08 abril 2008

ACORDO ORTOGRÁFICO

O PUBLICO dá hoje grande destaque ao acordo ortográfico. A oposição por parte de alguns puristas continua (principalmente do sempre empenhado Vasco Graça Moura), mas a maioria dos participantes no debate sobre o assunto na Assembleia da República mostrou-se muito favorável à ratificação do acordo. Estranhamente, um representante da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) esteve "frontalmente contra pelos prejuízos que vão recair "sobre a generalidade das populações", obrigadas a gastar "milhões de euros" em novos livros".
O quê??? Gastar milhões de euros em novos livros??? Que chatice! (sinceramente, não entendo a posição da APEL. Se vão vender mais livros, porque é que estão a reclamar?)
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Independentemente daquilo que se pensa sobre o novo acordo (já em discussão e acordado há mais de uma década...), é preciso perceber que uma língua evolve, todos os dias, em todos os instantes. As línguas não são estanques. Quem ler textos portugueses do século 19 ou mesmo do início do século 20, prontamente perceberá que a língua e a grafia que hoje utilizamos é muito distinta da de então, tanto a nível do conteúdo como da forma.
Para além do mais, para quem está tão preocupado com a mudança do "nosso" português, ou com a "brasileirização" do português, será que não percebe que, mais do que um acordo ortográfico, as telenovelas brasileiras têm um efeito muito mais transformador na língua portuguesa?
Porque é que reclamamos? Apesar da uniformização que o acordo acarreta, a verdade é que o mercado irá ditar a evolução da língua tanto ou mais do que as novas deliberações. E os escritores nem sequer serão afectados. Mia Couto será sempre Mia Couto. Agualusa, Agualusa. E Lobo Antunes ou Saramago, serão sempre Lobo Antunes e Saramago. E não é um acordo ortográfico que irá modificar isto.

4 comentários:

d pt mdr disse...

Meu amigo! Não é muito bonito arrastarmo-nos ao toque de samba. Chorinho por chorinho que seja mesmo um triste Fado. Inclusive para assinalar este dado histórico deveria alterar-se o último verso do hino nacional.

passava de "contra os canhões marchar, marchar"

Contra Língua ZURRAR ZURRAR




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Anónimo disse...

Contra língua ZURRAR ZURRAR

é o que estão a fazer esses CANGALHEIROS pseudo-poetas e escrivinhadores de prosa vaga.

Anónimo disse...

Com'outra Língua Zurrar Zurrar!

Faz mais sentido!

Sócrates disse...

Peço desculpa por estar a desenterrar esta entrada, no entanto não podia deixar de indicar esta interessante entrada sobre o acordo ortográfico.

Obrigatoriamente facultativo: como explicar o inexplicável caos desacordortográfico? - http://emdefesadalinguaportuguesa.blogspot.com/2008/06/obrigatoriamente-facultativo-como.html


Sem dúvida que a Língua evolui, no entanto não deverá evoluir por decreto imposto nem se deverá impedir as pessoas de escreverem como preferem segundo as regras estabelecidas. Se para mudar é, mais valerá um período de algumas décadas (ao invés de alguns anos) de dupla grafia e assim se verá se as modificações são realmente aceites ou se as pessoas preferem a grafia mais "tradicional".

Aproveito para deixar também uma entrada do maior Professor de Língua Portuguesa no Brasil, Pasquale Cipro Neto: http://socrates.com.pt/2008/10/09/pasquale-cipro-neto-sobre-o-acordo-ortografico/

Deixo também outro texto, em jeito de comédia, de um artigo de opinião de um Brasileiro: http://veja.abril.com.br/081008/mainardi.shtml