10 abril 2008

O MITO DA CRIMINALIDADE ELEVADA

Segundo alguns media, a situação da criminalidade em Portugal não pára de aumentar e está mesmo a ficar fora do controlo. Ora são as mortes violentas, ora assassínios crueis, ora os assaltos às estações de serviço, ora os abusos sexuais, ora o rapto de menores, ora ora ora. A sitação é tão má que alguns entre nós se dedicam a semear o pânico e a desconfiança, principalmente contra aqueles que são mais visíveis, isto é, os imigrantes. Afinal, se a criminalidade violenta tem crescido significativamente na última década e foi durante este período que assistimos a um aumento sem precedentes na criminalidade, é fácil concluir de quem é a culpa.
Ou ... será que não? (A resposta é um enorme não).
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A verdade é que se atentarmos para os números existentes é fácil perceber que essa teoria (esse mito) não é verdadeira. É neste sentido que se deve saudar o artigo de hoje do PUBLICO, no qual se divulgam os números do Relatório Anual de Segurança Interna. De acordo com este relatório, registou-se uma decréscimo significativo da criminalidade violenta em Portugal durante o ano de 2007. Para além do mais, e contra a percepção de muitos entre nós, Portugal continua a ser um país relativamente pacífico, pelo menos em comparação com os outros países ocidentais. Portugal não é um paraíso sem crime, mas também não é um país prestes a explodir social ou criminalmente. E tudo o resto são alaridos empolados pelos media.


4 comentários:

Anónimo disse...

Pois, o pior é que a maior parte dos crimes não são participados...

Interrogo-me como a Suécia no 1º lugar da lista e a Itália no meio.

A meu ver esta lista é pouco viável e enganadora...

Nero_azurra

JAM disse...

Caro Álvaro Santos Pereira, saudações. Foi uma boa análise em função dos dados acerca dos crimes participados. No entanto não existem informações sobre os crimes não participados, o que muito provávelmente deturpará a realidade. Dou-lhe uma achega: entre outras actividades extra laborais, faço apoio à vítima numa ONG e devo dizer-lhe, que nessa situação específica, perto de 40% das queixas não são oficializadas (mesmo sendo crimes públicos) por intenso medo das vítimas ou por descrença nos mecanismos de protecção e da (in)acção da Justiça, e isto apesar da nossa insistência, apoio e esclarecimento jurídico. É apenas um mero exemplo, mas pode ser um indicador a levar em consideração sobre uma tendência na sociedade. Outro exemplo: para pequenos furtos ou fraudes (roubo de auto rádio ou uma nota de euro falsa) a maioria das pessoas preferem nem fazer queixa porque isso significa uma enorme perda de tempo e gastos acrescidos (custas judiciais, advogados, etc).

Um à parte: gostava muito de ler um dia uma reflexão sua acerca da comparação da subida real dos preços do petróleo em euros e em dólares, tendo em conta a valorização da primeira moeda em face da desvalorização da segunda.

Um abraço lusitano.

Alvaro Santos Pereira disse...

Caros Anónimo e JAM,

Os vossos pontos são muito pertinentes. Amanhã faço um post sobre os vossos comentários

Obrigado

Alvaro

Antonio disse...

As estatísticas valem o que valem. Mas é evidente que há uma transformação de valores e que há uma enorme quantidade de pessoas sem prespectivas de futuro. É pois dificil acreditar que a criminalidade violenta possa ter diminuido. Nunca firam noticiados tantos assaltos a bancos e ourivesarias e mortes violentas com os gangs da noite Para não falar do "carjacking". Mesmo que se tenha consciência que a imprensa empola as notícias não há nenhuma razão para pensar que se criaram condições para reduzir os números da criminalidade violenta.

Uma coisa é certa. No que respeita ao pequeno crime, os cidadãos já entenderam que fazer queixa só dá despesa e chatice. Quanto ao crime grande basta que haja uma alteração na classificação para que a tendência se altere. Uma coisa é certa. Não parece haver razões que expliquem tamanha boa noticia