dando origem a um défice comercial significativo. Este défice é o maior desde a crise internacional de 2008 e é um dos desempenhos da balança comercial japonesa nas últimas décadas. Resta saber qual será o impacto que a crise nuclear (que ainda não acabou) irá ter no futuro.

Saldo da Balança comercial do Japão

BLOGGER DOWN

O Blogger teve problemas técnicos e, por isso, não me foi possível actualizar o blogue. Os posts de ontem também foram eliminados e, por isso, espero que sejam recuperados. pelo servidor dentro em breve. É ainda possível que alguns dos comentários não tenham sido publicados pelo Blogger. Se assim for, agradeço que enviem novamente os vossos comentários. Peço desculpa por esta situação. Esperemos que as coisas já tenham voltado ao normal.