31 maio 2008

O NOVO CHOQUE PETROLÍFERO (1)

No primeiro choque petrolífero de 1973 (causado pelo embargo dos países árabes em retaliação à Guerra do Yum Kippor) originou uma subida vertiginosa dos preços do petróleo, que triplicaram em apenas alguns meses. Igualmente, entre os anos de 1979 e 1980, os preços petrolíferos aumentaram quatro vezes, principalmente devido ao efeito negativo da revolução Iraniana e da guerra Irão-Iraque. Ora, se analisarmos os dados históricos, damos conta que a magnitude da actual subida dos preços do crude tem sido bastante mais moderada face a 1973 e 1980. Entre 2001 e 2004, os preços do petróleo subiram cerca de 140%. Desde então, os preços já duplicaram. Em comparação, durante a crise petrolífera de 1973, os preços do crude aumentaram cerca de 275% em apenas seis meses. Durante a crise de 1980, a subida dos preços foi ainda mais acentuada. Ou seja, a grande diferença entre o choque actual e os choques petrolíferos de 1973 e 1980 é que os preços do crude subiram então muito mais depressa do que actualmente.
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Ainda assim, é claro que o impacto da subida acentuada dos produtos petrolíferos é bastante apreciável. Alguns estudos estimam que cada aumento do preço do petróleo em $10/barril é associado com uma descida do PIB mundial em cerca de 0.5% ao ano. Quais são então as causas do substancial aumento dos preços do petróleo?
Por um lado, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a procura mundial do petróleo é a mais elevada dos últimos 25 anos, principalmente devido ao grande aumento da procura por parte da China, à retoma (ainda tímida) da economia mundial, e ao aumento da procura de muitos países subdesenvolvidos (como a Índia). De facto, segundo um estudo do HSBC Bank, o aumento da procura explica cerca de 80% dos preços petrolíferos actuais. Porém, outros estudos não concordam com esta análise. Nomeadamente, a AIE estima que a procura tem sido largamente satisfeita pela oferta. Neste sentido, o aumento dos preços petrolíferos seria justificada principalmente por dois factores: a incerteza sobre a oferta de petróleo futura e a especulação.
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A incerteza sobre a oferta petrolífera deve-se a uma série de conflitos internacionais, tais como o conflito no Médio Oriente. Neste contexto, alguns analistas estimam que o prémio de risco é responsável por cerca de 25 por cento do preço do crude actual. Esse prémio de risco é ainda mais elevado devido à grande especulação que hoje se vive no mercado do crude. Por seu turno, esta especulação está relacionada com a grande incerteza que rodeia grande parte das principais regiões exportadoras. Devido a todos estes motivos, tem havido uma grande especulação nos mercados mundiais, o que tem originado um aumento substancial do preço do crude.
Assim, é provável que os preços do crude se mantenham substancialmente elevados durante os próximos tempos, o que trará toda uma série de consequências para as economias mundiais. Este cenário será analisado na segunda parte deste artigo.

1 comentário:

Antonio disse...

Não nos esqueçamos contudo que em 1973 os grandes responsáveis pelo consumo do petroleo eram os ocidentais. Quando a crise "acalmou" o número de consumidores era básicamente o mesmo.
O actual contexto é bem diferente. Nem a China nem a India querem ficar atrás do Ocidente. Imagine-se cada familia chinesa ou indiana com pelo menos dois aparelhos de ar condicionado em cada casa. Imagine-se cada família chinesa ou indiana com uma máquina de lavar roupa, máquina de lavar loiça, um microondas, uma torradeira, 2 televisores, um amplificador, um leitor de cd etc. Imagine-se todas as famílias indianas e chinesas a terem pelo menos um automóvel. E lembremo-nos que estamos a falar para 2020 em cerca de 3.000.000.000de seres humanos.
Claro que só estou a falar dos indianos e chineses. Mas o consumismo vai também chegar a outras nações.
A unica conclusão que se pode tirar é que o consumo anual de recursos vai disparar. Quer de recursos energéticos quer de matérias primas.

Prognósticos só no fim mas muita coisa vai mudar e as tensões inflaccionistas vão se manter altas.

O tempo das vacas gordas deve ter chegado ao fim.