19 junho 2008

NEAR MISSES


Um comentador inglês afirmou que parecia que Portugal continuava a ser uma equipa de "near misses". Outro questionou se nós não seríamos "perpetual underachievers". É, de facto, uma pena. Mais uma vez não foi cumprido todo o nosso potencial.

3 comentários:

Tiago Moreira Ramalho disse...

nao cumprir todo o nosso potencial já vai sendo recorrente em Portugal, não?

[oafilhado.blogspot.com]

Tiago Moreira Ramalho disse...

AH! só agora vi que é o senhor o autor do Mitos da Economia Portuguesa! Muitos parabéns pelo livro, ideia excelente.

LUIS FERNANDES disse...

A GRANDE ILUSÃO
Portugal foi eliminado do Europeu. Ora bolas! A partir de agora, sem circo, como é que se vão manter as hostes ocupadas? Descida dos infernos, lá vem a crise outra vez, como monstro mitológico, espavorido e a bufar lume pelas narinas.
Já estou a ver o engraxador Anacleto, em casa, a pisar o cachecol, dar um valente sopapo na Efigénia, a sua cara-metade, e os filhos, como ratos num navio prestes a afundar-se, a correrem rápidos, antes que a turbulência também se abata sobre os seus corpos escanzelados e endémicos. Em cima da cómoda, que, pelas rugas salientes na madeira meia carcomida, já conheceu melhores dias, num oratório, em castanho -que foi a única coisa que resistiu à fúria de tudo vender do pai bêbado do Anacleto-, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, em barro, de criação popular, parece, pela cara sofrida, querer encolher-se, como a dizer: “a seguir sou eu”. De mãos erguidas ao céu, parece falar com Deus, e em prece sentida, pede-Lhe perdão, e protecção contra aquele brutamontes do Anacleto. De olhos postos no etéreo, em oração, parece falar com o Mestre e, em diálogo, parece dizer: “eu não tive culpa pai. Eu esforcei-me, palavra de honra! Embora tenha de confessar que não gostei nada, mesmo nada que o Scolari me levasse para a cama. Sim! É verdade, o raio do homem, abusivamente, até dormia comigo. Ora isso é violação, entendes Pai? Depois, tantos milhões a fazerem pedidos. Não há santa que aguente. E agora, que perdemos, como a Efigénia, lá vou sofrer a violência doméstica do cabrão do Anacleto. Ora fosca-se para isto! Não há santa que aguente a crendice destes portugueses! Demito-me, Pai! Tira-me daqui depressa!”
Ouviu-se um grande estardalhaço na rua em frente ao prédio do Anacleto. Por pouco que a Dona Mariquinhas, coitadinha, não era atingida. O estafermo do engraxador, do seu 3ºandar, mandou o oratório para a rua. Espatifou-se tudo. É o povo no seu melhor…quando está no seu pior.

LUIS FERNANDES
(www.questoesnacionais.blogspot.com)