16 maio 2008

RENDIMENTOS DECRESCENTES DAS GREVES

Mais um dia, mais uma "grande" greve anunciada pela CGTP. Desta feita será uma "grande" manifestação dos trabalhadores contra as revisões do novo Código do Trabalho, a realizar no dia 5 de Junho. Mesmo que se aceitem as razões de mais esta greve, já não têm conta o número de acções e manifestações contra o governo organizadas por esta central sindical nos últimos meses. Claramente, os dirigentes da CGTP não pensam como economistas (oh sacrilégio!). Se pensassem, facilmente percebiam que estas greves constantes não levam a nada ou, no máximo, a muito pouco.
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Há uma lei na Economia que todos os alunos aprendem no primeiro ano. Chama-se a lei dos rendimentos decrescentes e que nos diz que se aumentarmos um factor produtivo enquanto os outros permanecem constantes, mais cedo ou mais tarde a produtividade baixa. Por exemplo, suponhamos que eu tenho uma terra para cultivar e que eu decido comprar um tractor. obviamente, a compra da máquina irá fazer aumentar a produção consideravelmente e a produtividade cresce. Se eu decidir comprar um segundo tractor para o cultivo dessa mesma terra, o aumento de produção que vou obter com o novo tractor será menor do que aquele obtido com o primeiro tractor. Se eu continuar a comprar mais e mais tractores para cultivar a mesma terra, posso chegar a uma altura em que os tractores batem constantemente uns nos outros, e nada é produzido. Isto é, há rendimentos decrescentes na aplicação de tractores para o cultivo da minah terra.
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Esta lei tem bastantes aplicações, inclusivamente para a análise das greves da CGTP. Se esta central sindical decidir convocar uma greve "justa" num determinado ano, é provável que o impacto seja grande, tanto a nível de adesão como junto da opinião pública nacional. Porém, se depois dessa iniciativa bem sucedida, a CGTP decidir convocar mais uma greve ("justa", é claro) e mais uma e mais outra e ainda mais outra, então mais cedo ou mais tarde a eficácia das greves é diluída e o propósito das manifestações desaparece. A partir de certa altura, os únicos a irem às manifestações são os militantes do PCP e da CGTP. Mais ninguém. Isto é, quanto mais greves forem convocadas pela CGTP, menos impacto essas greves irão ter. Toda a gente percebe isso, menos os dirigentes da CGTP. Será que esses(as) senhores(as) não entendem que tantas greves só servem para diminuir a credibilidade deles mesmos?

1 comentário:

António Parente disse...

Bom, parece-me que não gosta muito da CGTP. Se assim é, a diminuição da credibilidade "deles mesmos" devia deixá-lo feliz mas parece que não é assim. Fico intrigado.