15 março 2008

AS LIÇÕES BRITÂNICAS

Este é um outro exemplo de um país que teve um completo volte-face em relação à sua situação económica. Até aos anos 80, os economistas não se cansavam de apregoar a “doença britânica", visto que a economia britânica cresceu substancialmente menos do que as suas congéneres europeias desde o final da Segunda Guerra Mundial. O ponto de viragem aconteceu nos anos 80 com o ímpeto reformista dos governos da era Thatcher, os quais introduziram uma série de medidas estruturais destinadas a combater os problemas de produtividade desse país. Entre as reformas estruturais implementadas incluem-se a desregulamentação da economia, a descida dos impostos, a desburocratização do aparelho estatal, e uma redução substanciail do poder dos sindicatos ingleses.
Outra das medidas da altura foi a decisão de deixar cair alguns dos sectores tradicionais ingleses de baixa produtividade, tais como a indústria mineira do carvão. Esta indústria empregava cerca de 250 mil trabalhadores nos anos 80, mas sofria de várias ineficiências e graves problemas de produtividade. Em vez de decidir manter essas ineficiências através de um programa de generosos subsídios, o governo da altura preferiu não o fazer, o que fez com que a maioria das empresas mineiras não subsistissem. A longo prazo, esta revelou-se como uma boa medida, visto que os fundos aplicados nessa indústria foram aplicados em outros sectores com maior produtividade e grande parte dos trabalhadores mineiros foram empregues em sectores mais produtivos.
LIÇÕES PARA PORTUGAL
O governo português igualmente poderia fomentar ainda mais a desregulamentação da economia, e principalmente continuar a promover a desburocratização do aparelho estatal, o qual não só é demasiado grande, mas também é extremamente ineficaz. Assim, o aparelho estatal português muitas vezes é mais um empecilho do que uma ajuda para o sector privado.
O exemplo da (penosa) reestruturação da indústria mineira britânica fornece também uma lição válida para um dos sectores de menos valor acrescentado em Portugal, que é o sector têxtil. Como o exemplo britânico demonstra, por vezes, é mais importante haver uma reestruturação radical dos sectores menos produtivos das economias do que tentar mantê-los a todo custo. De facto, de uma forma geral, está provado que um reinvestimento dos recursos afectos aos sectores menos produtivos para outros fins mais produtivos melhora a produtividade global da economia.

2 comentários:

Antonio disse...

Boa noite Álvaro

A Sra Thatcher teve a coragem de reduzir enormemente a intervenção do Estado na economia. Deixou o mercado funcionar muito mais pelas suas próprias leis. E sobretudo enfrentou o poderosissimo sindicato dos mineiros que procurou paralisar a economia inglesa com uma greve de meses.

E com isso deu a volta a uma economia que andava a perder face a todas as suas congéneres europeias.

A Irlanda fez os seu milagre seguindo os mesmos principios.

Aqui em Portugal vigora o complexo de esquerda. Ser adepto da economia de mercado é ser de direita. Porventura fascista. Porque ser adepto da economia de mercado é dizer muito claramente que os direitos dos portugueses não decorrem das exigências feitas com o punho fechado e métodos afins mas pelo mérito e qualificação do trabalho feito em Portugal. E que sem esse mérito não há direitos que valham. Mas na hora da verdade nimguem tem coragem de assumir isso. E por isso vive-se em Portugal uma confusão medonha porque muitos portugueses continuam a imaginar que é através do braço no ar que conseguem melhorar a sua vida. E quanto a mim, muitos estão perfeitamente convencidos disso.

E assim, enquanto não houver a coragem de assumir a economia de mercado com tudo aquilo que ela implica, não haverá forma de dar a volta ao estado das coisas. São os empresários mal habituados desde o condicionamento industrial à espera das benesses governamentais ( com a promessa de empregarem os futuros ex-governantes com remunerações chorudas )e os sindicatos a exigirem direitos e garantias sem qualquer sustentabilidade.

Enquanto a mentalidade não mudar não há reforma que vá avante. E assim parece paralizada a reforma de saude e na educação percebe-se o Governo a ziguezaguear,fingindo que não o faz, à primeira contrariedade.

Acredite que antes de se mudarem politicas e se proporem reformas é necessário se-se claro e corajoso. Caso contrário as pessoas sentir-se-ão enganadas como é o caso presente pois as políticas actuais são opostas às promessas eleitorais.

Ah, já me esquecia! Também era importante que muitos dos actuais governantes e candidatos tivessem tido um paizinho ou um avôzinho que lhes tivesse ensinado que quem está em cima deve ser o primeiro a dar o exemplo.

Sem isto nada feito

Alvaro Santos Pereira disse...

António,

Partilho quase na íntegra a sua visão dos problemas nacionais. è sempre refrescante ouvir a sua opinião.
Também concordo que a criação de uma verdadeira meritocracia é fundamental para Portugal. E que não há que ter complexos da economia de mercado, que certamente não é incompatível com alguma protecção social.

Obrigado.

Alvaro