16 novembro 2010

DECLARAÇÕES DESASTROSAS

As intervenções desastradas do Ministro das Finanças continuam. Se não, como é que se pode perceber a entrevista do Ministro ao Financial Times? Afirmar que o risco de recorrer ao fundo de estabilização europeu e ao FMI é "elevado" equivale a uma autêntica declaração de capitulação e a admissão de que o governo já não tem qualquer controlo da situação actual. Foi exactamente assim que a grande maioria dos analistas viu as declarações do Ministro. Eu sei que o Ministro tentou desmentir essas afirmações ao longo do dia. No entanto, como é evidente, o mal já estava feito, pois os principais meios de comunicação do mundo só prestaram atenção às declarações iniciais de Teixeira dos Santos. Por isso, interessa perguntar: porquê? Por que motivo é que o Ministro das Finanças proferiu tais afirmações? Só encontro duas possibilidades: ou o Ministro sabe que já não há volta a dar e que o recurso ao fundo de estabilização europeu é mesmo inevitável, ou então Teixeira dos Santos tentou fazer no estrangeiro o que tem tentado fazer internamente nos últimos meses, isto é, desculpabilizar-se das responsabilidades que o governo tem por termos chegado a este ponto. Ao atirar a culpa da situação actual para os mercados, para a crise internacional e para o contágio europeu, Teixeira dos Santos tenta-nos convencer que a culpa disto tudo não é da exclusiva responsabilidade da política económica dos últimos anos,  que nos conduziu a esta lamentável situação. Obviamente, estes argumentos já não convencem ninguém. E quem perde com tudo isto somos nós. Infelizmente, a credibilidade nacional continua pelas ruas da amargura. 

4 comentários:

Insurrecto Meditativo disse...

Todo este governo é uma nódoa no que concerne a transmitir confiança aos mercados. O Ministro das Finanças, sendo o responsável político mais próximo dos mercados e dos seus representantes, tem a capacidade única, desastrosa para os portugueses e para o seu futuro, de fornecer entrevistas cuja mensagem contém sempre uma parte de "Malucos do Riso", 100% Made in Portugal.

Insurrecto Meditativo disse...

Aliás, toda esta conjuntura é tão estranha que chegámos ao ponto de os endividados não pedirem ajuda directamente, preferindo antes enviar sinais, feito coitadinhos. Vitimização económica, se é que tal existe.

Vejamos o caso da Irlanda. Alguém minimamente são e racional consegue fornecer um argumento que vá contra o pedido de auxílio? A Irlanda somente adia o que é inevitável.

Sem certezas, parece-me que o "governo" português apenas espera que a Irlanda peça ajuda.

democracia participativa disse...

Recorrermos ao fundo de estabilização é um dado mais do que adquirido, o próximo passo será emissão de nova moeda ou saída do euro. Os politicos deste PAÍS só existem para defenderem uma instituição que se chama UE, o resto mesmo que a vida das pessoas seja prejudicada não interessa.

antonio disse...

Já vi péssimos ministros das finanças. Mas Teixeira dos Santos bate todos os recordes. Desde o momento em que este homem arranjou tão mediático emprego que só tem feito asneiras. Tendo como chefe um esquizofrénico que vive num mundo à parte é dificil não delirar.

Mas num país em que não há convicções e qualquer estratégia não é possivel fazer qualquer discurso coerente para convencer os mercados. Porque os mercados não se convencem com tretas.

E como não há Dons Sebastião continuaremos à deriva.

António