07 abril 2008

OS INCENTIVOS DO SNS

A saída de centenas de médicos do Sistema Nacional de Saúde (SNS) faz hoje capa no DN. Segundo o jornal, entre 2006 e 2007, mais de 400 médicos(as) abandonaram o SNS. Segundo o Bastonário da Ordem dos Médicos continuam a "empurrar-se os médicos para fora do SNS, que, muitas vezes, saem não tanto pelo que podem ganhar no privado, mas porque se sentem insultados com medidas estúpidas." Que fazer para travar a saída dos médicos do SNS? Talvez seja preciso eliminar as "medidas estúpidas". Contudo, na entrevista, o bastonário realça principalmente "salários justos e medidas de carácter afectivo e melhores condições de evolução na carreira". Igualmente, o dirigente do Sindicato Independente dos Médicos defende que a única maneira de reter os médicos no SNS é através de "uma justa política de incentivos, que ainda não está suficientemente generalizada no universo hospitalar".
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Pois faz todo o sentido. Afinal, se as outras pessoas respondem aos incentivos, os médicos também o fazem. O que eu gostaria de saber era o seguinte:
1) o que é que serão "salários justos"? Os determinados pela oferta e pela procura, tal como no sector privado?
2) que incentivos é que estamos a falar? "Salários justos" ou mais algumas coisas (tais como mehores condições de trabalho, mais e melhor equipamento, etc)
3) os valores de 400 médicos a abandonar o SNS são retirados fora do contexto. Neste sentido, interessa perguntar: quantos médicos abandonavam o SNS em 1990? Em 1995? Em 2000? Ou seja, um ano não quer dizer nada, o que interessa é a tendência. E o artigo e o bastonário não a refere.
4) O representante dos médicos afirma também que precisamos de formar 2000 médicos por anos, mas só se estamos a formar 1500. Numa simples lógica de oferta e procura, será que este senhor não percebe que se se aumentar a oferta de médicos, os salários não subirão? Isto é, mais médicos significa que gaverão menos "salários justos"...

3 comentários:

S disse...

Posso adicionar mais um ponto? Segundo aquilo que o bastonário diz no último parágrafo da notícia (e que está absolutamente correcto), como é possível formar 2000 médicos por ano quando aqueles que os deveriam formar estão alegadamente a deixar o SNS? Não há formação médica pré e pós gradudada fora deste e ambas estão pelas costuras na situação actual.

Em relação ao ponto 3, ouvi recentemente relatos de um médico sobre um serviço de um hospital da grande Lisboa no qual o número de médicos passou de mais de duas dezenas para 4 ou 5 no espaço de dois anos. Não sei se será ou não demonstrativo de uma eventual tendência generalizada e, infelizmente, o artigo do DN peca nisso.

Gi disse...

1) Não sei o que são salários justos - a oferta até aqui era grande porque os médicos também queriam estabilidade, reforma e a possibilidade de trabalhar e aprender em equipa. Daqui para diante já não sei.
2) Sem dúvida que só o salário não é tudo e as condições de trabalho vão-se deteriorando todos os anos.
3) Concordo que números atirados assim só servem para épater les bourgeois. É o costume, de resto.
4) Mais números! Tanto o bastonário como o presidente do SIM foram testemunhas dos primeiros cursos pós-25/04/74 dos quais saíram milhares de médicos, e sabem ao que isso levou. É estranho que peçam mais do mesmo.

Alvaro Santos Pereira disse...

S e Gi

Muito obrigado pelos comentários e pelas informações. Algumas sugestões para reformar o SNS e para melhorar os incentivos dos médicos?

Alvaro