28 maio 2008

O ENDIVIDAMENTO E A CRISE

Já se conhecem os novos números do nível de endividamento das famílias portuguesas, o qual já atingiu os 129% do seu rendimento disponível anual. Este é o valor mais elevado dos últimos 13 anos e é bem revelador das dificuldades que ainda se fazem sentir para uma grande maioria dos consumidores portugueses. Deslumbrados pelos juros baixos possibilitados pela nossa adesão ao euro, muitos(as) portugueses(as) endividaram-se para níveis nunca dantes vistos. O grande problema é que quanto maiores são as nossas dívidas, menor é a margem de manobra ao nosso dispor. Se parte do nosso rendimento destina-se ao pagamento das dívidas antigas e dos seus juros, temos menos possibilidade de aumentar o nível do nosso consumo actual e as nossas poupanças decrescem. É exactamente isto que está a passar. O grande nível de endividamento das famílias portuguesas (e do Estado) limita uma possível expansão do consumo. Por outro lado, o baixo nível de poupanças diminui os fundos disponíveis para o investimento. Ora, tanto o consumo como o investimento são fundamentais para uma recuperação económica. Assim, o nível de endividamento das famílias constitui um entrave à própria retoma da economia.

2 comentários:

Luís Leitão disse...

Olá Álvaro,

Com certeza que o endividamento das famílias constitui um entrave à retoma da economia, e de certeza que nos últimos meses muitas famílias têm vivido com uma "corda ao pescoço", mas o nível da taxa de endividamento das famílias portuguesas avançado pelo DN de 129% não será um número muito mais alarmista do que se passa na realidade? Desde logo porque partindo deste pressuposto, somos obrigados a acreditar que todos os meses as famílias pedem dinheiro emprestado ao banco para colmatar cerca de 10,75% das suas despesas mensais.
Por outro lado, penso que sempre que são lançados números destes, antes de se tirar qualquer conclusão, é importante desmontar estes valores. Neste caso em concreto, depois de reler o Relatório de Estabilidade Financeira - 2007, emitido pelo Banco de Portugal, ficamos a saber que, segundo o o Inquérito ao Património e Endividamento das famílias cerca de 73 por cento das famílias portuguesas são proprietárias da residência principal. Significa que grande parte desta elevada taxa de endividamento (129%) corresponde a uma dívida média de cerca de 95 mil euros, contraída para prazos superiores a 30 anos, acabando por não reflectir na sua essência o real valor da prestação no orçamento mensal. Ou seja, não reflecte nem de perto nem de longe a liquidez mensal das famílias. Por esta e outras razões, o mesmo relatório revela que "a actual situação financeira das famílias não deverá pôr em causa a estabilidade financeira, ainda que se detectem algumas situações de vulnerabilidade em estratos mais jovens e de rendimento mais baixo".

Abraço
lmleitao

Antonio disse...

A solução para este problema do endividamento familiar está a ser resolvido pela comunicação social.
Os problemas só existem quando deles temos percepção. Mas quando os nossos canais televisivos transmitem em directo a partida do camião TIR com as cuecas e camisolas dos nossos jogadores da selecção para a Suiça e até entrevistam as senhoras que limpam os balneários dos jogadores não há crise que resista. Este não é um país de crise económica ou de deficit cultural. Este é o pais do caso Esmeralda e do Futebol.

Em todos os noticiarios e a toda a hora. Viva Portugal