19 junho 2008

ASSIM SE VÊ A FORCA (sem cedilha) DO PC

Perante a crise que se agrava, o Partido Comunista avançou ontem com uma série de propostas para diminuir o mal-estar. Entre as medidas sugeridas estão as seguintes:
_ preços máximos para o pão, o leite e os produtos de higiene
_ uma subida do salário mínimo nacional
_ um aumento intercalar dos salários dos funcionários públicos
_ crescimento de 4 por cento das pensões mais baixas
_ criação de um imposto sobre os lucros das petrolíferas
_ utilização do gasóleo profissional nos transportes públicos "já anunciada pelo Governo, mas que “tarda a concretizar-se”"
_ congelamento dos preços dos títulos de transporte
Em suma, a receita do costume dos partidos comunistas: controlo e congelamento de preços, subida dos salários e pensões, e impostos sobre os lucros das empresas.
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A única coisa que o PC não diz (nunca o faz) é quem é que pagaria a factura por estas medidas? Se não vejamos. Comecemos pelos preços máximos. Parecem razoáveis à primeira vista de forma a aliviar os mais pobres entre nós. No entanto, se o fizéssemos, quem (e como) é que compensaria os produtores e os importadores de tais produtos? Se não houvesse compensação, porque é que estes produtores e importadores continuariam a produzir ou importar bens para nós? Porque é que não se voltariam para Espanha ou outros mercados? Por nacionalismo ou patriotismo? Não me parece que tal acontecesse...
Segundo, a subida do salário mínimo e das pensões seria obviamente benvinda. Afinal, há demasiada pobreza em Portugal e tais medidas ajudariam principalmente os mais pobres. Porém, quem pagaria a factura? O resto dos contribuintes, como é óbvio. O problema é que uma grande maioria dos contribuintes já se encontra demasiado apertada e certamente não veriam com bons olhos uma possível subida dos impostos (necessária para possibilitar a subida das pensões e dos salários). Por isso, tal iniciativa estaria condenada ao fracasso.
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E que dizer da subida intercalar dos salários da função pública? Pura demagogia, principalmente porque é proposta numa altura em que ainda não há margem de manobra orçamental.
E um imposto sobre os lucros das petrolíferas? Não será esta uma boa medida numa altura em que estas empresas têm lucros recordes? À primeira vista, parece boa. Porém, se analisarmos o que acontece nestas situações, a ilusão desaparece. O que é que acham que as petrolíferas fazem quando os governos aumentam os seus impostos? Pois é. Todos nós pagamos. Ou seja, os impostos são inteiramente incorporados nos preços dos combustíveis. Assim, se criarmos mais impostos para estas empresas quem acabará por pagá-los somos todos nós.
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Resumindo, as medidas propostas pelo PC não têm razoabilidade económica. Nem sequer são exiquíveis ou passíveis de atenuar a crise. Muito pelo contrário. São verdadeiros exercícios de demagogia política.
Dito isto, sinceramente tiro o meu chapéu ao PC. Ao menos, o PC pensa em soluções para a crise. Mal, mas pensa. Ao menos o PC dá soluções para a crise. Soluções erradas, é certo, mas são soluções.
Que outros partidos têm feito o mesmo? Nenhuns. Ou é a obsessão dogmática pelo défice ou é o vazio ideológico. Por isso, parabéns ao PC por esta iniciativa. É errada, mas ao menos lança o debate. E só por isso merece o nosso aplauso.

3 comentários:

Tiago Moreira Ramalho disse...

O Partido Comunista afunda-se nas areias movediças do seu populismo. Esquece-se que as pessoas são cada vez menos burras e utiliza as estratégias mais directas para iludir. A ilusão de uma utopia que, depois de desiludida, seria um desastre!

Antonio disse...

Acabei de ler o comentario do Tiago e discordo em absoluto dele. Não está provado que as pessoas sejam cada vez menos burras e as sondagens dão o PC e o Bloco em alta. Atente-se a quais são os programas de maior audiência para se suspeitar fortemente que a burrice, a ignorância e a alienação estão generalizadas.

Estes dois partidos continuam a sonhar com a revolução marxista leninista e como tal fazem sempre propostas que levariam a completa falencia do pais, propiciando condições para a dita revolução.

Claro que aquilo que eu acabei de escrever seria considerado uma afirmação de um verdadeiro anticomunismo primário. Porque estes senhores criaram a imagem do "anticomunista primário" para todos aqueles que chamam os bois pelos nomes. E assim calam todos aqueles que não querem ser suspeitos de anticomunismo primario e de antidemocratas. E o que é facto é que esta tactica tem resultado.

Estes senhores são de uma verdadeira esperteza saloia mas como de facto saloiada é coisa que não falta, tudo isto encaixa.

Mas de facto pelo menos estes senhores fazem propostas. Do outro lado é o deserto de ideias. e o deserto de causas. A novo rosto da oposição parece não ter nada de novo para dizer.

E mais não digo porque não vale a pena.

Há já uns meses que intervenho neste blog. E as minhas intervenção são sempre um pouco no sentido de não acreditar na viabilidade do nosso país. Infelizmente as minhas previsões têm dado certas. E nada aponta para que a situação mude para melhor. Bem pelo contrário.

A procissão não chegou ainda sequer ao adro. Já lá vão 5 anos de quase recessão. E avizinham-se mais uns quantos. Quem conseguirá
sobreviver no final?

Um abraço de Washington para o Álvaro

Alvaro Santos Pereira disse...

António,
Concordo que as coisas não estão fáceis. E até devem piorar nos próximos meses.
Ainda assim, há alguns indicadores a nível das exportações que indiciam que algo possa estar a mudar. Falarei sobre os mesmos num dos próximos posts.

Tudo de bom aí em Washington,
Alvaro