30 outubro 2010

POUPAR OU GASTAR?


Poupar ou gastar, eis a questão. O que fazer em tempos de crise? Gastar mais para fomentar o consumo e o crescimento da economia nacional? Ou, gastar menos para diminuir o nosso endividamento externo? Esta é uma das questões mais importantes com que nos iremos deparar nos próximos tempos. Se não fosse o nosso elevado nível de endividamento, uma economia em crise beneficiaria se os portugueses gastassem mais, em consumo e em investimento. Se a estes se juntassem os estrangeiros (através das exportações nacionais) ainda melhor.  
No entanto, como o nosso endividamento já está bem acima daquilo que produzimos, poupar e pagar dívidas não é apenas racional, é imperioso. Porquê? Porque se insistirmos em consumir acima dos nossos rendimentos, mais cedo ou mais tarde os credores deixarão de nos conceder crédito, o que poderá dar origem a uma crise financeira e económica bem pior do que a actual. 
O que fazer? Não haverá um meio termo? Se quer ajudar a economia nacional, o melhor que tem a fazer é poupar mais e, se possível, investir em acções das empresas nacionais ou em obrigações (das empresas e do Estado). Ao fazê-lo, ajuda a financiar a economia nacional, permitindo ainda diminuir o endividamento externo, pois não temos que pedir crédito ao exterior. 
Por outras palavras, poupar e gastar não são totalmente incompatíveis. Nós poupamos e as empresas investem. O que é preciso é que os nossos gastos e poupanças sejam canalizadas para as empresas e o sector privado, e não para o Estado. Ou seja, tudo o que não temos feito nos últimos anos.

Nota: Meu artigo no Notícias Magazine de Julho de 2010

2 comentários:

Drumster disse...

Álvaro, várias vezes me perguntei qual a melhor estratégia para efectuar algumas poupanças por um lado e por outro para ajudar a economia. Mas investir em obrigações do Estado ou certificados do tesouro parece-me ainda bastante arriscado. Cumprimentos.

antonio disse...

Caro Àlvaro,

Não o sabia adepto da "lei do condicionamento industrial". Sabia que a EDP vende a Espanha a electricidade que produz em Portugal 25% mais barata do que a vende aos consumidores portugueses?
Comprar acções da EDP por patriotismo? Ah,Ah,Ah!

A questão é que todas as medidas(absolutamente imperiosas) que se tomarem para reduzirem o ritmo de endividamento vão fragilizar ainda mais o nosso tecido económico. O que nos vai tornar a médio e longo prazo ainda mais dependentes do exterior e consequentemente mais endividados.

E mesmo com todos os sacrificios que serão impostos aos portugueses e presumindo que não há derrapagens e que as receitas fiscais previstas serão obtidas(o que é altamente improvávell dado o clima recessivo que se avizinha)o endividamento continuará a existir embora o seu ritmo seja reduzido. Portanto nenhuma solução de fundo foi criada.

E não se esqueça de um pormenor. O Álvaro é o eterno optimista. Eu pareço ser uma ave de mau agouro. Mas os factos demonstram que aquilo que está a acontecer a Portugal coincide com o quadro que eu tenho vindo a desenhar para o nosso país. E quando não coincide é porque consegue ser pior.

Por isso lhe digo que Portugal não vai encontrar uma solução porque não há soluções fáceis. O que vai acontecer é que vamos empobrecer muito e vamos ter de nos ajustar à nossa realidade económica.

Tão simples quanto isso e sem espinhas.

Antonio